Fúria Dos Reis
1 The Red Priestess
Notas iniciais
Eu uso sobrenomes, símbolos e uma personagem da história original de GoT/Crônicas do gelo e do fogo, mas é só. A situação é completamente diferente, então não considero como spoiler.
- Os dracares dos Targaryens foram vistos no litoral. Acho que eles estão se dirigindo para a Pedra do Dragão.
- Você tem certeza disso?! – indagou a Rainha Snow. Sua pele branca parecia mais pálida desde que a guerra nos Sete Reinos começou. A luz de seus olhos sempre tão azuis parecia ter se extinguido depois de presenciar tantas mortes e traições. Passou as mãos por seus longos cabelos negros e se arrependeu de não ter feito uma trança, mas também não esperava ser acordada no meio da noite com a noticia mais terrível que podia ter.
- Positivo, Vossa Graça. O estandarte era definitivamente o dragão vermelho de três cabeças.
Snow quis chorar. A sua maior vontade naquele momento era se ajoelhar no chão e chorar. Os Deuses sempre foram tão bons para ela, o que exatamente tinha desencadeado tamanha fúria para que eles permitissem toda aquela bagunça, toda aquela guerra? Olhou para trás e viu David, em silêncio, com os olhos azuis cheios de preocupação. A noticia também não o agradava, mas o Rei mantinha silêncio em respeito a esposa. Ele cobriu os ombros de Snow com seus grandes e já doloridos braços. O mensageiro ainda respirava pesadamente e gotas de suor escorriam pelo seu rosto. Snow sabia que os guardas ao redor da tenda real engoliam seco com a possibilidade de também enfrentarem o exército demoníaco dos Targaryens.
- Chame Swan – disse David com a voz autoritária e confiante. Snow se sentia fraca e um pouco doente. – E todos os Senhores, incluindo meus melhores cavaleiros. Pode fazer isso?
O rapaz assentiu. Seu rosto estava avermelhado. Era um rapaz, pensou Snow, não podia ter mais de 16 anos e estava aqui, no meio de uma guerra enorme, onde provavelmente morreria caso algum ataque os pegasse desprevenidos naquele acampamento.
- E também Gold e O Chapeleiro ou algo do tipo.
Snow o olhou com terror.
- Os dois não são confiáveis, David!
- Talvez não, mas precisamos de informações. – sua voz era dura. Snow era a melhor governante, adorava políticas e conseguia agradar a todos de sua corte, mas David era o bruto, o guerreiro, o estúpido e orgulhoso Rei que era o primeiro na linha de batalha. Era David que mantinha a moral do exército alta.
Mas por quanto tempo? Indagou Snow vendo o rapaz correr para as outras tendas, algumas ainda iluminadas pelas velas, outras já apagadas. David a guiou para dentro de sua própria tenda, que logo seria o local para a reunião urgente de guerra.
- Se os Targaryen vieram ajudar o senhor seu pai e aquela Sacerdotisa Vermelha, teremos graves problemas. – ele disse num sussurro.
Snow suspirou e cruzou os braços ao redor do próprio corpo. Pensou no que responder a David, tentou entender toda aquela situação que parecia não fazer sentido. A presença dos Targaryen, os mesmos Targaryen que há pouco haviam superado uma terrível guerra interna, não era prevista nem mesmo por Gold, o homem sabia de tudo que acontecia em todos os lugares. Eles não mais pertenciam aos Sete Reinos, Leopold os banira há alguns anos, depois do casamento falho entre a única herdeira Targaryen e o Rei.
Meu pai dizia que o sangue Targaryen era deturpado e sombrio. Me lembro que ele acusara Cora de praticar feitiçaria e a expulsou, depois de humilhar a ela e a filha em frente a corte. Ainda me lembro dos gritos dela dizendo que ele se arrependeria... E agora, ele mesmo estava dominado pela magia negra... Uma magia mais terrível que a praticada pelos Targaryen, uma magia rubra e de fogo praticada pela Sacerdotisa Vermelha.
Andou sem rumo dentro da luxuosa tenda real. Uma cama improvisada estava com os lençóis bagunçados e não pela razão que David gostaria, os dois acordaram num pulo quando o mensageiro chegou enviado por Grumpy, o homem que Snow mais confiava.
“A situação não é boa: Targaryen, milhares deles. E não parecem terem vindo a passeio.”
Passou a mãos pelos cabelos de novo. Ela podia sentir o olhar preocupado de David queimando suas costas, mas o que ela devia fazer?! Havia guerra em todos os lugares. Olhou para a mesa com o grande mapa dos Sete Reinos, peças coloridas mostravam onde estavam seus inimigos e seus aliados, novamente teve vontade de chorar quando percebeu que o número de homens que ela e David tinham superavam em pouco os liderados por Leopold e a Sacerdotisa Vermelha, mas se os Targaryen, por qualquer razão que seja, decidirem se aliar aos seus inimigos... Ela se questionava qual amigo teria que enterrar da próxima vez que uma batalha acontecesse: Ruby, Graham, Grumpy, Emma... ou até mesmo David. Olhou para trás onde o Rei permanecera no mesmo lugar. Provavelmente, David.
- Eu não sei o que fazer, David. – admitiu. Sentiu seus olhos se encherem de lágrimas – Não temos barcos o suficiente para manter uma batalha contra os Targaryen, os poucos dracares que temos são pequenos, com poucos remos... – teve vontade de rir – Seremos derrotados em poucos minutos.
- Podemos trazê-los para terra. – disse David. Sempre otimista, bravo, corajoso David. – Eu e Emma podemos bolar uma estratégia! Temos uma possibilidade grande de ganhar se soubermos jogar direito!
- Jogar?! – indagou. As lágrimas começaram a escorrer – Isso não é um jogo! – exclamou. Estava com raiva, muita raiva, indignação, tristeza, queria correr, queria lutar, queria beijar David e queria matar a Sacerdotisa Vermelha, mas no fim, só chorou.
O Rei foi imediatamente toma-la nos braços, mas Snow recuou e se permitiu quebrar. Ele a olhou com tanta tristeza que a Rainha podia te-lo esfaqueado que a sua reação não seria diferente.
