Fucking
1 Capítulo 1
Era uma bela manha de segunda feira, mais um dia começava na minha vida. Meu nome é Teruki, prazer. Eu tenho 16 anos. E não, eu não sou japonês. Meu pai é filho de japoneses, eu sou um mero descendente. Nós moramos nos estados unidos da América, mais precisamente em Boston. Mais uma família vivendo o sonho americano. Ou não.
Nós acabamos de nos mudar pra cá vindos da Califórnia. Papai trabalha em importante banco americano e acabou de receber uma promoção como gerente regional, ele só precisou mudar de região pra conseguir isso.
Mas chega de falar da minha família. Eu é que sou importante nesse lugar. Eu sou um cara relativamente normal, pros meus padrões de normalidade é claro. Sou bem fã de rock japonês, então faço questão de me vestir como todo bom roqueiro. Camisa preta da banda favorita, bota militar, calças largas rasgadas no joelho, pra completar um belo cinto cheio de rebites pra conseguir manter a calça na minha cintura. Normal não?
O problema é essa escola nova. Como meu pai agora ta recebendo um salário bem maior ele fez questão de me colocar em uma escola particular renomada de Boston. Afinal de contas, qual o problema com as escolas publicas? Lá eu não tinha que usar esse maldito uniforme. Pleno final de verão e eu com esse terno azul de gravatinha. Coisa de viado se você quer saber minha opinião. Mas tudo bem, eu perdôo o velho, ele só quer que eu entre em uma universidade descente.
Mas então, hoje é o meu primeiro dia de aula na escola nova. O foda é que a gente já ta no meio do ano letivo, tem noção do porre que vai ser conseguir acompanhar esse bando de Zé ruela metido a nerdzinho da escola?
Sai do banheiro, a gravata ainda sem nó pendurada no pescoço, os botões da camisa social branca todos abertos. Meu blazer azul estava jogado em cima da minha cama. Eu provavelmente já to atrasado, mas quem se importa? Terminei de me arrumar dando uma ultima checada no espelho. Ok, to até parecendo gente. Graças a alguma entidade superior meus amigos não podiam me ver agora. Eu parecia um mauricinho. Roupa bem alinhada, calça justa azul, assim como o blazer, a gravata bem arrumada. Só meu cabelo destoava do visual, preciso dar um jeito na juba.
Entenda, meu cabelo é um tanto estranho. Pra começar, ele ta tingido de loiro. Na frente ele bate no meu ombro, caindo em mexas repicado. Atrás eu cortei ele um pouco mais curto, geralmente eu uso gel pra eriçar a parte de trás, mas acho que não combina nem um pouco com o visual atual.
Olhei pra minha imagem no espelho. Cara, to parecendo um viadinho. Afrouxei o nó da gravata, abri os dois primeiros botões da camisa social, puxei ela pra fora da calça e soltei os botões dos pulsos. Bem melhor, mais a minha cara assim. Continuei me analisando no espelho, em duvida se tirava ou não os brincos. Eu tenho quatro argolas de prata na orelha esquerda e um pequeno alargador na orelha direita. Bem bonito o conjunto todo.
Quer saber? Já to parecendo um punk de novo mesmo, foda-se. Vo ficar com os brincos. Desci as escadas encontrando minha mãe ocupada no fogão.
— Bom dia flor do dia! — Cumprimentei lhe dando um beijo na bochecha e me sentando na bancada. — Que tem pro café?
— Bom dia filhote. Tem cereal pro senhor ali no armário. E como logo por que você ta atrasado e seu pai não vai ficar esperando você muito tempo.
— Se vocês me dessem um carro não iam ter que se incomodar em me dar carona pra escola nova. Eu não entendo, meu pai diz que o salário paga a mensalidade dessa escola careira, mas toda vez que eu toco no assunto do meu carro ele diz que ta sem grana. — Me levantei, servindo-me do cereal.
— Você conhece seu pai. Se não for de extrema importância ele não abre a mão nem apanhando.
— Pilantra mão de vaca.
Engoli meu cereal em questão de segundos. Olhei pro relógio e constatei que eu estava realmente atrasado. Nem sinal do meu pai na cozinha.
— Cadê o velho mãe?
— Ele foi ver alguma coisa no motor do carro e mandou você ir la na garagem assim que terminasse de comer.
— To indo então. Tenha um bom dia mãe. — Me despedi deixando outro beijo em sua bochecha. Peguei minhas coisas e marchei na direção da garagem. Encontrei meu pai já tirando o carro de dentro dela.
— Ta atrasado moleque! — Ele disse abrindo a porta do carona pra mim.
Cheguei na escola segundos depois. Pasmei, sério. Nunca me imaginei num lugar assim. Eu nunca tinha vindo, meus pais fizeram a matricula sem mim. A escola parecia um castelo medieval, era enorme, toda de pedra com janelas assustadoramente grandes. Meu pai me deixou ali que nem uma estatua na frente da escola.
