Friends With Benefits
1 Explicações x Complicações
Notas iniciais
Como o resultado de "An Extraordinary Lost Christmas" foi muito legaal, eu me empolguei e chamei a MaariCoelho para um projeto de Ano Novo. Portanto, vocês estão prestes a entrar na mente de duas escritoras meio malucas :O
Informações necessárias: o POV da Quinn é meu e o POV da Rachel é dela.
Esperamos que gostem!
Rachel's POV
Eu não tenho o que reclamar da minha vida em New York. Faço o curso que eu quero, tenho amigos maravilhosos, minha vida 'amorosa' está indefinida, mas nós não precisamos entrar em detalhes no momento, meus pais estão perfeitamente saudáveis e bem juntos, eu estou confortável aqui e me virando com as minhas participações pequenas em peças off — Broadway enquanto adquiria experiência o suficiente para tentar um musical conhecido num dos palcos da Broadway quando terminar o curso.
Mas havia um problema esse ano. Não um problema em si, mas alguém que eu não falava e não via a algum tempo, Finn Hudson. Achei que sua idéia, insana, de me reconquistar tinha sido esquecida com o tempo. Mas três anos haviam se passado e ele não tinha mudado de opinião. Enviou-me uma mensagem no último sábado, avisando que iria passar o ano novo na cidade e que exigia que eu estivesse presente. Não queria nem pensar no que Quinn falará quando descobrir quem dará as caras novamente.
Falando em Quinn, precisava vê-la. Estava tensa e ela sabia muito bem como acabar com isso. Apesar de que as coisas estavam tomando um caminho emocional e estranho pra mim, mas talvez sejam só coisas da minha cabeça. Odeio ficar com dúvidas e iria saná-las da próxima vez que encontrasse com Quinn.
Vim morar e estudar com Kurt na Julliard, que tem sido meu companheiro desde sabe-se lá quando, e acabamos encontrando Quinn e Santana passeando pelas ruas próximas ao apartamento que dividíamos. Satan não havia mudado nada, o que não me surpreende. Descobrimos que Quinn fazia Políticas Internacionais, o que me surpreendeu muito, e Santana fazia Engenharia, o que me surpreendeu mais ainda, na Columbia. E foi assim que nós começamos, como amigas, não que hoje somos muito mais que isso. E nesse meio tempo todo, eu re-encontrei Jesse e nós ficamos próximos e tão próximos que começamos a namorar. Não durou muito, ambos não estávamos conectados da mesma forma, porém acabou no dia dos namorados. Kurt havia saído pra encontrar mais um de seus 'amores da meia-noite' e Santana havia ido visitar Brittany em Lima. Liguei pra Quinn e a chamei pra me fazer companhia nessa noite detestável, quando se está solteiro apenas. Ela veio e perguntou, áspera até, o porquê eu estar sozinha naquela noite. Eu respondi que estava sozinha naquela noite porque Jesse era um canalha demais. Menti descaradamente com um propósito, terminamos porque queríamos coisas diferentes. E a mentira teve sucesso. Senti Quinn se aproximar e tirar meu copo de vinho da minha mão, dizendo roucamente em meu ouvido que eu não ficaria sozinha naquela noite. E me beijou ali, no meio da minha sala. Nem ousamos em nos levantar do tapete, ficamos por ali mesmo.
Acordei com Kurt chegando e perguntando o que tinha acontecido ou quem tinha drogado quem, o mandei pro quarto enquanto fui tomar um banho. Retornei do banho e vi que Quinn estava deitada em cima da minha cama, devidamente vestida. A olhei esperando uma conversa e assim ela começou. Entre o que foi dito e o que foi feito, ela sugeriu que não iríamos deixar aquilo virar nada mais do que amizade com benefício. Concordei afinal Quinn era boa no que fazia e sabia disso, o que a tornava ainda melhor. E estamos nessa até hoje. Sem comprometimento, cobranças, presentes ou lembranças de datas especiais. Somente uma ligação e nosso assunto estava resolvido e isso estava funcionando por longos 2 anos.
Revirei meus olhos. O que eu estava fazendo? Peguei meu celular e disquei o número tão conhecido. Chamou duas vezes, até que ela atendeu.
"Quinn, eu preciso de você AGORA." A cortei antes do comum 'Oi Rach.'. "E é exatamente o que você está pensando." A senti sorrindo cafajestemente do outro lado da linha. Instantaneamente, abri um sorriso e senti um arrepio.
"Aonde você me quer tanto, Berry?" Ouvi o ronco da moto e meu sorriso se intensificou, assim como o arrepiou.
"Estou naquela festa chata que Kurt me obrigou a vir." A ouvi bufar do outro lado da linha.
"Estarei no estacionamento do campus em dez minutos. Esteja lá me esperando, Berry. Odeio esperar." E desligou a ligação. Precisava de uma forma de escapar de Kurt e seria fácil, ele está semi bêbado em qualquer canto do campus mesmo.
Quinn's POV
Eu sou a racional aqui e não era eu quem deveria estar sentindo isso. Aliás, eu nem devia estar pensando nisso. Eu sugeri os ‘benefícios’, fui eu quem dei o primeiro passo. Eu fui a primeira que fez muitas coisas nessa ‘relação’... Enfim, não que eu precise me lembrar das minhas aventuras e experimentos com a Rachel agora. Mesmo que elas sejam realmente agradáveis e inesquecíveis.
