Fumetsu no Ai

4 Confissões - Kokuhaku


Aquele momento pareceu uma eternidade. Senti-me nas nuvens. O que senti não há como explicar em palavras ou em frases, pois nem eu sei. Algo me invadiu sem permissão.

Era algo bom.... Sim, realmente era.

Essa sensação e a lembrança — do momento — marcada e gravada em meus lábios foi o que me restou para dizer que realmente aconteceu.

Gakupo me levou até meu irmão, depois que nosso primeiro beijo acabou. Ele parecia alegre. Seu sorriso era muito diferente.

Pensei repetidas vezes no que havia acontecido naquela tarde. Meu coração acelerava, eu não parava de sorrir. Estava alegre, não sabia exatamente o porquê, mas estava. Brinquei com Len antes de ir dormir. Havia sido um dia para nunca mais ser esquecido e guardado com todo o zelo e carinho.

Quando eu estava me trocando, minha mãe apareceu em meu quarto. Ela me ajudou a trocar de roupa e conversamos, como há muito tempo não fazíamos.

-Seu pai ficou muito orgulhoso de você, Rin.

-Pelo que Okaa-san?

-Ele encontrou com o sr Kamui e seu filho a noitinha, antes de vir para casa. O rapaz falou muito bem de você, que o agradou de forma inimaginável. Ele gostou muito de você, Rin. Minha musume, finalmente a sorte nos sorriu. Não sabe o quanto orei para que desse tudo certo. Afinal, aquele rapaz não é o tipo que se agrada fácil, pelo que sabíamos, ele não se interessava por nenhuma moça. Sei que exigimos muito de você em pouco tempo, mas estamos tão orgulhosos que tenha conseguido e por ter esta disposição em fazer esse sacrifício pela sua família.

-Okaa-san. – eu a abracei. – Não é sacrifício. Faço de coração. Vocês são minha família. Além disso, ele é um homem maravilhoso e muito respeitável. Tratou-me com muita cortesia. Porém... Sinto que por um momento fui capaz de ver através dele. De conhecer o que ele quer esconder através da sua máscara de perfeição.

-Como assim Rin?

-Ele é sozinho... Seus olhos demonstram uma solidão incalculável, um desejo por afeição. Ele não conhece o amor que nós conhecemos. E é por isso que desejo tanto me casar agora. Quero mostrar a ele como é ser amado por alguém, ter afeição de outra pessoa.

-Mesmo que ele não demonstre isso por você?

-Mesmo que ele não demonstre isso. Mesmo que ele não me ame, mesmo que nunca toque em mim, eu quero fazer isso. Sinto-me no dever de fazer isso. E se ele não me amar, é uma conseqüência. Afinal é um casamento arranjado, mas nem por isso me darei por vencida.

-Essa é a minha musume. – Mamãe me beijou com ternura e saiu. Não demorou e Len entrou em meu quarto.

-Vamos me conte... O que a deixou tão feliz?

-Do que está falando nii-san?

-Ora Rin, acha que eu sou bobo? O que ele te fez que a deixou tão radiante?

Aproximei-me e falei baixo.

-Promete que não conta para ninguém?

-E quando foi que eu trai uma promessa nossa? Vamos conte.

-Ele me beijou.

-O que? –Len falou em um tom de voz elevado, bati nele para que voltasse a si. Então continuou. – E deixou-o fazer isso?

-Não tinha porque recusar. Sinto-me tão bem, como se algo novo começasse a brotar dentro de mim. É uma sensação tão boa.

-Huf...

-Que foi?

-Estou com raiva dele.

-Por que?

-Porque acho que ele acaba de roubar a minha irmã verdadeiramente de mim!

-Ah Len... – eu o abracei. Meu irmãozinho sempre querendo me proteger. – Você nunca vai me perder.

-Bom mesmo.

Dormimos juntos, como sempre fazíamos. Papai ficava bravo, mas acabava deixando e não falando nada quanto a isso.

Longe de nossa casa, das ruas e vielas desertas, perto da colina e do bosque de cerejeiras, onde uma bela mansão se erguia, meu futuro marido fitava a Lua.

-Gakupo-san... Está na hora de ir dormir, não?

-Kaito-kun... Logo irei... É que...

-Você parece muito feliz onii-san.

Uma menina de cabelos verde esmeralda aparecia e pulava nas costas de Gakupo, era sua irmã mais nova, Kamui Miku, mas que logo viria a se chamar Hatsune Miku, devido ao seu casamento com Hatsune Kaito, amigo de infância de Gakupo, que estava como hospede na casa dos Kamui. E só voltaria para Edo depois do casamento do amigo, o qual foi avisando naquele mesmo dia, quando chegou de viagem.

-Isso tudo é porque encontrou sua noiva?

-Miku... Vá para cama antes que eu seja obrigado a lhe amarrar lá.

-Cruel... Onii-san.

-Vai.

A garota saiu emburrada, batendo a porta.

-Ela vai lhe dar trabalho Kaito-kun.

-Tudo bem, já me acostumei... Mas me diga... O que há de especial na sua futura noiva?

-Ela tem cabelos loiros como o sol, um toque caloroso, olhos azuis... E foi capaz de descobrir o que eu escondo dentro da minha alma. Foi como se ela soubesse o que eu carrego aqui dentro. – ele colocou a mão sob seu coração.

-Fala dos seus sentimentos ocultos? Aqueles que nem eu sei a razão ou quais são... Mas sei que existem porque sou seu amigo há muitos anos.

-Sim... Mas enquanto você não foi capaz de descobrir em todos esses anos... Em apenas poucos minutos, uma jovem conseguiu me ler como um livro aberto. Ela realmente é preciosa Kaito... Caso contrário na seria capaz de fazer isso tão facilmente. Quero esse casamento o mais rápido possível. Não irei deixá-la escapar.

-Acho que você está completamente encantado por essa jovem. Quero conhecê-la assim que possível.

Gakupo fitou Kaitou com um olhar obscuro.

-Irá conhecê-la... Mas no dia em que nos casarmos, quando nenhum outro homem poderá a tirar de mim.

Kaito o fitou. Ele entendia vagamente o que acontecia com seu amigo.

Mas não sabia que o coração dele pertencia inteiramente a mim, já depois do nosso primeiro beijo...

E nem que o meu pertencia a Gakupo... Para todo o sempre.