Notas iniciais
Depois de algum tempo (muito tempo), Gakuen está de volta! Passei por umas crises de branco, mas agora a coisa vai esquentar. # Primeiramente quero agradecer à Shiori por ter me ajudado com informações sobre uma parte da cultura portuguesa: os doces. # Como podem ver, o capítulo está grande. Boa leitura.

Escócia e Irlanda estavam no quarto com nenhuma vontade de sair dele. O ruivo se encontrava na cama com o controle remoto procurando por algo que prestasse na TV aberta enquanto a ruiva tinha sentado no parapeito da janela enquanto olhava a paisagem.

– Mas que porcaria... – Reclamou o maior. – Oh Vocaloid, já sabe se Arthur e Casey tiveram algum progresso? – Dois minutos de silêncio. – Irlanda?

Ele se sentou e virou a cabeça na direção dela com intuito de reclamar, mas viu que a garota estava tão concentrada em algum ponto da paisagem que não daria atenção a ele. Ele a conhecia muito bem para saber que algo a incomodava. Escócia suspirou, se levantou e caminhou até a janela, ficando bem próximo da garota, com intenção de surpreendê-la e provocá-la depois.

– Você se preocupa demais.

– AAAAAAHHH!

Ele esperava que após o susto ela o empurrasse e desse uma boa bronca, só isso não aconteceu. Ele não contava que ela se jogasse para trás, se desequilibrasse e caísse pela janela. Em um rápido movimento, ele conseguiu agarrar a mão dela e usou a outra para se apoiar na lateral da janela para não cair.

– MAS QUE MERDA SCOTT!

– A culpa não é minha se você resolveu se jogar para trás!

– Precisava me assustar assim?!

– Achei que você fosse me empurrar ou me bater como sempre faz!

– Não percebeu que eu estava no parapeito da janela?! O que te deu na cabeça para pensar em me assustar em um lugar como esse?!

– Se não ficasse parada pensando na morte da bezerra...

– Ah, a culpa é minha agora?!

Enquanto brigavam, todos que passavam por perto ou que tinham corrido para ver do que se tratava (os famosos caçadores de barraco). Apesar da situação, eles discutiam normalmente, como se não houvesse perigo algum. Não havia desespero por parte dela e muito menos provocações de soltá-la por parte dele.

Escócia começou a puxá-la para cima enquanto Irlanda apoiou os pés na parede e começou a escalar à medida que ia sendo puxada. Um passo em falso e os dois cairiam, mas não estavam preocupados. Ambos eram verdadeiros netos de Caledônia e já passaram por coisas muito piores e situações mais estranhas. Assim que chegou à janela e Escócia estava praticamente por cima dela, usando a lateral para apoiar o seu peso suspenso no ar, ela pisou parapeito e se jogou em cima dele, ao mesmo tempo em que ele a puxou com força para dentro.

A sincronia das ações foi tão boa que a manobra deu certo. A irlandesa tinha colidido com o peito do escocês e ambos caíram no chão, ele deitado de costas e ela por cima dele. Os dois começaram a rir.

– Essa foi por pouco. – Comentou Scott.

– Sim, mas quer apostar quanto que muita gente teve ter parado para ver o que tem debaixo da minha saia? – Perguntou Emily incomodada.

– Ora essa, Irlanda, você é a única garota que não pode falar isso! Você está sempre usando um short por debaixo da saia justamente para situações assim!

– É verdade. – Disse mostrando a língua em uma carinha de gato. – Você me conhece bem.

– Depois de tanto tempo forçado a morar com você e suas loucuras, seria um idiota se não conhecesse.

– Hei, eu não sou louca!

– Imagina se fosse... O que a preocupa tanto? Não adianta dizer que está tudo bem que eu te conheço muito bem para saber que estava preocupada.

– Estava pensando em como fazer os 2Ps voltarem ao seu mundo. – Disse em um semblante estranhamente sério.

– Não sei porque está tão preocupada com isso. Arthur, Oliver e Casey estão trabalhando nisso.

– E se eles tão tiverem êxito? E se a única maneira for se nós abrirmos o portal...

– Não diga uma coisa dessas! – Repreendeu ríspido. – Você sabe muito bem o que acontecerá se eu ou você abrirmos o portal. Quer que Alister e Evelyn venham a este mundo?! É melhor deixarmos para os outros.

– Mas... Arthur pode fazer merda, afinal ele se atrapalha nos próprios feitiços e Oliver não pode abrir um portal para o mundo dele daqui, seria pedir para fundir os mundos!

