Für Arthur

5 Parte V - Não-tão-romano.


Notas iniciais
Demorei, dexxxculpas.

— Arthurzinho… Feliz aniversário! — Minha mãe me acordou com essa frase.

Ao abrir os olhos dei de cara com minha mãe segurando um bolo de aniversário já com as velas acesas, meu pai usando um chapéu de festas (Daqueles de cone) e Margot usava um idêntico.

— Parabéns pra você (...) — Começaram em uníssono. Margot pulou agitada na cama, ela estava feliz como sempre. Quando o parabéns e todos os abraços, beijos e discursos de aniversário acabaram nós descemos e fomos comer bolo na cozinha.

— Hora de criar juízo, moleque. — Meu pai brincou.

— Já passou da hora, Eric. — Minha mãe finalizou.

Eric e Clarissa eram pais ausentes, mas ótimos pais. Eric usava óculos e seu cabelo era grisalho, seus olhos eram azuis vivos e tinha uma barba por fazer que também era grisalha, era bonito para um homem de sua idade (54) e já tinha sido muito bonito quando era mais novo. Clarissa era quatro anos mais nova, porém todos achavam que era muito mais nova, seus olhos eram verdes e possuía um cabelo castanho longo, seu corpo era “conservado” e era dona de uma carisma única. Os dois vieram de família rica, se conheceram em um baile de gala da empresa da família do meu pai (Que ele administra hoje em dia), uma empresa de advocacia bem tradicional. Minha mãe administra uma galeria de arte e está sempre viajando para exposições e coisas do tipo. Esse é o motivo deles serem tão ausentes, não é por mal.

— Parabéns meu filho. — Meu pai jogou algo subitamente em minha direção, peguei o objeto no ar e quando abri a mão vi que era uma chave de carro.

— Porra, é sério?! — Corri para dar um abraço no meu pai. — Caralho, eu tô tão feliz!

— Se mais um palavrão sair dessa boca você não vai dirigir até ter dezenove, mocinho. — Minha mãe repreendeu.

Eu estava extremamente feliz até lembrar que eu mentia para eles, eu não iria ficar tranquilo até ser honesto para com meus pais. Não existia a hora certa e nem o lugar, e aquilo provavelmente iria estragar meu aniversário para eles, não dava mais para esperar.

— Mãe, pai, sentem. Preciso falar sério com vocês. — Os dois trocaram um olhar intrigado, eu nunca tinha feito algo como aquilo antes.

Meus pais sentaram juntos no sofá e eu sentei na poltrona perto da lareira. Demorei para começar a falar e sentia os olhares sob mim, fiquei encarando o chão pensando em como começar. Margot pulou no meu colo e me lambeu, ela me deu a força necessária para começar.

— Hm, não tem jeito fácil de falar isso… Mas, vamos lá. Eu sou gay. — Parecia que uma montanha havia sido tirada das minhas costas, consegui respirar sem problemas. O pior estava por vir, a reação.

— Arthur, eu como seu pai estou extremamente decepcionado com você. — Eric levantou e foi até o bar da casa, se serviu de uma grande dose de Whisky com gelo. — Eu não estou decepcionado com o fato de você ser gay, mas não vou falar que a ideia me agrada, ok? Estou decepcionado com você ter demorado tanto para falar, porra, nós somos sua família! Você pode confiar na gente. Eu sou seu pai Arthur, deveria ser seu porto seguro, mas você simplesmente achou que não podia confiar em mim. — Nesse ponto eu estava chorando abraçando Margot e a voz de meu pai também falhava. — Eu não deixo de te amar por sua opção sexual, que monstro faria isso? Eu te amo filho. Gay, hétero, ou qualquer seja eu sempre vou estar aqui por você, ok? Eu sou seu pai e você é meu filho, nada vai mudar. Você é tão homem quanto qualquer um, na verdade você é mais homem do que alguns… Você decidiu amar quem você realmente quer, e eu não poderia estar mais orgulhoso do meu garotinho. — Ele parou nesse momento, algumas lágrimas surgiram mas elas logo abriram espaço para um sorriso. — E quer saber? Isso realmente não importa para mim, eu vou de amar da mesma forma! E adivinha? Eu não poderia estar mais orgulhoso de você mesmo que você fosse o primeiro homem a pisar na lua.

Meu pai me abraçou e eu comecei a chorar no ombro dele, ele chorava no meu. Minha mãe de alguma forma não parecia surpresa e confortava nós dois. E assim foi como passei as duas primeiras horas do meu aniversário, chorando enquanto comia bolo, recomendo.

