Notas iniciais
*Pré Diálogum*

Iori: Eu vou me drogar de novo?... *espiando a tela do PC*
Mei: Não...Dessa vez não... *escrevendo*
Iori: .... Então porque trouxe esse tema de volta?
Mei:... Ah... Mas... Você mesmo disse que gostou do Kyo cuidando de você....
Iori: ............... *Mais vermelho que o próprio cabelo*
Mei: .... Iori, você ruborizado é a cena mais fofa que existe!!!! Eu poderia me viciar!
Iori: Cale-se e escreva logo!!!!
Mei: M-m-m-mas eu já escrevi!! To postando! ......Está bem fofinha... Assim como você!!!!
Iori: ..........!!!!!!! *Mais vermelho que o Hellboy (de vergonha e raiva) *
Mei: *Se escondendo debaixo da mesa do PC*

-.... Deprimente, Kyo.....

O moreno ouviu de sua própria boca.

O que ele fazia em casa em plena noite de sábado? Ainda por cima largado no sofá, no escuro, com a TV desligada e metade de pizza na caixa jogada ao centro da mesinha central...
Pensando... Meditando... Em plena noite de sábado!!

- Eu preciso permanecer firme! Que diabos ta acontecendo comigo?? – Era estranho, pois ele sentia-se o drogado agora...

Fazia dois meses e meio que Yagami havia sido liberto após o ‘seqüestro saudável’ de Kyo.
Foi algumas vezes em shows dele, principalmente no começo quando ainda sentia que precisava vigiar o outro um pouco mais, mesmo tendo dito que não o faria quando o soltou.
Depois que percebeu que seus pensamentos estavam centrados demais na existência e nos passos de Iori, resolveu parar um pouco de ir aos shows, e até mesmo um pouco da academia do ginásio, a qual o ruivo freqüentava fielmente como se nada tivesse acontecido com seu estado físico... E realmente não parecia que havia acontecido algo mesmo. Iori estava de volta para nunca mais voltar.

-... Nunca mais voltar.... – Kyo repetiu baixo a frase que havia pensado. Ótimo... Isso era ótimo... Claro que mesmo dizendo aquelas coisas com firmeza sobre não ser uma sombra de Iori, o moreno ficava sim receoso e inseguro sobre as ações do ruivo perante as drogas, mesmo o próprio tendo dito à Kyo que nunca mais voltaria, assim que pôs o pé para fora da casa de Kusanagi.

Simplesmente perfeito... E palavra de Yagami.... Era palavra de Yagami...

- Mesmo assim!!!!

Bateu a palma de sua mão do sofá, indo contra si mesmo. Sempre... Sempre quando Kyo ficava pensando demais sobre o que Iori estaria fazendo, começava a pensar que deveria vigiá-lo e ser sua sombra, assim como Yagami era antes...
Claro que não ligava para os motivos de Iori em seguí-lo sempre... Mas Kyo queria usar isso mais como uma desculpa de ‘se vingar’.. Só para estar perto dele...

- Nossa! Eu to ridículo!!
Disse colocando as mãos na cabeça.
Era esse o estado ‘deprimente’ de Kyo... Sentir falta de vigiar Iori, e ficar inseguro sobre a vida alheia.

- Que diabos!! Ele não é um bebê ou algo assim!!
Mas foi... Quando Iori realmente estava mal, virou praticamente um recém-nascido nas mãos de Kyo, tendo que dar banho, alimentá-lo e ficar sempre atento aos ruídos e vontades.

- Nah... Eu fiz porque quis, e porque ele precisava... Não vou ficar em cima dele agora que já voltou à sua vida...

Ele ainda precisa.

- ..........

Kyo não conseguia negar que a repentina ausência de Iori (novamente) lhe causava um desconforto... Foi assim antes... Iori não o seguia mais e não o procurava para as lutas, até o moreno o descobrir mais imundo que o próprio lixo.
Neurótico, ficava pensando “eu juro que o mato de verdade!” ao imaginar que o ruivo estava se drogando de novo.

Antes que se desse conta, estava em pé andando de um lado para o outro, roendo uma unha que já estava roída, ficando mais dolorida.

- Que merda.... Só dessa vez...
Indo ao seu quarto com o intuito de se arrumar, caindo em ‘tentação’.

