Gakuen Hetalia 2.0
42 Capítulo 42
O dia amanheceu e o quarteto de asiáticos já estava acordado. Taiwan e Hong Kong estavam doloridos e Coreia do Norte já estava de banho tomado e arrumado.
– Achei que vocês dois não fossem.
– Onde está o seu irmão? – Perguntou Hong Kong.
– No banho. Quer se juntar a ele?
– Se eu for, não vamos sair do banheiro hoje.
– É verdade, do jeito que Yong é enérgico, vocês não vão sair mesmo. Ele já me deu muitos problemas por causa disso.
– Que tipo de problemas? – Perguntou Taiwan.
– Ele é muito enérgico e muito sem noção também. Já perdi as contas de quantas vezes tive que tirá-los de armadilhas, do banheiro feminino e de quantas vezes ele correu do falcão do Mongólia por ter irritado o bicho.
– Mas eu achei que vocês não tinham contato com o seu pai.
– Nós ficávamos alguns dias na casa dele quando crianças e não sabíamos que ele era o nosso pai. Mas isso explica por que o Yong tem tanta energia e nenhuma noção de perigo, o próprio Mongólia não teme o perigo e às vezes não tem noção do que faz.
– Isso explica muita coisa. – Disse o honngconguês com uma enorme gota na cabeça.
– Mas vocês são gêmeos, você não herdou nada do Mongólia?
– Só o foco e a agressividade durante as batalhas, o sadismo e a habilidade com falcões. O resto herdei da minha mãe. Vocês vão tomar banho aqui ou vão para os seus quartos?
– Eu vou para o meu. – Respondeu Hong. – Só espero que Macau não esteja acordado para vir com sermão.
– Eu não posso voltar para o quarto agora. Kiku e Yao vão me encher de perguntas.
Enquanto Taiwan ficou no quarto dos gêmeos enquanto Hong Kong foi para o seu. Ao entrar, viu que estava tudo escuro, o que era bom, pois era sinal de que Macau não tinha acordado. Andou pelo quarto com cuidado para não derrubar nada, tropeçou em umas três peças de roupa, o que achou estranho já que Tao era organizado. Ele pegou sua mala e foi para o banheiro. Após tomar um bom banho e se vestir, ele foi colocar a mala no lugar.
– Kaoru, já chegou? – Perguntou o mais velho ainda sonolento.
– Vou abrir a cortina. – Disse tentando adiar o assunto.
– Espere!
Já era tarde, assim que os primeiros feixes de claridade adentraram no quarto, ele se deparou com uma cena inesperada. Roupas por todo lado, seu irmão ainda na cama coberto pelo lençol e Mônaco dormindo ao lado dele. O menor corou imediatamente.
– É melhor você esperar na sala. Realmente, temos muito que conversar.
Hong foi para a sala enquanto Macau foi tomar banho. O mais novo tentava entender como eles tinham feito aquilo. Todos sabiam que Macau e Mônaco podia ficar semanas em um cassino e suas partidas eram tão longas que poderiam jogar até o raiar do dia, não tinha como conciliar jogo com sexo, pois mesmo que começassem, eles continuariam jogando e se esqueceriam do sexo. Sua cabeça girava, era o resultado de um estômago vazio com acordar extremamente cedo com um misto de surpresa e um enigma indecifrável. Ele teve que se sentar em uma das cadeiras para não cair.
Assim que sua tonteira momentânea passou, ele viu algo no chão e se abaixou para pegar. Era um par de dados negros. Hong Kong não teria dado importância, afinal Mônaco e Macau jogavam tanto cartas quanto dados e roletas, se não fosse pelo fato dos dados não terem números e sim palavras. Um estava cheio de verbos e o outro de substantivos. Ele corou quando percebeu que não eram dados comuns. Agora o mistério estava solucionado.
– Ah, você os achou. Eu já estava me perguntando onde eles estavam. – Disse o maior já de banho tomado e se sentando na cadeira ao lado da dele, afinal, eles tinham jogado os jogos no chão e as cadeiras estavam intactas.
– O que você queria falar comigo?
– Bem... Eu queria saber como foi a sua primeira vez. – Disse abrindo um largo sorriso e pegando os dados de volta.
– HEIN?! – Corou.
– Fui muito direto? Perdoe-me por isso.
– Há quanto tempo estão juntos? – Perguntou mudando rapidamente de assunto.
– Há um bom tempo, mas não podemos assumir ainda. Eu não queria que você descobrisse dessa forma.
–...
– Você sabe Kaoru que é como um irmãozinho para mim. Eu tentei protegê-lo como pude, sempre te aconselhei e te dei apoio. Omiti alguns assuntos para que você não perdesse completamente sua inocência para tentar te proteger.
– Eu sei.
