Funeral Bands
10 Capítulo 10
Passaram-se três dias desde a última visita, Artie havia tentado manter-se calmo, mas isso lhe custou 300 reais em bebidas e duas prostitutas, com quem foi obrigada a dividir seu champanhe importado.
Era uma quarta-feira e o latejo na cabeça acordou Artie, que coçou os olhos avidamente à caminho do banheiro, onde ele tratou de lavar o rosto, piscando para sua imagem no espelho.
– Mas que merda, Yulia! – Sussurrou afastando um sutiã da mesma que repousava dentro do armário.
Ele saiu do banheiro reclamando, mas logo deu outro trabalho para sua mente quando viu uma mulher nua sobre sua cama.
– Mas que merda, Artie. – Consertou dirigindo-se a mulher que mantinha muita maquiagem no rosto. Cutucou a testa dela com a ponta de uma caneta.
A mesma protestou e virou-se para o lado.
– Ô, levanta.
Ela obedeceu. Artie correu para a cozinha, onde pegou dois sacos de mercado, depois usou-o para como luvas e tratou de pegar o lençol e afoga-lo na pia do banheiro, que já transbordava.
A mulher arqueou uma sobrancelha.
– Bem, — Encarou a mulher. – Me desculpe. Eu não costumo fazê-lo. – El olhou para ela e para a cama. Ela entendeu. – Mas, você poderia me contar sobre o que aconteceu?
A mulher abriu a boca para falar.
– Ai, não, — Interrompeu Artie. – Não precisa. Quanto estou te devendo? Ah, fica com essa nota de cem. Você não tem cara de ser de luxo.
A mulher ruborizou de raiva, e logo foi empurrada até a porta.
– Se eu voltar no seu ponto quando estiver bêbado, roube-me a carteira mas pelo amor, não me seduza. E nem suas amigas. Diga a elas que e não sou um cafetão, na verdade eu não tenho nada contra o trabalho de vocês, mas eu realmente não curto muito. – Ele olhou no relógio, falava rápido. – Droga, oito e meia. – Fechou a porta do armazém e dirigiu-se a um táxi.
A mulher o fitava prendendo o riso.
– Tenho que ir ao hospital. – Gritou abrindo a porta. O carro começou a andar, ele pôs a cabeça para fora e gritou: — Aliás, eu usei camisinha? – A mulher não respondeu.
Yulia acordou mais cedo naquele dia, pareceu desagradável abrir os olhos, então ela procrastinou por várias horas.
– Yulia! – Fátima entrou pulando. – Você teve alta!
Ela sorriu e impulsionou o corpo para levantar. Fátima a repreendeu com os olhos. A garota agarrou todos os fios que conectavam-se em suas veias de uma vez só e os puxou com tudo, fazendo jorrar umas gotinhas de sangue por um dos furos e com que uma agulha permanecesse em sua pele.
– Meu saco, viu. – Disse tirando-a, depois correu para o banheiro tampando o traseiro, que a roupa do hospital deixava à mostra. – Eu não vejo a hora de mijar sem levar um soro e uma bolsa de sangue comigo!
Fátima os moribundos permitiram-se rir da garota de cabelos emaranhados.
– Oi — Falou um loiro de pijama. – Eu vim buscar a Yulia.
A enfermeira estreitou os olhos recordou-se dele.
– Você é o cara que mora com ela, não?
– Sim, sou eu.
– Ela já sabe da sua doença, esteve à sua espera há dias.
– Vim busca-la.
– Isso não basta- Prosseguiu. – Yulia é frágil, apesar de não parecer. Se a machucar...
– Ela é Yulia Burni. – Pronunciou. –E eu não estou apaixonado por ela.
– Sei que não, mas é que...
– Garoto – Intrometeu-se um velho que tinha dificuldades em falar. – Você entendeu do jeito errado. Acontece que Yui tem lados muito complicados. Ela é sozinha. Só tem nós dois como amigos – gabou-se.
Artie arqueou uma sobrancelha.
– Não há nenhum rolo de papel aqui, Fátima. Justo hoje que eu não preciso segurar aquelas bugigangas! – Gritou Yulia, do banheiro.
Fátima saiu da sala lançando um olhar cortante a Artie, depois voltou com a cabeça.
– Quero que vá embora.
O velho o olhou risonho e dormiu, o que foi ótimo para o loiro condenado, que pegou o rolo de papel que achou com uma senhora que também dormia e bateu na porta.