De qualquer forma, por dois anos eu agüentei aquela situação. A princípio, realmente foi uma relação de ‘benefícios’. A solidão nunca foi minha companheira na faculdade por causa de Rachel, mas eu também tinha minha liberdade e resumindo: eu acabei curtindo bastante. Santana adorou a idéia, como ela mantinha-se fiel a Brittany que estava em Lima, eu acabava realizando algumas fantasias sexuais dela (e minhas também).
Mas as coisas tomaram um rumo inesperado e não planejado por mim, a calculista e sempre fria Quinn Fabray. Em algum momento, naquela confusa relação de ligações, mensagens, sussurros, sexo e corpos... Eu me vi gostando de Rachel Berry. E não do jeito Quinn Fabray de gostar e sim, de um jeito completamente novo e intenso. Novo porque envolvia sentimentos e intenso porque envolvia aquele corpo moreno delicioso.
Se eu estou surtando com isso? Não, até porque as coisas parecem mais compreensíveis e eu acho que esse sentimento esteve em meu corpo por todo o tempo. Eu olhava as pernas dela no ensino médio e eu também tinha ciúmes na época... Que pelo visto, não eram ciúmes de Finn ou de Puck.
Aliás, falando em Finn... Eu realmente não sei qual o problema desse maldito comigo e com ela. Depois de 3 anos, ele resolve ressurgir das cinzas e mandar uma mensagem dizendo que vai vê-la. Finn tinha um sério problema com tempo, reencontros e ex-namoradas. Na verdade, eu acho que o único problema dele era não ter um cérebro, isso é, aliado a ausência de um senso de ridículo mais apurado. Caso contrário, ele estaria se tocando que Rachel já se esqueceu dele (e do Jesse, e do Puck e de outros homens) graças a mim, obrigada.
E como era de se esperar, Rachel ficara fora de controle e me ligara. Ouvir a voz irritada e rouca dela provocou sensações desagradáveis em mim. A parte sentimental de mim queria dizer ‘não’ e exigir uma conversa, mas a parte carnal e irracional era mais forte e tomou conta de mim. O que eu fiz? Sorri descaradamente no meu lado da linha, pensando somente nas pernas bem torneadas dela envoltas na minha cintura e ignorando os sentimentos (que nunca foram o meu forte).
Eu só conseguia atravessar uma NYC cheia de neve e imersa no frio por causa dela. Em cima da minha Harley Davidson Iron 883 e sentindo os pequenos pedaços de gelo cortarem minha pele por baixo do capacete, eu me sentia bastante idiota por causa dela. Eu nunca vivi essa situação. Eu nunca fui o elo frágil da relação e estava vendo que naquela, Rachel era a parte mais forte.
Recebi alguma buzinada pelo caminho, mas apenas costurei entre os carros. Já tinham se passado 8 minutos e eu acabara de passar pela metade do caminho, prometi 10 minutos para Rachel e eu nunca a decepcionava, em todos os sentidos. Portanto, acelerei a moto e quando dei por mim, o campus de Julliard se abriu diante dos meus olhos.
Passei empinando a moto pelo portão de entrada, recebendo uma senhora advertência do guarda que ignorei, estava em uma missão de salvamento, afinal. Fazendo a Harley roncar na noite, fui em direção ao som de alguma música dance inútil e não precisei de muito para encontrar a pequena figura de Rachel parada na frente do prédio. Estacionei a moto do outro lado da rua e tirei o capacete, agitando os meus cabelos curtos e caminhando em direção a ela.
E uow... Rachel era a única pessoa que conseguia ser sexy em um imenso casaco e encolhida de frio.
“Você tinha dito menos de 10 minutos, está atrasada.” Foi a primeira coisa que ela me disse, estava em surto, pelo que eu pude perceber. Mas logo depois, me deu um sorrisinho de lado, aquele que me dizia que o humor dela já mudara somente comigo ali. Eu caminhei devagar até ela enquanto abria o zíper da jaqueta de couro e sorria cafajeste, aquele sorriso que ela adorava e não admitia.
“Você sabe que eu posso me redimir depois, não sabe?” Eu estava assumindo o controle, ao menos na hora da pegação eu tinha que ser o elo mais forte ali. Rachel continuou a sorrir e deu um passo em minha direção, eu rompi o que nos separava, puxando-a pela cintura e ela enlaçou o meu pescoço, soltando o ar quente ali e me aquecendo em questão de segundos.
“Eu adoraria que você começasse a se redimir aqui e agora.” A voz dela estava mais sexy do que o normal e eu senti uma leve mordida em alguma parte do meu pescoço que não importava no momento. Ou era só eu que estava ainda mais idiotamente apaixonada por ela? Ela se afastou do meu pescoço e arranhou a minha nuca levemente, eu vi aquele maldito sorriso vitorioso quando ela viu que eu tinha me arrepiado. Malditas reações.
“No estacionamento, Berry? Já tivemos lugares melhores.” Minha voz soou descaradamente decepcionada e ela fez um beicinho, eu não me agüentei e lhe dei um selinho. Ela fez menção de aprofundar o beijo quando tocou meu rosto, mas eu me afastei, olhando maléfica para ela. Rachel ficou emburrada e cravou as unhas na minha nuca, aproximou e mordeu o lóbulo da minha orelha.