— Não se esquece de ir na coordenação se apresentar, hein moleque. To indo tenha um bom dia de aula. E vê se não apronta.
O pátio enorme estava praticamente vazio, provavelmente o sinal já tinha tocado e todos deviam estar nas salas de aula. Entrei no colégio me perguntando mentalmente como ia achar a coordenação naquele lugar enorme. Esbarrei em uma senhor bem menor que eu quando virava um corredor.
— Ei, rapaz. Ta perdido por acaso? Todos os alunos já deveriam estar nas salas de aulas. Não conhece as regras da escola não?
— Ehr... não? — O homem era praticamente um anão. Ele batia na altura do meu cotovelo. Era parcialmente careca, com alguns cabelos nas beradas da cabeça, um enorme óculos redondo na face.
— Como assim?
— Eu preciso ir na coordenação, o senhor pode me informar onde fica?
— Aluno novo é?
— Sim senhor.
— Tudo bem então, hoje eu deixo passar, mas não quero mais ver o senhor andando por esses corredores. Qual o seu nome jovenzinho?
— Teruki Takashima.
— Professor Landom, prazer. Agora siga por esse corredor, a porta de vidro no final dele é a coordenação.
— Obrigado.
Sai de perto do velho rabugento seguindo o caminho que ele indicara. Dei três batidinhas fracas na porta e fiquei esperando que alguem abri-se. Uma moça de coque me mandou entrar. Ela tinha uma altura mediana, 1,65 talvez. Era magra, devia ter uns trinta e poucos anos. Até que dava um caldo.
— Bom dia. O que deseja meu jovem? — Ela estava sentada atrás de uma mesa de madeira maciça com uma plaquinha escrita “Cullem” na frente.
— Eu sou aluno novo, me informaram que eu deveria me apresentar aqui primeiro.
— A sim. Eu sou Melissa Cullem, secretaria do diretor Van Der Bitte. Vou chamar o diretor, só um instante.
Ela pegou o telefone em cima da mesa e fez uma ligação. Trocou algumas palavras com o diretor, eu imagino, antes de desligar.
— Ele já vai te atender, senhor?
— Teruki Takashima, prazer. — Falei entendendo minha mão.
Um instante depois um homem velho saiu da porta logo atrás da mesa da senhora Cullem. Ele era alto, maior do que eu, isso em si já é um feito porque eu tenho 1,90. O homem tinha cabelos lisos bem penteados brancos, assim como a barba bem feita. Era corpulento, provavelmente tinha sido um atleta na juventude.
— Oh, senhor Takashima! Como vai? Eu sou o diretor Van Der Bitte. É um prazer conhece-lo. Eu conversei com seus pais semana passada. — Ele disse apertando minha mão. — O senhor vai ter que estudar bastante pra conseguir acompanhar a sua nova turma, sabe, quem sabe nós não encontremos um tutor, hein? Quem sabe. — Ele falava enquanto me guiava pra fora de seu escritório.
— Sim senhor. — Respondia obediente. Eu não estava nem um pouco a fim de causar má impressão logo no primeiro dia. Como dizem, a primeira impressão é a que fica.
Nós caminhamos pelo corredor, parando em frente a uma sala bem no meio dele.
— 2º ano A. Essa é a sua nova sala senhor Takashima. Aqui esta o seu horário, qualquer duvida pergunte à senhora Cullem. — Ele disse abrindo a porta da sala de aula e praticamente me empurrando pra dentro. Ele bateu a porta na minha cara. Dá pra acreditar? Velho caduco.
Me virei encontrando todas as cabeças do lugar viradas pra mim. o professor, o tal de Landom que eu tinha encontrado mais cedo, me olhou com uma expressão nem um pouco amigável.
— Seja bem vindo senhor Takashima. Agora faça o favor de encontrar um lugar pra sentar antes que eu perca a paciência com o seu atraso. — Ele disse me dando as costas e voltando a escrever alguma coisa no quadro.
Eu não era um cara tímido, mas naquele momento eu admito que estava laranja de vergonha. Todo mundo no lugar olhava na minha direção. Eu não vi um misero rebelde sem causa como eu por ali, todos com o uniforme alinhado, gravatas bem apertadinhas blazers fechadinhos. Procurei desesperado por uma cadeira vazia. As cadeiras eram duplas. Avistei um cara loiro sentando sozinho do outro lado da sala. Me apresei sentando ao lado dele e pegando meu caderno.
— Oi, meu nome é Teruki. — Cumprimentei assim que coloquei o caderno em cima da mesa.
Ele deu um risinho debochado e simplesmente se virou me deixando no vácuo. Ótimo começar o dia assim hein? Logo em seguida descobri que a aula do tal Landom era de Física. Maravilha, minha matéria favorita era dada por um cara que já me odiava.