– Tem razão, mas ainda temos Casey.

– Sem querer ser pessimista, não acho que Casey seja forte o suficiente para abrir o portal. Não que ele seja fraco, ele é bom com magia e forte também, mas a magia dele não está no mesmo nível da de Arthur. Casey tem que compensar com estratégias mais elaboradas.

– Charlie também não é uma opção, pois é péssimo nisso.

– Se tivessem deixado a educação mágica dele comigo, seria outra história, mas vovó cismou que “o ser mais poderoso entre ambas as famílias” deveria ser treinado pelos Kirklands!

– Nisso eu sou obrigado a concordar, ele não se adaptou bem ao jeito como os Kirklands conjuram magia e nessa época foi quando ficamos só com a vovó e nós dois tínhamos que livrar o continente das bruxas das trevas.

– Eu sei. Sem o vovô, elas aumentaram muito. Bem, Egito é especialista em maldições, então está fora de questão. Espere! Temos o Lukas!

– O que tem o Noruega?

– Ele é um Bondevik e a magia dele é forte! Não tanto quanto a nossa, mas mesmo assim...

– Não há garantias de que ele vá conseguir, ainda mais sozinho.

– Não, mas se o juntarmos com Arthur, Casey e Vlad...

– Vlad? Vladmir? O Romênia?!

– Ele é um Van Helsing, vai saber o que fazer.

– Parece que não está tudo perdido, afinal.

Enquanto isso, Antonio tinha arrastado Afonso para a cozinha do hotel. Claro que seus 2Ps também os acompanharam. Antonio tina convencido seu irmão a fazer alguns doces portugueses, pois fazia tempo que não os comia. Se havia algo que o espanhol amava além de tomates eram os doces portugueses que seu irmão fazia. Andres também gostava dos doces e quando Manuel Joaquim se animou com a ideia, ele não perdeu tempo em incentivar e acompanhar o irmão. Eles iriam passar pela porta da cozinha quando Afonso parou e se virou para os espanhóis.

– Ora, pois, vocês esperem aqui. – Ordenou Afonso.

– Mas Hermano...

– Ora, pois Antonio, eu não vou cozinhar com você na cozinha!

– E por que não?

– Porque você vai me atrapalhar, ora, pois! Toda vez que eu cozinho, você quer provar tudo e acaba comendo a metade do que eu estou fazendo!

– Eu prometo que vou me comportar.

– Ora, pois, você vive dizendo isso e nunca se comporta! Fique aqui com o seu 2P.

– Por que eu tenho que ficar aqui com ele?! – Reclamou Andres.

– Porque você também come metade do que eu estou fazendo sem que eu perceba. – Disse Manuel.

Andres bufou e os dois portugueses adentraram na cozinha. Os espanhóis ficaram andando de um lado para o outro, olhando por debaixo da porta para tentarem ver alguma coisa, contando até cem e até mesmo jogando damas imaginárias.

Quando Afonso e Manuel finalmente saíram de lá, eles levaram os doces para uma das mesas do salão. Antonio e Andres pareciam duas crianças ao verem os pastéis de nata, as gargantas de freira, os pastéis de Tentúgal, os ovos moles de Aveiro, as viúvas de Braga e as granadas de Évora.

– Gracias, hermano! – Exclamou Antonio abraçando fortemente o irmão.

– Ora, pois, Antonio, poderias me largar?! Eu estou com falta de ar!

– Desculpe. – Disse soltando o irmão.

– É melhor começar a comer antes que o meu irmão coma tudo. – Alertou Manuel apontando para Andres, que comia os doces.

– Mas nem me esperou! – Disse fazendo beicinho.

– Quem manda ser mole? – Reclamou o 2P.

Antonio e Andres foram comer os doces, afinal não era todo dia que tinham essa oportunidade. Afonso e Manuel apenas observavam seus irmãos, que pareciam duas crianças em meio àquela quantidade de doces. Eles amavam seus irmãos mais novos, apesar de todas as desavenças que possuíam.

– Hermano, esses pastéis de nata são deliciosos! – Elogiou Antonio devorando três de uma vez.

– Ora, pois, não coma tudo tão rápido!

– Desculpe. Qual é o segredo deles?

– Ora, pois, Antonio, isso é segredo! Não te revelaria nem no meu leito de morte!

– Por favorzinho? – Disse fazendo cara de filhote abandonado.

