Notas iniciais
Demorei mais que o previsto, mas aqui está um capítulo fresquinho.

O dia seguinte começou um tanto incomum.

– FLAVIOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!

Muito incomum. Flavio tinha tido um de seus ataques fashion durante a noite e enquanto Luciano, Feliciano, Lovino e Valentino, conhecido como Seborga, dormiam, Flavio se aproveitou da situação para usá-los como manequins. Agora, todos estavam usando vestidos ou saias nas cores rosa e branco, salto alto, maquiagem e adereços no cabelo. Luciano e Lovino estavam tão putos (já que não havia outra palavra para expressar o mau humor deles) que perseguiam o loiro por todo o hotel.

– Volta aqui! Figlio di putana! (Figlio di putana: filho da puta em italiano)

– Hei, não xinga a minha mãe! – Exclamou Luciano.

– Então dê um jeito no maluco do seu irmão! Ele trocou até as nossas roupas de baixo.

– Ele o que?! – Olhou pelo decote da blusa rosa para confirmar. – FLAVIOOOOOO! EU VOU TE MATAR!

– Quero ver você tentar, baby. – Disse mandando beijinhos no ar para os dois.

– VOLTA AQUI! – Gritaram os dois.

– Só depois que o recalque de vocês for embora.

– VENDETTAAAAAA! (Vendetta: vingança em italiano)

Aquela barulheira e correria tinha acordado todo mundo. Alguns gritavam com eles, outros ficavam com cara de paisagem, outros queriam matá-los e outros reclamavam que nem Israel e Palestina eram tão barulhentos assim. Uma garota entrou no quarto dos italianos, ela era um pouco mais baixa que Seborga, tinha o cabelo castanho, um ahoge igual ao de Seborga, mas do mesmo lado do de Lovino e olhos como os de Feliciano.

– Feliciano, que porcaria de gritaria é essa?!

– Sissy! Ve~~ Há quanto tempo! – Disse abraçando a garota.

– Sissy é o caralho! Meu nome é Sicília!

– Eu sei que o seu nome é Cecília, Sissy, mas o seu apelido é mais bonitinho.

– Eu disse Sicília e não Cecília, ah, deixa pra lá! Quem mandou ter o nome parecido com meu nome humano? – Disse ficando emburrada, mas se lembrou de algo. – Fratello, por que está de vestindo?

– Flavio que me vestiu. Não está tão ruim, não é?

– Não, você não fica ruim de vestido.

– Oi Feliciano, oi menina que não conheço, mas que me é familiar. Até mais! – Disse Flavio correndo por aquele corredor pela segunda vez.

– VENDETTAAAAAAAA! – Gritaram Lovino e Luciano passando reto pelos dois.

– Aquele era o Lovino? Eu tenho que tirar uma foto e colocar no youtube! – Tira o celular do bolso e sai correndo atrás dos dois.

Dick e Benjamin quase derrubaram a porta do quarto de Arthur e Oliver para entrar. Eles esmurraram a porta até que o 1P ficasse com dor de cabeça. Allen estava lá com uma bolsa de gelo sobre a cabeça.

– WHAT THE FUCKING HELL ARE YOU DOING, PIECE OF GIT?! – Exclamou Arthur após ver os neozelandeses.

– Nós precisamos dos seus livros de macumba. – Disse Dick calmamente.

– Não é macumba porra! É magia.

– O que aconteceu com o Allen? – Perguntou Benjamin olhando para o quarto.

– Isso? Foi a doida daquela asiática que desceu o remo em mim. Só por que eu a chamei para sair e agarrei aquele porco gordo?

– Hã?

– Há um boato pela escola que o América e a Vietnã estão de caso. – Explicou o 1P New.

– É o irmão do namorado da minha irmã?

– Sua irmã minha bunda! A Alice é a minha irmã.

– O que vocês dois vieram fazer aqui? – Perguntou Oliver confuso.

– Viemos atrás dos livros do mal humorado. – Respondeu Bem.

– O assunto é sério.

Os dois contaram sobre as tatuagens, sonhos compartilhados, cultura indígena, xamanismo e até mostraram as tatuagens.

– Vocês dois são portais ambulantes! – Exclamou Oliver.

– Portais?

– Sim. Essas tatuagens não foram feitas por maoris comuns e sim por xamãs. É normal tribos indígenas terem xamãs ou curandeiros. Dá para ver que elas são exatamente iguais, a não ser pela cor. Por que as fizeram?

