Frozen: A aventura recomeça
15 Capítulo 15
Notas iniciais
Tanto explendor à sua frente! Elsa ficou de boca aberta ao ver a pintura à sua frente. O palácio era magnífico, tão magnífico que a rainha apagou de sua memória a voz tagarela de Nick o qual parou silencioso e esperou confuso por Elsa.
– O que foi? Tá tudo bem? — questionou ele receoso se aproximando lentamente
– Sim, sim. — respondeu Elsa retomando a consciência — É que... é um belo palácio
– Maneiro, né? — concordou Nick pondo as mãos na cintura e admirando o palácio
Era mesmo. Elsa amava seu palácio em Arendelle, era grande e suntuoso. Entretanto o palácio de Skavir tinha uma beleza peculiar. Uma vivacidade incrível, algo que lhe lembrava a liberdade por suas tonalidades azuis contrastando com o dourado quase laranja. Suas torres não eram tão próximas e possuíam grandes bandeiras de Skavir, o que aumentava a sensação de fluidez fazendo parecer que o palácio flutuava quando o vento soprava — fato ocorria frequentemente em Skavir.
– Você vai ficar aí parada? — indagou Nick impaciente
– Perdão? — perguntou Elsa confusa
– Tem um monte de coisas legais para te mostrar no resto do reino, depois a gente volta. — afirmou ele andando em direção oposta ao palácio — Ah! e eu quero meeeeesmo que você conheça meu irmão — acrescentou ele puxando Elsa e Corin pelo braço
– Ei você, pare e identifique-se — ordenou um dos guardas fardados diferente dos que de costume, o que levou Elsa a concluir ser soldado de Skavir, não Gamel.
– Ih, ferrou! Preciso ir, valeu? A gente se vê qualquer dia desses — despediu-se o garoto correndo para a floresta e sua figura esguia sumindo em meio as árvores.
– Ei, parado! — gritou um dos guardas que se aproximaram correndo
Elsa ficou desnorteada. Foi então que se deu conta da necessidade de se apresentar como rainha no momento em que as lanças afiadas apontavam em sua direção.
– Não se mexa, identifique-se — ordenou um dos três guardas
Elsa respirou fundo e baixou as mãos erguidas pelo medo.
– Você é soldado de Gamel ou de Skavir? — perguntou Elsa assumindo sua realeza.
– Não está em posição de fazer perguntas, senhora. Identifique-se. — retrucou o outro.
– Não posso me identificar sem saber à que reino pertence. — afirmou a rainha séria e afastando a ponta da lança com autoridade
– Você... — começou um dos guardas furioso reapontando a lança
– Calma. — apaziguou outro — Vamos ouvir o que ela tem a dizer. Somos soldados da guarda real de Skavir, me chamo Jeff. É nosso dever identificar todos que se aproximam do castelo. Por segurança do nosso rei. Entende isso? — Explicou ele à Elsa. A rainha sentiu-se mais relaxada e baixou os ombros.
– Entendo perfeitamente — respondeu ela com um sorriso — Eu sou rainha Elsa herdeira do trono de Arendelle, vim à pedido do seu rei de forma sigilosa. — apresentou-se ela majestosa
Os guardas se entreolharam e um deles baixou a lança para conter a gargalhada. Elsa não entendeu o motivo da risada e o guarda compreensivo também sorriu incrédulo.
– O que há? — perguntou ela ingenuamente
– De-desculpe. Mas você não podia arranjar uma desculpa melhor? — debochou o guarda rindo
– Por que não acredita? — perguntou Elsa irritando-se com a insolência
O guarda recobrou-se e olhou Elsa de cima a baixo com ar de desdém. Foi então que Elsa percebeu que ainda vestia as roupas simples do disfarce e o cabelo em coque simples.
– Não seja por isso — afirmou Elsa esfregando os dedos da mão esquerda
Surgindo aos pés de Elsa, uma linha mágica e cintilante envolveu-a em espiral e alterava seu roto vestido cinza e recatado em um estontiante vestido azul da cor do mar com tons esverdiados nas pontas próximas aos pés e com alças tão finas que só eram perceptíveis quando vistas de perto. Seu cabelo desfez-se em sua trança real costumeiras.