“Nós vamos começar no estacionamento, isso não quer dizer que vai terminar aqui... Temos a noite inteira e um Kurt bêbado. Tudo conspira ao nosso favor.” Rachel estava quente, muito quente. Minhas mãos apertaram a cintura dela e minhas unhas arranharam o tecido levemente, Rachel pareceu gostar e se aproximou de mim, quando eu dei por mim, nossas bocas já tinham se tocado.
Aquelas mesmas sensações de sempre me invadiram: os fogos de artifício, as explosões atômicas, os cometas... Empurrando-a de encontro a alguma coisa, acabamos encontrando a parede do prédio e eu sequer conseguia sentir o frio. Apenas a boca dela grudada na minha, os dentes dela mordiscando meus lábios e a língua dela brincando com a minha importavam no momento. Apertei as coxas dela por cima do tecido grosso da calça que ela usava. Rachel deu uma gargalhada e depois gemeu quando eu pressionei meu quadril de encontro ao seu centro.
“O que foi, Berry? Perdeu a fala?” Eu não sabia da onde vinha aquele tom rouco e aquela voz sedutora quando eu estava com ela, Rachel não conseguiu responder, porque eu afastei os cabelos castanhos do seu pescoço e o ataquei com chupões, deixando marcas por todo o local. Rachel gemeu e puxou meus cabelos com uma força desnecessária, eu gemi de dor enquanto tomava um pouco de ar antes de senti-la me beijar de novo.
Nós estávamos pegando fogo, como sempre acontecia. Ela se afastou dos meus lábios e passou os dentes pela minha mandíbula, seguindo um caminho até o meu ouvido, eu estava arrepiada. Ouvir a respiração ofegante dela tão próxima me fez perder o controle, mais uma vez pressionei meu quadril contra ela e Rachel apenas gargalhou. Ela chupou um lugar próximo ao meu ouvido e deve ter ficado marcado, pois eu senti a língua dela lamber o local.
“Isso ficou marcado, Quinn... Acha que alguma de suas peguetes em Columbia vai surtar com isso?”
“Se elas vão surtar, Rach...” Comecei a murmurar ofegante, eu podia ver o quão vermelha estava pelo reflexo de nós duas em uma das janelas de vidro do prédio. Rachel tinha os lábios inchados e eu me concentrei em aproximar dela sem beijá-la, mordi o seu queixo levemente e pincelei meu nariz por sua pele até chegar ao seu ouvido. Lancei um pouco de ar quente ali e a senti apertar minha camisa por baixo da jaqueta. “Eu apenas vou dizer que elas não são suficientemente boas e gostosas quanto certa morena de Julliard.”
Minhas palavras obtiveram efeito imediato em Rachel, ela deu uma gargalhada antes de me abraçar e morder meu pescoço. Eu sorri satisfeita enquanto nos apoiava, ela escondeu o rosto em meu peito e respirou fundo ali enquanto eu respirava fundo em seus cabelos. Senti que ela tremeu em meus braços e a carreguei até a moto. Enquanto pegava o capacete para ela no compartimento embaixo do banco, Rachel mexia em meus cabelos.
“Para onde vamos?” A voz dela estava sugestiva e eu devo ter lançado um olhar muito safado para ela me sorrir aquele sorriso de 1000 watts. Segurei o seu queixo e beijei seus lábios levemente, sentando-me na moto.
“Pensei em irmos para o seu quarto, a noite está muito fria para eu te levar ao Central Park ou a Broadway...” Brinquei com as chaves da moto enquanto a vi rodear meu corpo e sentar de frente para mim, em cima do tanque de gasolina da moto. Céus, aquilo era perigoso! Do jeito que Rachel era, seria capaz de morrermos vítimas de uma explosão. Rachel chegou mais perto e eu passei meus braços ao redor dela, ela beijou meu pescoço e suspirou.
Ficamos em um silêncio confortável enquanto eu a sentia exalar o ar quente em meu pescoço e eu afagava seus braços. Em momentos como aquele eu pensava que, talvez, pudéssemos dar certo. Afinal, começamos como amigas e fomos para o sexo... Aliamos duas coisas essenciais em um relacionamento, não é? Rachel jogou as pernas para o lado e abaixou meu rosto com um toque delicado, eu olhei para ela, esperando que ela não visse a adoração que eu tinha ali. Rachel me deu um selinho e puxou o capacete de minha mão antes de se levantar.
“Vamos Quinn, eu não quero ser pega no flagra por Kurt nessa noite!”
Eu gargalhei, porque ela tinha voltado ao modo ‘surto’ e eu tinha voltado ao modo ‘predadora’.
Rachel's POV
Sexo sem compromisso. Por dois anos. Sexo bom. Esse era meu relacionamento com a Quinn e isso nunca me assustou ou me fez pensar em algo maior. Estava montada no carona de sua moto, arranhando levemente sua barriga por baixo da blusa. A vi sorrir pelo reflexo do retrovisor o que me fez sorrir também e aumentar a intensidade dos arranhões. Não demorou muito e ela estacionou na nossa vaga do prédio, que estava vazia porque Kurt foi a festa com o carro.
Quinn desceu da moto, tirando o capacete e ajeitando a roupa de uma forma extremamente sexy, enquanto eu permaneci sentada apreciando seu show privado pra mim. Ela sorriu, se aproximando, ao ver que eu a observava. "Vamos, Berry. Está frio aqui fora." Disse próxima ao meu ouvido, antes de começar a andar em direção ao interior do meu prédio. Revirei os olhos e bufei, impacientemente. "E não esqueça o capacete." Revirei os olhos mais ainda por ela sempre lembrar disso.
