Fumetsu no Ai

6 Casamento - Kekkonshiki


Notas iniciais
Desculpem o capitulo meio gigante, fazia tempo que eu não escrevia por isso ele ficou meio grande, já que eu acabei empolgando e colocando diversas cenas. espero que gostem.

Depois dessa tarde, não nos vimos mais...

Eu só esperava aqueles dias intermináveis passarem, era doloroso. A brisa não tinha mais a mesma reação em minha face, era como se tudo ficasse nublado aos meus olhos. Eu me sentia sozinha, mesmo estando com a minha família.

Tudo isso pela falta dele?

Sim... Eu me sentia esquecida, como se ele não se lembrasse que eu existia. Que eu estava esperando por ele.

Gakupo, você foi cruel.... Muito cruel comigo.

Os dias passaram lentamente, e isso me entediava. Len não compreendia minha súbita mudança de humor, até pra ele eu estava estranha. Mas como explicar que me faltava naquele momento? Como por em palavras as sensações inexplicáveis do meu coração? Como resumir a falta que aquele homem me fazia? Como alguém que eu conhecia a pouco tempo era capaz de fazer isso comigo? Capaz de me levar a loucura por não estar perto?Eu não entendo. Eu não sabia o que fazer...

Nos últimos dias queria chorar de tanta angustia. Ele havia esquecido de mim. Sim era certo! Pra que um homem feito como ele iria querer se casar com uma criança como eu? Acho que tudo não passou de um erro, de um trote de muito mau gosto. Len percebeu a minha angustia e ficou comigo, enquanto eu chorava em seu colo até adormecer. Depois ele saiu, sozinho, mesmo sendo noite.

Ele caminhou por muitas ruas até chegar ao bosque das cerejeiras, havia mais alguém lá.

-Você está aqui seu desgraçado!

O homem o fitou, seus cabelos longos se esvoaçaram com o vento. Ele se afastou da arvore em que estava encostado. Len mordeu os lábios e investiu contra ele.

-Você a fez chorar quase a noite toda. Por que a abandonou? Se não a quer fale logo, não a torture!

O homem franziu o cenho e com movimentos rápidos terminou por deixar meu irmão estendido no chão, com uma espada apontada sobre o seu rosto.

-Eu nunca a abandonaria. Minha intenção nunca foi a de fazê-la chorar. Eu a quero mais que tudo, e não é você, moleque, que irá mudar isso. Sua tarefa é há de protegê-la acima de tudo e de todos. Está era a sua missão e continuará sendo mesmo depois que eu me casar com ela! – Gakupo se aproximou de Len. – Você é o único a quem eu a confiaria, por isso nunca traia a ela... Afinal eu sei que você não gosta de mim, mas faça isso por ela. Se você a trair eu mesmo me encarrego de matá-lo, moleque!

-Ela é minha irmã eu jamais a trairia e, além disso, não fui eu quem a fez chorar porque não dou noticias!

-Ela terá noticias minhas... Afinal amanha é a véspera do nosso casamento.

Gakupo recolheu sua espada e saiu andando, até sumir da vista de Len.

Meu irmão voltou para casa, sem ter a vingança das minhas lágrimas, mas sabendo que logo eu estaria bem novamente, talvez isso o deixou tranqüilo. Porém, por um lado ele não parou de pensar nas palavras que lhe foram ditas.

Para o Len, ainda mais depois deste encontro, era questão de honra me proteger a todo custo.

Ele não admitiria perde... Eu sei que não.

No dia seguinte, meus olhos estavam meio inchados por ter chorado tanto. Quando cheguei para tomar café, tive uma surpresa ao abrir a porta.

-Bom dia Rin.

Não saia exatamente nada da minha boca, embora ela estivesse entreaberta. Meu pai me fitou um tanto nervoso.

-Rin que modos! Seu noivo está aqui para levá-la a um passeio e a tarde vão começar os preparativos para o casamento, então pode, por favor, ser mais educada e sentar-se, tomar seu café para poder sair? É ruim deixar o noivo esperando.

-Por favor, Kagamine-san. Não tenho pressa alguma, aprecio que minha noiva tome seu café-da-manhã, tranqüila.

-Mas Kamui-san....

-Meu pedido não é suficiente para o senhor, Kagamine-san? – Gakupo fitou meu pai com olhos frios. Senti como se minha alma congela-se.

-Perdão Kamui-san, seja como desejar.

Meu pai ficou estático, como era de se esperar. Às vezes Gakupo me dava muito medo, principalmente quando vi aquele olhar gélido. É como se minha alma e meu corpo fossem acorrentados e jogados na mais profunda escuridão. Sim, me dava muito medo. Tomei meu café-da-manhã de forma aparentemente tranqüila, mas não muito demorada.