Saímos da casa depois para ver meu carro que estava estacionado na frente da casa com um laço azul gigante, o presente de Margot tinha sido urinar nas rodas. Era um carro popular, nada luxuoso. Eu era mimado mas não tanto, se quisesse algo melhor eu teria que conquistar com meu esforço.

— E quanto Manu? — Meu pai perguntou.

— Pai… — Eu ri e minha mãe se juntou à mim.

Fui dormir às cinco da manhã e não poderia estar mais feliz, peguei o celular e disquei o número de Miguel. Chamou várias vezes antes de cair na caixa postal, decidi deixar uma mensagem.

“Oi, Miguel. Eu acabei de falar para meus pais… Não poderiam ter reagido melhor, droga tô chorando de novo! Enfim, vou faltar amanhã, hoje na verdade. Vou ficar fazendo nada na parte da tarde e de noite vou sair para jantar com meus pais, depois vou para casa de Enzo, ele vai dar uma festa para mim. Seria legal, se você estiver livre dar uma passada lá… É isso. Boa noite e boa aula, e manda um abraço para seu pai e Jú. Tchau.”

Acordei uma hora da tarde e queria dormir mais, vida difícil. Passei a tarde inteira na piscina, era um dia ensolarado e extremamente quente, Margot era minha companheira. Por volta das cinco levei a cachorra para passear no parque e esperei no petshop enquanto ela tomava banho, o aniversário era meu mas ela que ganhava as coisas.

Assim que cheguei em casa a primeira coisa que fui conferir foi o celular, nenhuma mensagem ou ligação de Miguel, droga. Ele estava bravo comigo? Nah, não teria sentido, eu não havia dado motivos. O garoto ficou ocupando 90% dos meus pensamentos, resolvi ligar de novo e acabei tendo que deixar outro recado.

“Oi, Miguel, tá tudo bem? Como foi seu dia? Vai na festa? Te espero, lá.”

“Miguel, eu de novo. A festa começa às 23h, ok?”

Eu havia tido uma noite maravilhosa com meus pais, o jantar havia sido fantástico e parecia que as coisas melhoraram entre nós. A única coisa que incomodava era… Miguel. Eu já estava indo para casa de Enzo e nenhum sinal do garoto.

“Tem como você me ligar?”

“Atende a porcaria do celular, cara! Arthur, lembra dele?!”

Meus pais me deixaram na festa e falaram as coisas que pais falam “Juízo”, “Não beba muito”, “Camisinha não é só para prevenir filhos, use-a!”. Sai do carro e tive uma visão melhor da zona. Dezenas de jovens na rua, música extremamente alta, pegação e álcool, os pais de Enzo me amavam e não pensaram duas vezes antes de liberar a casa, Enzo fazia isso todo ano — era mais uma festa para ele do que para mim, não me importava. Entrar na casa foi difícil, toda hora era parado para receber os parabéns.

— Artttt — Enzo me abraçou, ele já estava fedendo à bebida e falava arrastando as letras. — Vamos lá, hoje é o seu dia!

Eram duas horas da manhã e eu estava levemente alegre devido ao álcool, tinha decidido diminuir o ritmo da bebida, não queria ficar com meus sentidos prejudicados. Parecia que todas as pessoas à minha volta estavam ficando chatas, ou eu que estava muito sóbrio, decidi sair da casa para respirar ar fresco e fugir do barulho.

— Arthur. — Miguel tinha surgido na frente da casa, estava ofegante e cansado. — Tentei vir o mais rápido possível, desculpa. Acabei trabalhando até mais tarde, e o ponto de ônibus mais perto daqui é à três quarteirões.

— O importante é que você está aqui.

Passamos a madrugada conversando do lado de fora da casa, Miguel falou de seus sonhos e expectativas para mim. “Eu quero ser médico, meu pai não tem condições de pagar a faculdade para mim, é muito cara… Então esse ano eu resolvi que ia trabalhar, todo o dinheiro que eu receber vai para o cursinho que vou fazer ano que vem.” Contei para ele do meu desejo bobo de ser policial, eu idolatrava a profissão de uma maneira absurda e pretendia seguir carreira, porém, meu pai quer que eu siga o destino de todos os homens da família Sant’Anna e trabalhe na empresa da família.

Eram cinco da manhã quando chamamos o táxi, a casa de Miguel era mais perto e eu havia decidido dormir lá. O apartamento estava vazio quando chegamos, Jú foi dormir na casa do namorado e Jonas estava na casa de uma colega de trabalho e possível namorada dele.

Estávamos na sala, havíamos acabado de comer pão e víamos filme na televisão.

— Art?

— Sim?

— Desculpa por não ter te dado um presente, a grana tá curta e só recebo no fim do mês…

— Miguel. — Estava relutante em prosseguir, talvez medo de uma rejeição. — Tudo que eu quero de aniversário é você.

