Notas iniciais
Uma coisa que esqueci de mencionar no capítulo anterior: Arendelle fica na Noruega, imaginem Skavir na Dinamarca, um reino logo atrás da ilha ao norte da Dinarmaca (e ao sul de Arendelle). Só para quem quiser ter uma noção do percurso :D

Uma semana depois

– Bom dia dorminhoca! — gritou Anna entrando no quarto e batendo a porta

– O QUÊ?! — despertou Elsa assustada e lançando uma forte rajada de gelo em direção à janela

– Opa, calma. Sou só eu — disse Anna recuando um pouco

– Anna, você está bem? Eu acertei você? Deixa eu ver aqui — dispara Elsa preocupada e checando o corpo de Anna

– Eu estou bem, Elsa. — apaziguou Anna — Por que seu cabelo não parece uma juba quando você acorda? — pergunta ela observando o cabelo comportado da irmã

– Anna, por favor. Nunca mais faça isso. E se eu tivesse acertado você?

Elsa estava realmente preocupada. Anna lhe assustou sem querer e isso poderia tê-la machucado. Droga, nem ser acordada pela irmã ela podia mais!

– Mas não acertou. Viu? — Anna se olha de cima a baixo — estou inteirinha. Agora... como faz para acordar assim?

– Tem certeza que está bem? — Anna cruzou os braços e estreitou os olhos fazendo Elsa sorrir — Penteio antes de dormir e faço uma trança sem amarrar nas pontas. A trança se desfaz de noite mas ele não fica em pé.

– E por que não me disse isso antes?!

– Nunca perguntou — respondeu Elsa rindo

– Tá, não é isso que importa. Temos que conversar.

– Deve ser muito sério. Para você levantar por livre e espontânea vontade e ainda por cima cedo — brincou Elsa

Anna riu irônica. Era um assunto sério e Elsa estava brincando com seu sono, seu precioso soninho.

– Vai me dizer o que é depois do café. Preciso comer agora — disse Elsa arrastando Anna para fora do quarto — Vamos!

As duas correram — Elsa correu, Anna foi arrastada — até o início da escadaria onde Elsa parou bruscamente.

– O que foi? — perguntou Anna estranhando

Elsa olhou para os corredores, não havia ninguém, ou parecia não haver.

– Corin está acordada? — perguntou ELsa mordendo o lábio inferior

– Não, acho que não.

– Ótimo. — Elsa esfregou as mãos e ficou trocando o pé de apoio — disse à ela que não podia fazer isso

– Isso o quê?

A resposta de Anna foi ver Elsa congelando toda a escada tornando a mesma uma rampa.

– É melhor se segurar — afirmou Elsa prendendo em seus pés e nos de Anna duas pranchas de gelo puro

– Não, Elsa. Não!

Mal Anna terminou de concluir sua frase e Elsa a puxou consigo para descer as escadas. Foi assustador, mas divertido. Os primeiros segundos foram aterrorizantes e ambas gritaram até o final das escadas. Elsa não havia planejado a parada e as duas sentiram um frio na barriga quando perceberam que a diversão acabaria com as duas bem machucadas contra meia dúzia de armaduras medievais.

– Ao menos me avise antes de fazer isso de novo — pediu Anna cuspindo um pouco da neve que amorteceu a queda das duas

– Ao menos bata na porta antes de me acordar daquele jeito — retrucou Elsa sorrindo sarcástica

– Ah, Entendi. Vingança.

– Nada disso. Só era o meio mais rápido de descer as escadas — debochou Elsa — Agora vamos. Ainda estou com fome.

Anna e Elsa seguiram para a cozinha. Era cedo e mesmo assim todos os empregados estavam de pé, os cozinheiros trabalhavam rapidamente para preparar o café da manhã e surpreenderam-se com a princesa e a rainha tão cedo rm busca de alimento

– Majestade, me perdoe. Se tivesse avisado que iriam tomar café mais cedo eu... — desculpou-se a cozinheira chefe

– Não se preocupa. Calma. — tranquilizou-a Elsa — Só me dê qualquer coisa para enganar meu estômago — pediu ela com uma careta pondo a mão sobre estômago

A cozinheira conteve um sorriso. Era bom ter a rainha por perto, antes de ser exilada do mundo, era comum ver um sorriso ao amanhecer, dela e da princesa. Sorrisos esses que não mudaram nem um pouco com os anos passados.

