No dia seguinte, Dinamarca acordou de ressaca. Notou que tinha um copo de algo estranho na cabeceira, sem pensar duas vezes, tomou todo o conteúdo. Ele foi até a cozinha, que era conjugada com a sala e encontrou Groenlândia sentada comendo cereais.

- Bom dia, Green. – Ela permaneceu em silêncio. – O que foi? Eu fiz alguma coisa errada?

- Só me arrastou para um pub e me obrigou a ficar sentada em uma mesa cheia de bêbados.

- Qual é, Green, você precisa ser mais sociável! Você só fala comigo, Islândia, América e Canadá e está começando a falar com Noruega, Finlândia, Suécia e Ilhas Faroé. Caramba, dá pra contar nos dedos!

- Eu não quero ser mais sociável, está bem! Agora, dê um jeito o seu amigo. – Ela apontou para Noruega de qualquer jeito no sofa.

Dinamarca teve uma ideia brilhante, iria brincar um pouco com Noruega. Ele levou o menor até o seu quarto, o deixou nu, o colocou em sua cama e o cobriu. Em seguida retirou suas roupas, incluindo sua cueca, colocou apenas a calça e espalhou as roupas pelo quarto. Ele saiu de lá fazendo sinal de silêncio para a sua irmã e se juntou a ela na mesa.

- O que está aprontando, bror? (bror: irmão em dinamarquês e em norueguês)

- Você verá, søster. (søster: irmã em dinamarquês e em norueguês)

- Tomou o remédio para a ressaca que eu deixei?

- Tomei. Sério, o que era aquilo?

- Chá de boldo com glicose, gérmen de trigo e gengibre.

- Pelo menos não era óleo de fígado de baleia ou de foca.

- E um pouco de cartilagem de tubarão.

- Era bom demais para ser verdade. – Disse frustrado, mas resolveu mudar de assunto. – Até quando você vai ficar de mau humor?

- Até você parar de tomar todas as minhas decisões por mim.

- Qual é, Green, se socializar não mata ninguém e eu já te pedi desculpas pelas merdas que fiz nas suas terras no passado!

- Bror, eu te amo, mas o que você está pedindo é demais para mim! Eu não sou o tipo de pessoa sociável e não consigo chegar para uma pessoa ou uma nação e conversar! Eu odeio estar em público e multidões me apavoram! Você sabe bem disso.

- Está tudo bem, Green. – Disse a abraçando de forma que a confortasse.

Ele sabia que Groenlândia não explodia e nem demonstrava muito seus sentimentos, mas quando ela ficava séria mudava completamente, dava broncas e tomava decisões que deixavam o próprio Dinamarca pasmo. Dinamarca odiava brigar com a irmã e se a pressionasse mais eles iriam acabar brigando. Diferente de Islândia, que aparentava ter um exterior frio e tinha um interior quente, Groenlândia aparentava ter um exterior quente e fofo, porém tinha um interior frio e apesar da timidez extrema, ela sabia como se cuidar. Sua personalidade se assemelhava um pouco à de Tsubaki de Soul Eater.

- Está bem, eu não vou mais insistir.

- Obrigada. – Disse retribuindo o abraço e fechando os olhos. – Eu odeio ter que brigas com você.

- Eu também, søster. – Disse se bagunçando o cabelo da menor em um afago.

- Você viu o Hewie?

- AAAAAAAAAAAAAAHHHHHHH!

Os dois se separaram e viram que o grito veio do quarto do Dinamarca. Dele saiu um lobo do ártico de coleira cujo nome era Hewie. Noruega saiu do quarto com o peito todo molhado e o lençol enrolado na cintura. Groenlândia assumiu seu estado depressivo.

- Anko! O seu cachorro estúpido mijou em mim! – Hewie morde a bunda de Noruega para dizer que ele era um lobo e não um cachorro e vai para perto de Groenlândia, sua dona.

- Hewie não é um cachorro, é um lobo do Ártico. – Rebateu Groenlândia.

- Hewie feio! – Ralhou Dinamarca. – Não se deve mijar e morder as pessoas que eu trago para casa.