– A questão é que, por mais que você tente ser um irmão mais velho zeloso e atencioso, depois de um tempo você percebe que não pode proteger seu irmãozinho de tudo. Você não pode protegê-lo de ser levado embora, de apanhar quando você não está por perto e até mesmo de ir para a cama com os dois gêmeos mais sacanas que já conheci.
– Podemos pular essa última parte. – Disse se lembrando da “brincadeira” que os gêmeos fizeram na noite anterior.
– Você cresceu muito, não só fisicamente, mas amadureceu também. Sempre soube se defender, mas agora... Não preciso dizer que é uma nação forte, não é mesmo?
– Mas eu quero ouvir.
– Está bem, você é uma nação forte. – Disse acariciando a cabeça do mais novo, como sempre fazia.
– Ainda quer saber sobre o que aconteceu? – Perguntou corando e desviando o olhar.
– Não precisa me contar se não quiser, mas eu preciso saber de uma coisa. Vocês usaram camisinha?
– Me esqueci. Malditos gêmeos coreanos e Taiwan. – O mais velho parou o cafuné e arregalou os olhos, mas logo voltou à sua expressão calma.
– Deve ter sido uma noite e tanto, mas eu ainda tenho que alertá-lo sobre os perigos de não usar camisinha.
– Que papo é esse? Você e a Mônaco não usaram!
– Nós usamos sempre, mas na noite passada decidimos dar um passo no nosso relacionamento.
– Vocês devem estar mesmo há um bom tempo nisso.
– E estamos. Ah, eu quase me esqueci. Isso é para você. – Disse entregando um pequeno embrulho vermelho.
O menor ficou curioso. Ele abriu o embrulho e quando viu tinha um estojo com um par de dados eróticos vermelhos. Ele arregalou os olhos de surpresa.
– Eu ia te dar isso quando chegasse a hora e pelo visto ela chegou. Só não deixe o Yong vê-los ou se arrependerá muito.
No salão de café da manha, Turquia estava irritado e ao mesmo tempo impressionado. O motivo? Jordânia tinha aprontado e sumido e agora Iraque, Irã, Kuwait e Grécia se uniram para procurá-la e impedi-la de arrumar mais confusão ainda ou apenas de se aproximar de um cara. Mal sabiam que ela só fazia isso porque era a única forma de deixarem suas diferenças de lado e pararem de brigar.
Também no salão, Portugal e Espanha tomavam bronca de Ibéria. O motivo? A América Latina não eram povos submetidos através de guerras épicas com os antigos e sim foram bebês adotados por ambas as nações. Ibéria sabia que seus filhos não eram responsáveis para criar crianças, tanto que ela quem teve que tomar conta de Afonso e Antonio ao mesmo tempo em que impedia Hispânia e Lusitânia de aumentarem a família. Seus netos também não saberiam cuidar de bebês, ainda mais de tantos.
– Ora, pois, vovó! Isso foi há muito tempo!
– Nossas colônias estão bem agora.
– Bem é a minha bunda! Como é que vocês dois me arrumaram uma penca de bisnetos?! E o pior, os tornaram problemáticos!
– Vovó, eles não são seus bisnetos de verdade.
– Se fossem, nós teríamos que arrumar alguém que os gerassem, ora, pois.
– Do momento em que vocês decidiram cuidar deles, vocês os adotaram. Filho é filho não importa se é legítimo, bastardo ou adotado. Vocês deram muitos problemas para essas crianças!
– Mas vovó...! – Os dois tentaram argumentar.
– “Mas vovó” é o caralho! Como é que vocês arrumam tantos filhos sendo que não sabem cuidar das próprias bundas?! E ainda querem cuidar de crianças?!
– Ora, pois, vovó, eles já estão crescidos!
– Crescidos e problemáticos. Um é um ignorante preguiçoso que quer se dar bem, mas sem trabalhar e vivendo de zoeira e “hue”; outro é uma versão do França com uma bela crise política; outros dois são cheiradores de cocaína; outro é um revolucionário que só fala merda; os africanos foram escravos e os oceânicos foram só para ampliar território. Sem falar que vocês roubaram os cofres de crianças! DE CRIANÇAS! E ainda escravizaram pobres crianças na áfrica!
–...
– E Antonio, você vestia o seu primo Romano com um vestido! E o obrigava a trabalhar de empregada quando ele era apenas uma criança!
– Ora, pois, você o que?!
– Er...
– Vocês dois deviam se envergonhar, essa não foi a educação que dei a vocês. Querem lutar, matar, escravizar e saquear, façam isso com gente da idade de vocês! Eu amo vocês dois e muito, mas não façam isso de novo.
– Está bem vovó. – Disseram os dois de cabeça baixa.