Enquanto Anna e Elsa comiam na cozinha — sob reprovação da cozinheira que insistia que ambas esperassem fora de lá — Corin buscava saber a origem dos gritos que a despertara. Ainda sonolenta a menina andou pelo corredor e abriu o sorriso ao ver a escada congelada.

– Que legal! — exclamou ela saltando perto da escada

A pequena tocou com a ponta dos pés a congelada escada e tremeu de frio. Talvez não fosse a melhor hora para brincar na neve. E como irá descer? O sono ainda persistia em seu corpo e ela esfregou os olhos e encostou-se no corrimão. É, pelo visto vai ter que descer pelo corrimão. Suas risadas ecoaram pelo salão, poderiam ser ouvidos da cozinha se Elsa e Anna não estivessem tão ocupadas.

– Não pode por a mão aí — repreendeu a cozinheira estapeando a mão de Elsa a qual buscava os morangos que a mulher cortava — Ma-majestade, me desculpe eu... — desculpou-se ela ao ver quem repreendera e como Elsa havia reagido massageando a mão agredida

– Ai. Tudo bem — desculpou Elsa roubando um pedaço da fruta

A cozinheira apoiou as mãos na cintura e enviou para Elsa um olhar de reprovação.

– Ainda não está pronto! Se não parar de beliscar vai acabar com os morangos!

– Mas por que está cortando? Eles já são pequenininhos — perguntou Elsa pegando um morango inteiro e o pondo na boca — Não precisa nem cortar. Como uma dúzia de uma fez — acrescentou cobrindo a delicada boca cheia com as mãos

– Ela tem razão — concordou Anna também pegando um morango para si e tomando o leite que havia pegado

– Já chega. Para fora as duas! Vão acabar com meus ingredientes! — explusou-as a mulher

– Não saio até terminar de comer esses morangos — debochou Elsa sentando-se na ponta da mesa

– Ei! Deixa para mim também — pediu Anna acompanhando a irmã

A cozinheira pôs a mão sobre seu rosto e a desceu com força.

– Muito bem, o que vocês querem para me deixar cozinhar em paz? — perguntou ela

Anna e Elsa se entreolharam sorrindo maliciosamente.

– Chocolate — responderam as duas em unissono

– Frank! — gritou ela

– Eu!

– cadê o chocolate que eu ia usar na sobremesa do almoço?

As duas riram por conseguir o que queriam, mesmo depois de ter saciado a fome. Anna e Elsa sairam da cozinha satisfeitas e seguiram para fora do castelo. O outono batia à porta, era cedo e já estava calor; e não foi só as duas que pensaram assim, Corin estava correndo atrás de uma borboleta quando as ouviu se aproximando. A garota se escondeu atrás dos portões, estava cedo e sua mãe pediu que não fosse ao exterior do castelo sozinha, com certeza iriam brigar com ela.

– Então, Anna, o que você queria conversar? — perguntou Elsa após terminar seu chocolate

– Elsa...

– Por favor, não me diga que é sobre a viagem à Skavir de novo — pediu Elsa saturada

– Sabe a minha opinião sobre isso.

– E sabe que não adianta discutir. Já conversamos sobre isso e está decidido: Eu parto amanhã e de navio — decretou Elsa irritada

Anna a olhou assustada, não era comum Elsa a tratar assim. Corin ouvia tudo confusa. Esse silêncio a deixou curiosa.

– Vem comigo — ordenou Elsa cruzando os portões do reino determinada — Olhe. Está vendo? — perguntou apontando para a aldeia — cada casa dessa tem uma familía, cada familía com pelo menos quatro pessoas. Arendelle é só um pouquinho menor que Skavir. Significa que tem mais ou menos a mesma quantidade de pessoas

– Eu sei onde quer chegar, Elsa. E eu entendo

– Se entende porque me pede isso, Anna? — perguntou Elsa segurando os braços de Anna em súplica — Não pense que não sei o risco. Acredite, eu sei o que você deve estar pensando. Mas eu não posso deixar de pensar que podia ser Arendelle. Nem imagino o que o rei Henrique deve estar sentindo agora, pensando no que pode ou não acontecer com seu reino. Como rainha, Anna, como rainha, e só como rainha, eu preciso ir.

As duas ficaram em silêncio novamente. O discurso de Elsa apertava o coração de Anna, sabia das obrigações da irmã e nesse momento odiou pertencer à realeza. Corin ouvia a tudo e, assim como Elsa e Anna, sentia as lágrimas queimando os olhos de aflição. Era apenas uma menina, mas sabia, pelo tom de voz, que o assunto era perigoso.