- Como vamos jogar com dragões, David?! Como vamos jogar com magia?! Como vamos jogar com fogovivo e um demônio que se movimenta nas sombras?! Como, David?! Como podemos ganhar se somos impotentes contra nossos inimigos! Regina vai nos destruir e vai adorar fazer isso! A Sacerdotisa, aquela maldita cadela infernal, vai rir de nossos cadáveres! Eu jamais deveria ter permitido que Gold não a matasse! Eu mesma deveria ter enfiado uma adaga no coração dela! Eu-Eu-Eu! – soluçou e David a prendeu firmemente em seus braços.
- Está tudo bem. – sussurrou e os soluços ficaram mais altos.
Os dois se ajoelharam no meio da tenda e ficariam ali, até o choro de Snow diminuir e só restarem fracos soluços.
- Desculpe. – ela pediu. Era demais. Era tudo demais.
- Eu sei. – ele respondeu. – Não quero que se desculpe. Você enterrou uma amiga querida há pouco tempo. Ninguém pode ser forte sempre.
Snow assentiu e desejou profundamente poder dormir. Desejou voltar a infância quando o Castelo era um lugar seguro, onde não havia demônios prontos para mata-la, onde um reino inteiro não dependesse de sua vitória, onde seu pai ainda era um homem bom com um belo sorriso. Snow só queria paz. Seria pedir demais?
A tenda se abriu abruptamente e David se levantou o mais rápido que pôde. A mão já presa a espada em sua cintura.
- Desculpe. – era Emma que levantou uma sobrancelha divertida com a hostilidade de David, mas o divertimento passou rápido quando percebeu Snow ainda com olhos vermelhos e inchados no chão. – Vossa Graça! – exclamou se aproximando.
Snow sorriu. Os olhos de Emma eram geralmente frios e indiferentes, mas agora brilhavam com uma preocupação que antes Snow só via direcionada a uma pessoa.
- Estou bem, Ser Swan. – disse com a voz o mais brincalhona que conseguia. Sentia seu peito mais leve depois de desabar por um momento. – Me ajude a levantar, David.
O homem sorriu e fez como foi pedido.
- Está melhor? – ele sussurrou, preocupado.
- Não, mas não ficarei até essa guerra acabar.
Ele a olhou com compreensão. O casal real se voltou para Emma, ainda desnorteada na entrada da tenda.
- Está tudo bem, Swan. – disse David com um sorriso. – Entre, temos um Conselho de Guerra Urgente para liderar.
A loira assentiu e seus olhos, agora cinzas, faziam perguntas silenciosas a Rainha, que sorriu.
- Não é nada, Ser. Eu estou bem, prometo.
Emma suspirou, mas não disse nada. Seus longos cabelos loiros estavam soltos, e ao contrário de Snow, que usava uma camisola branca coberta por um roupão de seda azul claro, Emma usava uma calça justa marrom, velha e desbotada, botas velhas da mesma cor, um gibão negro de couro e a espada de uma mão presa em sua cintura. David vestia coisa semelhante, mas diferente de Emma, ele usava sobre os ombros uma longa capa vermelha com detalhes dourados e a imagem de um leão bordado em seu centro.
A loira andou até a mesa com o mapa em silêncio. O barulho vindo de fora da tenda indicava que logo, os outros senhores chegariam.
- Recebeu noticias de Henry? – indagou Snow se aproximando. Emma abriu um sorrisinho.
- Só uma carta. Ele está preocupado. Todos estamos. – fez uma reverência – Obrigada por deixa-lo se esconder em Winterfell.
A loira se levantou quando sentiu uma mão quente em seu ombro. Snow a olhava com um amor quase fraternal.
- Henry também é família. Nem eu nem David nos perdoaríamos se te tirássemos dele e não o deixássemos em um lugar seguro. Winterfell e Eugenia Stark protegerão o garoto como se fosse meu filho.
Emma queria responder, mas a entrada da tenda foi aberta novamente e os senhores entraram junto com os cavaleiros e a guarda real de Snow, os que desertaram de Leopold.
A Rainha foi para perto de David e os dois olharam para os homens e mulheres que os seguiram até lá. O rosto bonito e machucado de Graham, o sorriso cansado e olhos vermelhos de Ruby, os olhos indiferentes de Emma, o rosto velho e experimente do Mestre e o sorriso sábio e cansado de August, mais vários senhores, menos do que Snow e David gostariam. O último a entrar foi um garoto de 15 anos. Ele abriu um sorriso nervoso aos Reis e se desculpou pelo atraso.
- Estão todos aqui? – indagou David olhando ao redor. Procurando pelos rostos conhecidos.
- Acho que o Imp e o Chapeleiro não chegaram ainda. – disse August olhando ao redor.
- Correção, senhores. – interrompeu a voz vinda detrás de David e Snow. – Só o Imp não chegou.
Levantou os braços mostrando que não tinha armas quando todos os cavaleiros da tenda desembainharam suas espadas.
- Gostaríamos que não fizesse isso. – disse Emma quase grunhindo. Sua espada quase pulsava de vontade de ser usada. – Alguém poderia achar suas intenções suspeitas.
O homem abriu um sorriso nervoso. Tirou o chapéu – mais parecido com uma cartola- e fez uma reverência. Ao contrário de todos ali, o Chapeleiro não parecia ter acabado de acordar. Ele vestia calças negras de couro, botas da mesma cor, um colete com um relógio dourado dependurado e um casado negro já velho.
- Eu desejo apenas ajudar. Estou do lado da nossa Rainha e do nosso Rei.
O Chapeleiro era um homem misterioso. Ele sumia e aparecia do nada. Ninguém sabia que tipo de mágica ele praticava, nem quem ele era realmente. Numa situação perfeita, Snow jamais pensaria em confiar tal homem, mas o Chapeleiro se mostrou digno de confiança ao avisa-los de emboscas e traições que teriam transformado aquele exército em poeira. Ainda, nervoso pelas espadas desembainhadas, o Chapeleiro andou calmamente para o fundo da tenda, longe dos cavaleiros desconfiados.
- Só falta o Gold, então. – disse Snow. mal falara e o último integrante do Conselho apareceu. Gold ou mais comumente conhecido como Imp abriu um sorriso contente e falso.
- Ora, ora, todos já estão aqui.
- Está atrasado, Imp. – Graham grunhiu. – Quando os Reis chamam, você não os deixa esperando.