– Eu quero ver vocês dois felizes, se dando bem e arrumando alguém que se importe com vocês. Mas não quero que tragam outro bebê para essa família, ou penduro os dois pelos calcanhares!
– Pode deixar. – Disseram morrendo de medo.
A avó era paranoica em relação a bebês. Ela gostava dos filhos e dos netos, mas tinha paranoia em relação a bebês. Seus filhos eram duas crianças cuidado de outras duas crianças, eles até que tomavam conta, mas passavam mais tempo namorando do que cuidando dos filhos, tanto que ela teve que assumir o papel da mãe. Seus netos não entendiam muito de responsabilidade com crianças, tanto que têm as ex-colônias que têm. Portugal e Espanha sabiam o quanto a avó era paranoica com esse assunto, por isso que não mostraram seus “filhos” a ela até hoje.
– Bem, espero que não causem confusão, pois terei que ir.
– Ir aonde, vovó?
– O corpo docente terá que retornar a escola para resolver alguns assuntos. É bom vocês não fazerem nenhuma merda enquanto eu estiver fora!
– Não iremos, ora, pois.
– E nada...!
– Já sabemos. Nada de trazer outro bebê para essa família. – Disseram em uníssono.
Enquanto isso, Coreia Antiga e Mongólia estavam reunidos com seus filhos. Os gêmeos achavam estranho ter Mongólia como pai, pois iam à casa dele quando crianças, eram ensinados e nunca contaram sobre isso. Coreia do Sul ficava mais tempo na casa do China por não ser tão bom como o irmão na arte da estratégia e de dominar falcões, ao qual Mongólia dava um pouco mais de atenção.
– Vejo que ainda tem muitas dúvidas rondando suas cabeças. – Disse o mongol. – É por isso que iremos revelar tudo, inclusive quando nos casamos. – Os gêmeos engasgaram.
– Eu não quero saber como você comeu a minha mãe! – Gritou Coreia do Sul, fazendo Coreia Antiga ficar envergonhada e bater com a mão na própria cara.
– É melhor eu contar essa história, assim vou evitar alguns traumas. – Anunciou ela.
#flashback on#
Eu um passado muito distante, a Coreia não era um país unificado. Haviam três reinos que a compunham: Goguryeo, Baekje e Silla. Goguryeo e Silla tinham tido uma filha, essa que formou um estado independente chamado Kaya. Os três reinos brigavam pelo poder da península, mesmo Goguryeo e Silla sendo respectivamente marido e mulher. Só muito mais tarde, lá por 660 e cacetada foi Silla quem acabou unificando os reinos.
Mas a história em questão se passa muito antes da unificação, quando Kaya era uma criança e os vizinhos de seus pais e de seu tio eram Rússia, Mongólia e China, mas a pequena Kaya só conversava com China.
– Tio Baekje, por que papai e mamãe estão brigando de novo?
– Ora, Hana, são nações adultas. Não precisamos de motivos para brigar.
– Posso ver o Yao?
– Sim, aproveite que ainda são crianças e não estão brigando por território e rotas mercantis.
Kaya adorava brincar com China, que por sua vez sofria bullying do Mongólia. China gostava da garota, mas para o seu azar, Mongólia também.
#pausa no flashback#
– O QUE?! – Exclamou o gêmeo mais velho quase caindo da cadeira.
– Vocês formavam um triângulo? – Perguntou o mais novo com os olhos brilhando. – Isso é lindo.
– De que lado você está?! Ela é nossa mãe!
– Ah é!
– É melhor eu contar a parte que interessa. Comentou Mongólia.
#volta do flashback#
Quando os três eram jovens e a Silla Unificada foi fragmentada e reunificada sob o nome Reino de Koryo, em que a atual representante era o antigo estado de Kaya, pois seus pais e seu tio tinham sumido; Mongólia conquistava tudo ao seu redor. Ele investia contra China conquistando mais e mais de seu território e até mesmo chegou a lutar contra Koryo.
O sol se punha no campo de batalha, sangue e corpos estavam espalhados pelo local, assim como as espadas e as inúmeras flechas que jaziam ali. Koryo tinha perdido, ela estava exausta devido ao combate tanto que mal conseguia se levantar. O mongol estava a sua frente segurando um sabre ensanguentado.
– Já sabemos como isso terminará, Koryo, então por que ainda resiste?
– Porque é o meu povo. Enquanto eu respirar, lutarei por ele.
– Fascinante, mas responda-me uma coisa.
–...
– Hana... Você quer se casar comigo? – Disse fazendo uma cara abobalhada enquanto a outra capotava.
#pausa no flashback#
Os gêmeos e quem quer que estivesse por perto prestando atenção na história capotaram.
– Você existe?! – Perguntou o mais velho.
