Gakuen Hetalia 2.0
26 Capítulo 26
Groenlândia não iria para a aula. Ela tinha levado Islândia para a sala da Mesopotâmia, a conselheira do colégio. Quando ela entrou de cabeça abaixada carregando Islândia por sobre o ombro, Mesopotâmia arregalou os olhos.
– Mas os tempos mudaram mesmo! Na minha época os homens carregavam a mulher desse jeito para casa, hoje as mulheres carregam os homens assim para fazer terapia de casal. Vou pegar as correntes.
Ambos ficaram vermelhos. Mesopotâmia pegou as correntes e um cadeado, prendeu Islândia e o colocou em uma cadeira. Groenlândia ficou em pé atrás dele.
– Contem-me seus problemas.
– Nós não temos problemas, eu nem deveria estar aqui! – Disse o garoto.
– Mocinha, qual o problema da relação de vocês?
A garota saiu de perto e se escondeu atrás de um vaso.
– Ela é tímida demais para vocês terem qualquer coisa, não é?
– Ela só fala com as pessoas em que ela confia.
– Ela confia em você?
– Lógico que sim!
– Ah, já temos um progresso! Tudo bem, mocinha, pode escrever o seu nome e o que está acontecendo? – Disse empurrando um bloco e caneta para ela, que logo foram devolvidos. – Ah, é mais grave do que eu pensava! Groenlândia, não saia desta sala e você, pro divã daquela outra sala!
– Mas eu estou amarrado!
– Sem problemas!
Mesopotâmia arrastou Islândia até a outra sala, que mais parecia o consultório de um psicólogo e colocou Islândia no divã. Ela sentou na cadeira, pegou o bloco e começou a ler.
– Aqui diz que você estava abraçado a uma geladeira.
– Ela é a única que me entende!
– Geladeiras não falam.
– Mas são quentinhas por fora e geladas por dentro.
– Você quer dizer, o motor delas é quente.
– Sim.
– Ok, me explique por que uma geladeira te entende.
– Por que ela jamais irá me decepcionar, estará sempre comigo e gostará de como eu sou, não preciso conversar muito com ela para passar o tempo, embora eu goste.
– Você é o primeiro anormal que sente atração por geladeiras que eu consulto.
– Eu não sou anormal!
– Todos os meus pacientes dizem isso, mas francamente, acha que sentir atração por geladeiras é normal?
– Você é psicóloga?
– Psicóloga, psicoterapeuta, psicanalista, psiquiatra, sexóloga, aconselhadora matrimonial, conselheira... Tive muito tempo para estudar.
– Percebi.
– Então por que perguntou? Esquece, só vai gastar o meu tempo. E as pessoas de verdade, você sente atração por alguma?
– Bem, sim, mas... – Disse mega vermelho.
– E você conhece alguma que tenha o exterior quente e o interior frio como uma geladeira?
– Sim.
– Então chame-a para sair e pare de abraçar geladeiras!
– Como se fosse fácil assim, mas não consigo. Além de não conseguir chamar uma garota sequer para sair, a pessoa que eu gosto vive fugindo de outras pessoas e de multidões e acho que nunca namorou na vida. É incerta sobre relacionamentos e eu tenho medo que ela acabe fugindo pela janela do banheiro ou algo assim.
– É a garota que está na recepção, não é?
– Como é que...?!
– Eu sou mais velha que o China, rapaz! Troquei as fraldas do China, tive quatro filhas e quatro netos, eu sei o que fazer! Groenlândia, por favor, venha até aqui.
Groenlândia analisou um pouco e apareceu na porta da sala, mas não saiu de lá.
– Seu amigo está precisando sair e resfriar a cabeça, então leve-o ao cinema. Este sábado está bom?
A garota se surpreendeu e Islândia queria cavar um buraco bem fundo e se enterrar.
– Ele precisa largar a geladeira e nada melhor do que se distrair. O cinema é a melhor opção, vai estar escuro e ninguém prestará atenção a vocês dois. E você rapaz, depois dessa experiência única, só te receito o tempo. Não seja apressado, tudo tem um tempo para acontecer. Na segunda você virá aqui e me contará como foi. Dispensados!
A nação antiga soltou Islândia e puderam ir para a Classe América. Islândia não queria entrar na Classe Europa e ter que ouvir sermão do seu irmão e na Classe América ele teria como discutir melhor a ida ao cinema com Groenlândia. Mal acreditava que tinha conseguido um encontro com a ilha autônoma e acreditava ainda menos que tinha sido a conselheira da escola que tinha marcado o encontro.
As micronações iriam pegar seus uniformes e seus horários, pois conseguiram adiantar a entrega e a sala seria inaugurada no dia seguinte. Com Wy não seria diferente, mas ela estaria melhor ainda se não estivesse acompanhada da irmã. Zealand cismou em acompanhá-la, ela parecia mais animada do que qualquer micronação.
– Kaelin, o que aconteceu?
– Nada.
– Então por que está com essa cara?
– Não tem cara nenhuma, eu só quero pegar a droga que eu tenho que pegar e ir para casa!