– Imagino que agora me reconheçam — desdenhou Elsa pondo as mãos na cintura deixando a fenda de seu vestido revelar um pouco de sua pele — Ah! Talvez isso ajude — acrescentou Elsa criando em suas mãos uma simplória coroa de gelo.
Esse ato lhe deu uma pontada no coração, lembrou-se de uma semelhante a qual dera à Anna.
– Perdão, Majestade — desculpou-se Jeff curvando-se e seu companheiro imitando-o desnorteado
– Está tudo bem — perdoou Elsa erguendo-os
– Não se dê ao trabalho alteza — interviu o companheiro de Jeff rejeitando a ajuda de Elsa — E mais uma vez nos perdoe pelo tratamento.
Elsa sentiu uma ponta de culpa por ter agido tão arrogantemente. Pelo menos foi isso que ela pensou ter feito. A rainha de Arendelle sentiu seu vestido ser puxado levemente
– O que foi, Corin? — perguntou Elsa sorrindo ao ver a criança pasma.
– Vo... Vo... — as palavras não saiam, eram os olhos da pequena que denunciavam todos os pensamentos em sua mente — ISSO É MUITO LEGAL! — Disse finalmente — Você faz um desse para mim? — pediu ela pulando
– Majestade? Quem é essa menina? — indagou o guarda estranhando
– Esta é Corin, ela precisa voltar para onde estamos hospedadas. Vince está à sua espera, procurem por ele — orientou Elsa e os guardas se entreolharam — É muito importante que a levem. E avisem ao meu guarda real que já estou no palácio com o rei. Quem for, não deve estar fardado eles pensam que Corin é minha filha.
– Por que eu tenho que ir? — Questionou a garota cruzando os braços
– Corin, agora não é hora — repreendeu Elsa — Isso é muito importante, e você tem que voltar
– Eu levo, Majestade. — ofereceu-se o guarda antes de Corin protestar — Só me diga qual hospedagem.
– A segunda depois do Porto — informou Elsa
– É melhor entrar, Alteza. Não é seguro ficar aqui fora se quer manter o sigilo. — aconselhou Jeff
Elsa concordou com a cabeça, beijou a testa de Corin e cochichou algo à ela, foi guiada por Jeff para dentro do castelo enquanto Corin seguia para a hospedagem.
– Me permita, Alteza — pediu Jeff tocando Elsa em suas costas a guiando pela porta lateral — Temos guardas de Gamel em meio à guarda real de Skavir, outra exigência da nossa "proteção" — explicou ele
– Então esse é o motivo da minha vinda? — perguntou Elsa pasma seguindo
– Sim. Eles dizem ser para nosso avanço financeiro. Mas tudo que fazem é nos roubar. Não podemos fazer nada, nossos barcos foram destruídos, e convenhamos, por aqui — ele interrompeu-se para indicar um largo corredor — Skavir depende dos barcos. Espere aqui, Majestade.
Elsa olhou ao seu redor e percebeu um amplo jardim fora do castelo. Possívelmente o lado mais distante — e o palácio era enorme como o de Arendelle. Ainda estava desnorteada com tanta informação. O que estava acontecendo aqui? O que ela poderia fazer?
Tantas perguntas surgiram em sua mente que sentiu uma forte tontura. Sentou-se em uma cadeira branca em volta de uma mesinha igualmente branca de ferro talhado com desenhos em várias ondas. Observou os detalhes e teve a impressão que as ondas se mexiam, assim como o castelo. Aliás, Skavir tinha uma atmosfera a qual dava a impressão de toda ela ser mar. Exceto pelos enjoos que sentia no barco, a sensação era a mesma.
– Alteza — reverênciou um homem baixo e parrudo com um bigode grizalho semelhante a seus cabelos e vestido com riqueza e medalhas
Elsa curvou-se em reverência identificando o rei de Skavir.
