Friendship with Love
1 Capítulo 1
Notas iniciais
O vento gelado batia em meu rosto, fazendo com que a minha ansiedade só aumentasse com o pensamento congelado no final de semana. Um barulho ecoou pelo quarto, alguém batia na porta. Abri a mesma. Ele estava encostado na parede. Sorriu.
- Ta ansiosa? — disse ele. Sorri, ele nem imaginava o quanto.
- Não muito. — menti. Ele tirou o sorriso do rosto, me olhando de baixo pra cima, rindo novamente. — Ah, desculpa, eu… — confusa, mexi no cabelo. — ainda estou de pijama!
- Você sendo você — e riu. -, o que foi? — disse ele, se referindo a minha expressão.
- Minha mãe, ela está implicando de eu ir sozinha contigo, mas estou convencendo ela, acho que vou ter que levar alana. — o sorriso dele desapareceu em um piscar de olhos.
- A… Alana? — disse ele.
- Aham.
- Merda.
- Merda. — o imitei. Ele sorriu. Sentei-me na cama, ele entrou e fechou a porta, se sentando ao meu lado.
Ficamos apenas assim, sentados, um do lado do outro, sem se olhar. Eu o conhecia desde pequeno, não sei porque mamãe implicara. Seu cabelo, seus olhos, sua boca, sua voz, tudo nele me hipnotizava, seu cheiro, o jeito como falava comigo, era tudo tão apaixonante… Mas o problema é que eu não sei se ele realmente sente algo por mim, eu já, sou perdidamente louca por ele. Ele demonstra sim um sentimento bom, ele diz que me ama, todo dia, mas pela nossa ligação, tenho dúvidas que me veja apenas como uma.. irmã.
- Sua mãe tá aqui?
- Conversando com a sua.
- Sempre. — disse eu. Ele me olhou nos olhos. Dava para ouvir nossas respirações, meu coração batia tão forte que eu acho que dava pra ouvir lá no térreo do prédio. Eu estava prestes a ter um ataque cardíaco.
- A GABRIELA CONV… O que tá acontecendo aqui? — minha mãe entrou no quarto bruscamente.
- Estamos conversando, acha que estávamos fazendo o que? — disfarcei.
- Nada, é… Como eu ia dizendo, a alana não vai precisar ir com vocês, eu conversei com a tua mãe, Felipe, e realmente era besteira minha implicar com vocês dois, afinal, confio na Nathália e sei que vocês são responsáveis.
- Claro, mãe. — eu disse, me afastando dele e desejando que eu não fique com a consciência pesada quando estivesse na praia.
- Felipe, sua mãe precisa ir, por favor, se despeça da Nathália. — disse minha mãe. Ele se virou e me deu um beijo no rosto, sussurrando um “tchau, nath”.
A porta se fechou e ele se foi levando minhas angústias junto. Deitei na cama e senti novamente o vento correndo por minha pele, causando um arrepio combinado com os meus pensamentos. Sai do quarto e disse pra minha mãe que eu iria descer e dar um pulo na piscina, ou só molhar o pé mesmo.
Desci as escadas, a cada degrau que eu descia era apenas mais uma dose de ansiedade. Meu estômago estava em guerra, a fome com a infeliz espera de 2 dias. Abri o portão gélido e molhado, tirei o chinelo e afundei meu pé na água, deixando que o pensamento invadisse meu corpo por completo.
Meu olhar perdido encontrou uma garota do outro lado do local. Me levantei e andei até lá. Chegando mais perto, percebi que a garota estava chorando, envolvendo as pernas com os braços e apoiando a testa no joelho, ela não chegou a me ver. Sentei na cadeira ao seu lado.
- O que houve contigo? — eu disse em pausas, chocada e ao mesmo tempo confusa, curiosa, preocupada. Ela olhou pra mim assustada, acho que era porque ela achara que iria estar sozinha na piscina de noite.
- Eu, eu… Nada. — mentiu, sorrindo.
- Eu não choro por nada, achei que o resto dos seres humanos fossem como eu nesse sentido. Vai, fala, pode falar. — eu disse. Certamente ela não iria desabafar com uma completa estranha.
- São apenas problemas normais, que todo mundo tem, não se preocupe. — disse ela sorrindo. — Mas de qualquer forma, obrigada.
- Eu não fiz nada.
- Se preocupou. Uma coisa que poucas pessoas tem. Preocupação. — disse ela, limpando rapidamente a lágrima que acabara de rolar em seu rosto.
- Então é essa a causa do choro? — ela parecia confusa com a minha pergunta.
- A gente nunca chora por uma coisa só… — disse ela, desviando o olhar. Acompanhando o olhar dela, encontrei algo em sua mão.
- O que é isso? — perguntei.
- O que? — disse ela assustada, escondendo a mão junto das pernas.
- O que você acabou de esconder, na sua mão.
- Não é nada. — ela se levantou, colocando a mão no bolso do moletom e andando apressada pelo piso molhado da piscina, limpando as lágrimas já secas no rosto com a mão disponível. A segui.
- Ei, volta aqui, me diz o que é isso! — gritei.
- Não é nada do que você precise saber! Ninguém te chamou aqui, você é uma estranha pra mim, curiosa! — gritou ela, apressando o passo.
- Uma curiosa que se preocupa, uma coisa que poucos tem, preocupação… — eu disse. Ela parou, se virando, tirando a mão do bolso e abrindo as duas mãos, deixando que algo caísse no chão, fazendo barulho…
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