– Não me venha com essa cara, já disse que não revelo, ora, pois.

– Você é cruel. Manuel, qual é o segredo?

– Também não revelo. – Disse o 2P Portugal.

– É a única coisa que você não me conta. Por que não me conta o segredo dos seus doces? – Perguntou Andres ao irmão.

– Porque senão não seria segredo.

– Chato.

– Pimpolho.

– Hei, já pedi para não me chamar desse apoldo! (apoldo: apelido [no sentido de nickname] em espanhol)

– Então não venha me perguntar o segredo dos meus doces, ora essa!

Enquanto isso, em uma loja de acessórios da cidade estavam Seychelles e Madagascar.

– Kamalla, tem um negócio se mexendo na sua bolsa!

– Hã? – Abre a bolsa e tira um lêmure de calda anelada. – Ah, esse é o meu bichinho Julian.

– O rei lêmure do filme?

– Maldito América e sua produção cinematográfica. – Disse indo para o cantinho da depressão.

– Kamalla?

– Eu estou bem. – Disse saindo do cantinho e rindo forçadamente.

– É verdade que ele gosta de dançar e tem um reino? – Madagascar retornou ao canto pior do que estava.

Enquanto isso, Israel conversava com seu superior por telefone.

– Mas que porra! Como assim mais bombardeios?!... Palestina não é uma ameaça, deixe-o em paz!... Sim, é para parar com esses massacres!... Caralho!... Eu sei que você é meu primeiro-ministro, mas já chega disso! Os civis de Gaza não têm nada com isso!... Mas isso é uma atrocidade!... Não é segurança é medo! É um discurso que propaga o medo e não a segurança!... Alô? O puto desligou!

– Falando com seu superior? Perguntou Palestina na porta do quarto.

– Se veio tirar satisfações dos ataques à Gaza, já aviso que...

– Vim sim, mas escutei a sua conversa, só fiquei confuso com a última parte.

– É a minha mídia e o meu governo. – Suspirou. – Eles estão falando que os ataques são uma “defesa” e que o povo israelense está em perigo e essa merda toda! Eles querem aflorar o medo da população para conseguirem apoio para continuar e virar a população contra os protestos ao seu favor.

– O medo está em nossas mentes, mas toma conta delas o tempo todo, não é mesmo?

– Isso é de uma música?

– É sim. Aonde você vai?! – Perguntou ao ver o outro passando apressadamente pela porta.

– Vou dar um jeito nisso.

– Jacob, ficou maluco?! Nós não podemos simplesmente arrombar a porta do gabinete, apontar uma arma para a cabeça dos nossos superiores e dizer “Acabe com essa porra ou o velório será com caixão fechado.”!

– Mas Hassan...

– Uma vez eu ouvi as seguintes palavras: “Um país é como um barco: o governo é o mastro, as pessoas são o vento e o tempo é o mar. Se o mastro está firme e um bom vento sopra, o barco seguirá. Mesmo assim há a possibilidade de o barco encalhar, mas enquanto houver alguém que conserte o barco, ele poderá ser usado.”. O barco não pode simplesmente tombar e deixar o mastro submerso! É preciso que um vento forte o quebre!

– Onde você ouviu isso?

– Sei lá, acho que foi com o França.

– Taí um lado seu e do França que eu não conhecia. Mas o que vai ser de você?

– Eu me viro.

– Hassan, você está pálido! Aconteceu algo?!

– Eu estou bem.

– Está porra nenhuma! É o que está acontecendo em Gaza, não estou certo?!

– Jacob...

– Não minta pra mim, porra!

– Jacob...

– Por que você tem que ser tão teimoso?! Ainda mais quando as coisas não vão bem?!

– JACOB!

Israel parou de falar com o grito e não teve tempo nem para pensar, pois Palestina tinha acabado de cair em direção a ele, só teve tempo de segurá-lo. Notou que o outro suava frio e estava ofegante e se agarrava a ele em uma tentativa vã de ficar em pé. Israel não pensou duas vezes antes de levá-lo para dentro do quarto e deitá-lo na cama dele.

O estado do outro não era dos melhores e nem dos piores, mas o israelense sabia que se as coisas continuassem como estavam, o palestino poderia sumir da face da terra, o que quase aconteceu com o israelense na 2ª Guerra. O israelense começou a chorar. Não queria que isso acontecesse.

