Fugue

3 Capítulo 3


Emma sentiu os acontecimentos das quarenta e oito horas anteriores finalmente pesando sobre seus ombros quando desabou na cadeira diante da escrivaninha próxima do suporte onde antes estivera o espelho mágico de Ingrid. Ela não estava nada feliz com o rumo que as coisas estavam tomando; Ingrid morta e Elsa a abandonado para retornar a Arendelle: ambos somados ao seu intenso cansaço estavam-na tornavam muito carrancuda.

Era irônico pensar que a pessoa destinada a dar finais felizes a todos não podia ter o seu verdadeiro amor. Talvez esse fosse o preço a pagar pelo seu trabalho: sempre os outros, nunca você mesma; era algo importante demais para que Emma fosse egoísta, as pessoas precisavam dela. E, mesmo se não precisassem, ela não podia largar tudo e ir para Arendelle com Elsa. Henry estava ali, e era responsabilidade dela cuidar dele, isso era algo do qual ela abdicara por muito tempo, e se arrependera de tê-lo feito.

Não, Emma precisava permanecer em Storybrooke. Não deveria pensar naquilo agora, entretanto; não deveria pensar naquilo nunca; em sua vida aprendera a não dar muita atenção a coisas que não tinham solução. A partida de Elsa não tinha solução: ela precisava retornar para Arendelle e Emma ficar em Storybrooke. Não havia nada mais a ser pensado a respeito.

Ela não precisava de seu verdadeiro amor para ser feliz, afinal. Sempre soubera disso: a única pessoa necessária para que ela tivesse um final feliz era ela mesma. Deveria limpar completamente a sua mente de Elsa e seguir em frente.

Olhando ao redor, a Salvadora começou a se perguntar se também seria capaz de conjurar e manipular gelo; nunca vira Regina ou Gold usando esse tipo de mágica, mas não sabia se isso se devia à inabilidade de ambos. Talvez devesse perguntar a Elsa como a magia dela funcionava, não seria ruim ter alguém capaz de usar esse tipo de magia em Storybrooke quando a rainha de Arendelle os deixasse.

Quando Elsa a deixasse.

Emma deixou escapar um suspiro e se levantou, decidindo que não seria capaz de desviar seus pensamentos de Elsa daquela maneira. Começou, então, a mexer nas coisas de Ingrid, sabendo que a falecida Rainha da Neve talvez quisesse que sua antiga filha adotiva tivesse algo que pertencera a ela consigo.

Abrindo uma gaveta, Emma encontrou o avental que se lembrava de Ingrid emprestar às crianças das quais cuidava quando elas decidiam cozinhar com ela. Pôde reconhecê-lo não apenas por seu tamanho, mas também porque era cheio de manchas de comida, algumas das quais a própria Emma se lembrava de criar. Com um sorriso nos lábios provocado pelas lembranças, Emma colocou o avental de lado, decidida a levá-lo consigo, e retomou sua busca.

Enquanto o tempo passava lentamente, a Salvadora se viu decepcionada que ninguém tivesse procurado por ela ali, muito embora ela tivesse ido àquele lugar especificamente por sua improbabilidade de ser localizada. Ainda assim, uma parte de Emma lamentava que ninguém a conhecesse bem o bastante para simplesmente adivinhar o seu esconderijo.

Emma se perguntou quando se tornara tão contraditória. Sempre se orgulhara em ser uma pessoa prática, mas as coisas pareciam se misturar de um jeito estranho dentro da cabeça dela desde que chegara em Storybrooke. Talvez fosse a convivência com seus pais biológicos mexendo com ela; afinal, a bondade e crença dos dois um no outro a inspiravam.

Por fim, Emma abriu a última gaveta, aquela localizada na escrivaninha onde antes estava o espelho com a maldição. Ali, ela encontrou um anel de aro fino prateado enfeitado com uma pedra central lápis-lazúli; a loira se lembrava de ver Ingrid usando todo dia enquanto estava no mundo sem magia, mas que não se recordava de ver mais recentemente, em Storybrooke. Ela tocou o anel com curiosidade e sentiu uma brisa gelada trespassando-a. Magia.

“Você não devia tocar em objetos mágicos desconhecidos,” disse uma voz conhecida à porta da caverna. Quando Emma se voltou, ela encontrou Regina parada ali com um ar de descontração irritante.

“O que está fazendo aqui, Regina?” Perguntou Emma, sem se importar em ser educada com a antiga rainha má.

