Futuro Negro

12 Capítulo 11: Vozes.


Logo que o falso Russel Griffin terminou de falar, ouvimos os passos que vinham da escada. Pelo arco que restou da porta derrubada, entraram Linus e o Príncipe Knox.

--Mas que honra! Que momento glorioso para minha casa de entretenimentos, receber nosso querido Príncipe. – Disse Russel.

--Silêncio, Sabá. Viemos leva-lo. – Respondeu o Príncipe.

--Ah, isso novamente. Estão com vocês? – Ele perguntou para Sir Eric.

--Quase. – Respondeu Heather.

--Não vamos mais perder tempo. Matthew... vá para algum lugar seguro. Não devia tê-lo trazido para cá, a situação pode sair de controle a qualquer momento. Heather, cuide de Matthew. – Sir Eric fez uma pausa e voltou-se para o Príncipe. – Este não é o Sabá que queremos, é só um bode expiatório. O verdadeiro vive em um castelo fora da cidade.

--O quê? O... castelo turístico? Não faz parte da cidade, então não é meu domínio... Não sei nada sobre ele. Mas e quanto a este degenerado?

--Nada que possamos fazer, infelizmente. Mas você poderia garantir alguns guardas a mais, para evitar que ele assassinasse mais jovens artistas.

Knox ficou sem palavras. Linus deu um passo à frente.

--Pois então vamos. Nós três somos só o que precisamos para um Sabá e seus servos.

--Eu também posso ajudar! – Exclamou Heather, ficando em pé.

--De forma nenhuma! Você fica na cidade, e protege Matthew. Já basta termos que proteger um colarinho alto. – Respondeu Sir Eric.

Heather baixou um pouco a cabeça, como uma criança revoltada. Mas concordou. Descemos as escadas todos juntos, enquanto Russel nos desejava uma boa noite. E uma estaca pelas costas.

Deixamos a casa noturna pela porta dos fundos, e Sir Eric entrou no carro do Príncipe, pedindo mais uma vez que ficássemos em segurança.

Começava a chover.

--Vamos. – Disse Heather. – Eu vou chamar um táxi, vamos para o esconderijo.

Apenas concordei com a cabeça. Não sabia o que pensar, e tinha medo.

Quando o veículo amarelo parou em nossa frente na rua, Heather abriu a porta de trás para mim. Entrei no carro, e ela sentou-se no banco da frente.

--Boa noite, jovens. Pra casa? – Perguntou um educado senhor, com aparência de cinquenta anos ou mais. Parecia cansado.

--Quase isso. – Disse Heather. – Vamos para o antigo shopping center.

O homem pareceu preocupado. Talvez soubesse que era um território de gangues. Teria medo por nós? Ele assentiu, e começou a dirigir.

Eu me sentia enjoado. Havia algo errado. Eu ouvia a voz arrastada de Linus, o Xerife, em frases sem sentido. Esta noite, algo iria acontecer. Alguém ia morrer. Algo importante ia ser perdido.

--É aqui. – Disse Heather. Em meu estado catatônico, não percebi o tempo passando. Não havia ninguém na rua, devido à chuva e ao local ser um pouco isolado. – O senhor poderia esperar um minuto?

Dito isto, Heather saiu do carro e foi até a porta do motorista. Ela a abriu rapidamente, puxou o motorista para fora, e mordeu seu pescoço com violência.

--Heather! O... o que está... fazendo? – Falei enquanto saía do carro.

--Beba um pouco também. Não exagere. Vamos precisar de forças pra ir atrás daquele velho teimoso.

Concordei, feliz em saber que ela ainda não tinha enlouquecido. Bebi alguns bons goles do sangue do motorista, sem perceber que estava com sede. Voltamos para o carro, e Heather deixou o corpo do homem na calçada. Ela entrou, ligou o carro, e começou a dirigir.

Heather dirigia velozmente, ignorava sinais vermelhos, cortava faixas, acelerava. Parecia estar completamente à vontade.

--Acha que consegue alcançar eles? – Perguntei.

--Provavelmente não. Mas é melhor que cheguemos atrasados, mesmo. Eles saíram para leste... Vamos levar uns vinte minutos a mais que eles. Tente descansar. – Disse ela, antes de sair da contramão para desviar de um ônibus.