– Aí tem coisa. – Disse ficando séria e assustadora. – O que aconteceu?
Agora não teria jeito. Wy sabia muito bem que quando Zealand ficava decidida, nada a parava. Nesses casos o melhor a fazer ou era contar a verdade e ferrar Austrália e New ou tentar contornar a situação. Era muita pressão e Wy não lidava bem com isso. Ela abraçou as pernas da outra, que se assustou e se agachou para abraçar a mais nova.
– Kaelin, você está bem?! Alguém fez alguma coisa com você?!
– Alice, não importa o que aconteça, você sempre será minha irmã mais velha.
– Você pegou Ralph e Dick na cama não foi?
– Como sabe?
– Eu vou matar aquele desgraçado! – Disse se levantando, com fogo nos olhos, e uma aura negra em seu entorno.
Zealand ia em direção ao prédio com toda a fúria, Wy tinha se agarrado à perna da irmã e implorava para ela parar. Nunca a tinha visto assim e esperava que fosse a última vez que a veria desse jeito. Zea entrou no prédio e começou a andar pelos corredores.
– Alice? – Disse uma voz um tanto conhecida.
– Big sis! – Disse a morena saindo de um estado psicopata e abraçando a ruiva em desespero e começou a chorar.
– O que houve, você está bem? Fizeram alguma coisa ruim com você?
– Você é a big sis? – Perguntou Wy.
– Pode me chamar de Eire, ou como todo mundo me chama, Irlanda. O que aconteceu com ela?
– Bem, ela ficou psicótica e iria matar alguém.
– Inglaterra ou alguém que estava com o irmão dela?
– A segunda opção.
– Eu ainda mato aquele Rock Lee loiro. Vem, Alice. Ouvi falar de alguém que pode te ajudar. Venha você também.
– Está bem.
Irlanda levou Zealand e Wy para a sala da Mesopotâmia.
– Digam-me os seus problemas.
– Eu não tenho porra de problema nenhum! – Gritou Zea.
– Ela é bipolar e insana e acabou de sair do estado assassino. – Disse Irlanda com a maior naturalidade.
– PQP! Deitem-na do divã agora mesmo.
As duas acataram as ordens, enquanto a conselheira imaginava que ia acabar consultando o colégio inteiro. Irlanda sentou no divã e colocou a cabeça de Nova Zelândia do Sul em seu colo e começou a acariciar o cabelo da garota, como fizera com a mesma, o irmão dela e o seu próprio irmão quando eles eram crianças.
– Qual é o problema? Não me escondam nada!
– O problema é secular. – Começou a irlandesa. – Tudo começou quando ela e o irmão gêmeo mais velho foram colônia do Inglaterra, um tsundere frustrado sexualmente...
– Sei quem é. Parte dos países teve problemas com ele, outra parte com o França e o resto teve outros tipos de problema.
– Bem, o Maito Gai oxigenado macumbeiro ficou tão frustrado após a independência dos EUA, que acabou afogando suas mágoas na bebida e descontando nas suas colônias de clima quente.
– Que amor você tem pelo Inglaterra.
– Esse apelido quem foi o câncer de pulmão que deu.
– Quem? – Perguntaram Mesopotâmia e Wy.
– O Escócia.
– Ah ta. Você é alguma coisa deles?
– Prima, mas o que isso tem a ver?
– Nada. – Escreve, “esse trio vai me dar problemas” no bloquinho. – Continue.
– Bem, o Inglaterra bêbado e frustrado faz muita merda. Quando ela era criança, ela o pegou bêbado e na cama o com irmão dela e ele implorando para que o outro parasse.
– E o que você fez?
– Geralmente eu impedia que ele chegasse perto dos neozelandeses por Alice já ser bipolar de nascença, mas nesse dia eu e o cabeça de fósforo ambulante, vulgo Escócia, estávamos matando um lobisomem que aterrorizava a cidade. Quando retornamos, já era tarde demais.
– Lobisomem?
– Somos netos de Caledônia. Ele nos ensinou tudo o que sabemos e isso inclui o mundo mágico e sobrenatural.
– NETOS DO CALEDÔNIA?! – Gritou ela caindo da cadeira.
– O fato é, New não pode se relacionar com ninguém porque essa lembrança retorna à cabeça de Zealand e ela acha que vão estuprar o irmão dela de novo.
– Foi por isso que ela ficou daquele jeito quando soube que Austrália e New estiveram juntos. – Concluiu Wy.
– Piorou. New é o irmão dela, mas ela colocou na cabeça que o Austrália também é, mas isso é invenção do Inglaterra. Ele devia estar bêbado ou drogado quando disse isso.
– Ok, já estou bem! – Disse Mesopotâmia se levantando do chão. – Isso não vai ser fácil, então preciso da ajuda de vocês. E enquanto a Zealand... – Apontou para a garota que não se mexia.
– Ela dormiu. – Disseram as duas fazendo Mesopotâmia capotar.
– Ela vai ter que vir aqui pelo menos uma vez por semana e não deixem Austrália e New se pegarem até que eu termine.