- Do que está falando?! – Perguntou Noruega atônito e muito vermelho.

- Norge, não se lembra de nada do que aconteceu ontem à noite? – Disse manhoso e com um biquinho, fazendo Groenlândia revirar os olhos.

- Claro que lembro, eu só... – Olha para Dinamarca e para si mesmo e fica mais vermelho ainda.

- Você gemeu tão alto que eu pensei que mesmo os vizinhos estando bêbados, bateriam na porta para reclamar. – Noruega ficou ainda mais vermelho. – Você fica uma gracinha bêbado.

- Cala a boca.

- E safadinho também.

- Eu mandei calar a boca.

- Até mesmo empinou a bunda para mim e disse “Entra com tudo”.

- ANKO!

Noruega estava tão vermelho que parecia que ia explodir. Ele entrou novamente no quarto, vestiu a calça, catou o resto das suas roupas e foi para a sua casa, que era na porta da frente. Ele procurou as chaves, mas não estavam com ele. Lembrou que as tinha deixado com Islândia. Ele bateu na porta, mas nada aconteceu, bateu de novo e foi a mesma coisa. Esmurrou a porta e gritou pelo irmão, mas nada aconteceu. Islândia tinha sono leve, se estivesse em casa teria ouvido.

- Mas que droga, Emil. Tinha que dormir fora logo hoje?

- Parece que alguém dormiu fora de casa e não avisou.

- Cala a boca, Mathias.

- E você precisa de um banho. Não quer tomar banho aqui em casa?

- E eu tenho escolha? – Disse voltando para o apartamento do Dinamarca e indo para o banheiro.

- Hei, Norge, se quiser, posso te fazer companhia no banho.

- Só porque a gente dormiu junto na noite passada não quer dizer que eu vá transar com você de novo! – Ele estava realmente muito vermelho e entrou no banheiro sem dar satisfações.

- Por que não conta logo a ele e acaba com isso? – Perguntou Groenlândia aparecendo ao lado do seu irmão e falando baixo para Noruega não ouvir.

- Porque é divertido. – Disse Dinamarca em tom baixo. Você tem alguma roupa velha para emprestar ao Norge?

- Por que não empresta uma das suas camisas?

- E que graça teria?

O dinamarquês acompanhou a groenlandesa até seu quarto e a observou procurar algo. Ela retirou do armário algumas de suas roupas tradicionais, que eram muito coloridas. http://luxuryexperience.com/images/stories/Destinations/Greenland/traditional%20clothing.jpg

- Perfeito!

- São as minhas roupas tradicionais. Essas estão meio velhas e eu ia doá-las, mas pode usar na sua “brincadeira”.

- Greta, você é demais! – Abraça a irmã sufocadoramente e depois a solta, pensativo. – Sabe, eu me lembro comentei com os outros de ter te dado nome, nome humano e sobrenome e agora eu lembrei, eu nunca te perguntei qual era o seu nome.

- Não tem problema, gosto dos nomes que você me deu.

- Green, qual era o seu nome?

- Meu país não tinha nome, lembra?

- Mas você tinha um nome humano. Qual era?

- Malina.

- Caramba, esse nome é bonito! Por que eu não perguntei antes?! – Vai para o canto da depressão. – Eu sou um péssimo irmão.

- Não, bror, eu não te acho um irmão ruim! Eu gosto de ser chamada de Greta.

- Gosta?

- Sim, agora vá, pois ele está acabando de tomar banho. – Disse de forma mais descontraída, mostrando que seu mau humor estava indo embora e de deixando o outro com um enorme sorriso no rosto.

- É pra já.

Noruega gritou pelo mais velho e reclamou que tinha se esquecido de pegar uma roupa. Dinamarca deu a ele as roupas velhas da irmã.

- Eu não vou usar isso.

- É isso ou um vestido de pele.

- Por que eu tenho que usar as roupas da sua irmã e não uma das suas camisas?

- Porque vocês têm o mesmo tamanho de roupa e eu estou com preguiça de procurar por uma camisa que caiba em você.

