Frio e outros contos
2 Caixinha de Música
Notas iniciais
... Suspirou, sentou-se, leu como já a tantas vezes fizera:
É jeitoso como o mar
Sim, ele está a soar
Um violino tão doce
Que tece o meu luar
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Irritam a voluta
Que só retorna à dupla
Com os breves do final
Um acorde Fermata
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Todos param de dançar
Não quero lhes congelar
Mas como caixa fosse
Acabam tal qual âmbar
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Como cristais
Não tilintam mais
Com a barra final
Fecha-se a caixa cordial
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O poema encerra-se
Vem o último bemol,
As rimas vêm a minar
E eu saio do altar
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Descem-se as cortinas
Nem uma palma sublima
O violino se guarda
E eu retorno às almas...
Suspirou ao terminar de ler, voltando a fechar o livro pela milésima vez. Quantas vezes já havia lido àquilo? Bilhões... Talvez trilhões...
Não importava, a cada vez descobria algo pior sobre si mesma, e a cada dia rezava por uma maior oportunidade em se virar cristal em âmbar, ao menos ali, a realidade, para pior ou para melhor, seria diferente... Não é mesmo? Seria...
Colocou-se de pé, ainda era cedo. Mordeu os lábios com raiva de si mesma por ler rápido demais aquelas palavras. Sentou-se uma milésima vez perante o livro, o abriu novamente e repetiu o poema como vício, sim, ela queria conseguir o que o poema dizia, o que seria, só dependia dela entender...
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