"Eu não estava esquecendo o capacete, Fabray." Ela riu de lado irônica, enquanto entrávamos no elevador.
"Então porque voltou na moto?" Ela me desafiou com o olhar e eu não gostava de perder. "Gosta tanto dela assim?" Revirei os olhos enquanto sentia seu corpo se aproximar do meu, quase me prendendo na parede em que estava encostada. Sua mão subiu ao meu pescoço, apertando e arranhando ali. Fechei os olhos e suspirei, me segurando pra não começar nada ali. "Hein, Rach?" Abri os olhos e no momento que eu fui beijá-la, a porta do elevador se abriu, revelando dois vizinhos.
Me ajeitei ao lado de Quinn enquanto ouvi a moça perguntar, sugestiva. "Descendo?"
"Subindo." Quinn sorriu, cachorramente pra garota antes da porta se fechar, nos deixando mais uma vez sozinhas. Olhei pra ela que mordia o lábio inferior numa tentativa de não dar risada.
Virei meu corpo pra ela com uma mão na cintura, irritada. "Eu sei que concordamos em não ter compromisso nenhum e eu adoro isso, essa coisa independente, mas eu exijo respeito, Fabray." Ela virou-se pra mim, erguendo uma sobrancelha, naquela típica postura desafiadora, mas ainda havia resquícios de seu sorriso debochado. E quando eu ia, responder alguma coisa sobre seu jeito cafajeste a porta do elevador se abriu, revelando o andar de meu apartamento. Sai pisando duro, deixando uma Quinn que sorria vitoriosa pra trás.
Entrei em meu apartamento em direção ao meu quarto e se Quinn viesse atrás de mim agora, eu a mandaria embora. Tudo bem que ela transe com outras mulheres. Eu não ligo pra isso, confesso que as vezes eu faço essas coisas, mas marcar sexo na minha frente é muita audácia. Além de ser desrespeitoso por eu ser sua amiga, é desrespeitoso porque eu a chamei aqui. Apesar de que eu tenho quase certeza de que ela e Santana pegavam telefones alheios uma na presença da outra. Tirei minhas roupas e me senti uns cinco quilos mais leve, de verdade. Optei por uma regata qualquer e um shortinho de pijama, calcei minhas pantufas e caminhei de volta a sala.
Olhei pra Quinn sorridente encostada no balcão, segurando duas taças de vinho. O que ela pretendia? Me embebedar pra transar comigo? Acho que isso não é necessário, pois eu a chamei aqui pra isso. Dane-se o que ela estava querendo no momento, me deixaria levar. Não devolvi o sorriso e mantive minha postura igual a alguns minutos antes. Ela sorriu ainda mais, balançando a cabeça enquanto se aproximava com as taças de vinho nas mãos. Estendeu uma pra mim e eu fingi que não era comigo. "Rach." Ela pediu, sussurrando roucamente em minha frente e aqueles olhos estavam suplicantes. Provavelmente ela bebeu antes de vir pra cá, nunca havia visto-a assim.
Aceitei a taça enquanto ela sentou no tapete e me puxou, delicadamente, pra fazer o mesmo. Sentei e comecei a beber o líquido da taça, olhei pra ela e vi que ela sorria enquanto me devorava com o olhar. Corei e ela riu, colocando sua taça na mesa de centro que tinha ali, enquanto se aproximava e me puxou pela cintura de encontro a ela. Relutei um pouco, mas eu já sabia que ela me tinha nas mãos, como sempre acontecia. Senti uma mão dela afagar meu cabelo e a outra descer pela minha nuca. Tremi ao senti-la fazendo isso, abri os olhos e vi que ela me estudava com o olhar. Não agüentei e abri um sorriso, derrubando todas as minhas defesas. Puxei-a pela gola da jaqueta e a fiz se aproximar, nem por um segundo abandonamos nossos olhares. Mordi seu lábio inferior e ela sorriu, deitando-me no tapete.
"Não está mais irritada, Berry?" Ela perguntou enquanto fazia o que bem entendia com meu pescoço. Desci minhas mãos para sua cintura, apertando-a ali. Ela riu contra meu pescoço enquanto beijava o mesmo e tirava minha blusa. Desabotoei os botões de sua calça enquanto nos beijávamos, senti Quinn descer a mão por minha barriga encontrando o cós do meu short.
"Não, Fabray, não estou irritada. Você sabe que consegue mudar meu humor em questão de segundos." Ela gargalhou ao me ouvir confessar. Puxei seu rosto contra o meu e lhe beijei, decentemente. Senti Quinn se arrepiar quando chupei seu lábio inferior, acabei dando um sorriso vitorioso ao vê-la assim. Ela apertou minha cintura enquanto se levantava lentamente, me equilibrei no tapete com meu cotovelo olhando-a confusa. "Quinn, está tudo bem?" Eu perguntei enquanto a via ajeitar a roupa e abotoar a calça. Revirei os olhos enquanto ela me olhava sorrindo. "O que você está fazendo?" Seu sorriso se intensificou e ela se moveu, sentando no sofá. Estreitei meus olhos pra ela, não entendendo sua atitude, até que ela pegou a taça de vinho e começou a bebê-la de novo, nunca deixando de me olhar. Ficamos assim um bom tempo até que ela fez um movimento com a cabeça, me convidando para sentar ao lado dela no sofá. Revirei os olhos, bufando, novamente.