Não esperou mais e o beijou, o que surpreendeu o palestino. O israelense pressionava mais sua boca na do outro com intuito de aprofundar o beijo, ao mesmo tempo em que se agarrava ao peito do outro em busca de contato. O palestino segurou a nuca do israelense ao mesmo tempo em que o deixou invadir sua boca, recepcionando a língua do outro com a sua, fazendo o parceiro estremecer. Mesmo com a ausência de ar incomodando, os dois não pararam, continuaram o beijo até seus pulmões doerem depois de tanto tempo sem ar, forçando-os a se separar, apenas um fio de saliva os unia. Ambos estavam completamente ofegantes, desesperados por ar, mas não quebraram o contato visual. Um desejava o outro, precisava do outro, mas Israel não podia deixar que isso acontecesse, não com palestina nessas condições, precisava agir e rápido.

– Isso não vai ficar assim. – Disse soltando o outro e se dirigindo para a porta do quarto, mas teve seu pulso segurado pelo outro.

– Você enlouqueceu?! Seu chefe vai te matar!

– Eu não sou tão idiota assim, Hassan. Eu tenho um plano, só não sei se vai funcionar.

– Eu não vou te deixar... – Parou um instante para puxar mais ar. – Não posso te deixar agir! Você pode foder ainda mais as coisas pro meu lado!

– Hassan, você não sabe o que tenho em mente. Por favor, me deixe te ajudar, assim como você quis me ajudar no banheiro.

Sem que o israelense percebesse, ele foi puxado pelo palestino para outro beijo. Este durou pouco tempo.

–Só não faça nenhuma cagada. – Sussurrou perto dos lábios do outro.

– É o que pretendo.

Após um breve selinho, Jacob pôde finalmente sair do quarto. Ele sabia o que tinha que fazer e não seria fácil.

Em algum outro canto, Toris e Natasha conversavam animadamente. Era incrível como não havia diferença entre 1P e 2P, apenas Toris e Natasha, o que deixava Tyrion incomodado.

– Vão pro quarto de uma vez! – Reclamou Tyrion.

– Mas aqui está bom. Não tem nada de bom para fazer no quarto. – Disse Natasha inocentemente.

– Toris, você não tem um filho pra educar?

– Jacob não é meu filho, é do Feliks. Eu ajudei a cuidar dele algumas vezes, mas era Feliks quem o criava e o educava.

– Hum.

– Eu vou ver se Viktor está bem e se Katya não se meteu em confusão. – Anunciou Natasha. – Encontro vocês depois.

A garota se afastou acenando para os lituanos.

– Tyrion, está tudo bem? – Perguntou Toris.

– E por que não estaria?

– Você fez uma cara desagradável quando Natasha estava aqui.

– Não é da sua conta. – Disse acendendo um cigarro.

– C-Certo, me desculpe.

– Não se desculpe.

– Certo. Posso te perguntar algo?

– O que?

– Você gosta da Natasha?

O 2P se engasgou com a fumaça do cigarro e o deixou cair. Toris se desculpava o tempo inteiro ao mesmo tempo em que ajudava Tyrion. Se fosse qualquer outra pessoa, o 2P já teria dado um belo soco no rosto, mas como era seu 1P, acabou não o fazendo. Gostava do 1P e também gostava da 2P Belarus, mas de maneiras diferentes.

– Não tem problema. – Disse Tyrion apagando o cigarro com a ponta da bota. – Não é todo dia que me perguntam isso.

– Entendo.

– Você e Natasha ficaram bem próximos.

– Sim, ela é uma garota adorável. Você deveria conversar um pouco mais com ela.

– Eu não sou cheio de assuntos como você.

– Não é difícil encontrar assunto com ela. Eu acho difícil encontrar um com Natalya.

– Não me diga que você gosta da psicótica da 1P dela.

– Ela é só tímida, mas no fundo verá que é uma boa pessoa. Olhe, lá está ela.

Toris foi conversar com Natalya. Vendo que a garota tratava mal seu 1P, Tyrion começou a discutir com ela. Ambos começaram a gritar um com o outro, até mesmo quando Natasha voltou com Viktor. Toris e Natasha tentavam acabar com a briga de Tyrion e Natalya enquanto Viktor pensava o quanto 1Ps e 2Ps conseguia ser tão parecidos.

De volta à cidade, Egil tinha dormido no meio do caminho e estava sendo carregado por Kallyna. Lukas andava ao lado da groenlandesa, impressionado como o islandês lembrava seu irmão quando criança.

– Que cara é essa? – Perguntou ela.

– Você é sempre tão rude assim?