- Faz um tempo que eu não o vejo mesmo... Ele não vai pensar que eu estou vigiando ou algo assim.

E o moreno martelava em sua cabeça que NÃO estava vigiando!... E que precisava parar de ter receio quantos às ações de Iori, afinal ele não era bebê.

Kyo apenas ia para um bar, relaxar sua cabeça, pensar em outras coisas e curtir um bom som... E nossa! Que coincidência ele escolher o mesmo bar que Iori tocaria hoje.

- Ele não vai saber que eu sabia que ele tocaria no Rock Soul hoje... Vai ser uma coincidência...

Disse confiante para si mesmo como se estivesse mentindo para uma criança... Detalhe... Ele NÃO estava vigiando Iori... Mas sabe exatamente de todos os shows dele.

oOo

Ele logo estacionou seu carro preto na movimentada rua, afinal ainda era noite de sábado.

As mulheres olhavam aquele rapaz com pinta de malandrinho, vestido de calça jeans e camiseta branca... Tão básico... Mas tão tentador, com aquele cigarrinho na boca jogando os cabelos para trás enquanto andava para o bar á frente.

Mas Kyo só tinha olhos para os carros estacionados, procurando algum vermelho com a impressão de valer uma fortuna.

Porra! Eu SEMPRE esqueço que ele ta sem carro... Eu to ficando neurótico!” Falou revoltado consigo mesmo. Mas também, Kyo estava tão acostumado a ver sempre aquele lindo carro que era a cara de Yagami pelos bares e estacionamentos de ginásio... Era até triste não o ver mais.

Quando entrou no bar, os olhares das mulheres ficaram mais atados àquele moreno bonito. Este, desligado demais nem notou, e também nem queria... O palco ainda estava vazio e alguns funcionários montavam equipamentos.

Pediu uma lata de cerveja, já que estava bem calor. Uma noite abafada, ótima para ser curtida.

Ainda ficou compenetrado naqueles pensamentos, pensando se não seria uma boa aproveitar a pequena demora para pôr-se correndo daquele lugar antes que Yagami o visse... Hora queria vê-lo, hora achava-se ridículo por fazer uma ‘pequena vigia’.

Sentiu um frio na barriga quando viu um conhecido membro da banda de Iori adentrar o palco ainda escuro para dar alguns ajustes na guitarra.

O que foi isso??” Pensou de cabeça baixa sobre o frio na barriga. Como se estivesse ansioso. Obvio que jamais admitiria.

Parece que esse ‘frio’ veio triplicado e de mãos dadas com o arrepio na nuca e espinha quando viu a figura de Iori no palco, segurando o inseparável contrabaixo preto, presente de Kyo.
Iori estava com uma regata preta... Engraçado, pois era a primeira vez que via o ruivo de regata no palco, já que ele sempre tocava de camisa ou com um visual social meio ‘dark’... Mas hoje ele estava... Simples! Até ele devia estar irritado com o calor.
De regata preta, com uma fina corrente prateada discreta no pescoço, e com uma calça jeans acinzentada, um pouco mais grudada e ajustada ao corpo que as normais, o que fazia com que o quadril dele ficasse com um aspecto mais... Tentador...

É-....É o wiskey...” Kyo pensou colocando culpa na bebida quando sentiu sua face esquentar rapidamente ao reparar nas vestimentas de Iori e em como ele estava bonito simples desse jeito, com os braços grossos e ombros largos à mostra... O único problema de Kyo era que... “ Que merda!!!! Eu nem to tomando wiskey!!!” Constatou quando viu que só havia a cerveja em cima do balcão. Estava realmente muito desligado.

Iori por si estava passando os dias normalmente, tentando juntar uma grana para comprar novamente uma casa e um carro, com os pagamentos de shows. Ele ainda pensava se iria ou não participar do torneio que logo logo se aproximava... Não queria realmente, mas Iori sempre terminava em uma boa posição entre os vencedores, e isso lhe rendia bastante no final. Ainda bem que Kyo o resgatou antes que terminasse suas ultimas economias; o resto do dinheiro arrecadado na venda da casa e do carro.

Pois é... O motivo era dinheiro, e não derrotar Kyo.
Iori não tinha vontade.

