Fugindo da realidade
5 Conseguimos?
Notas iniciais
— Miiko! Venha rápido!
— O que foi, Leiftan?
— Tem duas pessoas estranhas ali!
— Estou indo.
O som de passos indicam que alguém se aproxima.
— Eu conheço esses dois... De algum lugar...
— Miiko, estes não sãos aqueles gêmeos que vinham aqui a uns anos?
— Eles mesmos! Mais o que fazem aqui?
— Não sei, eles não vem aqui a muito tempo.
Abro meus olhos, com dificuldade por causa da luz do sol.
— Onde estou?
— Daniel, está tudo bem? Lembra de mim?
Eu me acostumo com a luz do sol em meus olhos, e então vejo com quem estou falando.
— Você é a... Mulher raposa, não?
Ela ri.
— Eu mesma. O que faz aqui?
Pera, eu estava lá... conseguimos? Eu não acredito, conseguimos mesmo?
— Daniela, acorda ~ eu chacoalho minha irmã ~ Acorda!
Ela abre os olhos devagar, se acostumando com a luz.
— Dani, onde estamos?
— Conseguimos, conseguimos!
Ela abre os olhos por completo, olha em volta com um sorriso no rosto.
— Eu não acredito, estamos aqui mesmo!
Nos abraçamos, felizes. Até que, percebi que a mulher raposa nos encarava, meio sem entender.
— Estou boiando.
— Desculpa, é que ontem minha irmã encontrou um colar que havia ganhado aqui, e aquele colar nos fez lembrar daqui!
— Vocês se esqueceram daqui?
— Não, só nunca mais conseguimos voltar ~ eu disse, me levantando e ajudando minha irmã a levantar também.
— Vocês estão enormes! ~ disse o cara que estava com a mulher raposa ~ Vou chamar o resto do pessoal ~ ele disse, saindo.
A mulher raposa sorriu e nos abraçou.
— Estava com saudades de vocês!
— Também estávamos. Mas, não entendo. Porque não pudemos mais vir para cá a uns anos?
— Não sei, mais o importante é que estão aqui! Vamos entrar!
Ela nos levou até o castelo. Igualzinho da última vez.
— Não mudou nada ~ eu minha irmã dissemos juntos .
— Não posso dizer o mesmo de vocês. Estão quase irreconhecíveis! Para melhor, claro.
Rimos, a mulher raposa havia mudado. Antes, ela era tão fria...
— Afinal, qual é o seu nome? ~ minha irmã perguntou.
— Miiko.
— Porque nunca nos contou?
— Eu contei, mas como sempre esqueciam, me chamavam de mulher raposa.
— Você... está diferente. O que aconteceu?
— O tempo passa... as pessoas mudam... Vocês me fizeram refletir sobre minhas atitudes. E quando se foram, me senti muito mal... e prometi para mim mesma que iria mudar.
— Que bom! ~ disse minha irmã.
— Sim, vocês mudaram muitas coisas por aqui.
— Nós? Que coisas?
— Explico depois. E, Daniela, tem alguém te esperando ali na frente.
Minha irmã olha para frente, com aquele olhar curioso dela, e sorriu ao descobrir quem era.
Ela vai correndo na direção... do cara que deu aquele colar para ela. Eu só tive uma reação. Risos.
Eles se abraçam.
— Daniela! Quanto tempo! Está tão grande e... linda!
— O-obrigad-da...
— Não sabe o quanto senti sua falta!
— E como sentiu, viu? ~ disse o amigo da Miiko ~ Todos sentimos falta de vocês.
— E onde está o resto do povo? ~ a Dani pergunta, soltando o carinha lá que eu não sei o nome.
— Estão em suas guardas. Só o Nevra que não, recebeu uma folga depois de tanto esforço.
— Nevra! Lembrei! ~ ela disse, eu ri junto com todos. ~ Qual é a graça?
— Voce não mudou quase nada no jeito. Sempre foi muito fofa ~ diz a Miiko.
— Espero que isso seja bom.
— E é! ~ diz o Nevra. ~ Daniel! Meu guitarrista preferido!
Ele vem para perto de mim e me abraça.
— Ainda toca, né?
— Claro! E, tem mais...
— O que?
— Daniela também toca!
— Jura?! Parece que minha menininha cresceu, não?
— E como.
— Não era para falar, Daniel!
— Desculpa, não me segurei.
Ela deu um soco no meu ombro, eu a abraçei.
— Também te amo.
Todos riram.
— Vocês nunca mudam. ~ disse Miiko. ~ Tem mais algo que ela faça e eu não saiba?
Eu olho para a Daniela, que está abraçada comigo, como quem diz : Posso contar? Ela apenas afirma coma cabeça.
— Ela também canta,
— Minha menina também canta? Que orgulho!
— Você fala como se fosse o pai dela! ~ diz Miiko.
Dani abaixa a cabeça, eu a abraço mais forte.
— O que houve? Disse algo? ~ diz Miiko, preocupada.
— Não, é só que, que...que...
Minha irmã não consegue terminar a frase.
— O que houve o pai de vocês?
— Nosso pai desapareceu a muito tempo, sem ao menos avisar. Ele e a Dani eram muito colados, e quando ele sumiu...
— ~ Ela nos abraça ~ Desculpa, não queria causar isso nela, nem em você...
— Você não sabia, só isso.
Ela nos solta, e a Dani me abraça com apenas um braço, ficando do meu lado.
— Está tudo bem? ~ eu digo, baixo.
— Sim, está.
Até que aparece outro cara, dessa vez era o Kero ( o nome dele eu não esqueci), que era metade unicórnio.
— Miiko você viu se o me... Daniel? Daniela? Quanto tempo!
— Eu sei, faz muitos anos.
— Que bom que voltaram! E, falando nisso... Querem voltar para seus quartos?
— CLARO!!!
Eu e Daniela dizemos animados.
É, conseguimos. Voltamos para o mundo que um dia tornou nossa vida mais alegre, mais leve, mais feliz... e espero poder ficar o máximo de tempo possível.
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