O garoto ao meu lado tinha o cabelo curto espetado, loiro de feições atléticas. Provavelmente ele era o clássico babaca da turma, uma vez que ninguém nem se deu ao trabalho de sentar do lado dele. Acabei encontrando uma mesa inteira vazia mais no fundo da sala. Depois dessa aula eu definitivamente iria me sentar lá.
— Diga-me senhor Takashima, até que parte da matéria de física você estudou em sua ultima escola? — Landom me pegou de surpresa.
— Física analítica, senhor.
Eu devo ter falado alguma asneira muito grande, por que a sala inteira explodiu em risos quando eu falei.
— O senhor esta brincando comigo, certo? — Landom segurava o riso.
— N-não senhor.
— Você esta totalmente atrasado em relação a turma, vai ter que dar um jeito de ver as matérias que faltaram em casa. Depois da aula eu te passarei alguns exercícios extras.
Assim que a aula acabou Landom me deu uma enorme lista de exercícios da apostila pra fazer.
— Quero isso pronto até semana que vem rapaz.
— Semana que vem? Senhor, é muita coisa. — Falei assustado.
— Oras, tenho certeza que você consegue.
— Mas eu nem estudei essas matérias.
— Tudo bem, nós resolvemos isso. Senhorita Humpfrey? Venha aqui um momento, por favor.
Uma menina estava sentada na mesa do babaca loiro veio até eu e Landom. Juro que perdi o fôlego depois dessa. Ela era linda, cara, babei. Ela devia ter 1,70 e alguma coisa. Cabelos loiros ondulados, magrinha, seios na medida. Até seu sorriso falso pro Landom era bonito. Ela tinha olhos castanhos chocolate, o nariz levemente arrebitado. Fiquei ali babando ignorando totalmente o que o anão mala falava pra ela.
—... então senhorita humpfrey, o que acha?
— Senhor, eu tenho minha tarefas. Não acho que possa ficar de baba do novato aqui. — Ela disse tentando ser educada. Do que eles tavam falando mesmo?
— Oras, será um favorzinho pro seu professor favorito. Ninguem te contou que é bom ter pessoas lhe devendo favores, senhorita? — Ele tentava soar simpático, falhando miseravelmente.
— Sim senhor. Eu ajudo o novato, mas o senhor fica me devendo essa hein?
— Ajudar? — Perguntei perdido.
— Tava viajando é, japinha? — Ela me perguntou em tom de deboche.
— A senhorita Humpfrey aqui vai te explicar as matérias perdidas a tarde. É bom que o senhor preste bastante atenção e pegue logo tudo rápido.
— S-sim senhor.
— Hoje, às 14:00 em ponto na biblioteca, não se atrase ou eu vou embora.
— Tudo bem.
Ela me deu as costas e voltou pra perto do loiro de cabelo espetado. Dessa vez ela se sentou na minha cadeira, jogando altos sorrisos pro carinha. Eu definitivamente não tinha gostado dele. Percebi que não era questão de ninguém gostar do cara, pelo contrario, todo mundo ali parecia idolatrar ele. Vários garotos e garotas estavam a volta dele conversando animadamente. Peguei minhas coisas e fui pro fundo da sala, jogando tudo em cima da cadeira vazia.
Uma dupla de caras certinhos ficou me olhando estranho quando me sentei perto deles.
— Que foi? Perderam alguma coisa aqui? — Falei ignorante. Odeio que fiquem me encarando.
— Mals ai cara. Achei que você fosse ficar sentado do lado do “deus” do Tristan. Saiu de la porque?
— Tristan? Então é assim que aquele engomadinho se chama. Pé no saco, carinha mal educado.
— Pois é, e o pior é que todo mudo aqui idolatra ele.
— Porque?
— É o melhor jogador de futebol da escola, obvio que todos idolatram o cara. Meu nome é Henry, esse é o James. — Ele disse apontando pro garoto calado ao lado dele.
— Eu me chamo Teruki.
— A partir de hoje você virou Terry japinha. Teruki é muito grande. — James falou.
Henry era magrelo e tinha cara de rato. Ele era alto, cabelos castanhos bagunçados, olhos verdes. James era loiro, seus cabelos eram loiro-escuro cortados de forma militar, rente a cabeça. Olhos azuis, porte de atleta.
Os dois se provaram serem as pessoas mais amigáveis daquele lugar. As aulas passaram, eu mais perdido que cego em tiroteio ali no meio. Eu não era um cara burro, pelo contrario, sempre tive muita facilidade em aprender as coisas. Em gravar elas também, principalmente as ciências exatas. Mas fica difícil aprender alguma coisa quando não se tem uma base muito boa. Mal cheguei e já to com a impressão de que vou me ferrar bonito pra conseguir alguma coisa nesse lugar.
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