Yulia a abriu, o que a revelou sentada na privada com a palma da mão direita no queixo, encarando o chão com tristeza. Um sorriso escapou da boca dela assim que o viu, mas esse desapareceu quando ela tomou noção das circunstancias.
– A-artie? O que você..?
O garoto a abraçou com força.
– Aqui está – Entregou o papel. – Fátima me mandou te deixar e paz.
– Que isso...
Ele se apoiou na parede e a encarou.
– hm, — Disse ela. – Você não vai assim... sei lá, né, virar pra parede?
– Claro. Desculpe-me. – Ele cutucou a unha e mordeu o lábio – então, o que tem feito ultimamente?
– Pois é, a vida num hospital é muito agitada – Comentou. – Eu tenho comido uma sopa de carne ótima. Só que, na maioria das vezes não tem carne.. E você?
– Acordei com uma prostituta hoje.
– Pode se virar agora. – Yulia jogava o papel higiênico no lixo. – Não sabia que tinha voltado a sair com Rose. – Ela riu, depois desculpou-se. – Sabe que não gosto dela. É uma nojenta.
– E sua irmã. – Lembrou ele, que espirrou um pouco de sabonete no rosto dela. – Vai, dê-me as palmas. – Exigiu a uma Yulia que se contorcia tentando limpar a face. – Vamos, Yulia. Tenho que sair daqui antes que Fátima chegue. — A garota avançou dois passos em direção a ele e esticou as palmas, onde foi gotejado um pouco do líquido. – Limpe isso ai direito.
Eram duas e meia da tarde quando os dois chegaram no armazém, fora complicado sair do hospital, a garota obrigou-se a salvar o número de cada um de seus enfermos favoritos em sua inseparável agenda eletrônica, depois disso, entrou em um metrô e decidiu o próximo rumo: o mercado. Yulia amava o local em todos os seus aspectos, mas raramente saia de lá com mais do que um repolho e uma caixinha de suco de laranja. E o fez.
– Isso aqui cheira a perfuma de farmácia. – Comentou ela ao tragar o ar. – Estava mesmo com saudades de Rose. – Artie a fuzilou, ela não percebeu e pulou no sofá ligando a tv logo em seguida.
– Quantas vezes eu preciso te dizer que não há nada entre mim e Rose? – Perguntou sentando-se ao lado dela, que havia colocado no leilão de vacas e o assistia atentamente.
– Até que eu acredite. Se não há nada entre vocês é porque não quer. Nunca vi gente mais fácil que ela. – Riu-se. – Mas logo você, Artie Burnes, com Rose Burni... seria perfeito. Todo o intelecto e tontice com toda a burrice e esperteza.
– Ela é sua irmã, Yulia. – Vociferou.
– Não o suficiente para calar-me das verdades. Só você não vê, Artie. Ninguém gosta dela, caramba! Quer dizer, eu não. A garota sempre teve tudo o que quis e todos aos seus pés. Está acostumada com a realeza, apesar de ser sonoramente suja o bastante para não pertencer a ela. Só você não escuta, és surdo? Ela puxou por completo o pai dela, é ele por inteiro, amando só a ela mesma. Ela não se importa com você, Burnes, mas você é um novo desafio pra ela. Nunca ninguém demorou tanto para tê-la. És a pessoa mais inteligente que conheço, mas também a mais tola.
Artie assentiu, furioso, e levantou, abandonando-a. Capturou três apostilas que residiam no chão e as pôs na bancada da cozinha, acomodando-se na cadeira de praia dobrável a sua frente. Mergulhou-se no mundo dos cometas por incontáveis minutos, onde se amarrou em cada detalhe sublinhado de amarelo. Anotava coisa ou outra na bancada de madeira mesmo, que era cheia de observações sobre parsec, pirélio e afélio, com um grande destaque para a unidade astronômica e ano-luz.
A menina terminou de ver seu programa, onde um homem vestido de blusa xadrez ofertava uns bezerros recém-nascidos. Parado na frente de um grande pasto, uma ou outra vaca – às vezes, um búfalo, passavam atrás dele, mugindo alto pelo incômodo que o locutor lhes proporcionava. Yulia prendeu sua atenção em uma mimosa que descansava em uma sombra, preguiçosa, que, por um preço acessível, custaria 1.200 euros.
“Você mora em um armazém, Yulia, e não caberia uma belezinha dessas aqui nem se você a amassasse. “ consolou-se desligando a tv assim que os créditos tomaram conta da tela. Ela encarou o loiro estudioso de longe, por vários segundos, até realmente ir lá. O mesmo não tirava dos livros os olhos.