Depois disso saímos, acompanhados por alguns samurais, eram da guarda pessoal dele. Afinal, ele era alguém muito importante, então podia ser alvo de ataques. Mesmo com toda a sua imponência.

Logo, chegamos ao bosque de cerejeiras, ela ainda estava lindas. Gakupo dispensou os samurais, e seguimos só nós dois o restante do percurso até o lago. Chegando lá, havia um barco nos esperando.

Cuidadosamente, ele me ajudou a subir e a me sentar. Era um barco simples, mas confortável.

Gakupo o empurrou e depois subiu. Remou um pouco até chegarmos mais ou menos no meio do lago. Eu olhava em volta. Nunca tinha visto os peixes tão de perto, e as flores de sakura estava tão belas na superfície da água, parecia um quadro monumental.

-Rin.

-Hum? – Eu o fitei. De súbito ele se aproximou de mim, achei que fosse me beijar, mas Gakupo só me olhava.

-Seus olhos estão inchados. Por que chorou Rin?

Estava tão visível assim? Com certeza.

-Não é nada de especial.

-Como assim não é nada de especial?! Porque seus olhos estão inchados dessa forma então? Se não há motivo, não precisava ter chorado!

Ele se exaltou, eu me encolhi. Meus lábios estavam trêmulos.

-Eu... Eu... Eu... sentia a sua falta... Por isso... Por isso... não consegui conter as minhas lágrimas. Achei que você tinha se esquecido de mim, não me deu noticias depois do nosso encontro na sua casa. Achei que fosse um brincadeira de mau gosto.

-Baka.

Ele me abraçou forte.

-Acha mesmo que eu seria capaz de tamanha crueldade com um ser tão puro? Rin... Claro que não, você é a coisa mais importante para mim. Eu nunca irei te deixar, entendeu?! – ele falou isso apertando meus braços e olhando diretamente nos meus olhos. – Eu te disse, você é minha e nunca mais vou te deixar ir embora!

Ele me soltou e suspirou, voltando a sua calma inicial.

-Eu não lhe dei noticias porque havia viajado para uma cidade do interior, a pedido do meu pai, para convidar oficialmente alguns parentes e amigos íntimos da família. Embora eu aprecie algo fechado com pouca gente, assim não teria que ficar dividindo você com os demais.

Minha face corou. Gakupo sorriu, pela primeira vez naquele dia. Era como se ele fosse capaz de sorrir somente quando eu estivesse perto. Era tão mágica essa sensação.

-Isso não se faz Gakupo-san. Devemos...

Ele se aproximou de mim subitamente de novo.

-É Gakupo, Rin... Só Gakupo.

Minha respiração acelerou. Ele me beijou.eu acabei pendendo para trás, e Gakupo fez um movimento brusco para não cair em cima de mim. O barco mexeu e acabou virando.

Caímos na água, estava meio fria e eu não sabia nadar.

Se ele não estivesse ali, com certeza eu teria morrido afogada.

Mas ele estava, e me salvou. E eu desmaiei, sim eu sou fraca pra essas coisas ainda mais pelo susto de não saber nadar.

-Gakupo-sama... Rin-sama... Está tudo bem?

Gakupo estava comigo nos braços, seus samurais ouviram o barulhão e vieram correndo para saber o que se passava. Nada mais racional.

-Sim, está.

Meu noivo era tão quente, me sentia completa perto dele e protegida.

Ele me levou até sua casa. Foi comigo no colo. As pessoas olhavam e achavam aquilo no mínimo estranho.

Após entrarmos, ele seguiu até seu quarto.

-Senhor Kamui.

-Providencie roupas secas para mim e para a minha noiva. E prepare um banho quente.

Depois de dizer isso ele fechou a porta. A empregada não demorou a trazer as roupas secas.

-Senhor, permita-me....

-Apenas deixe as roupas e me avise quando o banho estiver pronto, não é necessário que faça mais nada.

A mulher engoliu seco.

-Hai.

Ela deixou as roupas e saiu, fechando a porta.

Gakupo abriu minhas vestes e lentamente as retirou, se eu estivesse acordada ficaria completamente envergonhada... Não só isso ficaria com medo também... Afinal eu sou uma garota não é... Não me sentia pronta para fazer... Vocês sabem....

Ele enxugou meu corpo molhado e secou meus cabelos. Então me vestiu com um kimono branco e me colocou em sua cama. Não fez nada, além disso, não me tocou ou violou... Ele realmente era um bom homem.

Em seguida, Gakupo se despiu e se enxugou, foi quando eu acordei e vi seu corpo nu de costas, embora seu cabelo estivesse solto – não possibilitando qualquer visão -. Ele se virou e me viu sentada. Pela primeira vez, acho, eu o vi envergonhado, tanto é que rapidamente se vestiu com um kimono branco como o meu.