– Pode deixar, mas poderia ficar com ela um pouco? Estou em aula e já faltei aula ontem.
– E eu tenho que pegar o meu horário e o meu uniforme, já volto.
As duas saíram deixando a outra dormindo no divã. Mesopotâmia estava calculando o trabalho que teria com aquela garota.
Irlanda tinha voltado para sala, ela queria socar Inglaterra até não sobrar mais nada dele. Ela olhou para a sala inteira, mas não o achou. Teria que pedir ajuda a outro país que não suportava.
– Escócia, cadê o Rock Lee oxigenado?
– Eu tenho cara de babá por acaso?
– Um momento, onde está Gales?
– Ele não está aqui?! – Disse se levantando e procurando pelo outro.
Eles não se importavam com o fato de Inglaterra matar aula, mas Gales era outra história. Gales jamais mataria aula, era certinho demais. Tinha algo errado.
– Cadê o Charlie? – Perguntou a irlandesa olhando para o resto da turma.
– Puta merda! Será que não tem um dia em que eu posso ficar quieto e dormir na sala?!
– Não reclame, eu ainda tenho que pegar a Zea na sala da Mesopotâmia!
– Eu não te entendo Irlanda. Uma hora você é forte, enfrenta coisas que outros cagariam de medo e enfrenta a tudo e a todos, inclusive a mim! Mas outra hora você é tão sentimental e tão complicada!
– Talvez eu seja tudo isso que você falou, mas se eu fosse diferente, já teria desistido de vocês faz tempo.
– Desistido de que, Hatsune Miku ruiva?
– Ora, encare os fatos, curupira. Eu sou a única garota capaz de suportar suas brincadeiras e suas implicâncias e te entender, capaz de lidar com a sensibilidade de pedra do quase robô do Gales, aguentar um irmão altamente imprudente e aturar o Rock Lee oxigenado.
– Tem razão, se fosse outra garota, já teria surtado.
Enquanto isso, Gales e Inglaterra estavam em um dos inúmeros corredores vazios. Os dois estavam cara a cara encarando um ao outro. Irlanda do Norte tinha dado pela falta dos dois e ido atrás deles. Ele os tinha encontrado conversando e se escondido para ouvir.
– Isso te incomoda por acaso? – Perguntou Inglaterra.
– Eu vou falar apenas uma vez, Iggy: fique longe do Irlanda do Norte. – Disse Gales mais sério que o normal.
– E por que eu ficaria? – Disse lambendo os lábios. – Sabe, ele é tão fofo, tão sexy, tão gostoso, é praticamente um vício... – Disse tentando irritar o outro.
– Você nem gosta dele.
– Claro que eu gosto, afinal é impossível não gostar dele.
– Eu estou falando como pessoa.
– Desde quando você se importa? Você nunca se importou com nada e nem ninguém e muito menos se meteu nos assuntos dos outros! Ora, Casey, não me diga que você se importa com ele.
– Com quem ou o que eu me importo não vem ao caso. Você não vai machucá-lo. Ele gosta muito de você, mais do que você possa imaginar.
– Você está preocupado com alguém?!
– E por que a surpresa?
– Você tem a sensibilidade de uma pedra e parece um robô! Eu sabia que você tinha interesse nele, mas não achava que era tanto assim!
– Você andou lendo o meu diário, não foi?
– Como é que você...?!
– Deveria ser mais cuidadoso quando estiver lendo algo dos outros e também deveria procurar um lugar mais seguro para guardar o seu diário. Debaixo do colchão é tão óbvio.
– COMO É QUE VOCÊ OUSA?! – Gritou o inglês para a escola inteira ouvir.
– Você leu o meu, por que eu não leria o seu?
– EU JURO QUE TE MATO! – Lança bola de fogo no irmão.
– Típico. – Segura a bola de fogo com uma das mãos e a apaga.
– Mas você nem usa magia! Você é mais de raciocínio lógico!
– Quem disse? É verdade que eu me trancava na biblioteca, mas eu era mais apegado a nossa tia Celtic. Eu aprendi sobre magia também. – Disse disparando raios e eletrocutando o outro de leve, mas o suficiente para fazê-lo ficar com o cabelo espetado e cair de joelhos. – Se você machucar o Irlanda do Norte, Escócia e Irlanda serão os menores de seus problemas.
– Então isso agora é um duelo? – Disse se levantando. – Quem vencer desvirgina o Irlanda do Norte.
– Eu não tenho nenhum interesse no corpo dele, filhote do França.
– EU NÃO OU FILHOTE DAQUELE FROG MALDITO!
Irlanda do Norte sai de lá sem saber o que pensar, estava confuso demais para tomar qualquer atitude, mas de uma coisa era certa, não ficaria para ver o duelo mágico até porque a última coisa que precisava era uma detenção com o carrasco do Germânia ou a maníaca da Assíria.

E que comece o duelo! Bem, eu vi essa imagem no Deviantart e achei simplesmente perfeita. Créditos à Shana00 que a fez.
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