Friends By Fate

34 Como jogar um dracma no lixo


Notas iniciais
Continuação...

Mateus, Rhamon e Amanda seguravam Tim com todas as suas forças. Rodrigo e ele estavam rolando pelo chão quando os três chegaram para ajudar. Tim se levantou pronto para meter um soco na cara de Rodrigo, quando eles (por muita sorte) conseguiram segurá-lo.

Rodrigo acertou a cabeça dele com uma pá segundos antes de Tim se virar e arrebentar seus amigos. Ele caiu no chão desacordado como o seu irmão.

- Cara... Você tem que parar de atingir a cabeça das pessoas. – Comentou Amanda olhando-o inconsciente no chão.

- Desculpa, você preferia ele acordado? – Perguntou Rodrigo fingindo estar arrependido.

- Tem razão. Bom trabalho. – Respondeu Amanda por fim.

Mateus teve a idéia de levar Tim de volta par ao celeiro da pechincha e amarrá-lo junto ao seu irmão, para que olhá-los não se tornasse uma tarefa tão complicada. Os quatro acharam uma corda bem grossa que julgaram resistente e amarram os irmãos McJoe juntos.

- Legal. Eu realmente espero que você tenha atingido eles com força, por que se esses caras acordarem eles vão querer nos matar. – Disse Rhamon tenso – O que fazemos agora?

Amanda e Rodrigo se entreolharam.

- New York. Temos que ir para lá o mais rápido possível. – Contou Amanda.

- New York?! Por quê?! – Perguntou Mateus sem entender.

- Porque os outros estão indo para lá. – Disse Amanda um pouco insegura – Nós temos que arrumar um jeito de ir também, para podermos nos encontrar novamente.

- Legal. Mas você sabe que nós não estamos falando de uma loja, ou um parque, né? New York é uma cidade! Como vamos encontrá-los? – Disse Rhamon.

Amanda olhou novamente para Rodrigo. Ele apertou com raiva a sua mão no punhal pendurado em sua cintura. Ares não tinha ajudado em nada! Ele só falou que caso eles sobrevivessem deveriam partir para New York para encontrar os outros que os estariam esperando, mas não disse onde em New York eles estariam. Se ele parasse para pensar bem, ele não disse nem mesmo se eles esperariam.

- Viu só? Eu não falei?! Eles sempre fazem isso! – Resmungou Rodrigo – Ficam dando dicas ridículas que ninguém consegue entender e no fim das contas não ajudam em nada! Eu juro que se chegarmos á New York, e aquele desgraçado disser que nos ajudou, eu vou...!

- Chega, certo? Nem mesmo comece! – Interrompeu Amanda olhando para ele de uma jeito irritado, e depois para seus amigos – Nós temos é que dar o fora desse celeiro de uma vez e chegar á New York. Pensem bem. Ao menos agora nós temos um rumo. Antes nem mesmo isso nós tínhamos.

Rhamon parou para pensar.

- E se fizéssemos uma ligação de Íris para algum grupo? – Sugeriu Rhamon.

- Como? Á cobrar?! – Perguntou Rodrigo – Nós gastamos as nossas moedas em... Putz. Eu nem lembro.

- Eu tenho uma moeda. – Contou Amanda de repente – Podemos ligar.

- Você tem uma? – Perguntou Rodrigo estreitando os olhos para ela – E ia deixar o Caronte nos ferrar?

- Não entendi. Não era você o cara que achava desde o começo que nós não estávamos mortos? – Rebateu Amanda.

- Dane-se! Se estivéssemos mortos mesmo, você ia deixar ele nos ferrar, e isso é que...! – Antes de Rodrigo dizer “conta”, Amanda o interrompeu.

- Marcos me deu a moeda! Foi quando estávamos saindo da estação. Viu? Ele é um cara legal. Senão fosse por ele nós estaríamos muito mais ferrados agora. – Disse ela mostrando o dracma para Rodrigo e pegando um prisma que estava encima de uma estante.