Relutante, Noruega aceitou usar aquelas roupas. Ele estava pensando onde Islândia tinha se metido.

Islândia e Seychelles tinham dormido nos jardins do colégio. Islândia tinha acordado com os primeiros raios de sol e começou a olhar em volta. Não tinha sonhado, estava mesmo nos jardins da escola acompanhado de Seychelles, que dormia. Ice começou a observá-la, realmente, pessoas e nações pareciam anjinhos quando estavam dormindo. Islândia só despertou do transe quando ela começou a abrir os olhos.

- Onde eu estou?

- Nos jardins da escola.

- Ice? Você está aqui mesmo! Eu pensei que tinha sido só um sonho. Ai, minha cabeça. Parece que fui acertada por um tijolo.

- É normal quando se acorda de ressaca.

- Nunca mais esvazio um barril inteiro sozinha.

- Babi, vou ter mesmo que te ajudar com essa coisa fedida?!

- Não reclame, Acádia, você só irá carregar esse saco para mim.

- Mas isso fede como bosta!

- Cádia, isso é bosta.

- O que diabos você vai fazer com um saco de bosta?!

- Já ouviu falar em adubo orgânico? É a forma mais ecológica e saudável de se adubar a terra, diferente daqueles agrotóxicos.

- Bosta ou agrotóxicos? Difícil decisão.

- Mas o que temos aqui? – Babilônia parou de andar quando avistou os dois no meio da grama.

- Desculpe, senhorita Babilônia, já estávamos de saída. – Disse Ice totalmente sem jeito, fazendo Babilônia rir.

- Mas tão cedo? Pelo que estou vendo, vocês dormiram aqui, seus danadinhos. – Ela disse piscando e fazendo Islândia corar e Seychelles ficar confusa.

- Não acredito que você concorda com isso. – Disse Acádia autoritária.

- Ora, Cádia, meus jardins servem para os alunos passarem o tempo, seja lendo um livro, conversando com os amigos, fazendo piquenique e até mesmo namorando.

- Mas eles não podem vir aqui à noite, é contra as regras! Cartago, Germânia e Assíria deixaram isso bem claro. Caso alguém desobedecesse, iria para o castigo.

- Nesse caso, eu devo aplicar o castigo por ser a responsável. Vocês irão ajudar a mim e a Acádia com as plantas, mas não antes de um bom café da manhã. Devem estar com fome.

Islândia mal conseguia acreditar no que estava ouvindo, Seychelles tentava assimilar o que Babilônia tinha dito e Acádia suspirou pesadamente. Babilônia não mudava mesmo, mal acreditava que ela tinha sido um império de maior importância das quatro irmãs. Cada uma das irmãs era única e possuía habilidades diferentes. Babilônia era a mais bela e tinha dom para a jardinagem, Suméria era a mais inteligente tanto para questões de engenharia quanto para questões administrativas, Assíria era a mais forte e hábil delas e dotada de uma crueldade imensa, já Acádia era a mais elegante e majestosa delas, mas não sabia administrar seus recursos, tanto é que ela teve que governar com Suméria.

- Vamos lá, vai ser divertido. – Incentivou Babilônia. – É melhor do que treinar com a As e tem comida nos pomares.

Seychelles e Islândia se entreolharam e aceitaram. Babilônia os levou aos pomares, que assim como o resto do jardim, eram lindos, ainda mais pela diversidade de frutas que apresentava. Tinha maçãs, laranjas, melancias, jabuticabas, uvas, carambolas, amoras, framboesas, cerejas, limões, tangerinas e qualquer fruta que poderiam imaginar. Babilônia indicou o tanque para lavar as mãos e as frutas e disse que poderiam pegar o que quisessem.

Após o café, Babilônia os instruiu a molharem as plantas e de que forma deveriam molhá-las enquanto ela colocava uma roupa especial para adubar a terra em que ia plantar. Após isso, ela retirou a roupa e foi podar as árvores, fiscalizar o trabalho deles e de Acádia e os instruiu a ajudar na limpeza.