– Eu não tenho palavras para agradecer sua presença aqui — disse o rei com sua voz fina que recebia um tom engraçado graças a isso.
– Não pude recusar, Majestade. Mas confesso que seu pedido me deixou curiosa. E não entendi até chegar aqui. Não sei o que planeja, mas sou rainha e imagino como deve ser amargurante ver seu povo oprimido
Elsa sentou-se novamente à mesa desta vez com o cavalheirismo do rei.
– Perdoe não oferecer nada de muito especial para a sua chegada, Alteza. Tive que manter a descrição — explicou o rei — Até mesmo dentro do castelo não me sinto mais seguro. Por isso a área externa — confessou ele estendo os braços em direção ao seu redor — Aqui é atrás do castelo e assegurei que guardas de confiança vigiassem as passagem até aqui, ao mesmo tempo que estamos em frente à uma floresta bem densa, são poucas as clareiras para ali.
– Majestade, perdoe interromper. Eu quero chegar ao ponto logo — disse Elsa gentilmente
Não queria contar ao rei que estava preocupado com a guarda de uma pequenina travessa que só lhe deu trabalho desde que chegou.
– Sim, claro — concordou ele um pouco surpreso
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Na cozinha do castelo de Skavir
– Rápido! O príncipe está com fome — gritou o cozinheiro
– Quem mandou ele voltar da caça dois dias antes sem avisar — resmungou o ajudante
Um tapa em seu pescoço o alertou de que suas palavras não eram bem-vindas.
– Ele é o príncipe, e logo seu rei. Mais respeito! — revidou o cozinheiro estressado
– Relaxa, Donald. Eu não vou comer seu fígado se não aprontar logo a comida — interveio brincalhão um homem alto de olhos cor de mel e cabelos castanhos.
– Alteza! — curvou-se o cozinheiro
– Eae, tudo bem? Onde está meu irmão?
– O príncipe Nicolau sumiu como sempre — respondeu o ajudante
O rapaz gargalhou lembrando-se das peripécias matinais de seu irmão, mesmo o menino sendo, muitas vezes, mais responsável que ele, ainda tinha muito de sua infância.
– E meu pai? — perguntou ele
Os dois se olharam assim como os demais trabalhadores da cozinha — que não eram poucos.
– O que ele está fazendo que não podem me dizer — inquiriu o príncipe desconfiado
Seu pai poucas vezes lhe confiava alguma coisa. É verdade que muitas vezes era intempestivo e exibia muito de suas emocões. Mas, poxa, ele seria o próximo rei! Ou não?
– DIMITRI! — Um peso grande lhe atingiu nas costas e os braços finos de seu irmão noticiaram o paradeiro do príncipe mais novo
– Ei, garotão! Onde você se meteu?! Roubando maçãs do papai de novo?! — recepcionou-o Dimitri com um forte abraço.
– Como foi a caça? Pegou algum cervo? Ou algo maior?! Por que voltou antes? Papai pensava que você só voltaria em dois dias — disparou o menino
– A caça foi muito boa, pegamos dois cervos e voltei antes porque um dos criados ficou doente — respondeu Dimitri numerando cada resposta com os dedos — Onde está papai?
A cabeça baixa e o olhar desviado indicaram para Dimitri que estava certo sobre seu pai lhe esconder algo. Sentiu uma decepção no peito.
– Nicolau... — chamou ele sério
– Sabe que eu odeio esse nome! — resmungou o menino irritado
– Então me conte: Onde está papai e por que esse mistério? Ou vou te chamar assim pelo resto da vida.
– Ele está no jardim, perto da floresta — confessou tristonho o garoto — está com uma rainha, lá de Arendelle. Ela deve ser muito chata, por que ele não me deixou ir com ele.
Dimitri sentiu um misto de surpresa e confusão. Por que seu pai esconderia isso dele? O que ele planejava? Por que não o incluiu? Skavir também era sua obrigação.
– Por que eu...
– Não sei — respondeu Nick sabendo as perguntas de seu irmão, eram como alma e corpo — Ele só esperava que você não estivesse aqui.