Regina ergueu as sobrancelhas, como quem não acreditasse que Emma precisasse realmente daquela resposta. Bom, ela não precisava, de fato; sabia que Regina só podia estar ali procurando por ela.

“Elsa me pediu para vir te buscar. Por algum motivo que foge à minha compreensão, ela parece pensar que somos amigas,” falou a morena, aproximando-se e pegando o anel antes que Emma pudesse impedi-la. “Que interessante, parece que a aquela Rainha da Neve armazenou um pouco da magia dela nesse anel. Como você provavelmente não sabe, pode-se usar a magia de um objeto mesmo no mundo sem magia. Esperto.”

“Regina, pode parecer um pouco surpreendente, levando em conta onde estamos, mas eu realmente não estou afim de ter companhia agora. Não é nada pessoal, é claro,” disse Emma e pegou o anel das mãos de Regina, que novamente a encarou com uma expressão de surpresa.

“Ora, então você sabe usar sarcasmo? Talvez você não seja um caso completamente perdido, Srta. Swan,” disse Regina, sorrindo.

“Obrigada?!”

Emma e Regina se encararam por um momento, enquanto a loira esperava que a outra mulher a deixasse sozinha novamente; afinal, deixara claro que era aquele o seu desejo. A morena, entretanto, não se moveu e, após alguns segundos, Emma apenas deu de ombros e se sentou diante da escrivaninha de Ingrid, novamente examinando o anel, decidindo-se se o manteria consigo.

“Você provavelmente sabe que seus pais estão virando a cidade abaixo tentando encontrá-la,” disse Regina. “Não que eu seja oposta a deixar seus pais loucos, mas a sua namoradinha está louca de preocupação, e você sabe como monstros de neve gigantes tendem a aparecer quando ela fica nervosa.”

Emma olhou para Regina boquiaberta. Como a antiga Rainha teria descoberto aquilo? Seus pais saberiam também? Teria Killian descoberto que se tratava de Elsa e contado a todos? Aquela perspectiva lhe parecia muito improvável, mas a única pessoa que sabia que havia algo entre ela e a rainha de Arendelle era Anna, que sequer conhecia Regina.

Talvez a própria Elsa tivesse contado a todos, embora Emma não conseguisse visualizar a outra mulher descrevendo o relacionamento complexo entre as duas como um namoro.

“Como- como você-?”

“Henry.”

Emma precisou de mais alguns segundos para absorver o significado daquela única palavra.

“Henry? Como Henry sabe?” Emma perguntou, por fim.

“Não sei, ele é um garoto perceptivo, como você deveria saber,” respondeu Regina, dando de ombros. “De todo modo, não deve ter sido muito difícil descobrir, morando naquele lugar minúsculo com todos vocês. E Elsa praticamente confirmou quando me pediu para vir te buscar.”

Emma deixou escapar um suspiro resignado e voltou a encarar o anel, forçando-se a não pensar na decepção que sentia por Elsa não ter ido pessoalmente buscá-la.

O anel era uma coisa pequena que ela podia ter consigo o tempo todo; além disso, possuía a magia de Ingrid encerrada em si. Embora fosse um objeto mágico e, portanto, perigoso, era também a lembrança perfeita da falecida Rainha da Neve. Emma o colocou no dedo indicador da mão direita.

“Bom, quando estiver pronta,” falou Regina, quando ficou evidente que Emma não diria mais nada. “Eu realmente gostaria de estar em casa hoje à noite.”

“Você pode voltar e dizer a Elsa que eu estou bem,” disse Emma, ainda encarando o anel. "Não quero ver ninguém nesse momento. Obrigada."

“Emma, você sabe que fugir dos seus problemas, sejam eles quais forem, não vai resolvê-los,” disse Regina.

A Salvadora respirou profundamente duas vezes, se esforçando para conter a vontade de socar Regina. Ela não queria receber a companhia da outra mulher naquele momento, muito menos se ela fosse passar aquele tempo dando-lhe conselhos. A morena pareceu perceber a irritação de Emma, porque deu um passo em direção a Emma e segurou o ombro dela com firmeza, tentando transmitir-lhe conforto.

“Não há nada que te impeça de se encontrar com Elsa, Emma. Gold achou um portal para Arendelle na casa de um feiticeiro aqui em Storybrooke. Você só precisará ativá-lo de tempos em tempos, mas provavelmente Gold pode ensiná-la a fazer isso, desde que você o convença,” disse Regina.