Enquanto isso, Jordânia tinha acabado de acordar em uma das suítes do apartamento da Omã.

- Ah, cara, que ressaca. Parece que eu fui atropelada por um trem.

Ela saiu e encontrou Omã e Qatar na sala.

- O que você faz aqui?

- Ora essa, Jô, são quase onze horas. – Disse Qatar. – Eu vim aqui para saber se você não tinha entrado em coma alcoólico como da última vez.

- Onze horas?! Eu dormi tanto tempo assim?!

- Acha muito? Geralmente quando você dorme na minha casa, você dorme até as duas da tarde.

- Jô, você tem que tomar mais cuidado ao beber. – Advertiu Omã. – Foi sorte termos encontrado Emirados lá e Egito ter vindo com a gente. Iêmen ficou preocupado por causa disso.

- Tem certeza de que não foi por outra coisa, Omã? – Perguntou Jordânia maliciosa.

- Outra coisa?

- Jô! Que mente poluída você tem! – Exclamou Qatar.

- Minha mente não é poluída! Só assimila coisas que as dos outros não assimilam. – Qatar capota.

- O que aquela vadia está fazendo com o Líbano?! – Elas ouviram alguém gritar na janela ao lado e pelas palavras saírem cuspidas, era Síria.

As três abriram a porta para ir à cobertura de Iêmen e Egito e ver o que estava acontecendo, mas ao abrirem a porta, viram Síria andando a passos largos pelo corredor, envolta em uma aura maligna e assustadora. Egito e Iêmen estavam na porta.

- Egitinho, Iemenito! O que aconteceu? – Perguntou Jordânia fazendo os dois sentirem uma pontada estranha, pois odiavam quando Jordânia os chamava assim.

- Já pedimos para não nos chamar assim, Jordânia. – Disse Iêmen tentando esconder a irritação e a vergonha na voz.

- Desculpe, Iemenito, eu sempre esqueço.

- O que aconteceu? – Perguntou Qatar os livrando da situação.

- Síria viu Líbano andando ao lado de uma garota pela varanda. – Explicou Egito.

- Síriazinha é muito ciumenta em relação ao Libanito. – Comentou Jordânia.

- Jô, não chame o Líbano assim! – Repreendeu Qatar. – Se Síria te pega chamando o Líbano de “Libanito”, ela te mata e ainda some com seu cadáver.

- Não se preocupe, Qatita. Todos que me conhecem sabem que eu apelido todo mundo.

- Qatita é o caralho! – Gritou Qatar dando um murro na cabeça de Jordânia.

Notas finais
Groenlândia não possui muitos contatos, por isso dá pra contar nos dedos.
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Houve uma época em que a Groenlândia pensava que se a ilha se abrisse para outros países, seria o fim da economia da ilha, mas isso acabou na 2ª GM quando Dinamarca foi obrigada a cortar relações com a Groenlândia e a ilha teve que comercializar com EUA e Canadá para se abastecer.
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As roupas tradicionais da Groenlândia são estranhas mesmo, talvez mais que as do Peru.
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Malina é o nome de uma deusa inuit, uma divindade solar. Sua história não é recomendável para pessoas sensíveis. Caso tenha interesse, segue o link: http://mitographos.blogspot.com.br/2010/03/igaluk-e-malina.html
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Cocô de boi é adubo natural por possuir amônia. É melhor que agrotóxico, mais barato e fácil de se encontrar caso vá para o interior.
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Enquanto Acádia era um império extravagante e que gastava mais recursos em estética do que benfeitorias, Babilônia era exuberante e imponente além de ter belos jardins.
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Os islâmicos têm o costume de acordar antes do sol nascer. Costume cultural não se discute.
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Síria e Líbano têm é história, mas isso fica para uma outra hora.
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Jordânia e sua melhor desculpa. Bem, é isso, há a segunda parte do dia da ressaca, pois ele ficou enorme e tive que dividir (de novo). Vamos ver o que aconteceu com o resto. Teremos surtos, surpresas e gritaria.