– Então eu vou descobrir — afirmou Dimitri saindo em direção à porta
– Dimy, espera, não! — pediu o garoto tentando seguí-lo.
Dimitri não parou ao pedido do irmão e Nick demorou para alcançá-lo. Quando chegou, deteve-o e suplicou novamente
– Se ele souber que eu te contei ele vai ficar muito decepcionado, Dimy. Por favor, não vai
Dimitri sempre cedia a seu irmão, os olhos azuis como o mar que contrastavam com o loiro de seus cabelos deixavam o príncipe amolecido.
– Não vou até lá. Mas vou espionar por cima do castelo — cedeu ele
– Olha o seu tamanho! Até um míope te veria em cima do castelo! — contrariou o irmão. — e seu cabelo não ajuda a sumir lá em cima — acrescentou cruzando os braços
Era verdade, Dimitri era bem forte, resultado de muitos momentos na caça e... de aventuras pelo céu.
– Já entendi, Nick — sorriu ele circulando suas mãos
Nick começou a sorrir também quando percebeu que seus pés não tocavam mais o chão.
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– Está me dizendo que quer fazer guerra com Gamel? E quer Arendelle como aliado? — questionou Elsa incrédula.
– Sei que é um pedido difícil — concordou o rei — Mas, entenda. Seu pai era um grande amigo meu. Muitas vezes eu o ajudei e ele me ajudou, sempre soube que poderia contar com ele, esperava poder contar com vossa alteza também. Gamel nos subjulgou poucos anos antes de... seus pais... Bem, nunca fui à favor da guerra
– Nem meu pai, e pretendo seguir o mesmo caminho — interrompeu Elsa
– Esperava por isso. Mas Arendelle era minha última esperança — confessou ele baixando a cabeça desolado — Não temos condição alguma de nos libertar e Gamel não aceita nada que ofereçamos.
Elsa ficou pensativa por alguns minutos.
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– O que você tá vendo?! — gritou Dimitri
Nicki o repreendeu do alto e fez um gesto para que o erguesse mais. Ultrapassando a última torre o menino nadou pelo ar tentando avançar mais um pouco. Ele não acreditava no que via.
– Elsa? — ele sussurrou para si
Dimitri já estava impaciente, queria saber o que seu pai escondia. Queria subir, invadir e questionar. Contudo, não podia fazer isso, não agora. Um latido o tirou de seus pensamentos.
– Duck, não, não! — ordenou Dimitri ao enorme cachorro peludo que pulou sobre ele
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– Mesmo que eu quisesse, Arendelle não pode arcar com uma guerra — ponderou Elsa
– Já seria de grande ajuda se mandasse suprimentos e roupas para os soldados e nosso reino — informou o rei entusiasmado — Gamel vai parar de nos mandar alimentos assim que inicarmos a guerra. Mas claro... correria o risco de Arendelle se tornar um alvo — alertou ele receoso
Elsa suspirou
– Teria que perguntar ao meu povo, afinal, eles são os que correm risco.
– Obrigada por apenas tentar — agradeceu ele.
Elsa sorriu por ter dado um pouco de esperança àquele homem. O que aconteceria se Arendelle passasse por aquela situação?
Um grito distante e crescente a tirou de seus pensamentos. Nicki caia do alto do castelo em uma velocidade estúpida e gritava por socorro, por Dimitri e Elsa.
O rei se assustou ao reconhecer seu filho e gritou. Elsa, em um ato reflexo, formou tobogã em forma de "U" incompleto em direção a monte de neve tão grande que alcançou a altura de metade do palácio.
Sua mente não percebeu mais nada além da sensação de ter seu coração batendo em suas têmporas. Aos poucos pode ouvir a voz de alguém desconhecido e percebeu que sua respiração estava ofegante.
– Pelo amor de Deus, Nick. Me diz que você está bem — pediu Dimitri abraçando seu irmão quase chorando.