Lentamente, eu me levantei e me aproximei, sentando perto dele.

-Etooo.... Gakupo...

-Antes que pergunte, não fiz nada.

Foi quando eu descobri que ele havia trocado as minhas roupas, enrubesci no mesmo instante. Abaixei a cabeça. Era realmente tão vergonhoso que ele tivesse visto o meu corpo. Afinal eu não tinha nada de grande exuberância. Eu era só uma garota normal, além de que, ainda não havíamos nos casado.

-Penteie meus cabelos, Rin.

Gakupo me estendeu um pente, eu o peguei e comecei a pentear. Seus cabelos eram macios e tão bem cuidados, sentia até um pouco de inveja.

Realmente parecia que tudo nele era perfeito, embora isso não fosse realmente verdade, por fora ele podia ser prefeito, mas por dentro ele carregava uma dor muito grande.

-Obrigada... Por cuidar de mim...

Ele virou-se para mim.

-É meu dever como seu noivo... e quanto a sua roupa, me perdoe, mas não suporto que outra pessoa lhe toque na minha presença. Eu me senti culpado por te colocar em risco também, por isso devia cuidar de você e fazer tudo o que fosse possível para que ficasse bem. Logo o banho estará pronto e você poderá se esquentar.

-Acho que você viu que não tenho nada de exuberante. Meu corpo é normal.

Falei isso com a cabeça abaixada, fitando minhas mãos.

Gakupo me puxou e me forçou a olhar para a sua face. Estava com o cenho franzido... ele estava irritado.

-Não há nada de errado com o seu corpo Rin! O que é isso agora? Acha que só porque você tem 16 anos eu vou desistir desse casamento? Não foi você quem disse que queria se casar comigo? Esta voltando atrás por quê? Você é perfeita para mim, em tudo. Entendeu-me? Não preciso de outra mulher que não seja você, então pare com essas falas!

Ele acariciou minha face e sorriu.

-Não importa se você tem algo de exuberante ou não, o que importa é que vamos nos casar amanha e ponto final.

É ele sabia como me colocar nos eixos e me deixar tranqüila...

Realmente ele era o homem perfeito pra mim... e eu queria ser perfeita para ele também.

Dormi na casa dele, como me foi solicitado. Na manha seguinte tudo estava pronto.

A cerimônia foi longa e demorada. Vou dizer que também foi exaustiva, como essas coisas podem durar tanto tempo? Mas o que importava é que depois dela, nos dois estaríamos casados e eu finalmente poderia fazê-lo feliz. Acho que foi esse pensamento que acalmou meu coração e me deu forças para agüentar até o fim da cerimônia.

Depois que finalmente terminou, houve a festa até altas horas. Muita conversa, bebida, musica e comida a vontade. Foi muito divertido. Finalmente conhecia a irmã mais nova de Gakupo, Miku e seu futuro marido, Kaito. Foram muito amigáveis comigo. E Miku queria me abraçar o tempo todo, dizendo que eu era fofinha. Realmente ela parecia ser mais velha que eu... Isso me trouxe a pergunta: quantos anos Gakupo tinha?Eu nunca havia perguntado. Eu o fitei, ele conversava com alguns convidados. Ele sorriu e veio até mim, me levando para um lugar menos tumultuado.

-Logo isso acabara e poderemos descansar... Você está bem Rin?

-Hai...

-Agora me diga... O que deseja me perguntar.

Fiquei espantada, como ele sabia que eu queria fazer uma pergunta a ele? Era como se ele fosse capaz de ler através de mim. Tomei coragem, acredite perguntar essas coisas pode ser mais difícil do que parece.

-Gakupo... Quantos anos você tem?

Ele riu, eu não entendi o porquê da graça e fiquei emburrada.

-Desculpe Rin.... Mas é que achei que nunca perguntaria isso... Tenho 23 anos... sou 7 anos mais velho que você... Espero que isso não lhe incomode.

-Não. De forma alguma... é que...a Miku-san é sua irmã mais nova e parece ser mais velha que eu.

-De fato ela é, tem 18 anos. Embora tenha a personalidade de uma criança de 5 anos.

-Que cruel falar assim.

-Mas é verdade.

Emburrei, realmente não gostei do comentário. Afinal era a irmã dele, como podia falar algo assim. Odiaria que o Len falasse isso de mim. Gakupo se aproximou e puxou meu queixo, colocando meu rosto perto do dele.

-Sabe que eu posso tirar essa sua cara de emburrada rapidinho, não é?

De fato...

Ele me beijou em seguida.

A festa continuou por mais algumas horas, até finalmente podermos nos recolher.

Mas havia algo...

Eu não estava pronta para me tornar definitivamente uma mulher...

Como dizer isso a ele?