Frio e outros contos

8 Síndrome de Peter Pan. Decidi-me. Não vou crescer.


Notas iniciais
Olá pessoas! Eu queria lançar um capítulo para vocês... Mas estou com tanta dificuldade de escrever algo descente, que saiu... Indecentemente.... Isso:

'Querido Diário, Inútil...

Mais uma vez fico feliz em compartilhar o frio que faz em minha casa...

Mas hoje, fiquei enraivecida, porque... Não consegui pensar o que escrever em você!? Onde já se viu...

Sou só eu que fico enraivecida quando não consigo escrever? Ainda mais um diário pessoal, bem possível, mas em comoção geral... Eu acho, pouco provável.

Eu estou em uma estranha situação, em que não consigo arranjar tema que se prenda na minha mente. Não me sinto apaixonada, não tenho empatia, mas acima de tudo, não tenho vontade. Eu simplesmente, não quero...

Por que estou sem vontade? Eu não consigo escrever, não consigo achar aquilo que escrevo divertido... Não consigo me apaixonar por meus personagens, não consigo colocar minha cabeça naquilo que realmente, começo a moldar quando não estou escrevendo...

Sinto-me impotente.

O olhar de alguém antes me dava criatividade e vontade, atualmente, vejo tão pouco... Não consigo perceber o que seria a vontade de viver nos olhos das pessoas.

As cores, representavam sentidos, sentimentos, tons, músicas e até mesmo cheiros e sabores. Agora, são pigmentos que eu – e não todas as pessoas – conseguem diferenciar.

Eu sinto como se algo ruim tivesse me acontecido, como se um acidente tivesse me abatido, como se eu... Não tivesse mais a habilidade que eu tinha.

Meus dedos me obedecem, minha mente funciona, mas eu não sei o que quero escrever, eu não sei o que eu busco.

Eu me sinto velha e pouco potente, eu me sinto triste e pouco criativa, eu me sinto perdida e sem céu. Eu sinto que não consigo apreciar o que antes me apetecia. Eu sinto que não consigo transcrever o que antes sentia... Eu simplesmente, parece-me, que... não sinto.

Minha cabeça anda cheia de informações, mas são todas... vazias em valor.

Parece-me que um nervo que ligava minha cabeça às minhas mãos e as mesmas ao meu coração, perderam sua mielina. Não têm mais contatos... Não estão ligadas, e não funcionam mais em conjunto.

O que é essa frustração que me persegue?! O que é essa vontade não resgatada? Por que me sinto tão triste, não estando triste?!

Eu quero chorar e não consigo. Eu quero largar e não posso. Eu quero fugir e não há portas. Eu quero ver o céu, mas não há estrelas.

Por que a vida nos coloca provações que nem sempre somos possíveis de resolver como queremos? Quais são essas decisões, que eu simplesmente não encontro mais rumo...

Qual era o eu que sabia desvendar as bagunças de meu cérebro e coloca-las, ordenadamente para eu ajeitar. Para eu moldar, para eu fazer, para eu criar?!

Por que isso parece tão difícil?! Por que eu mantenho essa fuga sobre mim mesma?

Por que eu fico me questionando sobre coisas que querendo, não tenho a resposta. E adivinhe, isso só me frustra mais ainda. O que devo eu fazer?

E não adianta me mandar relaxar! Eu ‘tô’ de férias, é o que estou fazendo.

Por que, se receber as respostas, sinto que não vou ligar?

Isso é crescer? Isso que é seguir em frente? Isso que é aprender e amadurecer?

Eu me sinto cada vez mais travada, cada vez mais chata e cada vez menos Eu.

Isso é crescer? Se for... eu não quero.

Isso é seguir em frente? Se for... quero voltar atrás.

Isso é aprender? Se for, sinto-me pouco educada. Estou emburrecendo.

Isso é amadurecer? Porque sinto que estou apodrecendo...

O que está acontecendo? Isso não pode ser crescer... Não deve ser?

Eu queria mesmo, era encontrar uma portinha, quem sabe, uma que eu tenho que tomar alguma coisa, ou seguir até a segunda estrela a direita, e entrar nela. Para assim, achar quem sou eu.

Isso é ser infantil? Se for, quero voltar aos sete anos.

Isso é ser irresponsável? Se for quero levar bronca todos os dias.

Isso é ser imaturo? Se for, quero voltar a ser o galho jovem.

Isso é ser Eu? Porque estou pronta para dar meia volta e ver quem eu quero ver... Ninguém mais, do que Eu.

Baixa ou alta, gorda ou magra, advogando ou ensinando, doando-me ou prestando serviços pagos, comendo besteira, ou salada. Não sei. Mas quero voltar!

Quero ser...

Eu.

Você acha mesmo que consegue me ajudar? Por que não tentar?!...

O que você tem a dizer?

Obrigada.'

Notas finais
Espero que entendam. Ao menos um pouquinho! Kissus! Lucyanni!