Frio e outros contos

7 Aquela presente, estranha dor


Notas iniciais
Espero que gostem. Escrevi agora mesmo, não revisei. Mas espero que lhes toquem, ao menos, um pouquinho! Por favor, tenham uma boa leitura desse super minúsculo texto! Obrigada.

Aquela dor. Era, angustiante, era nervosa, mas era, acima de muitas coisas, invisível. Quando se conhece alguém por tanto tempo, e não se tem como revelar o que se sente, a dor é tanta, que parece transcender o corpo e a alma.

“Essa história é para você: XY.

Sim, fora um homem na minha vida. Uma pessoa, que se conhece há muito, mas que não se sabe de nada. Que não se diz nada, e com quem não se quer nada. Mas é alguém, que quando triste, parece quebrar fronteiras. Atinge-lhe, e você sabe. Sabe que no fundo, algo ainda existe, ou pior, algo deixa de existir.

Ver alguém rir e chorar junto com você, é uma situação divertida. Tirar fotos, esperando que a pessoa faça uma pose bonita como a sua, e ver que ela ficou mostrando a língua é mais ainda. Rir e sentir-se unido a alguém, como se uma pequena e frágil fita ligasse as duas pessoas, é algo tão chocante, quanto o que vem a seguir.

A perda, a dor de ter que dizer adeus, também não é tão ruim. Não mesmo, não se sente mal ao ver alguém que se ama com alguém, não se sente mal ao saber que fez o seu máximo por ele. Ver quem se gosta, apaixonada e feliz com outra pessoa, é uma das sensações mais gratificantes do mundo. E muitas vezes, suficiente. Ela já te faz feliz, dando-se, em felicidade, a outro.

Os problemas, não surgem nessas situações. Os problemas, são muito mais esquisitos que isso, o problema vem, quando esse amor, da outra pessoa, acaba. O que acontece quando essa pessoa, por quem se tanto deu à alegria, se vê triste, abalada, consternada

O difícil, é quando essa pessoa está triste.

Quando essa pessoa, não consegue, simplesmente, largar o osso roído. (E você tenta fazer ela largar. Faz o máximo, e mais um pouco, tentando fazer com que ela perceba, que tudo isso, pode ter sido para melhor.)

Quando, o puído pano de lavar, não dá mais. E essa pessoa, dizendo adeus. Parece perder mais que o chão. Parece perder o mundo, e nem você, sendo o mais conhecido desta pessoa, consegue ajuda-la.

Por isso, uma pessoa. Que se conhece há muito, mas não se sabe nada. Como ajudar alguém assim? O que fazer? O que entregar? Como moldar?

São perguntas complicadas, mas de soluções simples, como ‘O tempo dirá’, ou ‘Os sorrisos são suficientes’. Mas nada disso é verdade.

Esperar pelo tempo, pode ser a maior condenação de qualquer homem, e fazê-lo sorrir, pode sempre não ser sincero. E isso, não completa a quem se ama, pelo contrário, reprime, e ajuda a piorar as sensações, que antes, poderiam estar guardadas.

O pior de tudo, é pensar que se está sendo egoísta, pensar que talvez, o melhor, não seria ajudar. Deve-se, portanto, ficar inerte. Mas inércia, não move, não muda, não melhora, não se dá a chance. O que fazer? Quando a incerteza é maior do que as possibilidades de acerto? Quando se sabe, que falhar, é muito mais propenso que a verdade?

Você...

Você se arriscaria? Daria tudo, por algo que pode não ser o que parece? Por algo, que, mais cedo, ou mais tarde, pode levar a maior queda para você? Até aquele dia?

O quê?... O que você faria? É isso que quero saber.

Obrigada, com um de muitos amores guardados, XX.”

Lambi a embalagem, fechando o envelope, em cima, com a melhor letra que consegui, uma pequena conotação: ‘XY’. Uma lágrima, marcando a carta logo em seguida. Só uma. É o que me permito dar-lhe.

Larguei a carta em cima da escrivaninha, pensando em abri-la, e mudar o que escrevi. “Está confuso...”. Pensei. Dei de ombros por fim, pegando a caneta preta uma segunda vez, e grafando no papel amarelo, a baixo do nome:

“Ser confusa também faz parte de minhas habilidades. Mas quem ler isso, se for quem deve ser, saberá o que está lendo, e provavelmente, comover-te-á com minha história.”

Meneei a cabeça para a carta, e para as paredes esverdeadas do quarto.

Coloquei a carta na gaveta, e ao fechá-la. Um leve ‘eu te amo’, escapou por meus lábios.

Notas finais
Espero que tenham gostado! ^^ Por favor, comentem! ¬.¬'