Não é como se estivesse ‘pagando’ Kyo por salvar sua vida... Apenas não tinha vontade. Já chega de sempre pendurar seus problemas e suas vidas em outras coisas, como Kyo e as drogas.
Iori queria sossego, fazer o que gosta e seguir sua vida...

E bom... Não necessariamente precisaria dar um ‘basta’ em Kyo... Só não tinha mais vontade de encher o saco dele.
E quando estivesse, encheria oras...

Estava afinando o contrabaixo quando um de seus colegas de grupo ofereceu um cigarro à ele...
Ficou meio hesitante. Nunca levou o cigarro como um vício, afinal ele gostava de fumar e não era algo que realmente o fizesse mal, mas havia dado um tempo também.
Quando ele ficava ansioso ou nervoso, acabava por fumar excessivamente, então tinha certo receio que, novamente, o cigarro acabasse não dando conta... Mesmo que Iori fosse uma pessoa bem mais calma e relaxada agora.
Como dizem, há males que vem para o bem, e esse foi uns dos grandes bens.

Iori ia aceitar, aproveitando aquele clima de bar com bebidas, para descontrair...

Como uma flecha que rasga o vento, o olhar do ruivo rasgou a multidão e foi direto... DIRETO em Kyo, como se algo por dentro de Iori fizesse ele mover os olhos nessa direção.

Kyo travou.
Podendo ser comparado á um robô com falta de óleo nas articulações, o moreno sorriu discretamente, e acenou com uma mão... E sabe se lá porque diabos sua respiração estava presa.

Iori sorriu de um jeito discreto e parecia até aliviado.
É a segunda vez que ele me salva... “ Pensou, agradecendo a presença de Kyo e recusando o cigarro, vendo que na verdade estava se tornando dependente de outra coisa.

O show logo começou, e muitas pessoas até cantavam algumas músicas mais conhecidas do grupo. Kyo, para ser discreto, fazia sons mudos de acordo com o ritmo, em um canto somente para ele... Era outro que já sabia das musicas, e sabia de cor até alguns movimentos que Iori fazia com o instrumento.
E ás vezes notava que mesmo Iori não sendo o vocal, este abria e fechava aqueles lábios quentes e macios para cantar a musica de um jeito mudo, apenas para acompanhar a letra.

E sabemos do motivo de Kyo saber que aqueles lábios são tão macios e quentes... Mesmo que fosse apenas uma única vez.

Esfregou o rosto balançando a cabeça, e bebeu mais um gole.
Eu estou confundindo tudo...”

E Yagami, do palco, conseguiu saber que Kyo estava transtornado com alguma coisa.

oOo

- Gostou?...

- ... Você parece tocar cada vez melhor... Deve ser o instrumento.... Eu tenho bom gosto mesmo... – Brincou enquanto andava ao lado do outro na calçada pouco movimentada já pelo horário. Quase Kyo pega um cigarro para fumar, mas reteve seus movimentos antes que começassem... Mais uma vez estava censurando Iori sem até mesmo ele saber.

- Fazia um tempo que não via você. – O ruivo parecia realmente ter mudado um pouco seu jeito... Falava mais abertamente, de um jeito mais sereno.

- Ah... Pois é... Resolvi sair um pouco, estava calor demais dentro de casa... Coincidência te encontrar...

- Foi coincidência?...... Achei que tinha visto o cartaz que eu havia colocado no mural do ginásio há uns dias... – Revelou tranquilamente olhando para o outro.

Ai merda ele me pegou!!!!!!!!” – U-ué... Você quem colocou? Geralmente eram seus colegas que invadiam o lugar.. – Riu, sentindo sua mão suar – Bom... Você sempre toca nesse bar... Acabei me acostumando com o ambiente dele também..... – Explicou tentando não deixar aquela resposta de ‘coincidência’ tão mentirosa aos olhos de Iori.

O ruivo deu um leve sorriso, e os dois continuaram a caminhar sob a brisa da noite até chegar ao estacionamento que Kyo havia deixado o carro.

- Quer uma carona?...

- Não quero incomodar... Vou de taxi...

- Sabe que realmente não vai me incomodar.... – O moreno falou com certa ironia já que uns 20 minutos não eram nada perto de 4 meses. Tirou as chaves do carro, mas as deixou cair no chão. Foi apertar o botão de destravar, mas na verdade apertou o que travava, e quando foi abrir o carro o alarme disparou.

