Fugindo de Zumbis -

1 Perguntas sem respostas.


P.V Helena

Eu chorava descontroldamente, a arma do meu lado,minha regata antes branca agora estava enxarcada de sangue... o sangue de minha mãe. Os olhos sem expressão, da mulher que antes era minha melhor amiga, minha confidente.

Christine estava escorada na parede, ao lado da porta, e parecia pensativa, mas não triste,nossa mãe morta parecia fazer o mesmo sentido que nossa mãe viva.Um pequeno embrulho na mãe de minha mãe me chamou atenção,em uma fitinha, lia-se o meu nome.

Um presente pra mim,foi isso que custou a vida de Virginia,fora isso que ela foi buscar quando foi atacada por aquele monstro.

Flasback on:

-Certo, certo, espere aqui — mamãe disse com um sorrisso de orelha a orelha,

Fiquei sentada a mesa, de frente pra Christine, ela não parecia querer conversar.

-Hum, vai ficar aqui essa noite? — eu disse tentando quebrar o silencio.

-Sim, até por.... -ela não terminou a frase, pois um grito vindo da garagem invadiu o ambiente, e um frio percorreu minha espinha.Eu reconheceria aquela voz. Era mamãe.

Minha irmã levantou bruscamente e eu a segui.

E a cena que vimos, irá permacer pra sempre comigo.

Nossa mãe estava caida de joelhos e um ser esfarrapado,com olhos sem vida, mordia seu pescoço, como um cão faminto. Quando ele nos viu, largou nossa mãe, que caiu inerte no chão,e veio cambaleando até nós, mas Christine foi rápida, e sacou sua arma, disparando na cabeça daquela coisa que se parecia muito com um humano, mas tão cruel quanto um lobo.

Andei com passos lentos até Dona Virginia, me deixei desabar ao seu lado,

-Vamos me ajude — eu gritava desperada para minha irmã que permaneceu parada , olhando pra mim.

-Não existe algo que possamos fazer. — ela disse secamente.

-Claro que existe, apenas me ajude — eu pedi em um fio de voz. No fundo eu sabia que Christine estava certa, mas eu não podia acreditar.

-Você não entende Helena, ela se foi.E quando chegar a hora voce deve acabar com o sofrimento dela.

-Do que você está falando? Eu não consigo entender, eu, por favor.... — eu desabei em lágrimas, tudo está tão confuso. O que aconteceu,o que era aquilo que matou minha mãe? -eu perguntava mentalmente, mas não tinha condições de falar.

-Tome isto — ela me ofereceu uma arma identica a que ela usou agora a pouco.

-Eu não quero isso — eu disse empurrando a mão dela. Eu jamais iria usar uma arma.

-Pegue isso — ela falava com voz autoritária. -Você vai usar — e ela fez menção pra nossa mãe.

-Claro que não, deixe- a em paz Christine. — eu gritava cada palavra. -Você foi horrivel pra todo mundo, então se existir um pingo de consideração em teu coração, vai embora. -ela se virou e voltou pra cozinha, me deixando sozinha com o cadaver de minha mãe, com aquela arma idiota.

Passei duas horas abraçada em minha mãe chorando compulsivamente. Christine não voltou ali comigo. Coloquei minha mãe cuidadosamente no chão e fiquei observando seu rosto pálido.

Nossas lembranças passavam como um filme,todas as vezes que rimos juntas, que assistimos filme, a até mesmo as brigas. Quão arrependida uma pessoa pode ficar, se eu soubesse, teria sido menos birrenta. Teria dito mais vezes que a amava. Mas eu não disse. O céu estava tão lindo. Lembro que ela amava azul, amava observar os passáros.

Voltei a olhar minha mãe, e ela, não espera, ela abriu os olhos. Certo, alguma coisa estava errada,ela parecia viva, no entanto não era mais a pessoa que eu conheci.

-Mãe? — eu chamei, e ela não pareceu ligar. Apenas fazia esforço pra me morder? espera, minha mãe tentava me morder. Foi então que eu entendi o que minha irmã quis dizer. Eu deveria atirar em nossa mãe. Me levantei e recuei, peguei a arma e apontei pra sua cabeça,minhas mãos estavam tremulas,e meu pavor aumentou quando ela levantou e venho em minha direção, assim como aquele outro monstro fez. -Mãe, por favor — eu tentava em vão. — ela emitia sons,talvez quisesse falar, e ao passo que ela ia se aproximando eu ia recuando para trás,mas quando senti a parede fria em minhas costas soube que não havia mais saída. A pessoa que um dia foi minha mãe estava em minha frente, mirei em sua cabeça e puxei o gatilho,e seu corpo caiu novamente.

Flasback off:

-Helena? — Christine estava ali me olhando, e parecia com pena. — Nós temos que ir — ela disse e me estendeu a mão.

Aceitei sua ajuda sem pestanejar e segui ela até o velho Ford de nossos pais. Sentei no banco do carona, enquanto ela dirigia.

E assim nós fomos, deixando o corpo para trás. Nunca mais voltei a ver a casa onde passei minha infancia e adolescencia.

-O que está acontecendo? — eu perguntei pra ela, continuei olhando pra janela,pra algum ponto perdido.

-Não sou a pessoa certa para te explicar.

-Então quem é? — falei sem paciencia.

-Daqui a pouco você vai saber.-depois que disse isso, ela voltou a me ignorar, e não respondeu mais nenhuma pergunta. Porque essa é Christine, ela só fala o que quer que saibamos.