Emma encarou a outra mulher por um momento, tentando se decidir se ela estava brincando; ela pôde ler, entretanto, a verdade no rosto de Regina. Um portal permanente para Arendelle! Por um momento, a mulher não soube como lidar com aquela informação; logo em seguida, no entanto, ela sentiu um desespero imensurável para se encontrar com Elsa.

Levantou-se de uma vez e, pegando o avental que deixara no chão, rapidamente rumou para a porta da caverna, parando apenas para urgir Regina a acompanhá-la.

Sorrindo, a morena seguiu Emma de volta para Storybrooke.

Elas encontraram Elsa e Anna sozinhas na delegacia, sentadas lado a lado, conversando. Kristoff, ela percebeu logo em seguida, estava andando por aí e mexendo em tudo com curiosidade. A rainha de Aredendelle sorriu claramente aliviada ao ver Emma entrar com Regina, e a Salvadora não pôde deixar de sorrir em retorno, pensando que talvez não estivesse tudo perdido.

“Huh, talvez seja melhor eu ir procurar os outros para dizer que Emma está à salvo e tudo mais,” disse Anna, parecendo muito desconfortável enquanto se levantava e puxava Kristoff para fora dali.

Regina olhou para a outra mulher saindo com pressa e deu de ombros, decidindo que também não queria ficar ali naquele momento. De todo modo, precisava procurar por Henry antes que ele se metesse em alguma confusão na tentativa de encontrar a sua mãe biológica. Com um aceno de cabeça para Emma, ela saiu também.

Emma se aproximou e sentou-se na cadeira que Anna ocupara anteriormente, ao lado de Elsa. A Salvadora estendeu a mão e segurou a da outra mulher com firmeza, entrelaçando os seus dedos no dela e acariciando-a com o polegar; ela não sabia por onde começar a falar, entretanto.

“Killian contou a todos nós que você terminou o namoro com ele hoje mais cedo,” disse Elsa, por fim, com a voz rouca, o sorrindo morrendo em seus lábios. “Está tudo bem com você?”

“Eu me sinto mal por tê-lo machucado, mas estou bem,” respondeu Emma, incapaz de desviar os olhos dos de Elsa. “Elsa, eu sinto muito por ontem à noite, eu não devia ter fugido de você.”

Elsa pareceu pensar por um momento antes de balançar a cabeça negativamente e repousar a sua cabeça no ombro de Emma.

“Eu sei como ninguém como é essa sensação de que o melhor é se isolar e não confiar em ninguém, mas eu espero que você confie em mim quando eu digo que farei tudo para que o que temos dê certo,” falou Elsa, apertando a mão de Emma com firmeza contra a sua. “Nem mesmo a distância entre os mundos pode impedir quem tem amor verdadeiro, é a magia mais poderosa em qualquer mundo.”

A Salvadora sentiu seu coração disparando quando Elsa levou a mão dela até os seus lábios e a beijou com carinho.

“Regina me falou sobre o portal para Arendelle, e eu estava me perguntando se você me deixaria ir com você, ajudá-la a reconquistar o seu reino,” disse Emma, se afastando e usando a mão livre para tocar suavemente o rosto de Elsa. “Eu não posso ficar para sempre em Arendelle, tenho que voltar para o Henry, mas talvez possamos voltar juntas quando o seu reino estiver em paz. Nós visitaríamos a sua irmã sempre que possível, é claro.”

Elsa sorriu novamente, por fim, e assentiu.

“Não há nada que eu deseje mais, Emma,” falou, e inclinou-se para beijar a outra mulher nos lábios, desvencilhando-se de ambos os toques dela para passar as mãos sobre os ombros dela.

O beijo começou suave, e Emma não sentiu a pulsação da magia do amor verdadeiro daquela vez, mas sentiu sua magia entrelaçando à de Elsa, como se a proximidade física não bastasse naquele momento. Eu te amo, gritavam o cérebro e o coração da Salvadora em uníssono enquanto passava os braços ao redor da cintura da outra mulher e a puxava para sentar-se em seu colo. Eu te amo, gritavam quando a língua de Elsa invadiu a boca de Emma, começando uma dança arrítmica com a língua da outra mulher.

Elas se separaram por alguns segundos para recuperar o fôlego, mas antes que pudessem fazê-lo por completo, Emma tomou novamente os lábios de Elsa com paixão, e a magia do amor verdadeiro pulsou entre as duas, como que incitando-as a prosseguir.