- Putz!!! – Kyo riu meio nervoso, desativando o alarme...

Iori só observou atentamente a tudo isso, e olhou para o moreno quando este abriu a porta de trás para o ruivo colocar o baixo.

- ... Kyo... Está com algum problema?... – Perguntou calmamente.

- N-não... Não estou... – Riu meio desconcertado, jogando os cabelos para trás e desviando o olhar para o chão – Eu ando meio desligado.. Só isso...

Iori duvidou um pouco. Kyo sempre tinha um ar mais prepotente perante Iori, mas os dois haviam realmente mudado seu comportamento... Mesmo assim Kyo parecia um tanto nervoso.

- Certeza...? – Perguntou, pendendo a cabeça para o lado.

- Claro!... – Sorriu – E você?..... Como está indo...? — Olhou meio desconcertado para o outro. “ Já que ele perguntou de minha vida.... Eu também posso, não é?.... Não vai parecer que estou especulando...” Pensou consigo mesmo aproveitando a brecha.

- Estou bem... Eu disse que não ia mais voltar... – Disse sorrindo de leve, colocando o baixo no banco de trás e fechando a porta... Engraçado que o ruivo sabia exatamente a resposta que Kyo queria ouvir.

- Isso é bom... – Disse Kyo sorrindo... Acreditava na palavra do ruivo, e na segurança que ele dizia.

- Não sei se é realmente bom...

Aquilo pegou de surpresa Kyo.. Piscou algumas vezes o olhar, tentando entender, mas não conseguiu.

- Não?... Ficar sem o vício não é bom?? – Contestou com estranhamento.

- Não exatamente o vício....

Kyo já estava nervoso e constrangido demais ao lado de Iori, e além disso, agora estava travado... Abriu a boca para falar, mas nada saiu.
O ruivo deu um meio sorrisinho e se encostou ao carro cruzando os braços fortes e olhando para baixo.

- É a primeira vez que me sinto inseguro de viver... – revelou baixo, depois de alguns segundos..

Kyo sentia a brisa levando um pouco seus cabelos, em pé, parado e olhando o ruivo que estava um pouco mais a sua frente. O moreno nem se mexia.

- Isso é sua culpa e de mais ninguém... – Olhou para o moreno, mas sem parecer acusativo... era um elogio. – Você me forçou a viver ao seu lado por um bom tempo, sendo que eu não me permitia ficar perto de você por 5 minutos. Você disse que ia me trazer de volta... Sinceramente eu até acreditei em suas palavras, afinal você tem força para isso.... Mas eu não achei que cuidaria de mim como cuidou, e não achei que me suportaria... E no final, você foi a primeira pessoa em minha vida inteira que realmente fez os dois.

Kyo ainda escutava como uma estátua, quase que gravando todas as palavras de Iori, tentando imaginar onde ele queria chegar com aquilo tudo.

- ... Eu devo ter sido um grande estorvo para você... – Disse com um pequeno sorrisinho.

- Claro que foi... Foi, porque eu me envolvi nisso por conta própria, e não me arrependo... – Disse o moreno, permitindo-se ficar mais sério, deixando um pouco de lado seus pensamentos a respeito do ruivo.

- Faria de novo?

- Não.... Eu disse que te mataria.... – Disse firme novamente, impondo o que havia falado. – Você não pode dar uma segunda chance ao vício... E eu não posso dar uma segunda chance a você... Me obrigo a matá-lo... Te obrigo a ficar fora disso...

Kyo sentiu uma tremedeira quente em seu corpo assim que viu o largo e dilatado sorriso de Yagami dirigido á si... Era lindo, porém assustador. Realmente não sabe o porquê de tanto deleite da parte dele, sendo que estava exibindo mínimos sorrisos nostálgicos até agora.

- Para quem disse que não ia mais me vigiar, você até está fazendo uma grande proibição para mim...

- Eu... Não vou mais te vigiar... – Kyo falou sentindo-se inseguro e contraditório de suas próprias palavras.

- Você já está. – Iori completou, afirmando mais baixo com um pequeno sorriso — ....Você vai me vigiar e caso eu cometa um deslize, você vai me punir....

Kyo engoliu seco. Estava encurralado, e nem havia parado para pensar em suas próprias palavras... Mas não se desintegrou, e tentou permanecer forte.