– Se tivesse visitado nosso mundo, não perguntaria isso.

– O que isso tem a ver? – Perguntou um pouco irritado.

– O mundo 2P é um mundo onde o céu é vermelho e o ambiente é hostil. Nosso mundo é tão corrompido que é proibido armas de fogo e aviões para não aumentarem os conflitos. As pessoas são muito mais egoístas do que as deste mundo e a névoa da insanidade paira no ar.

– Névoa da insanidade?

– É um modo lírico de dizer que todo mundo é insano, bem, quase todos. Há alguns que são gentis e amáveis como o Egil, uma raridade em meu mundo.

– E, no entanto, você o trata muito mal.

– Eu só quero que ele seja forte e pare de depender de mim. Pessoas como ele sofrem no meu mundo, são facilmente manipuladas, usadas e descartadas. Ou elas arrumam alguém para protegê-las ou mudam de atitude.

– E você prefere que ele mude de atitude.

– As pessoas que são muito protegidas são usadas por terceiros para ferirem seus protetores. Tenho mais inimigos do que imagina, se eu fosse boazinha com ele ou os nórdicos, adivinha quem iriam atacar?

– Creio que não seria a você, seria imprudente demais.

O silêncio pairou sobre a dupla e só foi quebrado pelo celular de Lukas. Após conversar um pouco no celular, simplesmente se separou de Kallyna. Nenhum dos dois devia satisfações ao outro, então nem se importavam em saber o que ia acontecer com o outro ou que iam fazer.

– Hei, Lukas! – Exclamou Vladmir aparecendo do nada.

– Vai assustar a mãe.

– Desculpe. Soube que Escócia e Irlanda descobriram como mandar os 2Ps para casa.

– Eles falaram com você também?

– Sim!... Eles falaram com você?

– Parece que precisam da nossa ajuda, o que é estranho.

– Não importa, estamos juntos nessa! – Disse passando o braço ao redor do pescoço do outro de forma companheira.

– Por que eu tenho a impressão de que isso não vai acabar bem?

Em algum outro canto, Israel corria em busca de ajuda. Ele acabou encontrando Grécia, Kuwait e Jordânia pelos corredores.

– Preciso de ajuda!

– O que houve? – Perguntou Kuwait.

– Eu preciso que vocês façam suas populações protestarem a favor da libertação do Palestina.

– Hã? – Perguntaram os três sem entender nada.

– Israelito, você está bem?

– Não bateu com a cabeça em algum lugar?

– Eu acho que entrou muita água do mar na cabeça dele. – Comentou Grécia.

– É sério, precisam fazer isso!

– Israel, ninguém aqui está entendendo porra nenhuma. – Disse Kuwait. – Qual o seu interesse nisso?

– Palestina está mal! Os bombardeios que o secretário de segurança do meu superior ordenou à Gaza o deixaram fraco! Se isso continuar, eu não quero nem pensar no que pode acontecer...

– Eu sabia! – Exclamou Jordânia, fazendo o primo e o amigo de infância terem um sobressalto. – Você e o Palestito finalmente caíram na real e embarcaram em um romance!

– Jô! – Exclamou o kuaitiano envergonhado.

– N-Não é nada disso, Jô! – Disse o israelense parecendo uma pimenta.

– Sua carinha envergonhada de uke diz o contrário.

– Eu não sou o passivo!

– Jô, pare com isso. Eu não quero ter mais dor de cabeça do que estou tendo com minha crise financeira. – Comentou o grego.

– Você precisa de um novo new deal. – Disse o israelense. – E de um consultor financeiro também.

– Mas mesmo assim, não vejo como esses protestos possam ajudar. – Disse Mohamed retornando ao tópico principal.

– Só preciso que os povos estrangeiros pressionem seus governos para que se reúnam e intervenham a favor dele.

– E por que não o seu?

– Já tem gente fazendo isso, mas parece que a minha mídia resolveu incitar o medo da minha população e aliená-la! Eu não tenho mais a quem recorrer!

– Você sabe quer que os povos estrangeiros pressionem seus governos para pressionarem a ONU a tomar uma atitude drástica contra você? Isso não iria te prejudicar? – Indagou o grego.

– Eu não me importo com isso! Podem me bater, me sancionar, façam o caralho a quatro comigo! Mas não deixem que meus superiores façam o que estão fazendo com ele. Eu não quero que Palestina desapareça.

– Que romântico! Você deve o amar muito! – Exclamou Jocasta.