"Eu sei que você quer, Rach. Pare de ser tão chata e impaciente." Eu gargalhei me aproximando dela, lentamente. Fui passando por ela, em direção ao banheiro, mas ela me puxou pra sentar em seu colo e eu soltei um gritinho, fino demais até pra mim. Rimos as duas e eu levantei meu olhar pros olhos dela. A ver sorrindo, assim, tão próxima, tão íntima. Acabou me causando uma sensação estranha, não sabia identificar se era boa ou ruim. Deixei pra lá quando senti as mãos de Quinn me abraçarem e eu aproveitei pra me ajeitar. Dobrei minhas pernas e a prendi ali. Senti a boca dela procurar meu pescoço com delicadeza e eu arqueei a cabeça pra trás, lhe dando mais acesso. Levei minhas mãos ao seu pescoço e puxei, gentilmente seu cabelo, acompanhando o ritmo das coisas. Estava lento e eu confesso que estava gostando. A senti subir os beijos e encontrar minha boca e nossa.. Quando foi a última vez que alguém me beijou assim? Não sei e nem quero pensar sobre isso, só sei que quando Quinn parou pra respirar eu senti uma tremenda falta de seus lábios sobre os meus, então eu a puxei de volta, pela gola da jaqueta, beijando-a novamente.
"Eu não sei o que você está pretendendo, mas eu estou gostando, Q.. Continue." Ela riu em meu ouvido, antes de morder meu lóbulo da orelha. Sua respiração perto do meu pescoço estava me causando arrepios, literalmente e ela riu disso, o que causou uma nova série de arrepios e eu corei, escondendo meu rosto na curva de seu pescoço. Afaguei seus cabelos enquanto ela fazia carinhos em minha cintura.
"Não estou pretendendo nada, Rach.. Só gosto de ficar assim com você." Ela falou roucamente em meu ouvido enquanto eu apertei sua nuca e ela mordia meu pescoço. Isso estava muito bom, mas eu queria e precisava de ação. Já que Quinn não agia, eu decidi agir por nós duas.
"Quero ficar por cima hoje." Murmurei enquanto ela mordia meu pescoço, acho que ela tinha tara por ele, céus. Ela riu roucamente, e se afastou pra me olhar nos olhos.
"Está falando sacanagem pra mim?" Eu arqueei uma sobrancelha e ela gargalhou, tirei sua jaqueta e desabotoei os botões de sua calça, antes dela nos deitar no sofá, comigo por cima.
"Talvez." Me ajeitei por cima dela enquanto suas mãos desceram, apertando minha bunda, sorri ao vê-la entregue. Procurei sua boca e voltamos a nos beijar e a magia de minutos mais cedo havia acabado, o que me fez sentir falta. Suas mãos subiram aos meus seios e eu gemi quando ela os apertou, do jeito que ela sempre fazia. Tirei sua blusa preta do Stereophonics que ela tanto gostava, a vi arqueando uma sobrancelha ao me ver descendo os beijos por sua barriga e parar no cós de sua calcinha, desci sua calça num instante e ela abriu um sorriso pra mim. Subi por seu corpo de novo e voltei a beijá-la, passando meus dedos, torturantemente, por sua barriga em direção ao que sua calcinha tampava. Sorri, mordendo sua mandíbula enquanto ela soltava gemidos embaixo de mim.
"Vão pro quarto pelo menos, não sou obrigado a chegar e ver a pornografia de vocês duas na minha sala." Kurt disse irritado e enrolado por conta da bebida, encostado na parede que dividia a cozinha da sala. Saí de cima de Quinn procurando minha blusa e quando me virei, vestida, ela já estava abotoando a calça. Olhei pra ele num pedido silencioso de desculpas e ele revirou os olhos, irritadíssimo.
Me virei pra Quinn que já estava com a jaqueta, e ia em direção aos capacetes, corri até a porta. Ela não poderia ir embora agora, não agora. A vi parar na minha frente e me dar um beijo na testa. "Depois te ligo." E abriu a porta, indo embora, quase correndo. Engoli em seco, ela nunca fizera isso. E não era a primeira vez que Kurt nos pegava assim. Me virei pra ele que me olhava entediadamente.
"Parabéns! Conseguiu o que queria, Kurt." E me virei, caminhando em direção ao meu quarto, até senti-lo me puxar, bruscamente, pelo braço e apontando aquele dedo magro pra mim. Ele abriu a boca pra falar alguma coisa, mas o cheiro de álcool que saia dali me deixou com dor de cabeça. "Quer saber, sem sermões. Vou te ajudar a tomar um banho." Ele concordou com a cabeça antes de irmos em direção ao banheiro, deixando o sermão pra lá.
Quinn's POV
Qual o meu problema? O que foi aquele momento ‘Eu só gosto de ficar assim com você, Rach’? O que foi aquele súbito ataque de romantismo e carinho no tapete da sala dela? Minha cabeça estava onde quando eu comecei aquela história?