- Você... Nunca permitiu que eu morresse para os nossos inimigos.... Então... Eu também tenho direitos sobre você... – Nem Kyo acreditava no que estava falando... Em casa jurou para si mesmo que não vigiaria Iori e agora estava entregando a promessa de mão beijada, e ainda admitindo que estava tendo parte de sua vida vivida em função do ruivo.
Seu coração pulava de nervoso e pela primeira vez se sentiu realmente instável diante de Yagami.

Essas palavras tiveram um grande efeito no ruivo e mais uma vez um sorriso misterioso fez seus lábios curvarem.

- Apesar de sua mão estar tremendo, suas palavras são bem firmes.... – A língua afiada de Iori atravessou os ouvidos de Kyo.

Kyo fechou seus punhos respirando pesado e franzindo os olhos. – Eu não to tremendo!! ... Entra no carro e vamos embora! – Falou passando a mão pelos cabelos, alterado, andando na direção da porta de motorista, e Yagami estava ainda impassível encostado na porta traseira.

A mão do ruivo pousou sobre a mão do moreno quando este ia abrir o carro, e constatou que tremia levemente. – Eu sei como se sente, Kyo... – Falou com aquele sorrisinho misterioso típico dele. – Quando eu me drogava no começo, eu tentava permanecer forte e tentar não cair em tentação por algo que eu havia provado e gostado.... E eu também tremia...

Kyo quase pode ouvir suas bochechas explodindo em escarlate, ao se dar conta que aquela frase de Iori era totalmente voltada para si. Havia esquecido o quanto esse ruivo era afiado e esperto.
Retirou rapidamente sua mão debaixo da mão quente e grande do ruivo, recuando um passo, com a visão até turva de constrangimento, mas expressão brava tentando passar alguma resistência.

- Q-que diabos está falando??? – Engoliu nervoso, mas Iori não falou nada... Apenas mirou seu olhar rubro nos olhos de Kyo ainda com aquele sorrisinho... O moreno desviou o olhar, vendo que sua face vermelha já havia estragado tudo. – E-eu sei exatamente que aquele beijo foi um agradecimento... Eu não estou confundindo as coisas! – Tentou dar alguma satisfação, não encarando o ruivo.

- Nunca tive intenção de lhe agradecer com aquele beijo.... Eu nunca conseguiria agradecer de verdade o que você fez ... – O ruivo revelou imediatamente, calmo.

- Então... Por quê?

Iori deu um pequeno sorrisinho. – A não ser que caia em tentação, eu vou parecer ridículo revelando meus motivos....

Pela milésima vez na noite, Kyo sentiu o frio na barriga e engoliu nervoso. Seu corpo parecia trepidar a cada batida que o coração dava. Travou uma batalha mental que parecia ter durado dias, quando apenas durou alguns segundos, extremamente perdido.

Depois de um pequeno tempo, pareceu que seu corpo estava cansado de esperar a decisão de sua mente, e o moreno percebeu que dava lentos passos na direção do ruivo, mas sua cabeça ainda pendia empenhada em não encará-lo. Suas duas mãos também moveram-se por conta própria tocando levemente aquele vasto e forte peitoral somente de regata, se aproximando mais do outro sem realmente tocá-lo... Mas ficando extremamente próximo.

Sua mente desistiu de travar a batalha assim que o perfume do ruivo entorpeceu as narinas do mais baixo. Ai sim, Kyo realmente começou a sentir suas mãos e pernas fracas, seu pescoço úmido de suor e não só suas bochechas, mas seu corpo pegando fogo, ainda olhando para baixo, na direção do ombro de Yagami, tentando realmente não cair em tentação.

Iori não se moveu, sentindo os dedos trêmulos do outro em seu peito... Parecia saber o que Kyo estava sentindo só de olhar para sua pele do pescoço.
O ruivo abaixou seu olhar, vendo os fios quase negros do outro, se recusando a encarar o mais alto. Deu um pequeno sorrisinho satisfeito, e então ergueu seu braço o qual Kyo estava mais próximo, e o envolveu em um abraço delicado pelo pescoço, até que a mão chegasse ao queixo do moreno e o levantasse delicadamente, obrigando Kyo a encarar os olhos rubros e sentir o quão perigosamente sua boca estava próxima da dele.