- Essa moeda deve estar envenenada. – Comentou Rodrigo não se dando por vencido – Eu já não te falei que pessoas boazinhas não aparecem do nada para ajudarem meios-sangues?

- Tá, Rodrigo! Mas quando aparecem, por que não deixar que nos ajude? – Retrucou ela fazendo um arco-íris com o reflexo da luz do Sol – Ele só nos deu uma moeda. Aceite e cale essa boca!

Rodrigo ia protestar, mas Rhamon o interrompeu.

- Eu acho que não temos tempo para pensar se devemos ou não aceitar ajuda. – Comentou olhando os irmãos McJoe ainda desacordados – Eu e Mateus vamos pegar algumas coisas que possam ajudar no caminho para New York, enquanto você e Amanda ligam para um grupo. Tentem não se matar, certo?

Mateus levantou suas duas 9mms.

- Ei, Amanda. – Sorriu ele – Eu vou carregar essas armas. Qualquer coisa grite.

- Vai. – Riu Amanda. Ele parecia uma criança brincando com aquilo. Mesmo que fossem armas. De qualquer forma, eu parou na frente do arco-íris junto com Rodrigo. – Vamos ligar para o grupo de Ares?

- O que?! Você ficou maluca?! É claro que não! – Reclamou Rodrigo – Aquele babaca nem mesmo nos ajudou direito! Acha que eu vou gastar a minha última moeda com ele?!

- Não é a sua última moeda. É a minha. – Falou ela, mas então ficou um pouco incerta. Ela lembrou de quando Apolo estava falando para Flávia que ela era sua filha, e Ares simplesmente encerrou a ligação. Se ele fizesse aquilo, eles estariam perdidos. – Certo... Então nós ligamos para o seu grupo?

- Que grupo?! – Perguntou Rodrigo cruzando os braços – Só sobrou a Natália, e também... Hermes vai ficar me sacaneando e eu não quero isso.

- Tá bom. Então... Para o grupo de Afrodite? – Perguntou Amanda revirando os olhos.

- E falar com o inútil do Vinícius? Ele não sabe nem onde fica a casa dele, que dirá New York. E também... Afrodite e Rita devem estar ocupadas pensando no cabelo ou coisa parecida. – Disse ele imitando a Deusa do amor de um jeito ridículo.

- Bem... Só sobrou o grupo de Apolo. Tem alguma coisa contra? – Perguntou Amanda, mas antes que ele respondesse ela disse – Bruna nos protegeu por 6 anos sem nós nem mesmo notarmos. Apolo é o Deus de milhares de coisas. Nina é a filha de Zeus, e a Bia é uma estrategista nata.

- Tá. Pode ser esse. Foi o único que sobrou mesmo... – Resmungou ele.

- Ótimo. – Sorriu Amanda para Rodrigo – Eu ia mandar você se ferrar, se tivesse alguma coisa contra mesmo.

Rodrigo fez cara de assustado ao ouvir aquilo vindo de Amanda, e ela fez a ligação. “Oh Deusa Íris. Ligue-nos com o grupo de Apolo” falou ela e logo uma imagem começou a aparecer.

Não era bem o que eles esperavam.

- Mas que droga é essa?! — Perguntou Rodrigo sem entender.

Na frente dos dois estava o cenário de uma festa. Estavam todos dançando animados a música “Dynamites”, que tocava em um volume extremamente alto. Se eles olhassem bem... Podiam notar que Nina, Bruna e Bia estavam na frente deles dançando com as mãos para cima. Porém elas estavam completamente distraídas, de modo que nunca notariam eles ali.

- O que?! Elas pensam que nós morremos e agora estão dançando em uma festa?! – Exclamou Rodrigo irritado – Eu me senti um lixo agora!

- Eu também. – Concordou Amanda – Nina sua sem noção! Olha para cá!

Nina não respondeu. Provavelmente porque a música estava alta demais para que eles ouvissem. Bia e Bruna começaram a pular junto com todos da pista de dança.

- Gente! – Exclamou Amanda, mas sua voz nunca fora alta, de modo que elas não ouviriam de jeito nenhum – Cadê o Apolo?!