- Ahh, mas eu garanto que tenho uma boa razão para o atraso. – se voltou para Snow e David, fez uma reverência e se aproximou da mesa.
- E essa razão seria? – indagou David, com os olhos fixos na figura traiçoeira do Imp.
- Creio que Vossa Graça já alertou os senhores sobre a presença dos Targaryen na guerra?
Exclamações de terror encheram a tenda e os sussurros ficaram descontrolados. Era algo entre uma possível rendição ou dividir exército para enfrentar Leopold de um lado e os Targaryen do outro, gritos de loucura, sugestão de contratar assassinos das Cidades Livres e buscar o maior número de mercenários. Os mais loucos sugeriram recuar e rezar para os Targaryen declararem guerra a Leopold e deixar os dois se destruir. Mas o maior problema persistia: qual era a intenção dos Targaryen? Derrotar Leopold ou se aliar a ele?
O Imp sorria com o caos e Snow tinha que se lembrar constantemente que só se aliara ao homem, pois ele detestava a Sacerdotisa Vermelha com tudo que tinha. O Chapeleiro exibia um sorriso quase louco e se segurava para não começar a rir. Emma olhava tudo com raiva e a mão na espada. Ruby entrava na discussão pedindo por silêncio e Graham massageou as têmporas. Por fim, David gritou por silêncio. A tenda calou-se.
- É verdade, minha Rainha? – indagou o Mestre. Seus cabelos brancos como neve só enfeitavam os lados de sua cabeça e seu longo roupão branco e fofo era motivo de chacota para os outros soldados.
Snow respirou fundo e assentiu.
- Grumpy mandou uma carta dizendo que vários dracares com o estandarte dos Targaryen foram vistos rodeando Pedra do Dragão.
O medo e a dúvida que vira nos olhos dos aliados a amedrontou como nunca.
- Mas, por que Pedra do Dragão? – indagou August com a sobrancelha franzida e claramente tendo problemas para entender o que aquilo significava. Diferente de todos ali, August estava em sua armadura azulada com a espada, Verdade, em sua cintura. A águia, o símbolo de sua casa, estava estampada no peito da armadura. O bardo estava de patrulha com seus homens e contava histórias sobre os perigos que diziam rodear o Pouso das Gralhas.
O Imp sorriu diabolicamente, mas não respondeu. Foi Midas, um ex-aliado de George “o Rei” Lannister, pai de David, quem falou.
- A Pedra do Dragão é um ponto estratégico para Porto Real. – respondeu como se fosse óbvio – Como Frederick e minha amada Abigail tomaram Harenhal, Leopold precisa desesperadamente de pontos fortes para atacar, com a Pedra do Dragão nas mãos de alguém confiável e que tenha condições de manter uma frota forte, eles podem manter um bom combate naval.
- Certo, mas por que Pedra do Dragão? – indagou novamente. Os olhos de todos estavam fixos neles, ainda não entendendo onde o August W. Arryn, O Bardo, queria chegar. Ele suspirou. – Pedra do Dragão é forte, mas nesse momento é inútil. Estamos atacando por terra, então, se os Targaryen estão do lado dele, por que eles parariam em Pedra do Dragão? Não seria melhor simplesmente atracar em Porto Real e se juntar imediatamente ao exército principal fortalecendo a defesa da cidade? Ou talvez, se dirigir até Lannisporto e se juntar a guarda dos Lannister? Por que parar em Pedra do Dragão sendo que Leopold já conquista esse lugar? Não faz sentido.
- Talvez tenham parado para se abastecer. – disse Graham. – Sabemos que eles vieram das Cidades Livres...
- Mesmo assim... – interrompeu Emma. O que August disse tinha sentido. – Por que todos os dracares pararam em Pedra do Dragão? Não seria melhor se dividirem? Alguns continuavam direto até Porto Real, onde com certeza conseguiriam tanto se reabastecer como se reagrupar e começar um assalto maior e mais violento contra nós. Pedra do Dragão é pequeno e muito pobre, principalmente se comparado com a quantidade de comida e serviços que Porto Real oferece. Realmente, parar em Pedra do Dragão não faz sentido.
David e Snow se entreolharam. Era verdade, não fazia sentido. Como August dissera, o território já pertencia a Leopold, eles foram os primeiros a hastear o estandarte do Senhor da Luz, o deus da Sacerdotisa Vermelha.
Os senhores começaram a discutir entre si. O Imp estava em silêncio e o Chapeleiro também. Ambos olhando tudo com interesse.
- A menos que... – começou August. Todos pararam e o olharam.
- A menos que? – indagou Thomas, das Gêmeas. Seus cabelos loiros estavam ligeiramente bagunçados e seus olhos, com olheiras. Era sua primeira guerra e a primeira vez longe da esposa e da filha recém-nascida.
August suspirou. Passou as mãos pela barba por fazer e olhou para Emma, depois para os Reis.
- Pode ser loucura, mas tomar a Pedra do Dragão faria sentido se os Targaryen não tiverem interesse em se juntar a Leopold... E sim, a nós.
Snow engasgou.
- Impossível. – sentenciou. – Regina me odeia com tudo que tem. Duvido que tenham vindo me ajudar.
- Mas, Vossa Graça. – interrompeu Ruby temerosa – Ela deve odiar o Rei Leopold mais... – lambeu os lábios. – Não faria sentido ela vir das Cidades Livres, do seu Reino, para ajudar o homem que a forçou em casamento quando mais nova.
Vários homens começaram a concordar.
- Por que ela viria me ajudar então? – indagou Snow. – Não faz sentido. Será que eles viram que o Reino estava um caos e vão tentar tomar o trono?
- Ah, disso eu duvido... Vossa Graça. – disse o Chapeleiro levantando a mão. – O reino da Rainha Targaryen é extremamente próspero. Ela domina um dos portos mais ricos das Cidades Livres, além de sua frota imensa de dracares que a protege de qualquer ataque naval, é bem conhecida a amizade dela com um grande Khalasar dothraki que roda as montanhas e o Deserto Vermelho. Duvido que ela tenha voltado para dominar um reino que ela detesta. – balançou os ombros. – sejamos realistas, os Targaryens não têm aliados nos Sete Reinos. Mesmo com o Reino em chamas, ela nunca conseguiria o poder aqui.