– Eu sei. Só... só toma cuidado. Eu só queria proteger você.

– Anna, eu vou ficar bem. Sabe disso — consolou Elsa

– Não quero perder você, Elsa. Eu... não vou aguentar perder você também

"Como assim perder a Elsa?" Pensou Corin. O rosto da pequena se transformou. Sentiu um medo muito grande e um calafrio subir a espinha.

– Você NÃO vai me perder, Anna — afirmou Elsa olhando firme nos olhos da irmã — Muito menos agora. Entendeu? — Anna meneou a cabeça confirmando e Elsa prosseguiu — Confesso que ainda tenho medo dele... — disse elsa sentando-se sobre a ponte e olhando o mar sob si — Mas preciso ir. Não porque foi um pedido do rei, nem porque só eu posso resolver esse assunto. Mas porque eu tenho que enfrentá-lo e... parar de sonhar com ele.

– Você sonha também? — pergintou Anna surpresa

– Você também?! — repetiu Elsa com a mesma surpresa

"O que importa os sonhos?! Tem alguma coisa querendo matar a Elsa e vocês vão falar de sonhos?!" Pensou Corin angustiada. Queria poder ajudar, combater.

– Às vezes. — afirmou Anna — sonho que mamãe e papai não iam...

– Queria tanto que eles tivessem ficado — confessou Elsa em um sussurro

As duas ficaram em silêncio alguns minutos. Corin pensou que estivessem sussurrando, não conseguia ouvir nada.

– Sempre sonhava com eles. Agora só às vezes. Fico feliz de não sonhar com eles, mas tenho medo de esquecer dos dois.

– Eu também. Por isso não me importo quando tenho pesadelos com eles. Pelo menos estão na minha cabeça.

– É — solta Elsa — diz isso porque seu quarto não amanhece congelado. Eu realmente espero que depois dessa viagem eu faça as pases com o gigante aqui — Elsa sorriu nervosa observando o mar

"Gigante? É pior do que eu pensava. Tenho que ajudar a Elsa" A mente infantil sempre distorcendo as palavras. Precisava saber mais e esse silêncio novamente se intrometendo!

– Eu perguntei se eles tinham que ir... — contou Elsa esfregando seus braços

– Como?

– Eu pedi que eles ficassem antes de partir... assim como você está fazendo.

– Ah! Muito obrigada pelas palavras tranquilizadoras. — disse Anna sarcástica — Elsa, mão vá. Por favor! Por mim

Elsa sorriu tristemente. Anna soube pelo olhar da irmã que a resposta novamente seria não. Neste momento, Corin correu por detrás do portão dando a volta no castelo para não ser vista pelas duas. Precisava proteger sua amiga. O problema era como.

– Acho melhor entrar — sugeriu Anna — Todos já devem ter acordado.

– Melhor mesmo. Aproveitamos e tomamos café — concordou Elsa

– Comer de novo?!

– Por que a surpresa? — perguntou Elsa cruzando os braços

– Porque você come pouco e agora está acabando com a comida de Arendelle. Sei que tem sobrado muita comida mas não precisa acabar com tudo sozinha

– Estou nervosa, está bem? — confessa Elsa esfregando as mãos — Pensei que não me importaria com a viagem, mas estou mais preocupada do que queria estar.

– Adie mais alguns dias.

Elsa sorriu novamente. Anna não desistiria tão fácil, não era típico de sua irmã. Provavelmente subornará o capitão do navio se preciso.

– E prolongar essa agonia? Prefiro partir hoje mesmo — brincou Elsa

– Melhor descontar na comida — disse Anna puxando a irmã de volta ao castelo

As duas entraram e a cozinheira havia posto a mesa. Hana e Gordon estavam à espera da rainha e de Anna. Assim que Hana soube dos importunos momentos da cozinheira com a princesa e a rainha, imaginou que Elsa acordada era o motivo de Corin não estar no quarto, deixou Ferdinando dormindo mais um pouco, o pequenino estava resfriado e febril.

– Bom dia! — desejou Anna sentando-se à mesa

– Bom dia — retribuiu Hana — Onde está Corin?

– Corin? Não está com você? — retrucou Elsa preocupada

– Não. Pensei que estivesse com vocês — respondeu Hana absorvendo a preocupação de Elsa — A moça disse que vocês estavam acordadas. Pensei que Corin estive acompanhando as duas.