Apolo apareceu dançando também. O Deus da música estava realmente curtindo a festa e a animação do grupo.

- Uhul! – Exclamou ele e todos da pista fizeram o mesmo.

- Eu não acredito que eu estou vendo isso. – Falou Rodrigo negando com a cabeça – Porra! Quem para do nada uma missão para ir a uma festa?!

- O Apolo, pelo visto. – Comentou Amanda achando aquilo uma loucura – Ei!

Ninguém ouviu novamente. Depois de alguns segundos a ligação pediu mais um dracma de outro por 5 minutos (uma promoção), mas eles não tinham, por isso a mensagem se encerrou.

- Nós gastamos nosso último dracma de ouro com eles?! E os idiotas nem mesmo olharam para nós! – Berrou Rodrigo furioso batendo o pé no chão. Do nada ele parou e começou a choramingar triste – Eles ainda estavam dançando... Dançando depois de saberem que nós morremos...

Ele fez uma cara de choro que Amanda achou teatral demais para levar como verdade. Ela suspirou e olhou para ele.

- Temos que sair daqui de qualquer jeito. Podemos demorar, mas... Temos que chegar á New York. Vamos arriscar indo por qualquer caminho. – Falou ela sem ter certeza se eles conseguiriam.

- É, o jeito, né?! – Berrou ele furioso novamente – Esses putos não quiseram falar com a gente!

Ele era realmente bipolar, pensou Amanda. Ela pegou a sua mochila, Rodrigo a dele, e fizeram um sinal chamando os amigos.

- Então? Para onde em New York? – Perguntou Rhamon animado com a idéia de agir como um aventureiro e ir rumo á um lugar distante.

- Sei lá. – Respondeu Rodrigo andando até a porta.

- Sei lá?! Como é que é?! – Perguntou Rhamon sem entender – Mas o que que o grupo disse?

- Nada! – Berrou ele furioso – Os idiotas estavam no meio de uma festa, e nós acabamos jogando um dracma no lixo! Apolo é um babaca retardado!

- Não fala assim! – Amanda chutou Rodrigo antes que um raio caísse no celeiro da pechincha. – A culpa é toda sua! Eu falei para você ligar para o seu grupo ou para qualquer outro grupo! Mas não! Você tem que estragar tudo o tempo todo, porque é todo irritadinho!

- Eu sou irritadinho?! – Falou ele – Ah, desculpa se eu não fico fazendo palhaçadas ridículas sobre celeiros da pechincha, ou aceito ajuda de qualquer maluco que aparece!

- Quer parar com isso?! Eu estava tentando ajudar! – Protestou Amanda ofendida – E o que você fez?! Saiu de um vagão de trem espancando o primeiro desconhecido que apareceu na sua frente!

- E o que você fez?! – Perguntou ele irritado – Nada! Eu ajudei chutando a bunda dos irmãos McJoe, mas você... Não! Só ficou em perigo o tempo todo! Eu é que tive que cuidar de tudo e nem mesmo levei o crédito por isso!

- Por que você é um cabeça dura! – Reclamou Amanda.

- Não, porque eu tenho cabeça! Você tem um crânio oco, sem nenhuma massa cinzenta dentro! – Rebateu Rodrigo ofendendo Amanda. Ela odiava quando falavam que ela não tinha um cérebro. Todos os professores faziam isso, principalmente quando jogavam na sua cara as coisas ridículas que ela errava na prova por pura distração.

- Eu ajudei sim! – Reclamou ela – Eu...! Eu peguei o mapa!

- E daí?! – Falou Rodrigo – Você é que nem os nossos pais Olimpianos! Não fizeram nada que prestasse!

- Não fale mal deles! – Falou Amanda irritada.

- O que?! Você agora é cega por acaso?! – Perguntou ele – Nós só fomos os perdedores que ficamos para trás, porque eles não nos reconheceram como filhos! Quer saber?! Eu não devia nem mesmo tentar ir para New York! Eu devia voltar para minha casa, ou para qualquer outro lugar. Eles que se danem!