Emma tentava conter o desejo que crescia em seu âmago, mas era difícil pensar que estavam em um lugar público enquanto Elsa puxava seus cabelos, mordia seus lábios e gemia baixinho contra a sua boca. Antes que pudesse ceder aos seus desejos, entretanto, ela ouviu uma exclamação vinda da porta.

“Emma! O que está fazendo?”

Emma se afastou de Elsa subitamente, seu rosto em chamas quando se voltou para encarar o rosto igualmente corado de sua mãe. Elas se olharam por alguns segundos, e Emma lentamente desviou os olhos para encontrar o olhar de seu pai, igualmente chocado, e os de Henry, tampados por Regina, que agora parecia legitimamente irritada.

“Srta. Swan, eu ficaria agradecida se você limitasse essas atividades a lugares mais privados,” disse Regina. “Eu não quero que o meu filho veja você e sua namoradinha se engolindo.”

“Mãe!” Falou Henry, desvencilhando-se das mãos de Regina.

“Huh, eu sinto muito!?” Respondeu Emma, ainda incapaz de pensar no que dizer.

“Não estou sentindo confiança na sua resposta!”

David e Snow pareceram começar a se recuperar do choque. Eles se olharam por um momento e, em seguida, terminaram de entrar na delegacia, sentando-se em duas das cadeiras vagas. Claramente, estavam determinados a ter uma conversa entre pais e filha com Emma.

Regina pareceu perceber a mesma coisa, porque um sorriso arrogante repentinamente voltou aos seus lábios enquanto ela se sentava também para assistir aquela cena. Maravilha!

“Henry, por que você não vai até a sorveteria da Rainha da Neve para descobrir se restou algum sorvete congelado?” Perguntou a morena, com um sorriso.

Henry, entretanto, não desejava sair dali, também ansioso para ver o que aconteceria a eguir.

“Bom, se você não quer sorvete, eu quero!” Disse Emma, levantando-se enquanto rezava silenciosamente para que os seus pais ainda não tivessem se recuperado do choque o bastante para protestar. Elsa a acompanhou apenas com os olhos, visivelmente confusa, e Emma teve alguns segundos para amaldiçoar lentidão da rainha de Arendelle.

“Na verdade, Emma, eu gostaria que você ficasse,” disse David, embora também não quisesse ter aquela conversa naquele momento. “E, pensando bem, Henry também tem direito a respostas suas.”

Droga! Emma se limitou a suspirar e voltar a se sentar.

“Quando isso começou?” Perguntou Snow, olhando diretamente para Emma, enquanto Henry se sentava também.

“Eu tenho trinta anos, mãe. Você realmente precisa ter essa conversa comigo?” Perguntou Emma, tentando ignorar a careta que Regina estava fazendo, implicando que aquele fora um mal movimento dela. Não que a loira não soubesse daquilo.

Snow respirou profundamente e cruzou os braços diante do peito. Ela pareceu tentar recuperar a calma antes de responder:

“Eu sou a sua mãe, Emma, tenho o direito de saber. Além do mais, quero saber há quanto tempo você tem escondido isso, achei que confiava em nós,” respondeu Snow, ainda com irritação.

“Eu confio em vocês, certo? Mas eu e Elsa precisávamos resolver as coisas entre nós antes de sair contando para outras pessoas. Quero dizer, nós nem sabíamos se conseguiríamos ter um relacionamento até duas horas atrás,” falou Emma, desviando o olhar para Elsa, que lhe sorriu e segurou a mão. “Não foi nossa intenção esconder isso de vocês.”

Emma resolveu não acrescentar que realmente não achava que aquilo fosse da conta de alguém. Uma resposta como aquela apenas serviria para irritar sua mãe com detalhes irrelevantes; afinal, Snow já sabia sobre as duas, não precisava saber que Emma não tivera a intenção de contar a eles pelo menos antes de retornar de Arendelle com Elsa.

“E vocês vão ter um relacionamento?” Perguntou David, e Emma ficou aliviada em perceber que havia apenas curiosidade no tom de voz dele.

Ela lançou um olhar curioso para Elsa; ainda não haviam discutido aquilo e, embora a resposta pudesse parecer óbvia, ela ainda tinha dúvidas. A rainha de Arendelle sorriu, parecendo captar a dúvida nos olhos de Emma.

“Sim, nós vamos ter um relacionamento,” disse Elsa, apertando a mão de Emma com carinho. “Ainda não decidimos ao certo como vai funcionar, mas pretendemos tentar.”

Emma, entretanto, se voltou para a única pessoa que podia fazê-la ter que repensar tudo aquilo.

“Tudo bem para você, Henry?”

