Fugitiva

2 Capítulo 2 - A descoberta


No intervalo, estava calada meditando em meus próprios pensamentos, pensando em como estava difícil sobreviver a toda a pressão de ser uma adolescente, e além do mais especial, quando Megan Jones, a garota mais estranha da classe chegou de repente e disse:

- Oi... Kate! Eu... queria falar com você em particular. Disse ela, me olhando com seus olhos acinzentados muito misteriosos.

- Oi Megan! Pode falar...

- Eu sei seu segredo! Ela foi direto ao assunto, sem rodeios. E ficou me olhando com uma cara muito séria, esperando minha resposta.

- Segredo? Disse, tentando disfarçar minha apreensão e meu medo escondido no olhar além da tremedeira nas pernas. – Que segredo?

Megan era a garota mais estranha que eu conhecia. Com apenas um olhar dela em minha direção, eu já sentia medo. E agora, ela aparece dizendo que sabe meu segredo? E se ela resolver contar para todos? E se ela me denunciar? E se? E se? As perguntas borbulhavam na minha cabeça, cada vez com mais medo da resposta que ela pudesse dar.

Mas ela simplesmente falou:

- Que você é uma especial!

Desesperada, perguntei:

- Como você soube? O que você quer de mim? Por favor, não me denuncie. Eu te pago qualquer quantia para manter seu silêncio!

Mas ela deu uma gargalhada tão grande da minha cara que eu fiquei até com vergonha do meu desespero. Com a maior calma do mundo ela disse:

- Eu não quero nada e nem vou te denunciar! Calma aí garota... você está muito nervosa...

Foi aí que eu percebi que eu tinha feito um escarcéu imenso para uma pessoa que nem estava ligando pra isso. E respondi meio envergonhada depois da cena que tinha feito:

- Desculpe! Meus ânimos ainda estão exaltados desde a visita daqueles brutamontes na sala.

- Tudo bem. Ela disse – Tem todos os motivos para estar assim... Mas voltando ao assunto principal. Você é uma especial e está precisando de ajuda.

- Como sabe? Perguntei.

- Porque seu olhar me mostra. E... porque também sou uma. E já estive como você e consegui superar com a ajuda de pessoas incríveis. Qual é o seu poder? Ela disse sorrindo pra mim como nunca tinha visto.

- Tenho a telecinese. E o seu? Respondi.

- Uau! Ela disse. – Um poder forte! Eu sou telepata e posso ler mentes. Por isso descobri que era uma também. Mas você é especial primária ou secundária?

- O que é ser especial primário e secundário? Perguntei.

- Quero dizer se você herdou o poder de algum dos seus pais, sendo uma secundária ou se foi gerada assim, sendo uma primária.

- Ah sim! Secundária. Meu pai era especial. Telecinese também... Olho tristemente para o chão, com a imagem do meu pai me abraçando no último instante em que eu o vi 12 anos atrás e dizendo: — Filha confie em mim. Um dia eu vou voltar.

Megan percebeu minha tristeza e disse:

- Ele ainda não voltou não é? Desculpe- me ler sua mente sem permissão...mas não posso evitar. Ainda estou aprendendo como não fazer isso.

- Tudo bem... Ele não voltou, mas eu ainda tenho esperanças. Disse a ela tristemente – A verdade, é que na minha casa ninguém sabe que eu sou uma especial. Somente ele sabia. Acho que era por isso que ele me tratava diferente. Quer que eu te conte? Sorri.

- Claro. Disse ela.

Ia começar a contar minha história, mas não agüentei e desabei a chorar. Foi quando ela disse:

- Eu não ligo se você chorar. Estou acostumada a isso. Vi toda a minha família ser levada pelos agentes da ASA. Um a um, foram arrastados contra as suas vontades. E eu, uma criança, e não era uma especial, vi primeiro meus pais e depois meus irmãos sendo tirados de mim. E fui jogada em um orfanato condenada a nunca mais saber o paradeiro deles. Descobri e desenvolvi meus poderes lá, sem que ninguém soubesse. E vivia sozinha e abandonada, sempre com medo e chorando. Até que encontrei amigos como eu que me ajudaram... Estou muito bem hoje!- como eu continuava chorando, ela continuou: — Para! Chorar não adianta. E vamos, me conte sobre seu pai.