Emma achou suspeito que o Chapeleiro tivesse tantas informações sobre Rainha e parece que não foi a única. David indagou.
- E como sabe tanto a respeito da última Targaryen?
- Oh, ela ainda não é a última. – abriu um sorriso cruel – Mas eu viajo muito, Vossa Graça. Faço negócios nas Cidades Livres e já tive o prazer de ver a Rainha Targaryen algumas vezes.
- Isso ainda não explica a presença deles aqui. — interrompeu Mestre. – O que querem? Se não vão se aliar a Leopold nem tomar o trono, o que os Targaryen podem querer de nós?
- Eu acho que posso responder a essa pergunta. – era Gold. O Imp sorria com ar de superior. Suas vestes eram caras, negras e com vários detalhes dourados. – Eu sei por que a Rainha Targaryen está na Pedra do Dragão.
Todos os olhos da mesa foram para ele. Até o Chapeleiro parecia surpreso.
- E por que não se prontificou mais cedo? – indagou Emma. Não confiava em Gold. Melhor, não confiava em alguém que sabia tantos segredos.
- Ora, ora, um bom negociante não fala, ele ouve e depois dá seu melhor lance. – abriu um sorriso debochado. – Eu esperei, ouvi e agora, dou o meu lance.
Olhou ao redor e pareceu satisfeito com os olhares surpresos e curiosos.
- É melhor não estar mentindo, Imp.
- Ora, Rei David, assim Vossa Graça me ofende. Servi anos ao Rei Leopold e depois da Sacerdotisa Vermelha, servi por meses a Rainha Snow. Alguma vez eu menti? Alguma vez eu disse qualquer coisa que não a verdade?
Gold podia ser o que quiser, mas Snow não podia chama-lo de traidor até então. O homem sempre tinha as melhores informações e sabia de todos os movimentos de Leopold.
-Então, nos diga, Gold. – ordenou Snow com a voz mais firme que tinha. – Por que a Rainha Targaryen está na Pedra do Dragão? O que ela deseja nos Sete Reinos?
- Muito fácil, Vossa Graça. – ele sorriu. – Ela deseja o mesmo que eu: a morte da Sacerdotisa Vermelha.
Emma olhou para Graham, que balançou os ombros ainda surpreso. Snow não tirou os olhos do informante.
- A Sacerdotisa Vermelha ganhou o ódio da Rainha Targaryen pelo mesmo motivo pelo qual Vossa Graça declarou guerra a ela.
- Ela seduziu meu pai. Ela transformou-o num monstro! – exclamou Snow, se sentindo ofendida.
- Exatamente. – ele disse. – E fez o mesmo com Henry e Cora Targaryen. Creio que todos aqui já ouviram os feitos da Cora, a Rainha de Corações?
- Dizem que ela arrancava o coração dos homens que a enfrentavam. Usava magia. – disse o rapaz de 15 anos pela primeira vez.
Gold sorriu de uma forma paternal para o garoto e assentiu.
- Exatamente. Ela também exigia que tudo no castelo Targaryen, o novo castelo lá nas Cidades Livres, fosse vermelho. Tudo. Da cor das paredes até a roupa de todos na corte. Sempre vermelho. – ele disse e satisfeito percebeu que ninguém daquela sala sabia sobre as proezas de Cora sob as ordens da Sacerdotisa Vermelha. – Nessa época, a Rainha Regina estava casada com o seu pai, Vossa Graça, então só tínhamos noticias das coisas terríveis que eram praticadas em nome desse Senhor da Luz. Se bem me lembro, Henry fugiu para as Cidades Livres com o objetivo de construir uma pequena riqueza e procurar uma forma de dar abrigo a filha quando ela fugisse do Rei Leopold, Cora foi alguns meses depois quando foi expulsa pelo Rei e acusada de bruxaria. Depois disso, as coisas foram de mal a pior para os Targaryens restantes. Enquanto, a Regina brincava de casinha em Porto Real, Cora era seduzida pelas promessas da Sacerdotisa Vermelha e sim, a maldita cumpriu com todas as promessas. Cora virou Rainha, mas o custo era sua própria sanidade. Ahhh, as coisas que ela teve que fazer para satisfazer o Senhor da Luz... Tsc tsc. – balançou a cabeça de forma negativa e soltou um suspiro dramático.
- O que aconteceu? – indagou Midas. – Pelo que me lembro, da última vez que velejei para as Cidades Livres, não me lembro de ouvir sobre esse Senhor da Luz.
O Chapeleiro riu.
- É por que ele é muito odiado lá. – rodou seu inseparável chapéu nas mãos e cruzou as pernas. – Muitos reis, mercadores e magos cometeram atrocidades imensas por esse Senhor da Luz e depois que a Rainha Targaryen expulsou as Sacerdotisas Vermelhas de seu Reino, muitos povos seguiram seu exemplo.
- É como meu querido Jefferson disse. – continuou Gold. Emma se mexeu desconfortavelmente em seu assento. – Quando a Rainha Regina fugiu do Rei Leopold e a família Targeryen ficou, formalmente, banida dos Sete Reinos, ela se refugiou na corte da mãe e lá, começou seu ódio incondicional por esses demônios em forma de mulher. Ela tomou o trono de Cora, expulsou todos os magos de lábios azuis e Sacerdotisas Vermelhas de sua terra, creio que matou muitos fieis que ousaram contesta-la e ainda creio que os restos da Grande Sacerdotisa Vermelha, uma mulher terrivelmente velha e feia, ainda se encontram na Praça dos Enforcados. – abriu um sorrisinho – Ela destruiu as estátuas, queimou os estandartes do coração em flamas, expulsou fieis e obliterou o clero. Em poucos meses, a paz voltava a reinar. Dizem que o povo nunca gritou tanto por um nome. Dizem que os gritos de felicidade e adoração preencheram noites e guiaram perdidos no Deserto. Dizem que um nome nunca alcançou os céus daquela maneira. “Targaryen!”, “Rainha Regina!”, “Dragões!”, “Targaryen”! – riu. – Desde então, ela caça essas criaturas por todo lugar que passa. Nas Cidades Livres, essas criaturas que antes eram tão respeitadas, passaram a ser odiadas e mortas. Em outras palavras, Regina não está aqui para ajudar ninguém, só para exterminar a Sacerdotisa Vermelha e seus vermes.