– Foi o que eu me perguntei quando ele me fez essa proposta. – Disse a mãe.
– Você poderia ter sido mais romântico. – Falou o mais novo.
– Eu não sou muito bom nisso, a menos quando a gente estava lutando.
– Como assim?
– Eu e sua mãe quando treinávamos a sós, o clima mudava, havia paixão envolvida e a luta parecia mais uma dança.
– Uau! – Os olhos do gêmeo mais novo brilhavam.
– Tanto é que a gente só transava depois de lutar. – Disse abrindo um largo sorriso, o gêmeo capotou e a ex-esposa deu um belo murro na cabeça do ex-marido.
– Eu podia viver sem saber disso. – Comentou o mais velho.
– Vamos adiantar para quando vocês eram recém-nascidos e nos separamos. – Disse a mãe.
#volta do flashback#
Mongólia deixou que Koryo mantivesse sua cultura e evitaria mais mortes, contanto que ela se casasse com ele, e assim foi, além de Koryo administrar suas terras e de seus ancestrais. Anos depois o império entrou em crise.
– Mojin, como o seu império pode está em crise?!
– Eu sei lá.
– Preciso de todos os relatórios administrativos.
–... O que é isso? – Ela capotou.
– Você não administra o que conquistou?!
– Eu nem sei o que é administrar, sou nômade, não vivo em um lugar só.
– É inacreditável! Como VOCÊ, que não sabe administrar NADA, conquistou até parte do leste europeu?!
– Porque eu sou foda, minii khair. (minii khair: meu amor em mongol) – Ele fez pose de Nice Guy e ela capotou mais uma vez.
#pausa no flashback#
– Sério, você e Yong não precisam de teste de DNA. – Comentou Hyung após mais um capote.
– Pois é. Yong saiu mais a mim enquanto você saiu mais a sua mãe. Por que acha que o China apoiou você na Guerra Fria enquanto Rússia cagava para a guerra de vocês? Não foi por causa da expansão do comunismo, eu garanto.
– Hei, eu que queria o China antes e você sabia disso! – Exclamou o mais novo.
– Não aconteceu porra nenhuma, caralho!
– Claro que não. – Comentou Mongólia. – Afinal, você também puxou alguns traços meus como a frieza e a insensibilidade em dar foras. Ah e eu também fui para o lado comunista da força para garantir que algo acontecesse a você.
#volta do flashback#
Após a queda do império mongol, várias nações se viram livres. Hana e Mojin iriam se separar por conta disso e da pressão dos superiores dela, mas tinham uma questão importante a resolver: como ficariam os filhos?
– Acho melhor você levar Hyung e Yong com você, minii khair. Eles não podem ficar separados, não será bom para eles e será muito perigoso se vierem comigo.
– E quanto a você?
– Eu ficarei bem e, além disso, eu irei visitá-los. Você também poderá deixá-los me visitar quando quiser, mas não conte a eles que eu sou o pai.
– E por que não? Meus filhos merecem saber quem é o pai.
– Sim, mas não agora. Muita gente me odeia e se souberem que eu sou o pai, eles correrão perigo.
– Está certo.
– Ainda nos veremos, certo Koryo?
– Sim, mas de agora em diante, me chame de Coreia.
#flashback off#
– Está bem, já chega! Não precisamos saber o que aconteceu depois. – Disse o mais velho acabando com a última parte romântica da vida de seus pais.
– Hyung! Eu quero saber!- Protestou o mais novo.
– Vocês dois agora compreende por que nunca foi revelado quem é o pai de vocês? – Perguntou a mãe séria e acabando com a pequena briga.
– Sim. – Disseram.
– Ótimo, então já podem parar de dizer que tudo foi originado na Coreia, pois quem deu origem a vocês fui eu. Seguindo essa lógica, tudo o que foi originado na Coreia, foi originado na Mongólia antes.
– Do que está falando?! Eu que carreguei esses dois por nove meses e os pari!
– Mas eu ajudei a fazê-los e ajudei no parto também.
– Não, eu tive que te botar para fora porque você queria cortar a minha barriga com um sabre!
– A culpa não é minha se eles eram grandes e te faziam sofrer durante o parto.
– E você tem ideia da dor nas costas que tive por conta da barriga?!
Os gêmeos olhavam para a cena com gotas na cabeça.
O dia passou relativamente normal. As nações antigas voltaram para a escola para planejar a volta às aulas, fazer levantamentos e outras coisas chatas. Os outros ficaram lá se divertindo. A noite caiu e Inglaterra estava cansado de procurar pelos padrinhos mágicos, então resolveu fazer uma de suas famosas magias para ver se apareciam. Não aconteceu nada, então ele foi dormir. O que ele não sabia era que tinha feito uma bela cagada.
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