Telma despediu-se da tia, prometendo voltar no horário. Na rua o carro já buzinava. Era um pessoal que Telma não curtia, mas não custava nada fazer uma social enquanto aproveitava a carona. Já estava tudo marcado.

Chegando, Telma continuou o caras-e-bocas até avistar Francielly rindo maliciosa lá naquele canto. Entraram as duas no banheiro e lá Francielly apontou o que trazia na sacola.

— Vê se cabe em você!

Telma sorriu ao ver o tope e o shortinho. Já podia escutar o som do pancadão, só de ver aquilo. Francielly cumpria mesmo o que prometia. Não esperaram nem um minuto. Francielly piscou o olho e sorriu para a dona da festa.

— A gente vai dar um pulinho e volta já!

A outra sorriu, parecendo pouco interessada. Telma não confiava em ninguém daquela festa, mas Francielly parecia haver ganho a confiança da garota, e os demais nem conheciam ela, então ninguém ia dedurar. Além do que, estava excitada demais para pensar naquele momento. Ambas ganharam a rua e correram para pegar o ônibus que passava. Minutos depois, já escutavam o som do pancadão que vinha lá do clube.

— Hoje mulher é de graça! — Disse Francielly, rindo. Telma riu também. Sabia que lá todo dia mulher era de graça. Correram ambas para o banheiro esfumaçado, e Telam despiu com gosto a calça jeans que a tia lhe consentira vestir, e entrou dentro do uniforme do shortinho e do tope. Um instante depois estava na pista, sentindo renascer a funkeira que havia dentro dela.

Estremece quando ela desce

Batendo a bunda no chão

Procurou fazer exatamente como a letra dizia, batendo bem forte o traseiro no cimento para depois ergue-lo bem alto no ar, sacudindo-o. Sentiu a mão passando no seu traseiro. Riu. Uma palavra veio a sua mente:

— Poderosa!

Era exatamente assim que ela se sentia. Em determinado momento viu Josias dançando mais adiante, como sempre rodeado de meninas. Pensou: vou ou não vou a seu encontro? Lembrando a forma fria como ele a tratara, resolveu ficar dançando ali mais um pouco, até que ele reparasse nela. Depois passou na barraquinha para tomar uma latinha de cerveja. Na volta para a pista, não acreditou no que vira: ali estava Suzana! A colega saudou-a e sorriu maliciosa, passando aquela mensagem do "você não me viu e eu não te vi". A noite estava ficando engraçada, Telma pensou. Dançou até sentir mais cede, tomou mais uns tragos, e sob o efeito da cerveja, sentiu o olhar de Josias sobre ela e dessa vez não hesitou: foi direto ao encontro dele, passando na frente daquelas piriguetes e sentindo o olhar de ódio delas.

— Vem dançar comigo!

Telma curvou-se e experimentou as mãos de Josias sobre seus quadris que sacudiam. Logo em seguida sentiu que ele montava sobre ela, e a protuberância em suas calças roçava o short dela.

— Vamos fazer trenzinho?

Juntaram-se a um grupo que serpenteava pela quadra, os rapazes montados sobre os quadris das meninas. Em determinado momento Telma caiu no chão, tonta e rindo. Pôs-se de joelhos e viu bem na frente dela a calça arriada de Josias. Sem pensar, puxou o pênis dele de dentro da cueca e colocou-o em sua boca, chupando com força e escutando os aplausos a seu redor. Logo depois Josias levou-a até um canto onde havia outros casais gemendo, alguns já chegando às vias do fato, e sentiu as mãos de Josias entrando por baixo de seu sutiã. Mas logo depois o que sentiu foi o dedo de Francielly cutucando-a.

— Hora de ir embora, mulé!

Caindo em si, Telma viu a carruagem virar abobora e Josias rir dela.

— HAHAHA Cinderela do funk!

— É a minha tia...

Mas Telma não teve tempo para dar mais explicações. De qualquer modo a noite fora boa e estava fechando com um saldo totalmente a favor. Ainda rindo, as duas correram para o banheiro, que estava ainda mais esfumaçado, e entraram de novo nas roupas com que tinham vindo. Pegaram uma van na saída, e Telma esforçou-se para botar alguma ordem nos cabelos enquanto percorriam as ruas escuras. Ainda sentia-se bem chamativa quando entraram novamente naquela festa que rescendia a Coca-Cola. Escutou alguém chama-la.

— Oi Telma, por onde você andou? A sua tia ligou, mas eu disse que vou demorar um pouco mais para sair, então ela disse que você podia ficar mais meia hora, desde que voltasse comigo!

Telma sentiu-se ainda mais vitoriosa, realmente naquela noite tudo estava dando certo para ela. Ainda sob o efeito das cervejinhas, sentiu que lhe sobrava disposição para fazer mais coisas. Súbito, viu Beto a um canto, sozinho. Não pensou duas vezes.

— Oi Betooo...

Falando uma porção de abobrinhas que ela nem sabia o que, foi se achegando. Sentiu o amigo de início um pouco surpreso, mas depois ele se rendeu e também foi chegando junto. Quando a música criou um clima romântico, Telma tacou-lhe um beijo. A cabeça girava enquanto as línguas se tocavam, mas em determinado momento Telma teve que fazer força para não rir quando se lembrou que o beijava tendo ainda na boca o gosto do pênis de Josias. Sentia-se mais que nunca poderosa por haver ficado tanto com Josias quanto com Beto na mesma noite.

— Oi Telma, desculpe interromper o romance, mas eu já estou saindo!

Ao contrário de Josias, que rira dela, Beto sorriu compreensivo. Telma deu-lhe um último beijo, despediu-se do pessoal e acompanhou seu carona. Chegou em casa se sentindo leve: até que fora fácil enganar a tia.