A tenda ficou em silêncio.
Snow ficou pensativa. O que deveria fazer? Não tinha motivos para duvidar de Gold, mas devia acreditar? Mesmo que Regina estivesse ali somente pela Sacerdotisa, antes ela não teria que derrotar os exércitos do Rei para chegar até sua inimiga?
- Posso sugerir algo, Vossa Graça? – indagou Emma. Seus olhos brilhavam num azul intenso. Snow assentiu. – Vamos convocar uma Conferência. – Snow sorriu. – Assim, podemos conversar com a Rainha Targaryen pessoalmente e descobrir o que ela planeja. Podemos levar Astrid conosco.
- Astrid? – indagou Ruby. – Ela é inútil.
- Não, — respondeu a loira. – Ela sabe usar o feitiço do Voto Eterno.
E pela primeira vez na noite, Snow se permitiu sorrir com um pouco de alivio.
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Quando Victor irrompeu a sala de Reuniões do recém-tomado Castelo da Pedra do Dragão, Regina o olhou com irritação. A imensa sala de reuniões estava cheia dos comandantes e generais leais a Rainha Targaryen.
Havia mercadores, guerreiros, selvagens, sacerdotes, magos, mercenários e uns dois a três piratas. Todos, sem exceção, estavam ali somente com um objetivo: destruir a seita do Senhor da Luz. Todos, sem exceção, sofreram perdas imensas por causa das Sacerdotisas demoníacas e suas crias das sombras.
Ao redor da Rainha, dois homens selvagens, dothrakis, a circulavam. Os dois eram altos e fortes, belas crias dos selvagens montadores de cavalos. Ambos possuíam longos cabelos castanhos escuros. As cicatrizes cobriam seus corpos de pele bronzeada e seus olhos escuros estavam fixos no médico loiro no centro do salão de guerras.
Um terceiro homem, usando uma armadura negra com o símbolo do dragão de três cabeças encrustada em seu peito, também olhava feio para Victor. Ao contrário dos dois dothraki, o homem era com certeza vindo dos Sete Reinos pela pele mais clara – embora bronzeada pelos anos vividos nas Cidades Livres – e sua cabeça era completamente raspada. Foi ele quem quebrou o silêncio.
- O que quer médico? Aqui não é lugar para sua gente.
Os dois dothraki pareceram aprovar a escolha de palavras do homem.
- Peço desculpas por interromper a reunião, Vossa Graça. – pediu Victor olhando para a Rainha, que ainda em silêncio o olhava com irritação. – Tenho permissão para falar?
Os outros homens suspiraram irritados e todos estavam impacientes. Eram guerreiros e a última coisa que precisavam era ficarem escondidos naquela ilha minúscula quando poderiam estar tomando Porto Real e suas riquezas.
Um dos dothraki colocou a mão no arakh, fixo em sua cintura e murmurou algo naquela língua estranha dos nativos. Victor sentiu um frio percorrer sua espinha. A Rainha olhou para o selvagem e respondeu naquela mesma língua, depois se virou para o médico.
- Fale rápido, Victor. Estamos em guerra.
O homem assentiu.
- Eu não viria se não fosse algo urgente, Vossa Graça. – tirou a carta de dentro de sua enorme túnica cinza. – Acabou de chegar junto com um pombo, Majestade.
Regina gesticulou para ele se aproximar. A grande mesa redonda de reunião estava coberta com mapas, cartas e alguns cartazes de procurados e Regina se sentava numa grande cadeira dourada e ornamentada. Provavelmente, pertencia ao antigo governante, que no momento estava jogado numa cela úmida e escura na masmorra do castelo.
- O pombo veio do Pouso das Gralhas e seu remetente é Snow W. Baratheon... ou seria Lannister? – indagou o médico com um sorrisinho enquanto andava até a Rainha.
O olhar furioso dela não passou despercebido pelos dois dothrakis, que imediatamente tomaram posição de ataque. O médico parou e recuou. Os homens riram.
- Cuidado com suas palavras, médico. – alguém gritou e gargalhou.
- Aggo, Haggo. – chamou Regina suspirando. Os dois dothrakis recuaram. – Eles têm razão, Victor. Meus irmãos de sangue já mataram homens por muito menos.
E era verdade. No ano passado, enquanto andava pelo porto agitado de Pentos com Aggo, Haggo e Claude. Um comerciante passou por ela e a olhou com desejo, Haggo percebeu o olhar e minutos depois, Regina se surpreendeu com só Aggo e Claude ao seu lado. Mais tarde, ela soube que Haggo perseguira o comerciante, arrancara-lhe a língua e os olhos, depois jogara o corpo para cães famintos num beco.
A Rainha gostava de pensar que tinha controle sobre as ações dos dothrakis, mas ela sabia que, embora eles fossem extremamente leais, Aggo e Haggo perdiam o controle facilmente quando presenciavam algo que eles achavam desrespeitoso para com ela... E eles exageravam, na maioria das vezes.
Os dois dothrakis eram sobreviventes de um ataque que exterminou todo seu Khalasar, inclusive seu Khal. Regina e Claude, junto com um pequeno exército, os acharam quase mortos no meio do deserto. Ela cuidou de seus ferimentos e depois os ajudou a perseguir o responsável pela derrota deles. No fim, Aggo e Haggo juraram a ela lealdade quando descobriram que os verdadeiros responsáveis pelo extermino de seu povo era o Senhor da Luz e as Sacerdotisas Vermelhas. Os dothrakis tinham um prazer extra quando matavam as criaturas das sombras e os magos de lábio azul.
Eles a seguiriam até conseguir se vingar contra esse falso Deus. Aggo dizia que eles não poderiam encarar o Khal na outra vida se não tivessem rasgado a garganta de todos que seguiam o Senhor da Luz.
- O que ela diz? – indagou e pegou a carta estendida por Victor, que recuou mediante o olhar feio dos dothrakis.
- Ela pede uma conferência, Vossa Graça.
Regina não pareceu surpresa.