Henry olhou para a sua mãe por um momento, parecendo surpreso que ela tenha lhe feito aquela pergunta.

“Claro. Desde que você esteja feliz, mãe,” disse o menino após alguns segundos de silêncio.

Emma não pôde mais conter o sorriso.

“Isso quer dizer que você vai se mudar para Arendelle?” Perguntou Snow, franzindo a testa, e Emma percebeu que Henry ficou preocupado; ela lhe lançou um sorriso, entretanto, e, apenas quando percebeu que ele relaxara, voltou-se para sua mãe.

“Eu vou para Arendelle com Elsa para ajudá-la a reconquistar o reino dela, mas pretendo retornar a Storybrooke assim que terminarmos,” disse Emma, decidindo que não contaria aos pais que Elsa planejava voltar de modo permanente com ela. Muito cedo. “Eu estava esperando que talvez Gold me ensinasse a magia de ativação do portal.”

“Você não devia fazer acordos com Gold, Emma,” disse David.

Emma deixou escapar um suspiro resignado.

“Eu confio em Gold, ele nos ajudou diversas vezes no passado. Além do mais, é o avô do Henry.”

Aquele argumento não convenceu David, mas ele se limitou a cruzar os braços.

“Se vocês me dão licença, então,” disse Emma se levantando e puxando Elsa consigo. “Eu e Elsa temos muito o que conversar, e precisamos falar com Gold.”

Sem dizer mas nenhuma palavra, Emma e Elsa deixaram a delegacia de mãos dadas. Apenas quando estavam do outro lado da rua, já a caminho da loja de Gold, a Salvadora se voltou para a outra mulher:

“Isso ocorreu melhor do que eu esperava,” disse Emma, sorrindo.

“Eu sei, eles estão apenas preocupados com você.”

“É, mas eu gostaria que meus pais parassem de me tratar como se eu fosse um bebê. Quero dizer, eu sobrevivi sozinha por vinte e oito anos, já provei que posso cuidar de mim mesma,” falou Emma, embora ela não estivesse realmente irritada com seus pais; a sensação de ter alguém constantemente preocupado com ela era muito boa, mesmo que às vezes fosse algo irritante.

Elsa se limitou a sorrir, apertando a mão de Emma enquanto elas andavam lado a lado pelas ruas de Storybrooke. Emma viu que Killian as observava de longe, com um olhar ferido, mas ele não se aproximou e a Salvadora também não fez qualquer esforço em fazê-lo; ela se prometeu falar com ele novamente antes de partir para Arendelle, esclarecer as coisas, mas preferiu esperar pelo menos até o dia seguinte para fazê-lo.

Tinha assuntos urgentes a resolver.

Por fim, elas pararam diante da loja de Gold. Emma se perguntou o que teria que oferecer ao feiticeiro para que ele lhe ensinasse a magia necessária para atravessar mundos; tinha a sensação que seria um preço alto, mas sabia estar disposta a pagá-lo para que pudesse viver ao lado de seu verdadeiro amor.

Após um longo momento encarando a porta da loja, as duas mulheres entraram, pela primeira vez em muitos dias esperançosas em relação ao futuro.

Notas finais
Primeiramente, uma coisa importante que eu tenho a dizer é que já chegamos ao campo da realidade alternativa há algum tempo, portanto, vocês perceberão que a história do Rumple está diferente. Nessa versão, o Chapéu não absorve as pessoas, apenas a magia delas, e Gold não precisa do coração do Hook para conseguir concluir o feitiço. Ele e Belle irão para o mundo sem magia e Gold caçará as Queen of Darkness para absorver a magia delas usando o chapéu. Objetos mágicos podem ser usados no Mundo Sem Magia, como dito nesse capítulo e no episódio passado de Once. Para quem não notou, ele estava desesperado para se livrar da adaga porque estava apavorado que alguém mais o controlasse com magia. Isso existe no canon.Não, eu não vou explorar a mentira dele. Essa fic não é uma fic Rumbelle, embora eu tenha dado um final diferente a eles, porque não suporto ver Rumbelle como está, que dirá escrever isso. Também não vou explorar Outlaw Queen at all aqui. Considerem que o Robin já foi embora e que o final feliz da Regina é o Henry e, talvez, um true love no futuro dela. Mas isso também não será explorado. Sinto muito que eu tenha demorado tanto tempo para atualizar a fic. As coisas andam meio apertadas por aqui. Enfim, estou apenas revisando o epílogo e o postarei em alguns minutos.