Yulia sentou-se sobre um de seus livros, na bancada. Ele arqueou uma sobrancelha.
– Pare de ser criança, Yulia. – Repreendeu, passando o belo par de olhos para o livro ao lado. A garota o pegou também, assim como fez ao outro, que descansava no outro extremo da bancada. Artie, impaciente, olhou para ela.
– Pare de ser adulto, Artie.
– Devolva-me os livros, sério. – A garota ponderou, medindo-o dos pés a cabeça, com uma careta no rosto. Tentava pensar em algo, e sua face iluminou quando o fez.
– Venha pegar. – Disse ao mesmo tempo em que colocava os outros dois livros sob os ossos de seu traseiro. Artie havia esticado as mãos, mas era tarde demais.
– Por favor, eu tenho que estudar.
– Certo. – Falou. Ele sorriu. – Eu pergunto para você. – O loiro bufou, mas relaxou-se na cadeira. – Okay. – Ela pegou um dos livros. – Diga-me sobre a primeira lei de Kepler.
– Todo planeta gira ao redor do sol em ordem elíptica.
– Isso. Terceira? – Ela batucava a parede com as pontas da mão livre.
– E a segunda?
– Não achei tão importante. – Ela riu, ele revirou os olhos. – Vamos, terceira.
– O quadrado da translação do planeta é diretamente proporcional ao cubo do raio.
– Viu! – Ela exclamou guardando a apostila. – Você está ótimo, não precisa estudar.
– Mas é claro, você está me fazendo perguntas de ensino médio.
Yulia riu, jogando a cabeça para trás. – Desculpe, Artie, não entendo nada disso. – ele assentiu. – Estou perdoada? – Perguntou depois de alguns minutos em silencio em que ele encarava a mesa ( lê-se: lia as anotações escritas nessa ) e ela aos seus próprios pés, que iam e vinham, batendo no concreto da bancada, vez ou outra.
– Só se você me devolver. – Determinou.
– Você só as terá de volta se vir pegar, loirinho. – Sorriu rebolando sobre os cadernos. – Sorte a sua que eu tomei banho. – Artie levantou-se e concordou, rindo. Posicionou-se de frente a ela e tentou puxar seu matéria, que não vinha. – Você parece fraco, mas não pensei que fosse tanto. – Debochou. Enfezado, o homem agarrou Yulia pela cintura, erguendo-a sobre seu colo, a menina tinha as pernas presas ao tronco dele e as mãos em sua nuca, na qual ela fez cosquinha para que ele desabasse, e desabou. Os dois caíram no chão da cozinha e Artie, mesmo contrariado, não podia parar de rir. – A gente ta precisando limpar isso aqui. – começou a garota, que tinha uma das bochechas coladas no chão gorduroso. – está ensebado. – reclamou.
Artie flexionou seus braços e apoiou o corpo sobre os cotovelos.
– Está mesmo.
Yulia pulou, erguendo-se, e correu para os fundos, onde conseguiu uma vassoura, uma pá e um rodo com um balde cheio de produtos.
Faziam vinte minutos que os dois estavam focados na limpeza daquele fétido chão, cantando a-há, que tocava no radinho à pilhas do garoto.
– O que seria de você sem mim, Artie Burnes?
Artie aproximou-se dela, apoiado em seu rodo de cabo rosa. – Não sei. – Então ele pegou-lhe o rosto entre as mãos e a beijou. Yulia arregalou os olhos, mas logo tratou de segurar-lhe a cabeça e dirigir o beijo. Artie levou as mãos para abraça-la, e ela deixou. O rodo despencou.
– O que você está fazendo? – Perguntou ela, tomando uma lufadada de ar.
– Não sei. – E aprofundou-se no beijo novamente. Yulia separou suas bocas novamente.
– Só sabe dizer isso? – O encarou, séria. Artie deixou que os cantos da boca se erguessem em um sorriso. Ele colou seus lábios novamente e sibilou, sorrindo:
– Não sei. – Yulia deu-lhe um tapa no braço.
– Artie. – Chamou. Ele não respondeu.
– Fica quieta. – Pediu.
– Não, Artie. Você tem a Rose.
Ele parou de beijá-la e a analisou um pouco.
– Eu não estou com ela. E não é só porque quero continuar te beijando, — Ele riu. – A razão por eu ter ido a um prostibulo foi porque Rose me disse palavras terríveis. – Inclinou-se para terminar o que havia começado. Ela cedeu;
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