- Foi mais rápido do que esperávamos. – disse um dos homens com um sorriso quase aliviado. Seu nome era Sidney Glass. Um comerciante muito rico. Era chamado de “gênio”, pois tudo que seus clientes desejavam comprar, ele conseguia encontrar e vender. Vestia roupas tradicionais das terras do Deserto de Sadhar, Agrabah, que se constituía por um turbante vermelho com detalhes amarelos e azuis, um colete dourado brilhante aberto mostrando seu tórax, um colar grosso de puro ouro ao redor de seu pescoço, calças largas de um laranja pálido e botas pontiagudas da mesma cor.
- O Imp disse que a Baratheon proporia uma reunião. – disse Claude pensativo – O que acha, Vossa Graça?
Regina suspirou.
- As coisa que faço para destruir esse Deus da Luz. – passou os olhos na carta e soltou outro suspiro. – Responda a carta. O horário e o lugar marcado estão ótimos. – olhou para os homens na mesa — Prepare alguns dracares. Zarparemos pela manhã. Claude, Sidney, Davos, Asha, Sh’dar, Xaro, vocês irão comigo. O resto... Quero que guardem a Pedra do Dragão. Porto Real já deve saber que tomamos essa ilha. – se virou para os mercenários – Peguem suas embarcações e pilhem todo mercador que tentar chegar em Porto Real. A partir de agora, não quero nenhum alimento, armas ou sequer pássaros chegando a Leopold. É uma ordem.
- Eles ainda irão receber mantimentos por terra. – alertou Bronn. O mercenário era alto e muito musculoso. Seus cabelos eram um emaranhado de fios castanhos, seus dentes eram amarelados e quebrados, seu corpo era tão coberto de cicatrizes que alguns empregados sentiam nojo de olhar para ele. Aggo e Haggo respeitavam o homem.
- Por pouco tempo. – começou Regina olhando para o grande mapa que cobria a mesa. Os homens a copiaram. – Porto Real está fechado. Ninguém entra e ninguém sai desde que o Rei quase fora assassinado por um mercenário... Ou pelo menos, é o que Gold diz. O Castelo tem um grande estoque, mas o povo já está faminto. A Mão do Rei está usando o Porto para receber alimentos e pagar pescadores para tentar amenizar a revolta que está prestes a estourar, mas se fecharmos esse caminho... – houve murmúrios de aprovação. – Não demorará muito para a cidade começar a se destruir de dentro para fora.
- Dizem que George Lannister está vindo de Rochedo Casterly, mas eles perderam Harrenhal recentemente. – continuou a rainha. – Ele vai continuar em frente, marchando para Porto Real, especialmente quando souberem que o exército de Snow e de seu filho deserdado está em Pouso das Gralhas. O exército do Lorde Frederick já deve estar descansado e preparado para marchar. Os Lannister serão encurralados. De um lado, toda a força de Jardim de Cima e do outro Stark, mesmo que em sua minoria, e Baratheon. Enquanto, eles estiverem se destruindo, meu exército vai se separar... Metade junto Drogon irá, provavelmente, auxiliar os Baratheon aqui, espero exterminar os Lannister completamente... Eu, Rhaegal, Viserion e o restante do exército, mais o dothrakis que estão para chegar, avançaremos contra Porto Real. As ordens serão para matar todos os fieis ao Senhor da Luz...
- Como iremos distinguir quem é fiel ou não? – indagou Davos. Ele era o menor daquela sala, pequeno, atlético, mas longe da força dos outros guerreiros. O que Davos falhava em termos físicos, seus conhecimentos de barcos e estratégias compensavam.
- Não iremos. Ou melhor, vocês não irão. – olhou para Davos com quase pesar. Deixara de ser misericordiosa com os seguidores da Sacerdotisa Vermelha há muitos anos – Mate todos que tentar te atacar. Será simples. Eu e meus dragões iremos diretamente para o Castelo. A guarda Real dará problema, mas pelas informações de Jefferson, os cavaleiros juramentados a Coroa não são nem metade do que costumavam a ser quando eu morava em Porto Real. Felizmente, Melisandre não é tão inteligente quanto eu esperava. Em todo caso, antes de fazer valer qualquer plano, temos que ver quais são as condições de Snow.
- Com todo respeito, Vossa Graça. – disse Asha, capitã do dracar pirata Machado do Dragão. Era a maior embarcação que Regina tinha a sua disposição e a mulher não perdia em nada para qualquer um daqueles mercenários e piratas. Sua pele era negra e brilhava, seus olhos escuros sempre examinavam tudo atentamente. – Se os Baratheon recusarem a nossa frota, eles serão destruídos.
- O problema... – começou Claude. – É que também seremos se eles não aceitarem. Para suportar uma investida dos Lannister, teríamos que conquistar um forte de peso dentro dos Reinos e não temos aliados. Será só o exército Targaryen fracionado, já que não podemos deixar a nossa cidade sem proteção.
Já cansada, Regina dispensou seus generais falando que terminariam aquela discussão quando as condições apresentadas por Snow fossem esclarecidas. Antes dos homens sumirem pelo castelo frio, a Targaryen lhes deu um último aviso:
- Não se esqueçam de acender velas com o fogo dos meus dragões em seus quartos. Creio que todos pintaram ao redor das portas e janelas como pedi.
Todos assentiram. Até o cético Sh’dar.
- Ótimo. – suspirou. – Meus sacerdotes de confiança já abençoaram o castelo. Nada que aquela... – torceu os lábios. – coisa invocar penetrará nessas paredes de pedra e em seus quartos. Não se esqueçam das velas.
No fim, só os dois dothrakis e Victor permaneceram na sala. Regina não precisou dizer nada, só pegou um cartaz de procurado, virou o papel e com uma velha pena negra, escreveu na parte de trás do cartaz. Não precisava escrever muito, duas linhas seriam o suficiente. Depois dobrou o cartaz e o estendeu para o médico.
O homem assentiu fielmente, pegou o papel e saiu da sala de reuniões. A Rainha finalmente suspirou, encostou-se a cadeira e fechou os olhos por alguns momentos. Estava exausta.
- Sangue do meu sangue. – começou Aggo – O loiro não vai ler?
Regina sorriu ainda com os olhos fechados.
- Ele pode até ler, mas não irá entender. – abriu os olhos e lá estavam as expressões confusas de Aggo e Haggo. – Era um bilhete para uma pessoa em especial. Assim, como a maioria dos meus homens não entende quando eu falo com vocês, assim o loiro não vai entender quando ele ler a carta.