Eu não deveria ter começado aquilo... Rachel, do jeito que era e pelas lembranças de relacionamentos que ela teve, com certeza surtaria depois que parasse para pensar em nós. Não dava para continuar com aquela relação de 2 anos, aliás, não era uma relação. Tornou-se uma relação de uns tempos para cá. As ligações aumentaram e mesmo tudo terminando em sexo, nós começamos a sair juntas para outros locais fora o quarto dela ou o meu.
Droga. Rachel vai perceber que eu estou... Apaixonada por ela. Claro que ela vai perceber, Fabray! Eu quase rasgava as roupas dela e hoje, me recusei a fazer isso só para tê-la mais perto de mim. Eu estou ferrada, Rachel não vai querer me ver. E eu nem sei se quero vê-la de novo também. Estou começando a ficar com medo das minhas atitudes e do que eu posso falar para ela.
O elevador não estava no andar dela, portanto, eu desci pelas escadas mesmo, quase caindo enquanto corria. Fechei o zíper da jaqueta enquanto caminhava até o estacionamento e puxei as chaves do bolso da minha calça jeans, montei na moto e liguei a ignição, pronta para sair correndo dali quando meu celular vibrou.
Droga, por que eu não me surpreendi ao ver uma mensagem de Rachel?
Me desculpe pelo Kurt, ele tomou um banho e caiu no sono. Eu queria que você tivesse ficado aqui, mas eu sou esperta o bastante para saber que tem alguma coisa errada com você. Fale comigo depois, eu vou estar aqui, ainda sou sua amiga. Beijo, te amo.
Eu fiz uma careta incomodada com a mensagem, como ela podia ser tão fofa? Olhei aleatoriamente para as janelas do prédio e suspirei, o ar quente saiu pelo meu nariz e boca e eu fiquei ali, parada no frio sem saber se ia embora ou voltava para o calor de Rachel.
“Por que está indo tão cedo hoje?” Para completar meu drama, a menina do elevador de minutos atrás estava parada em minha frente, com um sorriso sedutor em uma posição predadora que me deixava no chinelo. Engoli em seco e mexi nos meus cabelos, ela tocou o tanque de gasolina da moto com a ponta dos dedos. “Eu sei que a Berry não costuma te deixar ir embora antes das 3 da manhã.”
Ótimo, uma stalker para deixar meu dia ainda melhor. Arqueei a sobrancelha para a garota, ela era uma morena, assim como Rachel... Mas não tinha metade da sensualidade que a morena lá em cima tinha. Desliguei a moto e deixei me levar pela situação. “Como você sabe? É daquelas que fica escutando o que a vizinha faz pela porta?”
Ela deu uma gargalhada, fria e não quente como as gargalhadas de Rachel. Meu Deus! Eu estava doente, estava comparando aquela menina a Rachel toda a hora. A garota se aproximou e tocou levemente a minha perna, eu sorri satisfeita e senti a Quinn predadora tomar conta de mim, aquilo ia dar merda. Ela sorriu e arranhou levemente a região coberta por tecido. “Na verdade, não costumo fazer isso, mas você me interessou bastante, Fabray.”
“Oh, sério? Qual a natureza do seu interesse por mim?” Eu joguei meu melhor sorriso e o meu melhor olhar. Me senti péssima por isso, geralmente, o melhor eu guardava para Rachel. Droga, Rachel Berry está me deixando fora dos eixos. A morena a minha frente me sorriu sugestivamente e dessa vez, as unhas dela se cravaram na minha perna, ela se aproximou do meu ouvido e soltou o ar quente ali.
“Eu só me interesso por pessoas boas, se é que me entende, Fabray.”
Dei uma gargalhada rouca e tirei a chave da ignição. Olhei para ela, tão próxima a mim e não senti nada além de uma ligeira atração que logo foi sufocada. Aquela morena, apesar de linda e incrivelmente sedutora, não me atraía. Dei um sorrisinho de cabeça baixa e eu tenho certeza que ela ficou sem entender nada. Porém, eu precisava tirar Rachel da cabeça naquela noite, senão as coisas não iam funcionar entre nós duas... Estava pronta para perguntar onde era o quarto dela quando recebi outra mensagem.
Se você me deixou aqui para transar com essa oferecida, eu juro que você nunca mais vai me tocar, Fabray.
Olhei por cima dos ombros da morena e encontrei Rachel Berry parada na porta de entrada, com a melhor das expressões enciumadas que só ela era capaz de fazer. Abri a boca, surpresa e a morena levou aquilo como uma deixa para me beijar. Quando ela se aproximou, eu me afastei e a empurrei levemente, dei um sorrisinho sem graça. “Tenho algumas coisas para fazer hoje, fica para a próxima.” Empurrei as mãos da garota para longe da moto, coloquei a chave na ignição e pisei na embreagem. Rachel continuava a me fuzilar quando eu coloquei o capacete e saí cantando pneus dali. Eu ainda conseguia ver os olhos castanhos, no escuro da estrada, me julgando.
120 km/h... 140km/h... 160km/h... 165 km/h... Para Fabray! Vamos voltar a normalidade, quem dá surto aqui é a Rachel e ela deve estar dando mesmo, porque meu celular não para de vibrar desde que eu saí de Julliard. Eu posso ver os carros passando por mim e não é a primeira vez que sinto a moto deslizar perigosamente pelo asfalto, mas ok, estou baixando a velocidade... 80km/h, muito bom!
