G.A.M.E - Operação Deus
2 Capítulo 2 - Os Olhos
Notas iniciais
Capítulo 2 — Os Olhos
Nada aconteceu. Primeiro, Drake olhou frustrado para Anne e Arthur, que retornavam o olhar confuso até ele, mas depois, uma grande dor atacou o olho de Drake, ele se curvou, gritando alto, seus pontos de Hp (Health Points, Pontos de Vida) desciam rapidamente, mas retornavam ao máximo no meio do trajeto, repetindo o processo, o nome sobre o avatar de Drake oscilava e se tornava uma sequência aleatória de números, voltando ao original e repetindo o processo diversas vezes. A dor deve ter durado uns trinta segundos, mas Drake sentia como se fosse uma eternidade, ele caiu quando a dor cessou, Arthur e Anne olhavam preocupados para ele.
– O-O que foi isso? — Perguntou Anne, preocupada, apertando o cabo de seu cajado com força, ela tremia.
– Você tá bem, Drake?! — Perguntou Arthur preocupado, segurando o braço de Drake e levantando do chão.
– Eu...tô bem, eu acho. — Disse Drake, recompondo-se, ele olhava para suas mãos, em seguida para seus amigos. — O que foi isso?
Aparentemente, Anne e Arthur haviam se recuperado ao ver que Drake estava bem, mas ainda pareciam apreensivos.
– Talvez algum bug? — Levantou Arthur, dando de ombros, a tensão era visível nele.
– É, pode ser, nunca ouvi falar de God Eye nas magias, nem de magias absorvíveis, não está em nenhum manual. — Disse Anne, ainda segurando o cajado.
– Tanto faz, eu vou é apagar essa droga. — Disse Drake, fingindo não estar tão preocupado com isso quanto realmente estava.
Drake abriu o menu novamente, indo até magias novamente, desceu até o fim dos tipos de magia, porém o inventário de magias absorvíveis não existia mais. Drake olhou confuso, mas fingiu que tocava e apagava para que seus amigos não se preocupassem ainda mais.
– Ok, feito, apaguei.
– E agora? — Perguntou Arthur, fitando Anne, logo em seguida Drake. — Tipo, vamos continuar jogando ou o quê?
– Está tarde — Disse Anne, verificando o menu novamente. — Já são mais de oito horas, tenho que jantar.
Anne se despediu de Arthur e Drake com um abraço, logo em seguida, desconectou. Seu avatar sumiu em uma curta explosão de pequenas partículas verdes, sumindo no cenário.
– Bom, eu também já vou indo — Disse Arthur, abrindo o menu. — Até amanhã no colégio.
Arthur acenou com a mão para Drake, e em seguida se desconectou, da mesma maneira que Anne, sumindo em partículas verdes.
– Ok, vamos ver como é essa coisa...
Drake levantou sua mão, fechando-a em um punho e em seguida abrindo de novo, rapidamente. Era assim que costumava ser o movimento de invocação das magias destrutivas. Nada aconteceu.
Drake fez o mesmo com os movimentos de todos os outros tipos de magias, porém, infelizmente, não teve resultado algum.
– Merda de magia... — Resmungou ele, com raiva. Em seguida, abriu o menu, clicando sobre a opção de Desconectar.
...
Drake retirou o capacete de realidade virtual do W.W.G (sigla de World Without God) sem nem mesmo abrir os olhos, já estava acostumado pelo movimento pelas inúmeras vezes que o fizera. Ao abrir os olhos, provavelmente o susto que tomou é indescritível.
A visão de Drake estava completamente diferente, mais clara, muito mais detalhada, ele via um pequeno cubo branco sobre praticamente qualquer objeto que olhasse, e abaixo em sua visão, dois "botões" flutuavam em sua visão, Passado e Futuro. Uma mosca voava no quarto de Drake, ele podia ver uma tênue linha verde por onde a mosca já havia passado, e uma tênue linha azul por onde ela iria passar. Drake quase gritou, mas foi interrompido por uma linha azulada sobre a maçaneta de sua porta, indicando que ela seria girada pelo lado de fora.
O pai de Drake entrou logo em seguida, vermelho de raiva, viu a expressão surpresa e os olhos arregalados do filho e sua expressão mudou imediatamente, parecia preocupado.
– Drake, tudo bem filho? — Ele perguntou, tenso, segurando o ombro do filho. — Você parece assustado, aconteceu alguma coisa?
– N-Não, pai — Mentiu Drake, tentando esconder o horror em seu olhar. — Eu só perdi a hora jogando...
– Ah, então tudo bem. Vamos, venha comer.
Drake seguiu seu pai pela escada de madeira que levava ao primeiro andar de sua casa, onde sua irmã mais nova e sua mãe os esperavam na mesa. A irmã de Drake parecia tensa e triste, olhava para baixo, quer dizer, ela não podia ver nada, já que era cega, mas sua cabeça estava baixa. Sua mãe portava uma expressão severa.
– Oi maninho. — Disse sua irmã ao ouvir seus passos na escada, subindo a cabeça. — Estava jogando?
– Estava...
– Pois é, e você não vai mais poder jogar, Alaska — Disse a mãe de Drake, brava, olhando para a filha. — Soube disso, John, ela foi expulsa da aula por bater em outra menina, e agora não quer nem mesmo me dizer o porquê.
– Isso é verdade, Alaska? — Perguntou o pai de Drake, John, olhando incrédulo para a filha após se sentar. — Por que bateu em outra menina?
A visão de Drake continuava estranha, ele via um pequeno cubículo branco sobre cada objeto na mesa, inclusive a mesa. Confuso, porém curioso, ele decidiu fazer como se selecionasse o cubo em um jogo online, porém com a mente, ele escolheu o seu garfo como objeto. Uma lista de informações apareceu na tela.
Material: aço inoxidável.
Feito em: 23 de agosto de 2022
É comumente usado por: Drake Castle
Drake encarou a lista de informações de queixo caído, mas fingiu não ver nada para não intrigar seus pais, que continuavam discutindo com sua irmã.
– Ela me xingou por ser cega! — Alaska gritou. — E falou que era culpa da minha família não conseguir fazer uma filha normal!
Seus pais ficaram atônitos e chocados ao ouvirem isso, mas suavizaram sua expressão da melhor maneira que podiam.
– Filha, você deveria ter contado para nós, a gente ia conversar com a escola e...
– Não, eu quero ser forte o suficiente pra resolver meus problemas sozinhas e... — Drake podia ver que sua irmã estava irritada, ela balançava as mãos, furisosa, e Drake viu uma linha azul que começava na mão de Alaska e terminava no cabo de seu garfo, e outra que ia do arroz no garfo da irmã até os cabelos da mãe.
Alguns instantes depois, Alaska de fato colidiu a mão no garfo, porém, Drake já sabia onde o arroz estaria, portanto, moveu sua mão com rapidez, segurando o pequeno bolinho de arroz em pleno ar. Todos o olharam surpresos, até mesmo Alaska.
– O-O que foi isso, Drake? — Perguntou sua mãe, ainda olhando para sua a mão de Drake, suspresa — Onde conseguiu esses ótimos reflexos?
– No jogo que eu estava jogando, deveriam deixar a Alaska jogar. — Respondeu Drake, olhando para a irmã, que sorriu surpresa ao ouvir isso.
– É, nós vamos. — Disse John, segurando a mão da mãe de Drake. — Não é mesmo, Diana?
– Claro...
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