Rodrigo pegou o capacete de exército e jogou com força no chão bem na frente de todos. Amanda estava com tanta raiva que queria arrebentar a cara de Rodrigo, mas antes que ela pudesse fazer isso, uma luz cegou os olhos de todos.

Eles tamparam os olhos, e aos poucos foram abrindo. O brilho foi diminuindo aos poucos e eles notaram que vinha do capacete. Seus olhos se arregalaram.

- O que... É isso? – Perguntou Rhamon.

- Eu... Sei lá. – Falou Amanda – O que vocês acham?

- Ainda parece um capacete para mim. – Contou Mateus – Mas... Está bem mais legal!

Rodrigo foi o único que não disse nada. Ele sabia muito bem o que era aquilo, pois já tinha visto milhares e milhares de vezes em livros de história. Era a arma que ele achava mais legal. Tirando a sua foice é claro...

- Você sabe não é? – Perguntou Amanda ainda incomodada com ele.

- Sei. – Assentiu ele com um sorriso no rosto. Rodrigo pegou o capacete e segurou nas mãos. – Esse é o elmo de Hades, Deus do Mundo Inferior. Senhor dos mortos.

Os três ficaram mudos. Eles olharam para Rodrigo e depois para o elmo em sua mão. Parecia muito mais assustador naquele momento. Mateus quebrou por fim o silêncio.

- Tá. Agora conta o que é de verdade. – Riu ele.

- É o elmo de Hades, sua anta! – Respondeu Rodrigo.

- Não chame ele de anta, só porque você é um anormal! – Reclamou Amanda. Depois ela parou para pensar na nova questão que havia surgido – O que faremos com o elmo?

- Ah, você está perguntando para mim? O anormal? – Implicou Rodrigo com um ar superior – Bem... Na minha humilde opinião... Acho que devíamos levá-lo como presente. Sabe? Para lembrar de como essa missão foi inútil, e rir dos Deuses.

- Eu teria uma idéia melhor. – Contou uma voz atrás deles. Os quatro se viraram para a porta e notaram um homem alto de terno. Parecia um advogado. Mateus pegou suas 9mms, Rhamon a sua foice, Amanda a sua espada, e Rodrigo ficou simplesmente parado pronto para mandar Teisk atacá-lo. O homem sorriu de leve – Aposto que assustei vocês, não é? Aparecer assim de repente.

- Nós estamos mais que acostumados. – Comentou Mateus quase rindo.

- Quem é você? – Perguntou Amanda em um tom sério, mas ao mesmo tempo curioso. O homem sentiu isso, e acabou sorrindo para ela.

- Curiosidade. – Suspirou ele feliz – Isso é um dom, sabia? As pessoas deviam ser mais curiosas, assim como você. Mas... Isso é assunto para outra ocasião.

- Fala logo quem é você, e o que você quer. – Falou Rodrigo em um tom grosso.

- Ok. – O homem levantou as mãos em sinal de “Estou me rendendo” e sorriu para eles novamente – Eu sou Prometeu. Vocês me conhecem?

- Atira. – Ordenou Rodrigo – Ou não. Droga... Ele é imortal.

Os olhos de Amanda pararam em Prometeu e ela não conseguiu parar de observá-lo. Prometeu era o titã que Ares dissera que era ruim, mas que ela sempre pensou ser um cara legal. Ele deu o fogo aos homens. Ele alimentava a curiosidade das pessoas e conseguia prever o futuro.

- Você... É um titã. – Falou ela por fim – O que veio fazer no Texas?

Prometeu riu. Ele fez aparecer uma mesa quadrada de madeira e sentou-se á ela convidando os quatro á fazerem o mesmo. Com um sorriso confortável e simpático no rosto ele respondeu á pergunta de Amanda.

- Eu vim falar com vocês sobre o futuro. – Contou, e os quatro hesitaram.

Notas finais
Fuuuuu! Eles gastaram o último dracma de ouro e ainda se ferraram novamente.

A vida não é bela? Nossa... Eu sou do mal.

Enfim... O mesmo de sempre. Eu espero pelos reviews e até o próximo capítulo!