– N-Não é nada disso! – Gritou corado até a raiz dos cabelos. – Ele é meu rival, só isso!

– Então é só sexo casual? Eu e Grecito fazíamos muito isso antes dele ter algo sério com o Turquito.

– VOCÊS DOIS O QUE?! – Exclamou Mohamed quase tendo um infarto.

– Você fala como se fosse grande coisa, Kuwaitito.

– Juro que se não fosse pela tia Babi e pela dona Hellas, eu juraria que vocês dois se conheceram em algum bordel ou casa de swing.

– Ora, essa, não era você que vivia dizendo que um dia nos casaríamos? – Provocou o grego. – A gente tinha que testar o produto antes de fechar contrato.

– Poupem-me da vida sexual de vocês! Vocês vão me ajudar ou não?

– Eu vou, mais pelo relacionamento amoroso de vocês do que por outra coisa. – Disse dando uma piscadinha, fazendo o israelense corar. – Vou falar com Iraque, Síria e Irã, talvez até com o Libanito também.

– Obrigado, Jô. E não estamos em um relacionamento amoroso!

– Eu posso tentar convencer os países com quem tenho acordos comerciais, mas não posso garantir nada. – Disse Kuwait.

– Vou ver o que posso fazer. – Disse Grécia.

– Obrigado. Eu vou falar com os europeus e o América sobre isso. Até!

Ele saiu correndo para espalhar seu plano. Não havia nenhuma garantia que o fizesse funcionar e a possibilidade de dar errado era gigantesca, mas não iria desistir fácil.

Já na praia, um tanto afastados dos demais turistas, estavam Emil e Greta. Com a confusão dos 2Ps, fazia tempo que eles não tinham um tempo só para eles. Pelo menos Emil não podia reclamar, pois com a chegada de Ghost, o lobo se via ocupado e o deixava sozinho com Greta sem sua vigilância autoritária. E quando não era Hewie era Dinamarca, mas agora estava ali, sozinho com ela, sem Hewie ou Mathias para incomodar e sem Mr. Puffin e seus comentários. Era bom demais para ser verdade.

– Emil, está tudo bem?

– Sim, por que a pergunta?

– Você está olhando para os lados como se estivesse procurando alguém.

– Ah, é mesmo? Eu não tinha percebido.

– É por causa do meu irmão?

– Também, mas sinceramente, eu me preocupo mais com Hewie.

– Por quê? Hewie já disse que não tem problema.

– Mas ele me assusta. Toda vez que ele me observa, parece que está vendo através da minha alma. – Um calafrio percorreu-lhe a espinha. – A vigilância dele me sufoca, eu sinto que ele vai me atacar ao me aproximar de você.

– Esse é o Hewie. Ele é tão protetor quanto o meu irmão.

– Você não pode mandá-lo dar uma volta, ir para outro lugar ou pelo menos parar de nos vigiar?

– Hewie é um lobo, não um cão de caça. Lobos não podem ser domados.

– Mas ele te obdesce.

– Não, ele só acata pedidos e favores, e não ordens. Há diferenças entre pedido e ordem.

– Eu não entendo!

– Cães são confiáveis por natureza, arrume um e ele lhe fará companhia. É muito fácil conseguir a lealdade de um cachorro, já os lobos não são assim. Eles são animais independentes e é difícil conquistar a lealdade de um. É necessário um vínculo muito forte e duradouro para isso. Traia um lobo e ele se voltará conta você.

– Está dizendo que Hewie não depende de você?

– Ele poderia seguir sozinho se quisesse. Hewie está comigo há muito tempo e confia em mim como confiaria em alguém de sua espécie. O engraçado dos lobos é que você pode ser amigo de um e até ser visto como igual perante um, mas nunca poderá realmente domá-lo.

– Mas ele está há um bom tempo com seu irmão também.

– Mas não o obedece, bem, pelo menos não na maioria das vezes. Ele não segue ordens e escolhe os pedidos que quer acatar do meu irmão.

#flashback1#

– Hewie, vá pegar cerveja pra mim!

Hewie olhou para Dinamarca, deitou no tapete e começou a lamber o saco.

– Hewie, a cerveja!

Retornou a olhar para o loiro e depois voltou ao que estava fazendo.

#flashback2#

Mathias estava vendo o jogo esparramado no sofa junto com Hewie quando o telefone toca.

– Atende pra mim?

Hewie o encarou e depois voltou a ver o jogo.

#flashback3#

– Hewie, pega o controle da TV.

