Fuckin' Perfect
9 Abra meu zíper
Notas iniciais
(Arctic Monkeys — Do i wanna know)
Eu tinha total noção que Jenn havia colocado Do I Wanna Know, Artic Monkeys para me provocar e também que meu dedos estavam doloridos onde eu havia deixado uma marquinha roxa na cara de Chad. Mas eu realmente não me importava, gostava da música e tentava associa-la enquanto beijava Jenn.
–-- "So have you got the guts?
(Então você tem coragem?)
Been wondering if your heart's still open
(Fico me perguntando se seu coração ainda está aberto)
And if so I wanna know what time it shuts
(E, se estiver, eu quero saber que horas ele fecha)
Simmer down and pucker up
(Se acalme e prepare seus lábios)
I'm sorry to interrupt
(Sinto muito interromper)
It's just I'm constantly on the cusp of trying
(É que apenas estou constantemente à beira)
To kiss you
(De tentar te beijar)
I don't know if you feel the same as I do
(Mas eu não sei se você sente o mesmo que eu sinto)
But we could be together If you wanted to
(Mas nós poderíamos estar juntos, se você quisesse) -- cantei baixinho em seu ouvido.
Jenn riu no meu ouvido, me fazendo arrepiar.
–- Eu sinto, eu quero -- me beijou.
–- E então, vai abrir? -- murmurei, arqueando a sobrancelha.
Ela gemeu baixinho no meu ouvido, antes de me encarar confusa.
–- Abrir?
–- O zíper.
Jenn se separou de mim, mordendo o lábio para não rir.
–- Babaca!
–- O que foi? Foi só uma perguntinha, porra.
–- As coisas não acontecem assim -- ela veio se aproximando de mim, me fitando nos olhos. -- Primeiro, você me beija e só me beija. Pergunta se quer ir pra sua casa. Lá dentro, você me pergunta se eu já fiz isso antes. Eu digo que não, e você diz que eu não preciso, se não quiser. Eu vou querer. Então você me beija, liga o som baixinho, pergunta se está doendo. Eu digo que está, mas que não ligo. Quando terminamos, você diz "foi a melhor noite da minha vida."
–- Odeio seguir roteiros -- cruzei os braços.
–- Você é mesmo impossível -- Jenn revirou os olhos.
–- Baby, impossível é meu nome do meio -- ela colou nossos lábios, desci minhas mãos por suas costas, parando em sua coxa, apertando levemente... tentando sentir todas as sensações que a pele macia, os lábios doces, as mãos insistentes em arranhar minhas costas me provocavam.
–- Hm... sabe, eu sinto muito interromper, mas é estamos fechando -- falou Melinda, um pouco sem jeito.
Jenn se afastou de mim, quase pesarosa, e pegou a bolsa ao lado, jogando no ombro.
–- É claro -- murmurou, vermelha.
Soltei uma risada.
–- Vem, vamos para meu quarto. Seguir um tal roteiro aí.
~~~ // ~~~
–- Logs, sei lá, só acho que não é uma boa ideia.
–- Caralho, você impondo limites. Uau. Quem é você e o que fez com a Jennifer.
Ela deu de ombros.
–- Mas é sério, olhe só para isso. Tá todo mundo acordado.
–- Vamos pela janela.
–- O que a vontade de comer faz com a pessoas -- Jenn fez um muxoxo, antes de tentar começar a escalar a árvore. Ela segurava com firmeza, colocando os pés nos galhos, mas em apenas alguns saltou de volta para o chão, frustrada. -- Sério, não acho uma boa ideia. E se eu cair?
Fitei-a, pensativo.
Tava achando que o que ela não queria mesmo era cair na minha pica. Tá, isso não soou muito delicado, mas era o que parecia.
–- Você era ginasta quando tinha 5 anos. Não vai cair.
Ela bufou e voltou a tentar a escalar a árvore, antes de se jogar no chão novamente.
–- Tá bom, eu não quero dar. Pronto, falei -- cruzou os braços.
Ri alto.
–- Sabia, você não quer é cair em meu pau. Droga. Por quê? Sou tão feio assim?
Jenn apertou os lábios, seus olhos brilharam de diversão.
–- Só não acho uma boa hora. Você é lindo e sedutor, Logan. Estou até com tesão, mas agora não. Rimou! Hah!