O rei ainda estava em choque, mas conseguiu respirar ao ver seu filho andando coberto de neve
– A Elsa, foi a Elsa, Dimy — disse Nicki sorrindo
– Quem? — perguntou o príncipe mais velho soltando seu irmão
– Ela, foi ela quem me salvou — respondeu Nick apontando para a rainha que ainda mantinha os joelhos flexionados, os braços soerguidos e as mãos na direção do monte de neve.
Dimitri a olhou por alguns segundos admirando os olhos azuis e a mecha de cabelo que pousava em seu rosto. Ele sorriu e a abraçou com força.
Como se não bastasse tanta informação, aquele abraço deixou Elsa ainda mais confusa e tonta. Quando Dimitri a soltou, a rainha de Arendelle o olhou com estranheza.
– Nunca vou poder agradecer por ter salvo o meu irmãozinho — agradeceu ele com um olhar sincero
Elsa sentiu seu sangue esquentar seu rosto ao ter um contato tão intenso com aqueles olhos cor de mel. Ela desviou o olhar envergonhada e com a certeza que seu rosto estava vermelho como uma maçã.
– O que você tem na cabeça?! — gritou o rei estapeando seu filho mais velho na cabeça com um saltinho.
– Ai! — gemeu Dimitri com o susto
– Seu irmão podia ter morrido! E por sua causa!
– Calma, senhor George, não queremos causar má impressão a essa beldade a nossa frente, não é mesmo? — disse Dimitri abraçando seu pai e sorrindo nervoso
– Me perdoe, Alteza, meu filho não faz isso comumente.
Elsa sorriu. Foi nesse momento que ela percebeu que seus poderes passaram desapercebidos. E foi também quando notou o rosto familiar de Nick.
– Espera, Nick? — questionou ela surpresa.
– Oi, Elsa. Esse aqui que é o meu irmão — apresentou o garoto natural como o dia que nasce.
– Você é príncipe de Skavir?!
– É, acho que sou — respondeu ele estranhando a surpresa de Elsa
– E você não me disse nada?!
– Você não me disse que era a rainha de Arendelle, então estamos quites — retrucou Nick sem dar importância.
– Espera, já se conheciam? — questionou Dimitri confuso
– Eu encontrei uma garota que tava perdida e a Elsa tava atrás dela. — Explicou Nick — Ah! Ela me salvou lá também. Eu ia caindo da árvore e aí Bum! Um monte de neve me aparou. Maneiro né?
– O que você estava fazendo na árvore?! — indagou o rei
– Pegando maçãs, ué. Foi logo alí — apontou Nick para a floresta à sua frente.
– Então acho que devo mais um abraço de agradecimento — disse Dimitri abrindo os braços
– Não precisa — impediu Elsa envergonhada
Dimitri sentiu-se culpado, não esperava essa reação.
– Perdoe se pareci rude, Alteza. Não quis ofendê-la — pediu ele se curvando
– Não, não — interrompeu Elsa sorrindo nervosa — Não foi por isso. Só quis dizer... que não precisa agradecer — corrigiu-se ela envergonhada
Não sentia-se confortável para dizer que recusava o abraço por temer outro olhar intenso como aquele.
– Vossa Alteza salvou meu irmão duas vezes no mesmo dia, tudo que eu preciso é agradecer — disse DImitri sorrindo genuinamente
– Iaí, cê gostou dele não é? — perguntou Nick à Elsa
– Quê? — soltou Elsa erguendo as sobrancelhas
– Nick! — repreendeu Dimitri
– Acho melhor levar você para uma enfermaria, meu filho — interrompeu o rei guiando seu filho — Dimitri, por favor, faça companhia para a rainha enquanto eu não estou.
– Espera, pai! — pediu Nick
– Não senhor, vamos logo — negou o rei sorrindo para Elsa e empurrando o filho mais novo.
Nick se soltou do pai e deu um abraço em Elsa
– Valeu — foi tudo que ele disse sorrindo antes de seguir para seu irmão — Faz aquele negócio com o vento, ela vai gostar e pede para ela fazer mais coisa com gelo — sussurrou ele para Dimitri
– Nicolau, venha — chamou o rei sorrindo impaciente
Os dois saíram e deixaram Dimitri e Elsa desconcertados, em pé de frente um para o outro.