Hewie sobe as escadas e vai dormir.

– Belo bicho de estimação você é.

#flashback4#

Mathias estava dormindo tranquilamente quando Hewie entrou em seu quarto e o acordou com lambidas.

– Hewie, eu já não disse para não me acordar desse jeito, caramba?!

O lobo pega o relógio no criado mudo e o entrega.

– Eu vou me atrasar para a reunião! Obrigado, Hewie! – Disse correndo para o banheiro.

#flashback off#

– Ainda bem que ele não faz tudo o que seu irmão pede ou viraria empregado dele.

– Podemos parar de falar do Hewie um instante? Até parece que você tem ciúmes dele e quer encontrar algum defeito nele.

– Eu não tenho ciúmes dele! – Exclamou completamente corado. Era só o que faltava, ter ciúmes de um lobo.

– Você tem. – Brincou Greta, fazendo-o corar ainda mais.

– N-Não é verdade, é só...

– Você fica fofinho com ciúmes. – Comentou rindo um pouco, o que fez Emil enrubescer ainda mais.

– E-E você fica fofa quando ri. – Dessa vez foi Greta quem corou. – Na verdade, você é fofa de qualquer maneira. – Disse ao se aproximar, fazendo-a corar ainda mais.

Ele tomou os lábios dela em um beijo casto, apenas um roçar de lábios. Não demorou a aprofundar o beijo, mas não pôde fazer nada além disso, pois ela se separou dele. Novamente estava cobrindo os olhos com a franja irregular, não era preciso ser um gênio para saber que estava envergonhada. Já não via mais o gesto da garota como um ato de isolamento e sim como algo fofo.

– Quer dar um mergulho? – Perguntou ele olhando o mar.

– U-Um mergulho?

– Vamos, é apenas um mergulho. – Disse estendendo-lhe a mão. – Não será nada de mais.

Ela hesitou e muito. Pensou umas cinquenta vezes antes de segurar a mão do outro e se permitir ser guiada até a água, mesmo que estivesse anoitecendo. A água estava fria, mas ambos estavam acostumados com o frio de suas terras natais.

Emil até tropeçou em uma alga fazendo ambos caírem e se molharem por inteiro. Ao voltarem à superfície, apenas riram baixo. Nadaram por um tempo, fizeram uma breve guerra de água e no final, Emil puxou Greta de encontro a ele, a abraçou e soltou seu cabelo, desfazendo a trança. A groenlandesa corou e o islandês não conseguia tirar os olhos dela. Ela era linda, seu cabelo negro e liso caía até o meio das costas, os olhos azuis brilhavam a luz do luar, podia ser até comparada com uma deusa de sua mitologia.

– Por que está me olhando assim? – Perguntou ficando ainda mais vermelha.

– Você é linda.

Ele tomou seus lábios em um beijo calmo, mas ao mesmo tempo apaixonado. O tempo pareceu parar para ambos. O que ele não contava era que estava sendo observado pelos lobos.

– Crianças. – Comentou Hewie divertido.

Hewie uivou. Quando filhote, seu uivo era o mesmo de um lobo adulto e parecia ter crescido com ele. Era um uivo forte, cavernoso e gélido, capaz de estremecer qualquer espinha e com o casal não foi diferente. Greta estava mais acostumada, então não teve grandes reações. Emil, por outro lado, se assustou, perdeu o equilíbrio e cai na água.

Greta gritou com Hewie e ofereceu ajuda a Emil, que ficou mais estático ainda ao ouvi-la gritar, ainda recebeu um olhar reprovador do lobo como se dissesse que estava de olho nele.

– Se as pessoas estremecem de pavor perante seu uivo, o meu as fazem se borrar por inteiras. – Disse a voz gélida e fantasmagórica do lobo gigante albino.

Ghost era extremamente silencioso, raras as vezes havia emitido algum som, quem dirá falar com um humano conectando-se à sua inua. Sua voz além de gélida era fantasmagórica, capaz de penetrar na alma de quem a ouvisse. Seu uivo, que só usara uma vez em toda sua existência, era capaz de cortar a alma dos ouvintes e quebrar-lhes o espírito.

Pensei que não falasse, Ghost.

– Minha eficiência é mais importante que minha voz.

Essas foram as últimas palavras que Hewie escutou de seu 2P. Ninguém mais naquele cenário além dele conheceria a voz do lobo gigante.