Meus olhos estão ardendo e eu não faço a mínima idéia da onde estou indo. A gasolina está quase acabando e eu preciso achar um posto logo. Ótimo, tem um logo a frente... Foi o mesmo posto em que eu e Rachel abastecemos antes de irmos fazer nossa expedição pelo Brooklyn. Droga, por que eu só fico pensando nela mesmo?
Ah Fabray, é porque você está apaixonada por ela, esqueceu?
Meu celular vibrou de novo. Ótimo, 13 chamadas não atendidas. Rachel estava surtando muito, não quero nem imaginar o que ela está fazendo nesse momento. Estacionei a moto perto da bomba de gasolina e passei o cartão para abastecê-la. Ainda nevava em NYC e eu cheguei até a contar os flocos de neve que caíam para não pensar nela.
Escutei o apito da bomba e tirei o dedo do gatilho. Pronto, o tanque estava tão cheio quanto a minha cabeça. Eu precisava fazer alguma coisa e andar a esmo de moto, pela NYC fria em dezembro era pedir para morrer congelada, sem contar que eu só ficaria doente e com o bolso vazio por causa da gasolina.
Meu celular vibrou novamente, céus Berry! Precisa ser insistente? Se ela ligar mais uma vez, juro que volto lá e falo tudo... Melhor não, desliguei o celular e tornei a montar na moto. Acelerei e resolvi que o melhor era chegar em casa o quanto antes, me afundar nos meus vinis antigos e pensar na vida.
Ok, pensar na vida estava fora de cogitação... Eu vou ligar para Santana. Dane-se se hoje é a noite dela com Brittany, ela me ligou uma vez quando eu estava com Rachel e o nosso combinado era não ligar quando sabíamos que a outra estava ‘ocupada’. Costurei entre os carros e estava novamente numa estrada silenciosa, encontrei o campus de Columbia rapidamente e ainda existiam muitas luzes acesas. Devia ter muita festa por lá.
Passei meu cartão de estudante na entrada e rumei direto para meu dormitório. Deixei a moto na minha vaga, devidamente trancada e travada e subi as escadas rapidamente. A quantidade de bêbados nos corredores era bastante admirável. E eu dei graças a Deus por estar sóbria naquela noite ou as coisas teriam saído do controle na casa da Rachel.
Algumas garotas esbarraram em mim no meu andar e eu reconheci uma delas como sendo uma ex da semana passada. Bufei irritada e continuei a caminhar, na verdade, eu estava marchando. Cheguei em frente ao meu apartamento e praticamente arrombei a porta. Estava tudo bagunçado, como sempre.
Uma das coisas que se aprende ao ter Santana Lopez como colega de quarto é que ela não é organizada e não permite que você seja. Por isso, ao acender a luz, não me surpreendi ao ver que tinham roupas pelo chão, livros sobre a cama dela, plantas de casas que ela não tinha terminado, meus artigos de política internacional estavam espalhados sobre a minha escrivaninha... Um verdadeiro caos.
Revirei os olhos, joguei a chave sobre a minha cama e tirei a minha jaqueta. Chutei as botas para longe e ao passar pelo espelho a caminho do som, notei que a minha camiseta estava do lado avesso. Droga, Rachel Berry em minha mente de novo. Impressionante como eu não consigo ficar mais de 1 hora sem pensar nela.
Tirei a camisa e coloquei-a do modo certo, fui até o som e liguei. Stone, Stereophonics... Ótimo, Murphy e todos os seus amiguinhos resolveram fazer de hoje, o pior dia da minha vida. Me voltei derrotada para a cama e desabei sobre ela, com a cabeça afundada no travesseiro. Eu deveria parar com o drama e fazer alguma coisa. Afinal, eu ainda sou Quinn Fabray e ainda tenho um orgulho a zelar.
Voltei a me levantar e caminhei até minha jaqueta, pegando meu celular novamente. Olhei as horas e com certeza, 23 horas não era um bom horário para se ligar para Santana Lopez no sábado à noite quando ela tinha ido para Lima. Eu, com certeza, não vou ser privada de escutar os gemidos do outro lado da linha. Engoli em seco, eu precisava de ajuda e aquela latina maluca tinha que conversar comigo.
Liguei o celular e para minha surpresa, Rachel só tinha ligado mais duas vezes. Com certeza, ela estava magoada / frustrada sexualmente / confusa / furiosa comigo. E aquela não era uma boa combinação, ignorei as ligações dela e disquei o número de Santana rapidamente enquanto escutava a voz rouca de Kelly Jones cantar sobre despedidas, decepções e tentativas.
Realmente, meu humor e minha sorte estavam uma merda.
O telefone chamou 5,6 vezes e nenhum sinal daquelas duas. Eu estava com medo de que uma delas atendesse depois da terceira chamada, tenho certeza que meus ouvidos não se esqueceriam do que eu poderia ouvir. Quando eu já estava prestes a desligar, alguém atendeu e parecia muito irritada. “Espero que seja algo importante, Fabray. Você acabou de impedir um orgasmo aqui.” Ouvi um muxoxo irritado do outro lado da linha, parecia ser de Brittany. Não pude deixar de conter a gargalhada que veio a seguir, Santana murmurou uma série de xingamentos em espanhol. “Vou colocar no viva-voz, Quinn. E se você tem medo da morte, pararia de rir agora mesmo.”