– Não vimos Corin ainda — comentou Anna

– Céus, onde essa menina se meteu? — resmungou o pai levantando-se

– É por essa coisinhas que estão procurando? — perguntou uma grave voz

Tosos destinaram os olhos ao guarda alto e de ombros largos que pendia Corin pelo ar. A menina estava de braços cruzados sendo suspendida pelo pijama

– Onde você estava? — perguntou Hana correndo até a menina e a libertando

– Eu estava no... — não poderia contar, sua mãe havia proibido

– Encontrei do lado de fora da cozinha — completou o guarda

– O que eu disse sobre sair do palácio sozinha, Corin? — ameaçou Hana

A pequena baixou os olhos em sinal de desculpa.

– Está tudo bem agora. Não está? — perguntou Elsa sentando-se à mesa — É melhor comer alguma coisa, Corin. Venham, sentem-se

Elsa estava muito calma para quem sentia medo. O que aconteceu com o gigante? Corin sentou-se à mesa junto com sua mão e nem se aproximou da comida. Mantinha a cara fechada e o pensamento em um plano para proteger a amiga. Como a salvaria?

– O que você tem, Corin? — perguntou Anna

– Tô sem fome.

A resposta surpreendeu a todos na mesa. Os olhos voltaram-se para a garota e por um segundo todos os movimentos cessaram.

– Como assim "sem fome"? — questionou Hana

– Eu tô ocupada, mamãe. — respondeu a menina altiva

– Com o quê? — retrucou Gordon rindo

– Tô pensando.

– Se não comer não tem como pensar direito — afirmou Elsa retomando a xícara ao seu lado

– Será? — perguntou Corin preocupada

Se não conseguisse pensar, como ajudaria sua amiga? É verdade que seu estômago não estava ajudando fazendo todos aqueles barulhos. Então a pequena decidiu comer, depois pensaria na solução.

Após o café, Elsa subiu a fim de terminar os últimos ajustes para a viagem no dia seguinte; Anna mal teve tempo de descansar, surgiram inúmeros problemas sobre o casamento e até mesmo Kristoff pediu a sua ajuda; Hana subiu para checar o seu bebê e Gordon a acompanhou. Corin estava agitada, Elsa prometera que brincariam assim que finalizasse suas obrigações e nem assim a pequena mudou sua fisionomia pensativa. A rainha começou a estranhar o comportamento de sua amiguinha, contudo, não podia adiar seu compromisso.

– Affs. Não vou conseguir salvar a Elsa sozinha. PRECISO de ajuda. Mas quem?! — um sorriso brotou nos lábios da pequena. É claro! Quem sempre a ajudava em tudo?

Corin correu escada a cima até onde sua mãe estava. Abriu a porta com muita força e por isso assustou à Hana que estava com Ferdinando no colo.

– Mamãe, mamãe!

– Corin! Shhhh — pediu Hana sinalizando silêncio

– Mas, mamãe! Tem que pedir para a Elsa ficar — continuou Corin aproximando-se

– O quê?! — sussurrou Hana

– Ela não pode viajar amanhã. Tem que salvar a Elsa, mamãe. — insistiu a criança puxando a barra do vestido da mãe

– Corin, o que eu disse sobre vir para cá? "Só se você não atrapalhar a rainha" — relembrou Hana aconchegando Ferdinando nos braços, a entrada de Corin o agitou

– M-mas...

– Mas nada — interrompeu Hana — Shh, meu filho, está tudo bem — acalmou ela à Ferdinando que balbuciou um chamado em seu sono — Não vou pedir à rainha que fique. E você está proibida de fazer isso. Entendeu? Ou vamos embora amanhã mesmo.

Corin ainda buscou argumentos. Não os encontrou. Sua boca ficou entreaberta na esperança que algo saisse e convencesse sua mãe e nada aconteceu. Rendida, a menina baixou a cabeça e suspirou desanimada. Não tinha como fazer nada, sua amiga corria risco e ela estava proibida de fazer qualquer coisa para ajudá-la.

A mente infantil tem desses belos dramas. Tão simples e ao mesmo tempo tão complexo. Mesmo com a proibição da mãe, Corin não desistiu. Saiu correndo para fora do quarto. Iria encontrar um jeito de impedir que algum mal acontecesse à Elsa.

Notas finais
Vou tentar postar semana sim semana nao. Anatomia me engolindo. Sobre o filme: Cara, a Elsa fez o castelo de gelo e nao tinha cama nem geladeira la '-' Ela passou dois, tres dias sem comer nem dormir? Mulher! Tu és louca?! Pelo amor! Nao vivo sem minha cama e sem comida. Como assim?!