Fritz Roteiros
1 Episódio 01 - Piloto
Notas iniciais
O primeiro dia de aula sempre foi pra assustador para todos os alunos, de todos os tipos e idades. Menos para Fritz, ele quem saia de sua casa deixando rastro de sangue se seus sapatos para trás, a rua estava praticamente deserta então não havia problemas para o garoto, que guardava sua faca dentro das calças e retirava os sapatos sujos substituindo por botas escuras ao chegar na instituição, jogando os anteriores na grama e correndo para dentro, já sabendo que perdeu o horário de entrada. Mas não havia ninguém vigiando, então foi um caminho sem obstáculos.
Ao entrar na sala de aula, que estava quase que cheia, exceto por uma mesa. Sentou rapidamente e se ajeitou. A professora entrou calmamente, batendo os livros na mesa e olhando para todos como se fossem condenados ao corredor da morte.
—Bom dia, como foram as férias? Bem, agora não importa pois vão estudar até caírem DUROS NO CHÃO!
Fritz sorriu ao ouvir esta frase, e Vince, que estava ao seu lado o encarou. Aquele garoto de cabelos azuis lhe dava arrepios. A mulher começou a escrever na lousa enquanto todos copiavam.
No meio do silêncio, todos ouviram a voz dele.
—Professora...
—Sim? — Se virou, dando atenção para o aluno.
—...Posso ir ao banheiro? — Olhou fixamente pra ela.
—Claro, tem 10 minutos para isso. Pegue a ficha e saia!
—Obrigado. -Levantou, pegando a ficha e saindo.
Vince bateu a ponta do lápis na mesa repetidas vezes, então resolveu pedir também.
—Posso ir depois dele, professora?
—Claro.
"ótimo", pensou consigo mesmo. Ele queria ver o que ele ia fazer tão cedo assim no banheiro, talvez seja só coisa da sua cabeça.
Ao chegar lá ele fechou a porta e abriu sua mochila, onde uma chama azulada surgiu e um crânio voou para fora.
—Isso é ótimo, rapaz. Aqui há centenas de almas para comer!
—Segure seu apetite, Oraxe... vamos inspecionar primeiro, ver quem é mais fraco...quem é mais forte... lembre-se que o trabalho de apagar esses porcos ainda é meu... — Andava até o espelho enquanto falava com o crânio.
—Não seja tolo... por mais que o trabalho seja seu, a recompensa é nossa. Você me alimenta, eu te dou poder...é assim que nossa aliança continua viva... se não me alimentar... — Ele fez o reflexo do Fritz se tornar uma caveira, fazendo-o se assustar a afastar o olhar do pedaço de vidro. Quando olhou de novo, o reflexo voltou ao normal. — Entendeu?
—Sim... — Se virou para o crânio. -Vou precisar de tempo...preciso atraí-los.
—E como fará isso?
—Eu irei... ser agradável, gentil...prestativo. E quando fisgar bastante...irei convidá-los para uma festa em minha casa...dizendo que é meu aniversário e... — Ele arrancou a faca da calça e golpeou a porta de um dos banheiros. — ...BLAM! ...um banquete ao seu dispor... — Sorriu friamente para o crânio.
—Você é sempre um gênio.
—Obrigado...
—Tem alguém vindo, aliás... — Voltou para a mochilha, fechando-a.
Fritz removeu a faca e escondeu-a na calça novamente, abrindo a torneira e fingindo lavar as mãos. Vince abriu a porta e olhou em volta, se deparando com o garoto. Andou para um dos sanitários, fechando a porta. O de cabelo azulado encarou o reflexo do espelho, e ao ver ele sair, pegou a mochila e já foi para fora, caminhando tranquilamente pelo corredor. Vince ergue uma sobrancelha.
—Menino estranho... — Começou a lavar as mãos quando avistou uma marca enorme na porta, se virou e caminhou até ela. Isso não poderia ser uma tinta descascada, olhou com mais atenção e viu que quebraram. Ele abaixou o olhar, viu lascas de madeira no chão. Levantou rapidamente e correu para fora, atrás dele. Mas já não o via mais. Voltou para a sala e lá estava o meliante.