– Apesar de eu e a Alice sermos gêmeos, não nos parecemos em nada, eles temiam que nossa ligação fosse fraca e as fizeram para nos ligarmos.

– A minha ligação com Alicia sempre foi fraca apesar de sermos gêmeos. Acabaram fazendo-a para que nossa ligação aumentasse e nosso elo também, mas não funcionou como deveria.

– WTF?! Suas irmãs também têm esse troço?! – Surpreendeu-se Arthur.

– Agradeça que foi no ombro, pois os maoris tatuavam principalmente os rostos. – Comentou Benjamin.

– What?! – Dessa vez os dois ingleses se assustaram.

– É uma espécie de hierarquia. – Explicou Dick. – Os chefes e os mais importantes tatuavam os rostos para mostrarem que tinham status na tribo, tanto que as tribos rivais que venciam os “nobres” arrancavam suas cabeças e penduravam em suas casas. O ruim é que quando fomos colonizados, as cabeças passaram a ser vistas como obras de arte pelos europeus.

– Alguns passaram a tatuar os rostos de seus escravos e depois cortavam-lhes a cabeça para venderem aos europeus. – Concluiu Ben. – Alicia acabou tomando gosto pela parte de cortar as cabeças.

– Ainda bem que o comércio foi proibido. França até nos devolveu 20 cabeças.

– É melhor voltarmos para o assunto dos portais. – Disse Arthur com os olhos arregalados e totalmente brancos, assim como Oliver.

– Ok.

– Bem, quando dois objetos mágicos ou espirituais idênticos estão em planos diferentes, eles se tornam portais. – Explicou o loiro mais velho. – Pode não ser para mundo 2P, pode ser para o passado, mas isso é complicado mesmo.

– Vocês dois têm apenas metade de dois portais, as outras estão com suas irmãs. – Disse Oliver. – Não vamos desviar do foco porque esse assunto é complicado.

– Isso quer dizer que podemos voltar para casa por meio disso? – Perguntou Ben.

– Infelizmente não. – Respondeu Ollie. – Apesar de ser exatamente o mesmo desenho, seria preciso que estivesse perto de Zealand e as cores são diferentes.

– Isso é um problema? – Perguntou Dick.

– Sim, pois para se que eles pudessem atravessar o portal, seria preciso que fossem exatamente iguais. – Explicou Arthie. – Por isso vocês só puderam se encontrar em sonhos, seus portais não têm força o suficiente para fazerem-nos atravessar os mundos. Se fossem feitos com a mesma cor, eles seriam idênticos e teriam essa força.

– Com ajuda de magos experientes como nós, não é Arthie? – Disse dando uma piscadela marota para o 1P, que enrubesceu de raiva. – E seria preciso que um de vocês estivesse no nosso mundo para isso acontecer. Dois portais dimensionais, como os seus, não funcionam quando estão no mesmo plano, só em planos diferentes.

– Entendemos.

Já no quarto em que Egito dividia com Arábia, a situação era outra. O egípcio não conseguia levantar da cama de jeito nenhum.

– Puta que pariu! – Exclamou o saudita, o que deixou o egípcio completamente surpreso já que o outro não usava esses termos. – Eu sabia que não devíamos ter feito aquilo.

– Salah, está tudo bem, eu...

– Tudo bem o caramba! Você mal consegue se levantar! Quem dirá se sentar. Espero que esteja feliz!

– E eu estou. Mesmo que esteja doendo, mesmo que eu mal consiga me mover, eu fico feliz de que tenha sido com você. – Disse vermelho.

– É melhor eu ver um médico para você.

– Não precisa. A dor vai passar. Só preciso de tempo.

– Egito, tem muito sangue no lençol e você mal pode se mover sem sentir dor. E se o estrago for realmente grande?! Mesmo que não seja nada, alguém tem que dar uma olhada para ver se você está bem!

– Isso não vai amenizar a ardência, Arábia.

– Será que vendem alguma pomada para esse tipo de coisa?

– Provavelmente não. Mas é só passar uma para dor muscular que vai ficar tudo bem.

– Ficou louco?! Sabe o que tem nessas pomadas?! Não são para uso interno. Se pelo menos existisse um supositório para te ajudar... É isso! Vamos colocar gelo.