Por falar em quarto, Arthur, Oliver e Casey estavam enclausurados no quarto do loiro. Mesmo sabendo o que o loiro fizera de errado, consertar a bagunça não era tão fácil. Irlanda do Norte teve que entrar naquele quarto várias vezes e convencê-los a fazerem outras atividades como comer, tomar banho e quem sabe até tomar ar fresco. Atualmente o ruivo estava entediado, se revirando na cadeira pela enésima vez enquanto observava seus meios-irmãos e Oliver trabalharem. Ficou assim até a porta se abrir e Escócia, Irlanda, Noruega e Romênia entrarem. O quarto estava bagunçado, cheio de livros, líquidos estranhos, coisas bizarras e tinha até um cheiro estranho.

– Parece que transformaram o quarto em um porão. – Comentou Lukas.

– Alguém morreu aqui? – Perguntou Vladmir.

– Hei, não venham reclamar! – Resmungou Arthur. – Pelo menos estamos fazendo alguma coisa.

– Acontece, que nós conhecemos uma maneira melhor. – Disse Irlanda.

– O que?! – Perguntaram os três.

– Diz que não vamos ficar presos aqui por mais uma eternidade de horas. – Suplicou Charlie.

– Nós iremos lá para fora. – Disse Scott para o alívio do mais novo. – Há um portal que liga ambos os mundos.

– E VOCÊ SÓ FALA ISSO AGORA, BLOODY HELL!

– Não é tão simples assim, sarnento. – Disse Emily. – Explicaremos sobre isso, mas antes precisamos sair daqui. Esse lugar é pequeno demais e parece que um rato molhado morreu aqui dentro.

Notas finais
TV aberta tem na maioria dos hotéis por ser mais econômica. # Caçador de barraco é aquela pessoa que não pode escutar uma discussão ou ver uma briga que vai logo ouvir e/ou assistir para saber de tudo que está acontecendo. Se for briga de família ou namorados, melhor ainda. Dependendo da pessoa, ela ainda se mete na briga. # O pastel de nata é uma das iguarias mais populares de Portugal, sendo que a receita original é segredo da Fábrica dos Pastéis de Belém. # A maioria dos doces portugueses teve origem nos conventos e mais tarde foram comercializados. # Gargantas de freira são doces feitos de obreia (hóstia), chávena de fios de ovos e açúcar. # O pastel de Tentúgal é outra iguaria no campo dos doce portugueses. Originaram-se do receituário de doçaria do Convento de Nossa Senhora do Carmo de Tentúgal. # Os ovos moles de Aveiro são originários da cidade de Aveiro e típicos de lá. São feitos de clara de ovos, açúcar (para ajudar a endurecer a massa) e gema de ovos # As viúvas de Braga também é um doce originário de um convento, mas dessa vez o convento ficava na cidade de Braga. # As granadas de Évora é um doce originário da cidade de Évora. # Pimpolho seria como pirralho para o brasileiro. # Julian é o nome daquele lêmure do filme Madagascar. Há inclusive um seriado na Nickelondeon dos pinguins do filme com participação dele. # Os ataques à Gaza que eles estão comentando são os ataques mais recentes. # A frase "O medo está em nossas mentes, mas toma conta delas o tempo todo" foi traduzida da música Sweet Sacrifice do Evanescence e adaptada para a fic. # A conversa do barco foi retirada do episódio 5 de Hetalia The Beautiful World. Quem diz as frases é o França. # As proibições de aviões e armas de fogo vieram do fangame Hetalia x Te End of World, disponibilizado no Deviantart. # New Deal foi o nome dado à série de programas implementados nos Estados Unidos entre 1933 e 1937, sob o governo do Presidente Franklin Delano Roosevelt, com o objetivo de recuperar e reformar a economia norte-americana, e assistir os prejudicados pela Grande Depressão. (by: Wikipédia) # A conversa sobre não domar realmente um lobo foi inspirada nas Crônicas de Gelo e Fogo. O próprio Ghost foi inspirado no Ghost de lá, mas possui suas particularidades. # # Romênia - Vladmir Alucard Van Helsin ou Vlad, o nome é uma referência ao livro Drácula, que foi escrito por um irlandês, e Romênia era o país em que o Drácula vivia. Vlad, que é apelido de Vladmir, é o nome dado ao Drácula, Alucard é Drácula ao contrário e Van Helsing é o sobrenome do rival do Drácula. # # # No próximo capítulo haverão altas tretas, mas tretas mesmo. Será uma loucura, mas até lá, o jeito será aguardar.