Fugitiva

1 Capítulo 1


Notas iniciais
Minha segunda fic longa. A idéia veio em uma de minhas aulas e eu comecei a escrever... Se minha professora pega...

Sai correndo e tropecei em uma pedra. Arranhei minhas mãos mas levantei e continuei a correr sem olhar para trás. As árvores começaram a se separar e já podia ouvir as vozes da Estação Sunset Valley. Corri até o guichê de bilhetes, assustando a caixa.

- Uma de ida – respira, respira – por favor. – A caixa bufou indignada com a profusão de moedas. Eu já estava impaciente e simplesmente larguei o troco lá. O trem já saia quando pulei no vagão e entreguei meu bilhete.Havia um vagão que a primeira vista parecia vazio, mas tinha um homem e uma garotinha que aparentava ter uns dez anos.

- Posso sentar aqui? – O homem – acho que podia dizer homem – me olhou dos pés a cabeça e parou o olhar em meu rosto suado e vermelho.

Ele apontou o lugar ao lado da menininha e eu sentei. Não tinha bagagem minha além de minha mochila com dinheiro e documentos, e meu violino dentro da capa. Além de minha AK-47. O peso não era grande mais pus a mochila aos meus pés.

- Não Madeleine. Você acabou de comer um. Quando chegar eu te entrego outro pirulito.

- Mas na vai ser a mesma coisa?

- Não. Dê um tempo às cáries.

Observei a garotinha. Seus cabelos reluziam em mechas castanho-dourada que desciam ondulados até a cintura, totalmente soltos. Uma franja reta parecida com a minha – fora a cor – cobria grandes olhos safiras azul, com cílios longos e escuros. A pequenina boca se moveu em um “O” e sua cabeça tombou em meu ombro, tirando-me de meus pensamentos.

- Desculpe-me... Perdoe minha irmã, ela está cansada.

- Tudo bem. – Coloquei sua cabecinha deitada em meu colo e seu cabelo espalhou-se como um véu. – Ela é linda.

- Sim, com certeza. – Ele estendeu a mão e me olhou. Duas grandes safiras me fitando. – Meu nome é Peter.

Peter aparentava ter uns 26 anos. Alto, usava uma camisa preta de algodão e mocassins. Seu cabelo ondulado brilhava na luz difusa do sol e tinha a mesma cor do da irmã. Seu olhar também me analisava e eu de repente envergonhei-me das minhas vestes. Eu tremi quando nossos olhos encontraram-se e um pequeno choque perpassou por meu corpo.

Apertei a mão dele. Meio áspera, com alguns calos na ponta dos dedos. A unha do dedo indicador e do mindinho longas.

- Você toca violão?

- Sim, e o que é isso ao seu lado?

- Meu violino. – Tirei-o da capa com o cuidado de não amostrar o outro conteúdo. Como sempre me vi sorrindo ao lembrar a minha primeira apresentação. Minha família me aplaudia com entusiasmo quando terminei de tocar a 3ª sinfonia de Beethoven.

Dispersei meus pensamentos e posicionei-me para tocar, tomando cuidado para não acordar a menininha. Logo o vagão encheu-se com o som da 9ª sinfonia de Beethoven. Peter me olhava e eu quase errei a nota. Seu olhar intenso parecia atravessar a minha alma e eu fechei os olhos, querendo esquecer tudo, menos a música melodiosa.

Notas finais
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