Fumetsu no Ai
9 A Tempestade Começa – Arashi no Kaishi
Meus dias, realmente, eram perfeitos.
Talvez, uma pessoa como eu não merecesse tamanha felicidade.
Se fosse um sonho, não queria acordar jamais.
A primavera estava chegando ao seu fim. E eu começava a me acostumar com toda a minha nova rotina, já não havia mais tristeza... Não havia mais incertezas.
Sim, realmente, esses dois sentimentos foram embora com as pelas pétalas de cerejeira... Acho que desejo uma nova estação das flores... É tão perfeita, tão sublime... tão, simplesmente, única.
Pena...
Mas precisaria esperar mais alguns longos meses para que ela volta-se. Porém, tendo meu marido comigo... Tendo Gakupo ao meu lado, a espera não seria amarga... Seria tão doce quando o mel.
Mas... Não estava tudo tão bem... Pelo menos nos últimos dias.
Embora não parecesse, ele estava mais sério do que de costume. Comecei a ficar preocupada. Porém, por outro lado, tinha medo de perguntar, às vezes até de me aproximar... Não queria que brigássemos... Tinha medo que brigássemos.
Mas queria compreender o porquê daquela seriedade dele. Meu coração se apertava.
Não passávamos mais tanto tempo juntos... Ele mal dormia... Eu não sabia o que fazer... Não sabia.
Numa noite, já era madrugada quando ele finalmente veio se deitar. Sentei-me na cama e o fitei, enquanto se trocava – de costas para mim -. Nada falei... Somente o observei.
Quando ele finalmente se virou, se deparou com a minha face um tanto agoniada. Percebi que ele parecia triste... Meu coração se apertou. Não consegui mais fita-lo, somente me deitei novamente. Lágrimas verteram pelos meus olhos. O que eu tinha feito de errado agora?
Escutei a voz dele baixinho.
-Rin... Desculpe-me.
Não respondi. Escutei ele se deitar e dormimos assim. Como se houvesse uma parede enorme entre nos dois.
Na manhã seguinte, ao enquanto tomava café, conversava com Miku-san e Kaito-san. Falávamos de um festival do final da primavera. Seria logo mais a noite, tudo já estava sendo preparado.
Gakupo chegou, meu coração apertou, mas respirei fundo. Fitei-o com um sorriso. Ele retribuiu com um olhar meio melancólico.
Servi seu café. Miku-san e Kaito-san saíram.
-Vai haver um festival na cidade. – Falei com voz tremula.
-Sim, eu sei. – Ele me respondeu com uma pitada de melancolia.
-Nós podíamos... Não melhor deixar pra lá. – balancei a cabeça, era uma idéia boba para tentar me reaproximar dele.
-Podíamos o que Rin?
-Não, nada, esqueça, você anda ocupado com seu trabalho, não quero lhe atrapalhar.
Encolhi-me, fitava a mesa. Ele pausou seu olhar sobre mim.
-Você quer ir? Pode ir. Sabe que pode fazer o que quiser.
Abaixei a cabeça. Murmurei, então, baixinho.
-Mas eu queria ir com o Gakupo.
Pra minha surpresa ele ouviu.
-Tudo bem, vamos juntos... Sei que não tenho lhe dado tanta atenção.
Eu sorri, ele deve ter achado graça.
A tarde pareceu uma eternidade para passar. Mas quando a noite chegou, eu não conseguia não demonstrar a minha felicidade. Trajava um kimono verde claro com pequenos detalhes em rosa claro, Gakupo estava com roupas cinzas. Eu e Miku-san nos divertíamos enquanto ele e Kaito-san somente nos vigiavam.
-Está tudo bem Gakupo-san? – Kaito perguntou baixo.
Um vento soprou, ele olhou para o templo de forma séria.
-Sim... Vou ir ao templo cuide das meninas.
Assim ele se afastou, eu notei, mas não falei nada. Fiquei triste... Mas não podia prendê-lo ali.
Gakupo subiu as escadarias do templo e foi até a fonte que ficava atrás deste. Com um movimento rápido ele subiu no telhado e fitou as arvores.
-Muita audácia sua aparecer aqui. – falou com voz seca e firme.
Cabelos longos e rosas surgiram dentre as folhas. Uma roupa preta de ninja. Uma voz melodiosa, mas violenta ecoou.
-Mas que recepção para uma velha amiga.
-Acho que houve um erro... Não existe nenhuma amiga na minha frente... Somente uma mulher qualquer.
-Como você é frio Gakupo, não era assim há alguns anos atrás.
-Esse passado está morto... Luka.
A mulher investiu contra ele, Gakupo repeliu e partiu para o contragolpe. Um luta rápida se seguiu, com investidas, golpes e boas defesas. Até que eles abriram uma distancia considerável um do outro. Um bando de ninjas negros a cercou, protegendo-a.
-Está em desvantagem. – Disse ela, com voz superior.
-Será? – Gakupo sorriu irônico. Ninjas vestidos de azul o cercaram.
-Você reuniu os Sakura no Kaze... Então já sabia que eu viria.
-Eu sempre estou um passo a frente de você Luka.
Ela riu debochada.
-Isso é o que veremos depois que eu acabar com os nobres e com a sua família... Soube que se casou... Sua esposa pode dar uma bela bonequinha pros meus ninjas.
Gakupo se moveu rápido. Quando Luka percebeu ele estava com uma lâmina sobre o seu pescoço e seus ninjas caídos no chão.
-Se tocar num fio de cabelo dela. Eu mato você.
Ele se distanciou e saiu, os Sakura no Kaze fizeram o mesmo. Deixando a mulher sozinha com seus ninjas.
-Isso é o que veremos.
Gakupo voltou para o festival. Quando o vi não falei nada. Voltamos todos para casa. Fui direto para o quarto. Gakupo foi atrás de mim. Fechou a porta logo após que entrou.
-Rin...
-O que eu fiz de errado? O que eu fiz de errado?
Perguntei chorando para ele.
Ele me abraçou.
-Não.... Você não fez nada de errado.
-Porque está tão distante então? Porque vai embora... Porque não olha mais pra mim?
-Rin... Confie em mim... Eu tenho um problema sério nas mãos... Esta difícil de resolver, mas logo eu o resolverei... Desculpe-me por te deixar assim. Por ficar distante. Eu realmente fique perturbado com o que esta acontecendo.
-Eu não posso te ajudar?
-Pode ficar ao meu lado... Assim você já me ajuda... E não tem nem noção de como.
-Eu falei que eu ficaria com você pra sempre... Então não precisa pedir.
Eu o fitei com meus olhinhos azuis, ele me retribuiu o olhar. Eu o beijei.
Eu sabia que ele estava preocupado, só não sabia do por que.
Havia alguém... Que o perturbava.
Aquela mulher... Ela era a razão dos tormentos dele.
A tempestade estava prestes a começar.
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