– Gelo?

– É melhor do que nada.

Arábia foi até o frigobar, onde encontrou uma bandeja de gelo. Ele a pegou e introduziu no menor, que soltou um pequeno gemido ao entrar em contato com o gelo. O maior, após tomar banho e se vestir adequadamente, decidiu chamar Iêmen para que pusesse juízo na cabeça do outro e saiu do quarto, pois tinha mais o que fazer.

– Mas o que aconteceu com você?!

– Não amole, Iêmen.

– Gupta, que sangue todo é esse?! Vocês sacrificaram uma galinha preta ou algo do tipo?

– Se eu fizesse isso, ganharia sermão pelo resto da vida.

– Eu sei disso. – Disse se sentando na beirada da cama. – Então você finalmente conseguiu o que queria.

– Sim, só não sabia que ia ser tão doloroso.

– Vocês usaram camisinha?

– Camisinha para o Arábia só se for a cortina do banheiro, mas eu não tenho grana para pagar por outra.

– Quer dizer que Arábia é o Lattrel Spencer da vida real? – Perguntou já formando um sorriso cínico e divertido.

– Lattrel Spencer é fichinha, eu não consigo nem me levantar, quanto mais ficar em uma cadeira de rodas!

– HAHAHAHAHAHA!

– Você está rindo por que não foi com você.

– Claro que não. Estou atrás da Omã e não do Kid Bengala. Era tão grande assim?

– O problema não era o tamanho, era a grossura. Parecia um cano hidráulico!

– HAHAHAHAHAHAHAHAHAHA!

– Você está rindo porque não está com várias pedras de gelo enfiadas no cu!

– HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA! – Cai em cima do outro e continua a rir. – Gelo no cu!

– YUSUF!

– O que foi?! Você faz a merda e não quer que eu ria?!

– E quanto aquele papo de ser mais maduro do que eu?

– Um irmão mais velho não pode sacanear o mais novo quando ele faz merda?

– Não! E eu sou o mais velho!

– Sei. Ainda está doendo? – Perguntou assumindo uma postura mais séria e saindo de cima do menor.

– Não muito. O gelo deixou dormente.

– Que isso sirva de lição para você.

– Que lição, Iêmen?!

– Sempre ter vaselina ao alcance.

– Porra Iêmen!

– Também te amo, querido irmãozinho mais novo. Agora, é melhor chamar um médico para você.

– EU NÃO PRECISO DE UM MÉDICO! E não sou o irmão mais novo!

– Admita, você adora quando eu te chamo assim. Agora é só me chamar de onii-chan.

– Vai sonhando.

Luciano e Lovino perderam Flavio de vista, mas notaram algo estranho. As pessoas viam um vídeo deles de vestido no Youtube. Ambos queriam matar o italiano loiro mais do que nunca, porém também tinham que descobrir de quem era o vídeo.

– Mas que porra! – Resmungou Lovino.

– Fratello, o que aconteceu? – Perguntou Feliciano surgindo do nada.

– Algum filho da puta mal comido colocou esse vídeo na internet!

– Você ainda está de vestido? – Perguntou Luciano.

– Sim, Sissy disse que eu fico bem de vestido. Ve~~ Ela já postou o vídeo?

– Sissy?

– CECÍLIAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA!

Em algum canto por aí estavam Israel e Palestina.

– Puta que pariu! E ainda tem gente que reclama que NÓS somos barulhentos. – Reclamaram ambos.

Lovino andou pelo hotel inteiro com Luciano e Feliciano atrás de Cecília. Ele a encontrou na piscina. A garota usava um biquíni com a sua bandeira.

– Fratello, em que posso ajudá-lo?

– Sicília, tire a porra desse vídeo da internet agora mesmo!

– Não.

– O QUE?!

– Isso mesmo que você ouviu, eu não vou retirar. A menos que você tenha algo a oferecer.

– Escute garota, não estamos com tempo e nem paciência para isso! – Disse Luciano.

– Então vai continuar na internet.

– O que você quer, mercenária? – Perguntou Lovino.

– Vejamos... Eu quero um par de sapatos novos da Prada.

– VOCÊ TEM NOÇÂO DE QUANTO ISSO CUSTA?!

– Está bem, fique com o mico de aparecer de vestido para o mundo inteiro.

O trio saiu da piscina e voltou para dentro do hotel.