-... É perturbador, não é?.... Sentir-se tão horrível por fraquejar, e ao mesmo tempo sentir tanto prazer......

Kyo tinha o olho ardendo e a respiração presa de ansiedade quando ouviu aquela voz baixa, grossa e sexy dizendo aquelas palavras que o moreno não conseguia de jeito nenhum discordar...

Tudo sumiu de sua mente em um piscar de olhos, pois o toque dos lábios de Iori pareceu varrer instantaneamente suas preocupações.

O estômago de Kyo embrulhou em um nervosismo que no momento até mesmo se comparou a um virgenzinho que também nunca havia beijado.
E Kyo era o cara mais safado que Benimaru havia conhecido.

Iori colou seus lábios aos dele, depois se separou milímetros para colar novamente dando dois beijos lentos e seguidos, mas nesse último, sugou levemente o lábio inferior do moreno, que parecia cada vez mais tenso e travado, mas estava correspondendo...
Iori passou levemente a língua no lábio dele também e Kyo não sabia se ainda estava inteiro ou se de seu pescoço para baixo havia tudo derretido; ele não sentia.
Depois de viciantes beijos não muito profundos, mas tentadores, o ruivo se afastou apenas o bastante para olhar os olhos excessivamente brilhantes e a face ruborizada e desnorteada do outro, que tinha uma tentadora expressão inocente de prazer.

...mais....eu quero mais....” Kyo pensou desesperado internamente... Mas já havia fraquejado, então não havia porque segurar-se agora... Já tinha conhecimento que os lábios do ruivo eram tóxicos... — ... Mais....... – falou em um sussurro rouco, que o fez até mesmo se envergonhar quando ouviu... Pareceu um gemido.

Iori sorriu em deleite, e já foi se aproximando do moreno de novo.
Kyo estava impaciente agora... Ainda contido, mas eufórico, e permitiu destravar sua mão da paralisia, a subindo lentamente até o pescoço do ruivo e capturando alguns fios enquanto sentia a boca do outro novamente. Mais... Queria mais... E Iori notou sua ansiedade, projetando sua língua para fora nem pedindo passagem, e sim forçando-a na boca de Kyo. E nisso o moreno relaxou seu corpo, encostando ao de Iori que permanecia encostado no carro.

As línguas dançavam, quentes e úmidas envoltas pela respiração pesada de ambos, enquanto giravam as cabeças querendo buscar outros movimentos, outros cantos inexplorados da boca com as línguas sugando e entrelaçando umas nas outras.

Yagami desceu seu braço para a cintura de Kyo, o colando definitivamente ao seu corpo... Mas Kyo estava alheio, tendo olhos (no caso boca) apenas para aquele beijo... Mas seus dois braços já estavam agarrados ao pescoço do ruivo, e seu corpo relaxado contra o corpo dele, que tinha como base o carro de Kusanagi.

Não desgrudaram suas bocas, não antes de no mínimo cinco minutos de beijo... E três quintos desse beijo foi controlado por Kyo, e não mais Iori.

Kyo desgrudou seus lábios lentamente dos do ruivo, ainda de olhos fechados dando um longo suspiro tremido e satisfeito, como um vampiro que se sacia de sangue. Continuou abraçado á ele, ficando com o rosto frente a frente até que abriu os olhos, mal tendo forças para isso e encontrou os rubros olhos profundos do outro, que sorriu com a boca avermelhada ao ver a visão dilatada e estado torpe do moreno.

-... Está drogado.... – falou com a voz baixa, rouca, tentado a atacar de vez o rapaz á sua frente.

Kyo, que olhava para o ruivo, lentamente curvou os lábios em sorriso e fechou um pouquinho os olhos concordando mentalmente com ele... Sentia-se... ‘Nas nuvens’, não exatamente em um tema romântico disso.
Encostou sua bochecha á do ruivo, aliviando um pouco o abraço, nem se importando em ficar todo encostado nele... Mais uma vez respirou e expirou pesado de cansaço e ansiedade.

-.... Eu entendi..... Entendi porque me deu o beijo... – falou com o hálito quente e exasperado, baixo ao ouvido do outro que teve a nuca imediatamente arrepiada.

O ruivo sorriu levemente encostando seu rosto á cabeça do outro. – Parece que entendeu mesmo....