Eu me calei quase que instantaneamente, podia ouvir as duas claramente agora e elas estavam gemendo, rindo baixinho e eu também podia ouvir estalidos de beijo. Aquelas duas não me respeitavam não? Eu bufei impaciente. “Eu ainda estou aqui...”
“Quinn está mal amor, converse com ela. Vou me limpar, enquanto isso.” Brittany fez-se ouvir fofamente do outro lado da linha, eu gargalhei histérica enquanto imaginava Santana escondendo o rosto envergonhada. Pelo menos uma coisa para alegrar meu dia. Eu me sentei na cama e esperei a latina se manifestar, ela nada disse, ouvi só a respiração pesada do outro lado da linha seguida por uma batida de porta.
“Não sabia que você prezava tanto pelo orgasmo da Brittany, S.”
“Prezo da mesma forma que você preza pelo orgasmo da sua mini-estrela...” Santana respondeu irritada e eu fiquei muda, o sorriso sumiu do meu rosto. Rachel Berry tinha nascido para me deixar confusa. A latina soltou um grito frustrado do outro lado da linha e eu ria dela. “Aliás, não era para você estar fazendo o mesmo com a pequena sereia cantante?”
Eu mordi o lábio, Stone continuava a tocar no meu quarto e eu conseguia ouvir os passos pesados dos bêbados chegando através da porta. Eu só tinha aqueles sentimentos comigo, parecia que assumi-los em voz alta para Santana Lopez era uma tarefa extremamente difícil. Santana bufou impaciente e eu entendi que senão falasse, ela voltaria a transar com Brittany assim que ela saísse do banho. “As coisas estão meio fora do controle entre eu e Rach.”
“Só agora você percebeu? As coisas saíram de controle desde que vocês começaram a ir ao cinema juntas e desde que você começou a ir às apresentações dela!” Santana ainda soava irônica, mas me surpreendeu pelo tom de preocupação. Eu arregalei os olhos diante da conclusão, será que estávamos tão óbvias assim? “Amizade com benefícios são benefícios que envolvam o quarto, uma cama e alguns brinquedinhos. Não cinema com cafunés, conversinhas com selinhos e festinhas abraçadinhas, Fabray.”
“Ah claro, falou a pessoa mais experiente no assunto.” Sim, soei irônica. Eu odiava quando Santana jogava as verdades na minha cara, ainda mais daquela forma. Ouvi quando Santana rosnou de raiva do outro lado da linha, eu respirei fundo e suspirei, uma dor de cabeça chata estava começando a me incomodar. “As coisas não estavam dessa forma, mudaram agora.”
Santana bufou do outro lado, ouvi movimentação e deduzi que Brittany tinha voltado do banheiro. Eu tinha pouco tempo, a carne de Santana era muito fraca. “As coisas estão desconexas com vocês há muito tempo. Aquele dia que fomos ver ‘O Procurado’ no dormitório dela, você comentou da gostosura da Angelina Jolie e ela ficou com ciúmes... Daí quando eu acho que você vai implicar com ela, você vai e a abraça, enchendo-a de beijos e ela ri, concordando com você!” Santana parou para respirar. “Nem eu e Brittany fazemos isso!”
“Somos amigas, é normal resolvermos discussões da nossa forma. E a minha forma de ganhar as discussões dela é essa!” Contra-argumentei revoltada e colocando-me em pé, Santana tornou a me xingar do outro lado da linha. Ouvi outro estalo de beijo e barulhos de cobertas sendo remexidas. Que lindo, eu ia ter que escutar o sexo das duas agora?
“O que Sant quer lhe dizer, Q. É que você não é mais a amiga a qual era recorria quando estava carente ou tensa...” A voz doce e calma de Brittany soou como uma calmaria no meio daquele furação chamado Santana Lopez, ás vezes, eu acho Santana extremamente sortuda por ter uma fofa como Brittany gostando dela. Do contrário, nenhuma ia querer essa latina mal amada e mal educada. “Você se tornou importante para ela, da mesma forma que ela se tornou importante para você. Não percebeu que você e a Rach estão indo para o mesmo caminho que eu e Sant fomos?”
As palavras de Brittany me calaram, eu fiquei atônita, sem piscar por vários motivos e porra! Quem tinha colocado a música para repetir? As duas ficaram caladas enquanto eu decidia em desligar ou não a música. Até que eu ouvi Santana bufar mais alguma coisa em espanhol. “Cacete Fabray, você está até ouvindo a música mais depressiva e platônica dessa sua banda estranha e vem me dizer que as coisas só ficaram estranhas agora?” Eu abri a boca para xingá-la e mandá-la ir a merda, mas ela não me deixou falar. “Você tá apaixonada pela Berry, lide com isso e me deixe continuar o que eu estava fazendo com Brittany.”
Santana não tinha nenhum pouco de tato. Ela despejava a frase que nem eu ousava falar em voz alta e depois, desligava o telefone? Eu estava olhando pro nada quando ouvi a linha ficar muda. Eu não sabia o que fazer e a desalmada da Santana nem se mexia para me ajudar, filha da mãe!
Desliguei o rádio com um soco, não ia ter delicadeza com as coisas daquela latina desajustada. Depois, voltei a me jogar na cama e esperei adormecer sem sonhar. Porque se eu visse aqueles olhos castanhos, até em meus sonhos, eu seria capaz de atravessar a cidade no frio e na neve somente para vê-la de novo.
Notas finais
Beijos e até o próximo capítulo (:
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