- Outro idioma? – indagou Haggo.
- É mais um código.
Afastou-se da mesa e levantou do velho trono.
- Vamos. Preciso de um banho, depois de uma longa noite de sono. Amanhã partiremos cedo. Há algo que vocês gostariam de fazer pela noite?
Aggo e Haggo se entreolharam com sorrisinhos cruéis. A Rainha revirou os olhos.
- Não demorem e paguem pelo serviço das moças. – disse. – E ah, somente as prostitutas, estão me ouvindo? Se eu souber que vocês atacaram alguma das empregadas, eu vou me certificar de que não poderão atacar mais ninguém.
Os dothraki assentiram.
- Iremos até o quarto com você, sangue do meu sangue. – disse Haggo.
Regina assentiu e em silêncio, os três saíram da Sala de Reuniões. O castelo da Pedra do Dragão era feio. Escuro, úmido, feito de pedras irregulares, frio e empoeirado. Regina detestou usar do lugar como base, mas não teve muita escolha. Pensou em usar os dragões para destruir o castelo, entretanto dormir no chão não seria uma escolha muito agradável. Ou era o castelo ou dormir no barco com seus homens perto demais para seu conforto.
- Para quem era a mensagem?
- Uma velha amiga. Alguém com quem me correspondo há anos.
Aggo assentiu furiosamente.
- Já vi cartas para ela antes. Quando soubemos da bruxa.
- Sim, ela me alertou assim que o Rei começou a cair perante as promessas da sacerdotisa. Como minha mãe fez.
- Teremos a cabeça de todas elas. – Prometeu Haggo.
Regina assentiu. Ela não morreria antes de ter queimado a última Sacerdotisa Vermelha.
A verdade era que Regina não tinha escapado sozinha de Leopold há alguns anos. Ela contou com a ajudar dessa velha amiga, que não só contratou um navio confiável para levar Regina até as Cidades Livres, como também libertou seus três jovens dragões das masmorras do Rei Leopold. Se não fosse pela garota jovem, estúpida e terrivelmente corajosa, Regina ainda seria esposa de Leopold e os três dragões, provavelmente, ainda estariam presos e furiosos.
Mais do que qualquer outra coisa no momento, Regina precisava dormir. O dia seguinte e os próximos seriam tumultuados.
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Emma tremia. Estava parada, sozinha ao lado de seu cavalo marrom perto do mar. Ela conseguia ver os dracares Targaryen atracados no horizonte. Suspirou mais uma vez e se abraçou tentando manter-se quente.
Recebera o corvo com a mensagem há dois dias e no dia seguinte, os dracares Targaryen atracaram poucos quilômetros de onde o exército de Snow e David tinha levantado acampamento. A conferência seria no dia seguinte, ao meio dia, então Emma deveria estar dormindo. Não naquele lugar, sozinha e com frio.
O exército ainda estava temeroso e Emma não os culpava. As lendas do que o novo exército Targaryen era capaz aterrorizava até ela. Claro, que Emma melhor do que todos eles, sabia que nem todas as lendas eram verdadeiras, mas os bardos, inclusive August, contavam as histórias tão bem e o exagero condizia tanto com as antigas ações dos Targaryen, que era quase impossível alguém não acreditar.
Olhou novamente os imensos dracares vermelhos e negros. O estandarte do dragão de três cabeças balançava violentamente por causa do vento forte que soprava naquela noite escura. Emma pensou em voltar para o acampamento, mas desistiu quando ouviu cascos de cavalo se aproximando de onde estava. A figura negra e encapuzada se aproximava com cada trotada veloz do garanhão negro.
Emma abriu um sorriso satisfeito e só observou quando o cavalheiro se aproximou o suficiente e desceu do enorme garanhão negro.
- Esse não é o Rocinante. – disse a loira com um meio sorriso.
- Sair com o meu cavalo favorito não seria muito esperto da minha parte, Ser.
Emma sorriu e examinou sua companhia. Calças de couro negras, botas de montar com detalhes prateados, o peitoral de uma armadura negra com o desenho do dragão de três cabeças vermelho e um enorme capa também negra com detalhes prateados na bainha.
- Rocinante não despertaria tanta suspeita, mas o símbolo dos Targaryen, por outro lado...
Quando o capuz foi levantado, a face da Rainha Regina M. Targaryen foi exposta.
- Muito pelo contrário, Ser Swan. Rocinante só é leal a mim, mas qualquer um dos meus homens tem o dragão incrustado no peito. – se aproximou e tocou a armadura fria e branca de Emma, no exato lugar onde seu coração batia furiosamente. – Me pergunto, Ser, você ainda carrega o meu dragão em seu coração?
- Marcado a ferro.
Antes que Regina pudesse exibir um sorriso orgulhoso, seu corpo foi circulado por braços fortes envolvidos numa armadura fria e antes que pudesse falar, seu lábios foram clamados por Emma. Rodeou o pescoço da guerreira com seus braços e aprofundou o beijo.
Passaram muito tempo longe. Tempo demais desde que Emma partira das Cidades Livres para atender o chamado urgente de Eugenia L. Stark. Tempo demais desde que Regina ainda era a Rainha em Porto Real e Emma era uma cavaleira pequena tentando ganhar um torneio maior do que ela mesma. Tempo demais desde que se escondiam em becos, quartos vazios e passagens secretas no castelo por um pouco de paz. Tempo demais.
Quando Story relinchou, as duas se separaram imediatamente e Emma levou a mão a espada na cintura. Olharam ao redor com cuidado, mas felizmente, eram as únicas naquele lugar.
- Temos que ser mais cuidadosas. — sussurrou Regina se afastando. Precisava pensar mais claramente. Respirou fundo.
Emma suspirou, mas respeitou a necessidade de Regina por espaço. Ela estava certa. Se alguém, principalmente do exército de Snow a visse ali, conversando com a Rainha Targaryen sem o consentimento nem mesmo o conhecimento da Rainha Baratheon, então as coisas se complicariam para a jovem Swan.
- Caminhe comigo. – pediu Regina e pegando as rédeas do garanhão preto, começou a caminhar em direção aos dracares.
Emma pegou as rédeas de Story e a seguiu. A lua estava cheia e brilhava como nunca. O vento frio fez Emma sentir falta de ter Regina em seus braços.
