Fucking Perfect
6 Capítulo 5
Notas iniciais
Quando Percy e Annabeth insistiram para que Nico os acompanhasse ele percebeu que não podia mais adiar, desde que seu primo lhe contara sobre os seus amigos o Di Angelo percebera que não sentia vontade alguma de conhecê-los, não porque os amigos de Percy não parecessem legais e sim porque Nico não queria ter de ser gentil com todos que o abordassem. E agora que eles o levavam para longe de Thalia, Nico queria menos ainda ter de acompanhar o casal.
Finalmente rendido Nico começou a acompanhar o primo e quando olhou para trás novamente, um pouco antes de chegarem à curva do corredor, só teve tempo de ver o olhar decepcionado da garota antes de perdê-la de vista completamente.
Quando finalmente conseguiu pegar a sua comida seguiu o casal até uma mesa um pouco afastada, na qual, duas garotas e dois garotos já estavam sentados. Segundo a breve introdução de Annabeth, a menina bonita dos olhos que pareciam mudar de cor era Piper e a morena dos olhos cor de âmbar era Hazel, o menino que se chamava Frank parecia um pouco corpulento demais para o rosto fofo que tinha e o outro que tinha cabelos rebeldes e sorriso maníaco era Leo.
Nico tentou ser agradável com todos, na maior parte do tempo respondendo as perguntas dirigidas a ele e ouvindo a conversa, depois de um curto tempo com eles percebeu que Hazel namorava com Frank e Leo parecia estar o tempo todo dividido entre dar em cima dela ou de Piper que parecia se divertir com as brincadeiras do garoto, mas o tratava como um irmão. Percy parecia tentar colocá-lo dentro de todos os assuntos que seus amigos conversavam e ele poderia até apreciar a sua tentativa se quisesse de fato estar ali. Sentia-se deslocado no meio daquelas pessoas que pareciam se conhecer desde criança, entretanto Nico sabia que não era por isso que se sentia assim, era algo dele, não se sentia a vontade em nenhum lugar e com quase ninguém, às vezes se sentia bem quando estava com Bianca e ela finalmente parava de tagarelar, mas o momento passava tão rápido que Nico não sabia se de fato tinha acontecido ou era apenas a sua mente procurando por algo que ele sabia que não teria.
Não que não gostasse de sua irmã, na verdade, ele poderia dizer que ela era uma das únicas pessoas que ele realmente gostava e não somente aturava.
***
Assim que o sinal que indicava a sua última aula acabou Percy insistiu em levá-lo para comer na sua casa, que era a apenas algumas quadras da escola e consecutivamente perto do campo de hóquei onde ele teria treino mais tarde. Nico não frequentava a casa de Percy há um bom tempo e foi com surpresa que foi recebido por uma mulher que não Sally – a mãe de Percy – quando abriu à porta, o primo lhe disse que aquela era a sua madrasta e se chamava Atena, Poseidon tinha se separado há quatro anos e casado novamente há exatos seis meses, Nico foi bem recebido na casa do primo. Almoçou lá e depois disso passou um bom tempo jogando jogos de vídeo game que nunca vira antes o que o tornava terrível, pois não conhecia nenhuma técnica ou os botões que deveria apertar e apesar do primo sempre lhe alertar sobre o que fazer o Di Angelo não sabia realmente como e isso o estava irritando mais do que perder toda partida.
— Orra cara, até parece que você nunca jogou isso antes. — Percy exclamava após todas as vitórias que realizava.
Nico gostaria de poder falar que nunca jogara, mas queria evitar momentos embaraçosos, então fingiu uma risada como se de fato já tivesse jogado aquele jogo e se interessasse por vídeo games. Entretanto ele nunca gostara de nenhum jogo que não fosse físico, tanto é que amava hockey e quando seu primo sugeriu que faltasse o treino e passasse a tarde com ele, Nico ficou horrorizado e nem por um segundo cogitou a possibilidade.
Percy chegou a oferecer lhe uma carona, mas a casa era tão perto do lugar em que queria estar que decidiu que poderia fazer o caminho andando.
***
Assim que entrou no lugar viu as garotas da patinação artística saindo do ringue para uma pausa e uma em especial lhe chamou atenção, Thalia, ele tinha esquecido que ela estaria ali, vestindo aquelas roupas finas demais para o frio projetado dentro do lugar, ele não sabia o que exatamente queria falar com ela, mas antes que pudesse raciocinar sobre isso, se viu caminhando em sua direção, só percebendo que estava perto demais para simplesmente lhe dar as costas e fingir que era um mal entendido quando sentiu os olhos atentos e curiosos dela sobre ele.
— Hey. — ele lhe cumprimentou, recebendo um pequeno sorriso da garota.
— Você de novo. — ele não sabia dizer se o tom dela era contente ou não, mas Nico preferia pensar que sim.
— Eu treino aqui. — por algum motivo ele sentia a necessidade de se explicar para ela.
— Patinação também? — ela debochou.
É claro que ela sabia o que ele fazia no lugar.
“Por que toda palavra que saia da boca dela o fazia sentir-se estúpido?”
Ele riu.
— Claro. Você deveria ver como eu fico bem nessa meia-calça.
Nico não soube de onde viera a coragem para lhe falar aquilo, mas ficou satisfeito quando ouviu uma risada, tão baixa e rápida que ele poderia achar estar alucinando, mas não, quando ele a olhou novamente, viu um traço de riso ali e aquilo foi o suficiente para fazê-lo sorrir também.
— Então alguém deveria lhe informar que esse é o horário feminino.
— É alguém devia. — ele repetiu.
— Se você quiser, eu lhe digo os horários masculinos mais tarde, mas agora eu tenho que voltar para o treino.
Ele tinha sentido uma leve diversão no tom de voz da garota e Nico não sabia dizer se aquilo queria dizer que ela realmente queria falar com ele depois, afinal, ambos sabiam que aquele não era o motivo de ele estar ali.
Como se fosse combinado a professora Afrodite chamou as garotas assim que Thalia disse aquilo e Nico a observou colocar os patins rapidamente para voltar ao treino. Elas pareceram voltar ao ponto que estavam antes da pausa e Nico não pode deixar de observar a beleza da dança delas. Ele sabia que deveria se levantar da arquibancada e ir colocar o uniforme para o seu treino, entretanto era realmente difícil fazê-lo quando Thalia praticamente dançava na sua frente, ela parecia se soltar lá dentro, apesar da postura ereta e do rosto sem expressão, de algum modo ele sabia que ela sentia-se relaxar a cada movimento que realizava e embora Nico não entendesse nenhum pouco sobre patinação artística, ele poderia dizer que nunca vira algo tão bonito.
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