Comecei a falar:

- Eu era uma criança, tinha 5 anos quando eles bateram na nossa porta. Vi quando disseram a minha mãe que queriam falar com meu pai. Eu corri, e ao chegar ao quarto, ele estava com uma mala na mão apressado e arrumando as roupas. Falei pra ele:

- Papai, tem homens muito estranhos na porta querendo falar com o senhor. Lembro- me como se fosse hoje dele dizendo:

- Eles vieram me levar querida. Mas eu irei antes deles chegarem aqui. Eu disse:

- Aonde o senhor vai? Ele me respondeu:

- Não sei ainda querida, mas não se preocupe. Dê um beijo em sua mãe e no seu irmão por mim. Quero que saiba que não importa quanto tempo passar, um dia eu voltarei pra vocês. Eu te amo minha filha. E entenda, se um dia alguém, seja quem for, te oferecer alguma coisa para que mude quem você é, não aceite! Você é única e é especial do jeito que é. Nunca mude sua personalidade por nada. Promete pra mim?

- Eu prometo! Disse. Ele saiu pela janela e em um último olhar disse:

- Sempre pense em mim, que eu estarei perto de você. Sorriu e logo desapareceu rua abaixo com a mala na mão. Fiquei olhando ainda durante meia hora para ver se ele voltava, mas ele não voltou... Todos os anos, uma carta endereçada a mim aparece em minha cama no dia do meu aniversário. Ela não vem pelo correio, mas eu não tenho idéia de quem a traz. Quando eu tinha 12 anos, descobri o que ele queria dizer com não mudar o que eu tinha de especial.Descobri meus poderes por acaso, em um dia sozinha no meu quarto. Desejei que um objeto viesse até a mim e ele veio. Achei estranho, e foi então que no dia seguinte quando cheguei da escola, havia uma carta endereçada a mim na minha cama. Achei mais estranho ainda, porque eu só as recebia em meu aniversário e estava muito distante. Nela dizia que eu era uma especial, que eu tinha poderes herdados do meu pai e me explicava que ninguém poderia saber inclusive minha família, porque eles não eram confiáveis. Desde aí, vivo sozinha, quase não tenho amigos...

Megan respirou fundo, percebi que por dentro ela segurava para não chorar, já que a história dela era tão parecida com a minha. Por fim, ela disse:

- Gostaria de ter amigos como você? Pessoas que te entendam e saibam o que você está sentindo?

Olhei para ela e dei um sorriso tímido, depois disse:

- Eu gostaria. Mas não sei se poderia. Ela me olhou e sorriu alegremente:

- É claro que você pode! Eu e meus amigos vivemos juntos, como uma família. Você não quer vir com a gente?

- Eu adoraria. — respondi- Mas e a minha família?

- Kate, você não é igual a eles! Não pode querer que sua vida seja a mesma deles. Você é uma especial! Vive sua vida aparentemente “comum” sem causar problemas, mas mesmo assim é! A ASA vive a caça de nós e a qualquer momento pode bater na sua casa à sua procura! Se vier com a gente, terá amigos e nunca estará sozinha. Se ficar, poderá ser pega, torturada e até...morrer.

Ela olhava ansiosamente esperando por minha resposta. Meio assustada com as palavras dela, eu respondi:

- São muitas coisas ao mesmo tempo. Tenho que organizar minhas idéias. Você me dá um tempo pra pensar?

- Um dia. É o máximo que posso te dar. Podemos partir daqui a qualquer instante, e não podemos esperar. Pense e me diga até amanhã. Se decidir, pense em mim e eu te direi onde me encontrar.

- Mesmo assim, obrigada pela ajuda e por me deixar desabafar com você. — Disse.

- Sem problemas!

Notas finais
REVIEEEEEEEEEEEEEEEEEEEW!