- O que Snow está pensando como condição para uma união?
- Um Voto Eterno.
Regina riu.
- Isso foi ideia sua. – acusou a Rainha rindo.
- Não vamos ganhar sem a sua ajuda. – suspirou. – Se fosse uma guerra normal, teríamos grandes chances de sucesso, mas com aquela mulher e aquelas bestas...
- Você fez como eu orientei nas cartas, eu suponho.
Emma assentiu.
- Fiz o mesmo nas tendas de Snow, David, Graham e os outros. Até agora não tivemos nenhuma morte estranha.
- Não ficará assim por muito tempo.
A loira parou e encarou a Rainha. Seus olhos brilhavam agora, esverdeados.
- Como podemos mata-la?
- Isso será trabalho meu. – respondeu ofendida. – Eu com meus dragões abateremos Porto Real. Eu pessoalmente matarei qualquer um entre eu e Melisandre.
- Isso é pessoal?
Os olhos de Regina brilhavam de raiva e Emma teve certeza que se os dragões estivessem ali, os três estariam furiosos, talvez até a atacassem. Não demorou mais de um minuto e três gritos furiosos irromperam a noite.
- São Sacerdotisas Vermelhas, Emma. É sempre pessoal.
Regina sempre achou interessante como os olhos de Emma mudavam de cor. Cinza era indiferença, azul, concentração e verde... Bem, verde era amor.
- Como eu posso mata-la?
Regina suspirou fundo. O garanhão negro bufou. Ele era lindo, negro, forte, uma montaria digna de qualquer Khal. Ganhou-o de presente de Haggo e Aggo.
- Queimando-os. Arranque a cabeça, mate a besta e depois queime o corpo da sacerdotisa.
Emma engoliu seco.
- Por isso eu disse que o trabalho é meu. Meus dothrakis sabem o que fazer. Suas armas foram enfeitiçadas pelas bruxas dothrakis. As chamas dos meus dragões queimam a besta e incineram o corpo. É simples para nós. Você, por outro lado, deve manter distância. Me promete?
Emma não respondeu. Olhou para o céu estrelado. A luz brilhava como nunca, um sol da meia noite.
- Emma!
- Eu sou uma guerreira. Não posso ficar parada enquanto você se arrisca!
- Não irá ficar parada. – Os olhos castanhos da Targaryen brilhavam, lindos. – Conto com você para liderar a investida contra os Lannister. Acho que Drogon não seguiria outra pessoa. Tem que se você, Emma.
- De forma alguma! – exclamou irritada. – Eu vou com você para Porto Real.
- Eu vou ter os dothrakis, minha magia e dois dragões!
- Ela tem aquelas coisas!
- Eu já matei mais daquelas bestas do que já respirei. Enquanto, você estava ajudando sua preciosa amiga Snow e Ruby, eu estava caçando Sacerdotisas Vermelhas espalhadas no meu reino. Queimei todas. Matei todas as bestas.
- Por que toda essa obsessão?!
- Vingança.
Emma parou.
- Elas enlouqueceram a minha mãe. Corromperam o meu pai. Escravizaram meu reino. Como retribuição, eu vou queimar até a última das Sacerdotisas Vermelhas.
- Sua vingança é mais forte do que seu ódio pelos Sete Reinos?
Regina a encarou por um momento.
- Você faz parte dos Sete Reinos. Como eu poderia destruir esse lugar agora?
A loira sorriu. As duas continuaram andando.
- O Voto Eterno. – começou Regina. – O que Snow irá exigir de mim?
- Honestidade. – respondeu Emma balançando os ombros. – Não trai-la. Não tentar tomar o Reino. Essas coisas. O que você vai exigir em troca?
- Hum. – pensou e abriu um sorriso cruel. – Que tal o marido dela? – Emma a fuzilou com o olhar. – O que? Não me diga que não o acha bonito!
A loira não respondeu. Só continuou a olhar feio para Rainha, que gargalhou.
- Se eu não te conhecesse melhor do que isso, acho que você gostaria que eu exigisse você, Ser Swan. – finalizou com um olhar provocante.
- Eu adoraria mostrar o que eu gostaria de você, Rainha. Mas não temos tempo nem lugar para isso.
Regina riu.
- Ousada. Gosto disso.
Emma não respondeu. Olhos azulados. Regina sorriu.
- Você vai fazer o voto?
- Vou. – foi a resposta da Rainha. – Meus homens não vão gostar disso. Nem eu mesma vou. Mas, vamos queimar algumas Sacerdotisas Vermelhas, um velho Rei nojento e todo o Porto Real. Vai ser interessante. –
Emma achou melhor ficar em silêncio. Chutou uma pedra e parou de andar. Olhou para frente e os dracares estavam muito pertos.
- Eu devia voltar. – disse Emma. – amanhã cedo, eu irei acompanhar Snow.
Regina assentiu e entrelaçou seus dedos. Um sorriso amargo enfeitava seus lábios.
- É incrível, Ser Swan. Parece que não importa o quanto lutemos, o mundo parece nos querer separadas.
Emma não respondeu. Era verdade. Depois daquela guerra, viria a reconstrução do reino que levaria anos. Talvez aquela guerra fosse a última chance de ver Regina pelo resto sua vida.
- Não me olhe assim, Emma. Ainda nos veremos antes da guerra realmente começar. Você será bem-vinda ao meu lado do acampamento.
A loira sorriu. Story relinchou.
- Acho que está frio demais até para ele. – comentou Emma. – O seu parece confortável.
- Claro que sim. É uma raça criada pelos dothrakis! – exclamou com certo orgulho.
As duas se olharam por um momento. Saudade. Desejo. Dever. Regina olhou rapidamente para os dracares, depois para Emma. Estendeu os braços.
- Vem.
A loira foi. Um último abraço e um último beijo pela noite. Elas precisavam daquilo. Era torturante. Cada toque, cada olhar, cada palavra, cada sorriso, era sempre tratado como o último.
Os Deuses são cruéis. Pensava Emma quando se separou de Regina e a observou montar no garanhão negro e galopar de volta ao dracares. Respirou fundo. Elas nunca se despediam. Nunca diziam adeus. Olhou para Story e jurou ver piedade em seus olhos castanhos.
- É, meu amigo, nunca ame uma Rainha.
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