Futuro Negro

11 Capítulo 10: Perversão. Mentiras. Assassinos.


Fiquei tenso na poltrona onde estava sentado. Os olhos frios e amarelos do homem a minha frente me fitavam.

-- Acha que vão demorar muito? Ou posso lhe servir algo? – Disse Russel Griffin.

--Não... tenho certeza.

--Ora, pois bem então. Permita-me ser formal, e recebê-lo em meu lar, cainita. – Ele sorriu friamente, mostrando seus dentes afiados.

--O senhor... sabe que somos vampiros, então. O que deseja de nós?

--Eu? De ti, desejo saber se aceita um drinque. Quando seus colegas cansarem de esperar, provavelmente vão tentar invadir meu escritório... E os servirei igualmente.

Não soube o que responder. Mantive-me em silêncio, e resolvi aceitar a hospitalidade de Russel, por mais que não confiasse nele.

--Só um momento, enquanto busco uma bebida. – Ele levantou-se, com um sorriso amarelo.

Russel caminhou até a porta oposta à que usamos para entrar no escritório, e a abriu. De lá, ele conduziu por uma corda um rapaz, de mais ou menos vinte e cinco anos, amarrado e vendado. Ele parecia dopado.

--E então garoto... talvez você não tenha vivido tanto quanto eu. Mas há um momento em que a sensação de sobriedade... cansa.

Ele derrubou o rapaz no chão, entre as poltronas. Depois disso, foi até um armário e voltou com uma garrafa grande, de um líquido cor de âmbar.

Fiquei aterrorizado. Tanto com a perversidão de Russel, quanto com a perspectiva do que Sir Eric faria, ao vê-la.

Russel colocou o rapaz com a cabeça na vertical, abriu sua boca e começou a despejar a bebida em grandes doses em sua garganta. O rapaz engasgava, e Russel ria e fazia uma pequena pausa. E então, ele me ofereceu um pulso, enquanto mordia o outro.

Antes que eu pudesse me mover, a porta do escritório se abriu com violência. A maçaneta fora quebrada, e as dobradiças entortaram. Sir Eric e Heather adentraram a sala.

--Com mil demônios, que acontece aqui? – Esbravejou Sir Eric.

Russel não se deixou interromper, e apenas levantou a cabeça quando sentiu-se satisfeito.

--Boa noite. Algum de vocês vai me fazer companhia? Pelo que vejo, o jovem não está interessado.

A expressão de Sir Eric era de ódio frio. Heather correu para o meu lado.

--Oh bem, vejo que não. – Disse Russel, levando o rapaz amarrado de volta ao banheiro. Quando retornou, arrumou suas vestes e começou a falar. –Pois bem, acho que estamos todos familiarizados com nossa querida Máscara, não? Vocês não se apresentaram em meu domínio, mas isto não é necessário para mim. E aqui estou eu, oferecendo-lhes sangue... em troca de informação.

--Pro inferno com seu sangue. – Retrucou Sir Eric.

--Indelicado. Não condizente com sua posição de visitas, cavalheiro. Agora... O que fazem aqui?

--Você lidera o Sabá da região. As Nosferatu do hospital abandonado o delataram.

--Oh. E vocês vieram aplicar a justiça divina? Vão me empalar e me deixar ao sol? Ou vieram se alistar, me acham melhor que nosso querido e amado príncipe?

Sir Eric parecia pronto para saltar sobre Russel, e então ele voltou a falar.

--Lamento, mas perderam seu tempo. Sim, sou Sabá. Mas não sou o Russel Griffin que procuram.

--Quê? Explique-se, viciado, antes que arranque sua cabeça!

--Existe outro vampiro chamado Russel Griffin... Meu senhor. O Toreador mais patético que já conheci. Meus queridos carniçais tem mais presença de espírito que aquele covarde. Foi por pedido dele que assumi esta identidade... Mas isso é tudo que já recebi dele. Um pouco de respeito pela Camarilla, anos atrás, e então nosso nome se converteu em uma praga. Já cansei de caçadores de bruxas e neófitos infelizes vindo tentar me matar achando que sou um maldito poseur.

Sir Eric ficou sem fala por um momento, e então retrucou.

--Não importa. Você é Sabá. Eu vou mata-lo, e depois vou atrás de seu Senhor.

--Você pode tentar, e sem dúvida conseguiria me matar. Mas aí, duvido que encontraria meu senhor. E além disso... seria um problema para a querida Máscara, não?

--O que quer dizer com isso, pervertido?

--Sou um homem influente. Dono de uma grande casa noturna, músico popular entre os jovens estudantes... E um excelente pintor. – Ele disse a última palavra com um prazer enorme. – Descobri este dom bastante recentemente, até. A tinta faz o pintor, vocês não acham?

Silêncio.

--Muitos dos rapazes que vêm para meus aposentos voltam para a festa, depois que eu bebo seu sangue. Mas alguns... São apenas tão melhores... Que eu prefiro guardar seu sangue. E ele me serve para fazer as mais magníficas obras de arte. Depois, eles podem servir como carniçais, caso sobrevivam... Caso contrário, apenas uma casualidade. Nada que não possa ser acobertado.

--Seu homenzinho podre.

--Então é por isso que estão sumindo jovens? – Perguntei, repentino.

--Do que está falando? – Perguntou Heather.

--Lembro de ter ouvido algo... alguns dias atrás. Quando conheci Sir Eric. Uma notícia na TV, sobre artistas desaparecendo.

--Muito astuto, jovem. É verdade, tenho perdido o controle mais vezes nos últimos meses. Mas ainda não fui relacionado com os casos de desaparecimento.

--Dane-se. Diga logo o que viemos saber. – Disse Sir Eric.

--Pois não. – Respondeu Russel. – Agora que já sei que minhas atividades não os trouxeram pra cá, e que minha fachada ainda é segura, posso ajuda-los. Russel Griffin vive em um castelo, a cerca de cem quilômetros da cidade. O castelo era de uma família espanhola que veio para o continente algumas centenas de anos atrás, depois de algumas catástrofes na família. Mas a família não perdurou, e hoje em dia, depois de alguns séculos abandonado, o castelo foi comprado por um ricaço que o transformou em atração turística. Claro, os aposentos usados por Russel Griffin não são vistos nos passeios, e o fluxo de pessoas não deixa que falte sustento para um vampiro inteligente.

Russel parou de falar por um momento, e então continuou.

--Tem alguém subindo as escadas, e eu não sei quem é.