Depois que nos conhecemos sempre tive uma sentimento por Miguel, no começo achei que era assim que uma amizade fazia uma pessoa se sentir, mas depois lembrei que amizade não deixa você excitado e faz você se masturbar pensando no “amigo”. Eu gostava do garoto, e só depois que meu “relacionamento” com Lucas acabou que eu percebi isso. Eu estava pensando demais, como sempre. Faça mais, pense menos!

Puxei Miguel para um beijo apaixonado que foi correspondido com a mesma intensidade, o garoto deslizava as mãos pela lateral do meu corpo e colocava suas mãos dentro de minha camiseta, sentindo minha pele gelado que se arrepiava com os toques do garoto. Eu fiz o mesmo, enfiei a mão dentro de sua camiseta enquanto nos beijávamos, diferente do meu corpo magro e sem muita musculatura o corpo de Miguel era musculoso e forte, musculoso na quantidade certa e não como daqueles caras bombados. Miguel passou os braços ao redor de meu corpo e me levantou, eu agarrei seu pescoço e coloquei minhas pernas na região de seu quadril, o garoto me levou ao quarto e me deitou gentilmente na cama. Miguel parecia comandar a situação inteira, ele se ajoelhou e ficou com uma perna de cada lado do meu corpo, quando nos separamos o loiro me fitou com um olhar cheio de desejo.

Tirei minha camiseta e o garoto fez o mesmo. Miguel voltou a me beijar, com agressividade dessa vez e suas mãos percorriam cada centímetro de minha pele, arranhando todo pedaço de carne presente. Miguel mordeu meu lábio inferior ao nos afastarmos de um beijo, em seguida o garoto mordiscou meu mamilo e ficou a brincar com ele enquanto estimulava o outro com os dedos, sempre os puxando. Era uma sensação divina, meu peito subia e descia descontroladamente e não consegui evitar os gemidos. O garoto voltou a me beijar na boca, o beijo tinha gosto de sangue pois meu lábio havia sido cortado.

— Tá achando que eu sou uma freira? Tira logo a porra da minha roupa! — Mandei.

Miguel acatou as ordens com agilidade, velozmente arrancou minha calça e cueca e fez com que meu membro ereto surgisse, lambeu a cabeça e um pouco além, era o que cabia dentro da boca do garoto. O loiro não usou muito sua boca, apenas havia deixado meu membro todo babado e uma vontade insaciável de penetrar o garoto. Arranquei a calça e cueca de Miguel na mesma ferocidade em que ele havia arrancado a minha, o membro do garoto pulsava como o meu. Cuspi em minha mão e o masturbei brevemente, em seguida caí de boca no membro começando os trabalhos orais. Minha língua contornava a glande do garoto com destreza e eu fazia arduamente um trabalho de sucção.

Arthur…. Arthur… — Miguel gemia e segurava meus cabelos com força, o garoto começou a controlar o ritmo das chupadas até ele quase me fazer engasgar. Não tenho garganta para tudo isso, ok?

Peguei o garoto pelo pescoço e o virei, deixando-o de quatro para mim. Afastei suas nádegas com a mão e cuspi dentro de seu reto, depois levei minha língua até o local. Fiz o máximo para deixar o loiro relaxado, Miguel gemia alto a cada beijo não-muito-romano que eu dava, com a única mão livre que eu tinha eu masturbava o garoto. No final havia deixado o local todo babado e umedecido, perfeito. Peguei uma embalagem de camisinha, rasguei e a vesti. Eu penetrei o garoto lentamente no começo e fui aumentando o ritmo gradativamente.

Em um determinada momento Miguel me deitou e sentou em meu colo, ditando seu próprio ritmo (Que era impiedoso), o barulho de minha coxa batendo contra as nádegas do garoto e nosso gemidos era o único som. Miguel começou a gemer alto e liberou seu esperma pela minha barriga em um “Ah”, eu também não demorei muito para gozar.

Estávamos deitados, pelados e com sêmem pelo corpo. Nossas respirações estavam normais, Miguel voltou a me beijar, os beijos foram ficando intensos até as ereções voltarem. O loiro sorriu maliciosamente para mim.

— Minha vez. — Anunciou.

Eu estava com medo, nunca havia sido o passivo antes e por Miguel estava disposto. Acenei com a cabeça e o garoto começou a fazer seu trabalho. Que trabalho maravilhoso! No começo era uma dor insuportável, porém a dor acabou virando prazer e uma sensação como nunca havia sentido antes tomou conta de mim. Em suma, valeu a pena ficar com dor na bunda o resto do dia seguinte.