Eu era um garoto, de modo que qualquer transa fracassada era um aborrecimento pra mim também. Qual é?! Sexo é vida, só quem nunca comeu ou deu que discorda. Mas eu simplesmente não iria obrigar alguém a fazer o que não queria.
–- O.k. Tem como eu te convencer, aliás? -- a puxei pela cintura, deixando nossos rosto a poucos centímetros de distância.
–- Aguarde mais e... um pouquinho mais -- Jenn me puxou até um carro que eu não sabia de quem era e sinceramente eu não estava minimamente interessado em saber de quem era, e me beijou fervorosamente. Coloquei-a em cima do capô do carro, sem ousar descolar nossas bocas. Jenn dobrou os joelhos, conforme ia se deitando cada vez mais.
–- Logs -- falou entre o beijo.
–- Hm? -- resmunguei, considerando péssima a ideia de parar o beijo.
–- Acho... -- Jenn mordeu meu lábio inferior, antes que voltasse a mexer a língua na minha boca e parar só um instantinho para poder falar --- que tem alguém dentro do carro.
Larguei Jenn na hora, boquiaberto. Encarei mamãe de volta, que me fitava, enojada, do banco do motorista do carro.
~~~ // ~~~
–- Oi, Grey --- falou uma voz estridente atrás de mim.
Fechei meu armário, um pouco surpreso, um pouco sem jeito, mexi nos meus cabelos escuros e me virei.
–- Christina, oi.
Ela sorriu e jogou os fios loiros por cima do ombro. Percebi como cada movimento dela era cuidadosamente manipulado e falsificado.
–- Quanto tempo, não?!
–- É... sim, o suficiente para eu me perguntar o por que de você você estar aqui, agora, falando comigo -- soltei, rispidamente.
–- Vejo que você não mudou muito... continua... hã, rustico -- ela piscou repetidamente, pressionou os lábios pintados de um rosa choque e voltou a sorrir. -- Isso me faz lembrar do porque eu te achei tão atraente. E pelo seu hálito, você anda fumando. Isso é tão... selvagem.
–- Christin... não sei como dizer isso de uma forma legal... não! Espera aí... eu não sou legal! -- levantei a sobrancelha. -- Sua piranhagem não cola mais comigo. Cai fora, vadia.
A pose de Christin caiu na hora, de repente ela me encarava com raiva.
–- Qual é, Logan, você morre de amores por mim. Sei que não mudou de repente assim, quando Winters chegou.
Eu ri olhando para o teto. Bem a cara dela mesmo, não querer nunca que as pessoas a superassem.
–- Então é isso. Você não aceita que alguém tome seu lugar.
–- Ninguém tomou meu lugar. É óbvio que você ainda geme meu nome enquanto bate pensando em mim -- ela mordeu a parte interna da bochecha e expôs um pouquinho mais o decote.
–- Você é nojenta -- fiz uma careta e tentei passar por ela, mas Christin me bloqueou no armário.
–- Grey, você me despreza, mas se esquece que Jennifer é minha amiga, porque é como eu. Se você tem nojo de mim, deveria ter nojo dela também.
–- Jennifer só é inocente demais pra perceber que você respinga veneno -- retruquei.
Christin sorriu, aparentemente achando aquilo um elogio. Seus olhos bem delineados e azuis brilharam.
–- Você disse que me amava. Ninguém esquece tão rápido assim.
Gente. Isso é verdade. Eu tinha dito mesmo que amava ela. Cérebro, oi?
Hora de ser indiferente.
–- Falei é? Nem me lembrava mais -- tentei de novo sair de perto dela.
–- É, falou e talvez isso te recorde -- Christin segurou em meus ombros, me apertando no meu armário, e isso já era bem ruim, mas o que tinha de pior ali era sua boca na minha e o flash de uma câmera flagrando.
Christin me soltou e antes que eu respondesse a vontade de arrancar cada fio a fio de seus cabelos loiros, a dona da câmera falou.
–- Isso sim é algo interessante -- Audrey, amiga de Christin, sorriu e guardou a câmera na bolsa. -- Com que legenda eu mando para a Winters, Christin?
Christina sorriu vitoriosa enquanto me fitava.
–- "Surpresa, vadia."
Armado. Cada movimento manipulado e falsificado.
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