– Desculpe por tê-la abraçado — disse Dimitri afinal — Não sabia que não gostava.
– Eu gostei do abraço — afirmou Elsa tentando consolá-lo e então quis engolir suas palavras e mordeu seus lábios.
– Sério? — perguntou ele mais aliviado — Nossa, que alívio. Acho que por isso meu pai não contou que viria, sabe, às vezes esqueço que as outras pessoas não agem como eu, acabo sendo muito impulsivo — confessou ele sentando-se na cadeira — Desculpe, não deveria estar enfadando Vossa Alteza com meus problemas fúteis.
Elsa tentou conter um riso e isso a deixou lindamente inocente.
– Não tem problema. Fico feliz de ver alguém que não está dando tanta importância assim para as formalidades — consolou Elsa acompanhando-o à mesa.
– Vossa Alteza deve ser sempre muito respeitada, não é mesmo?
– Como Vossa Alteza está fazendo agora. — brincou ela dando enfase para "Vossa Alteza"
– Força do hábito. Mas aqui em Skavir faço questão que isso não aconteça. Deixo Donald louco. Ele é nosso cozinheiro, e quando ele me chama Alteza eu às vezes finjo que não é comigo.
Elsa sorriu lembrando de como isso ocorria em Arendelle. Anna... seu rosto expressou sua saudade e DImitri notou
– A incomodo, Alteza? — perguntou Dimitri gentilmente
– Hm?
– É que parece um pouco triste, talvez queira ficar um pouco só. Não sei do que se trata o que meu pai conversou com Vossa alteza, mas deve ter sido sério, deve querer um tempo para pensar.
As sobrancelhas arquejadas e o sorriso irônico de Elsa se mantiveram durante toda a fala de Dimitri
– Em primeiro lugar, vamos parar com isso de Alteza, me chame de Elsa e eu te chamo de...
– Dimitri — completou o príncipe
– Porque é muito estressante lembrar de todas as formalidades; segundo, não estou triste, apenas com saudades de Arendelle; terceiro, não sabe do que seu pai falou comigo?
– Não. E, por enquanto, não quero saber.
– Mas você não vai ser o rei? Você não devia saber? Quantos anos tem? — Elsa estava bem confusa, ele deveria saber que seu pai pretendia iniciar uma guerra!
– Sim,vou ser o rei, e sim, deveria saber. Tenho 25, e você? — respondeu ele brincalhão
– Isso é um assunto sério — rebateu Elsa surpresa.
– Eu sei — concordou ele largando sua fisionomia descontraída — Mas acha que serei um bom rei se não tiver calma e não confiar em quem amo?
Elsa ficou em silêncio. Ele podia parecer um tolo, mas era sábio.
– Me perdoe novamente. Estranhamente estou falando muito sobre mim hoje — confessou ele surpreso consigo
– Você não é o único. — sussurrou Elsa instaurando um silêncio
– Acho que devo seguir o conselho do Nick. — afirmou ele levantando-se e estendendo a mão para Elsa
– Aonde vamos? — perguntou ela levantando-se e seguindo-o
– Bem, deu para ver que eu não sou o único que brinca com a natureza nesse mundo — começou ele passando pelo tobogã que Elsa criara para salvar Nick e dando um leve tapa no monumento de gelo — Então vou destraí-la para agradecer pelo que fez — ele se virou para Elsa e sorriu — Mesmo que não precise — retornou ao seu caminho e Elsa o seguiu confusa — E já que você é como eu, não corro o risco de desmaios ou algo do gênero da sua parte.
– Espere — pediu Elsa parando bruscamente
Dimitri virou em direção a ela. Ele estaria errado? Mas o que tem de errado com as mulheres?
Ao contrário do que esperava, Elsa apenas sorriu e desfez o tobogã.
– Não gosto de deixar minha bagunça para os outros limparem — ela sorriu arrogante — Aonde vamos? Se for longe, prefiro ir a cavalo — acrescentou ela passando por ele e sussurrando em seu ouvido
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