—Bom, vou dar o intervalo agora para vocês, depois irei continuar a matéria.
Todos saíram as pressas da sala, sobrando apenas ambos meninos. Vince sentou na sua mesa e encarou o garoto. Este pegou um chiclete e mascou calmamente, olhando para o relógio da sala. O barulho de estouro de chiclete e o tic-tac das horas começou a atormentar a cabeça dele, que bateu a mão na mesa.
—Okay! Me diz uma coisa...
—Sim? -Apoiou uma mão no rosto e sorriu de canto.
—O que são aquelas lascas no chão do banheiro? Aquilo não existia antes!
—Lascas? Está ficando louco? -Soltou um risinho e estourando de novo a bolha de chiclete.
—Se eu sou louco então não devo ser o único! Você não anotou nada da aula, por quê trouxe mochila? — Apontou pro objeto, que logo incomodou Fritz.
—Você tem algum preconceito com gente diferente do que está habituado a ver?
—Não! E quero saber o que tem na mochila!
—Não há nada nela. Eu apenas carrego por segurança.
—Ah, claro! E eu carrego minha mochila para usar como escudo anti-bombas! ...me dá a mochila!
—Não. -Revirou os olhos e continuou mascando tranquilamente.
Vince se cansou dessa conversa e desceu da mesa, indo em direção da mochila, quando Fritz percebeu pegou-a rapidamente e foi para a porta da sala, correndo para fora.
—Volta aqui!
—Parece que já desconfiaram de nós, Oraxe... — Ele dobrou o corredor e foi para a porta de saída da escola, avistou seus sapatos sujos e os pegou, jogando dentro da mochila e olhou para trás, Vince estava atrás dele num pique gigantesco. -Droga...
—Você com certeza tem algo aí! Senão não estaria correndo de mim! — Ofegou enquanto corria e quando finalmente alcançou o garoto, este entrou na sua casa. Ele bateu na porta freneticamente. — Ei! Pode vir pra fora!
—Não vou me livrar tão fácil dele pelo jeito... — Fritz levantou o braço direito, fazendo a porta abrir e se escondeu atrás do sofá.
—Uh? — Arregalou os olhos e hesitou em entrar, mas logo o fez. -Ei...?
Fritz tirou a faca das calças e esgueirou para a cozinha, fazendo barulho de propósito, subindo para o sótão. Ao ouvir o som, Vince foi atrás e viu o rastro de poeira das escadas para o sótão. Subiu elas e chegou ofegante, ficando de joelhos perto da entrada. Olhou ao redor e nada viu, do que várias mobílias velhas e manequins muito realísticos, se levantou tirando a sujeira da roupa e sentiu algo cutucar suas costas. Quando se virou gritou e caiu no chão. Era Fritz com uma faca cintilante nas mãos, seu sorriso e a lâmina, sincronizados.
—O..o.o...quê? -O encarou, assustado.
—Bem-vindo a minha casa...qual é seu nome mesmo?
—É-é...V-vi...
—Vince? — Sorriu ainda mais, apavorando o garoto quase que desmaiando no chão.
—C-como que...como...
—Eu sei de tudo um pouco... não é, Oraxe?
—Claaaaaro... — A chama se espalhou pela sala, mostrando todos os corpos pendurados no teto. Vince sentiu um gelo pelo corpo todo, tremendo dos pés a cabeça.
—Por quê veio atrás de mim? Você devia ter desistido... dava tempo.
—O q-que vocês são?
—Somos mensageiros da morte — Sorriu, balançando a faca. — Estamos aqui pra limpar essa humanidade suja.
—Sim — Concordou Oraxe, encarando Vince jogado no chão. — Eu sou quem concede poder para meu parceiro, Fritz.
—E eu sou quem...bom... — Enfiou a faca no chão, encostando o rosto no de Vince -... você sabe — Solto um risinho, voltando a ficar onde estava.
(incompleto)
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