– Vejo que a Sicília não mudou muita coisa neste mundo. A sua irmã é mais mercenária que a minha!

– Eu não devia ter deixado essa garota me ajudar com as máfias, agora ela é mais mafiosa do que eu!

– Ve~~ Não é tão ruim assim. Ao menos ficamos bem de vestido.

– NÃO FICAMOS NÃO! – Gritaram Luciano e Lovino em uníssono.

Os dois gêmeos resmungões saíram do hotel em busca de uma loja que vendesse coisas da Prada, mas como não encontraram nenhuma, tiveram que recorrer à internet. Após a transação ter sido feita a ponto de não poderem voltar atrás, eles reencontraram Sicília, contaram tudo a ela e deram o número do pedido.

– Trato é trato, Cecília. Trate de remover o vídeo.

– Ah, Lovi, você realmente não tem senso de humor.

A siciliana pegou o celular e removeu o vídeo de sua conta. Apesar disso, o vídeo não tinha sido removido por inteiro, outros surgiram no lugar.

– CECÍLIA!

– Hei, não é culpa minha se outros resolveram baixar o meu vídeo ou gravá-lo na tela do computador!

– Compramos um sapato Prada para nada?! – Resmungou Luciano.

– Não diga para nada. Vocês queriam que EU removesse, não? Eu removi. Que culpa eu tenho se o site deixa os outros baixarem o vídeo que postei?

Os dois saíram da piscina resmungando e reclamando, além de quererem saber onde estava Flavio, o causador de tudo.

– Eles já foram? – Perguntou alguém escondido em uma planta.

– Sim, já pode sair daí.

– Finalmente! – Exclamou Flavio saindo da planta. – Obrigado Cecília.

– De nada. Agora, cadê as 500 pratas que está me devendo?

– Vou fazer mais do que isso, vou te dar um Chanel.

– Grazie!

Notas finais
Sicília é uma ilha ao sul da Itália cuja capital é Palermo e é conhecida por suas máfias (piores que as do Romano). Ela é uma região autônoma da Itália. # É normal que os povos indígenas tenham um curandeiro ou um xamã em cada tribo. # As tatuagens dos News e das Zealands são portais que só seriam ativados em sonhos, já que para poderem transitar entre os mundos precisariam ter a mesma cor e estarem em planos diferentes (aí quando estivessem no mesmo plano teriam que achar outro caminho para voltar para casa). Não é recomendável viajar por eles (mesmo se desse para fazer isso). # Os maoris "nobres" (geralmente grandes guerreiros ou monarcas) tinham o rosto tatuado para demonstrar seu status. Derrotar um nobre, arrancar sua cabeça e pendurá-la era um sinal de força. O tráfico dessas cabeças aconteceu após a colonização e pelos próprios maoris, poupando os estrangeiros que só levavam o enfeite para casa como uma peça de arte. Mais tarde a prática foi considerada ilegal. Só agora que começaram a devolver as cabeças para a Nova Zelândia, que as colocou no museu. # Para quem estiver interessado na notícia: http://www.portugues.rfi.fr/geral/20120123-franca-devolve-20-cabecas-maoris-para-nova-zelandia # Lattrel Spencer é um personagem do filme "As Branquelas", um filme muito engraçado e divertido de ver. # Kid Bengala é um ator pornô brasileiro muito conhecido, só digo isso. # Prada é uma grife italiana e Chanel é uma grife francesa fundada pela espetacular Coco Chanel. Seu perfume mais famoso é o Chanel Nº 5, utilizado pela Marilyn Monroe antes de dormir. # # Nomes: Seborga - Valentino Vargas: eu uso Valentino para ele. É uma homenagem tanto para o estilista Valentino Garavani quanto para motociclista Valentino Rossi, conhecido pelo apelido de The Doctor. Ambos os Valentinos são italianos. # Sicília - Cecília Vargas ou Sissy: novamente um nome que faz alusão com o nome do país (eu também não tinha outro nome para botar). Sissy é o nome de uma das personagens do jogo The Crooked Man. É uma bela de uma mercenária. # # # Gostaram? Será que nosso estilista vai sobreviver? Vão inventar uma pomada que também seja um supositório? Sicília vai parar de cobrar por serviços? O sapato Prada vai chegar? Eu também quero meu Chanel! Descubram no próximo capítulo.