- É alguma vingança... ?

- De forma alguma.... Apenas uma demonstração do que um recém-viciado sente.

Kyo sorriu. Yagami queria viciá-lo com aquele primeiro beijo, e conseguiu. -... Mas.. É diferente...

- ... A substância é diferente.... – O ruivo, alargando o sorriso para si mesmo. Kyo também alargou e riu um pouquinho. — ... Ainda quer me vigiar... ?

Kyo travou um pouquinho. Ainda era difícil admitir, mas agora que realmente provou Yagami, não conseguiria mais ficar muito tempo sem...

-... Quero.... – Revelou baixinho, admitindo o vício.

-... Que bom... – Disse o outro, baixo também e Kyo se surpreendeu pela sua resposta. — ... Confesso que fiquei animado quando notei que você ainda me vigiava... É diferente e interessante... Invertemos os papéis....

- Você.... Gosta?... – Ia encarar o outro, mas desistiu quando viu que estava constrangido.

- Porque acha que eu disse que estou inseguro de viver e que a culpa era sua...?

Kyo ficou calado um bom tempo quando ouviu aquilo, surpreso.

- Nunca imaginei que fosse me acostumar com um Kusanagi... – Completou, usando do silêncio do outro.

Kyo ainda permanecia calado, mas se derretia por dentro... Então, Yagami simpatizou com a implicância, vigia e os cuidados que o moreno havia dado a ele.
Kyo ficou com a respiração mais carregada... Mais ansiosa...

-... E-... Eu soube que... Está alugando um pequeno apartamento..... – Deu uma pequena engolida, carregada. — ...Venha morar comigo....- Tentou parecer racional depois dessas palavras — ... A-ao menos até.. Conseguir comprar uma casa....- O corpo do rapaz estava tenso de novo, e sentia que havia falado uma grande besteira percebendo o silencio do ruivo. -.... Me perdoe........ Esqueça... Eu devo estar drogado mesmo.... – Aliviou um pouco o abraço, desviando o olhar para o chão sentindo-se a pessoa mais ridícula do mundo, esquecendo-se que não se tratava de uma pessoa qualquer a quem estava convidando, e sim Iori Yagami.

- Depende...

O imenso constrangimento de Kyo foi quebrado assim que ouviu as palavras do ruivo, e sentiu ele apertar mais sua cintura dando sinal que não pretendia deixá-lo se afastar.

- D-do que...? – Curioso, com o coração acelerado por Iori não dizer um ‘não’ na cara dele.

- Apenas se não proibir meu consumo...

Kyo fechou a cara tentando se afastar do outro e colocando suas mãos ao ombro dele para empurrá-lo. – Está louco!??? Jamais!! Prefiro que não more comigo, e aliás prefiro que fique longe!!! – Falou um pouquinho mais alto, bravo por Iori ainda querer drogas.

-... Eu não falava daquelas substâncias.... – Sorriu vitorioso, fazendo Kyo estremecer com a lambida que havia acabado receber dele. Mais uma vez o moreno ruborizou repetindo mentalmente a frase do ruivo diversas vezes, sendo impossível não ficar curioso de como ele o .... Consumiria.

Abriu um largo sorriso fechando os olhos e encostou a testa no ombro do ruivo, rindo baixinho.
-... Fechado.... Dessa vez, não vai ter crise de abstinência....

E o ruivo foi movido a rir baixinho, junto com o outro como se tivessem acabado de contar uma piada. Usando todos o transtorno dos dois como se fosse motivo para riso agora.

Iam se afundar no melhor poço que existia... E ‘ai’ de quem proibir o consumo.

FIM

~OoOoOoOoOoOoO~

*Pós Diálogum*

Mei: Aí está!!! Final feliz!!
Kyo:............... Cadê a foda??
Mei: Ai seu insensível!!!! Acabou com a fofura da fic!!!!
Kyo: Porra!! Já é a segunda vez na mesma história que você termina de forma vaga!!!!!!
Mei: Hohohoh! Eu gosto de torturar meus leitores!!!
Kyo: Aaaah!!! E eu aqui com o pau duro na mão depois de imaginar esse beijo, como fico?????
Mei: ........... *mais vermelha que molho pomarola*
Iori: Há!!! Revanche!!!!

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!