Friendly Living
38 Capítulo XXXVIII. Merida
Notas iniciais

MERIDA DUNBROCH
Se perguntassem a Merida o porquê dela estar ali, sentada no banco passageiro do conversível de Flynn, ao lado do garoto, que dirigia cantando a música do rádio, indo para a festa de Emma Balzer, Merida não saberia responder. Uma parte de seu cérebro gritava que era porque ela estava com inveja de Hiccup e Astrid; outra parte dizia que era para causar ciúmes; outra exclamava que era porque ela resolveu dar uma chance para ele; havia outra ainda que insistisse em bater na tecla de que Merida queria passar tempo com ele; e mais uma que falava que ela estava com medo de que ninguém mais a chamasse.
Ela definitivamente não sabia qual das opiniões era pior.
Enquanto Merida se arrumava, com sua mãe dando dicas que consideravam úteis — mas que para Merida, eram apenas fúteis —, a ruiva estava ansiosa para a festa. Não estava pensando nas consequências, nem nas pessoas ao seu redor, apenas pensava no fato de que poderia passar um tempo agradável com Flynn Rider, igual passaram no Natal.
E pensar que tudo aquilo só estava acontecendo porque ele a atropelou.
Era bem história de filme mesmo.
Entretanto, assim que Flynn chegou à casa de Merida, com um buque de rosas vermelhas na mão e um sorriso tímido, Merida se arrependeu instantaneamente — e nem foi porque Elinor insistiu em tirar várias fotos dos dois juntos, mesmo Merida mandando a mãe parar, ou então porque seu pai começou a dizer que Merida era uma mulher de família, e que o rapaz não deveria pensar em hipótese nenhuma em levá-la para cama.
Ela se arrependeu porque finalmente entendeu a cagada que estava fazendo.
Estava indo a festa com o ex-namorado de sua amiga.
De sua melhor amiga.
— Eu não deveria estar fazendo isso — ela sussurrou, sentindo sua boca ficar seca, e sua mão suar frio. Estava nervosa, mas porra, estava muito irritada consigo mesma! Porque as coisas não poderiam ser mais fáceis?
— O que? — Flynn indagou, dando uma breve olhada para Merida, que sentiu os olhos do rapaz em si. Mas ela continuou olhando para a rua do lado de fora do carro.
— Eu não deveria estar fazendo isso — repetiu desta vez mais alto, sem olhar para o garoto. — Nós não deveríamos estar fazendo isso — corrigiu-se.
— Porque não, Merida? — o moreno indagou, e a ruiva conseguiu sentir os olhos do garoto em si. Logo depois ouviu uma curta risada vinda do rapaz. Uma risada sarcástica, como se estivesse lidando com uma realidade dura e irônica a sua frente.
— Nós não deveríamos ir juntos, Rider — argumentou, finalmente olhando o moreno, que tinha os lábios finos curvados em um sorriso, sarcástico e ao mesmo tempo triste, sem mostrar os dentes. — Pare o carro — ordenou, e Flynn logo desmanchou o sorriso, fazendo uma careta de desgosto.
Merida desviou o olhar do garoto, vendo o mesmo encostar-se à calçada e parar o carro, desligando-o. A ruiva tirou o cinto de segurança, disposta a voltar andando para casa. Não nevava, e por mais que ela estivesse de vestido, dava para aguentar aquele frio até sua casa.
Mas seu pequeno plano foi interrompido pelo garoto, que também retirou o cinto e segurou na mão da garota, impedindo-a de sair do carro.
— É por causa da Rapunzel, não é? — indagou direto, e Merida soltou um suspiro, a mão na fechadura. — Merida, se duvidar, ela já me esqueceu! — exasperou, e Merida pode sentir uma pontinha de tristeza em sua fala, como se falar de Rapunzel ainda o machucasse.
— Eu tenho certeza de que ela nunca vai te esquecer — admitiu, esperando que o rapaz a deixasse sair dali, e então fosse atrás da loira. — Vocês namoraram por um longo tempo, e acabaram de terminar, Flynn, o quão hipócrita seria se você fosse a uma festa com a melhor amiga da sua ex-namorada? — indagou virando o rosto para o garoto.
— Ela não vai se importar, Merida — o garoto insistiu, e Merida quis dar um tapa na cara dele e dizer que sim, ela se importaria sim. Ao invés disso, continuou calada, com cara de poucos amigos. Flynn apertou mais sua mão. — Nossa história acabou, okay? Ela quer viver outra história, começar algo novo, assim como eu — continuou. — E nós dois somos livres para isso.
— Você não está entendendo — a ruiva passou a mão livre pelo cabelo que estava solto (com muito tempo e paciência, ela havia conseguia convencer a mãe de que poderia ir com o cabelo solto). — Ela é minha melhor amiga. Vocês terminaram o relacionamento faz alguns poucos meses. A última coisa que ela imagina é nos ver juntos. A última coisa que eu poderia fazer por ela é isso. Desculpe, Flynn, mas eu não posso.
— Sim, você pode! — Flynn exasperou-se, soltando a mão da ruiva, e passando as mãos pelo rosto, virando-se para frente. Merida pensou em sair do carro, mas achou que seria infantilidade demais. — Mesmo se ela não entendesse, mesmo se ela não conseguisse compreender que você pode sair com quem você bem entender, vocês vão se separar — argumentou, logo voltando o rosto para a garota. — Não vão? Daqui a pouco estamos formados, e vai cada um para um lado, eu duvido que vocês consigam ficar juntas.
Merida estreitou os olhos azuis na direção do garoto.
— Você está dizendo que eu devo tentar entrar em um relacionamento com você, magoar e brigar com a minha melhor amiga, e ir para uma universidade longe dela? — indagou um tanto quanto assustada e nervosa. Flynn assentiu. — Você quer que eu acabe com uma amizade de anos por conta de um babaca como você? — indagou novamente, desta vez mais irritada.
Flynn abriu a boca para falar, como se finalmente tivesse entendendo onde Merida queria chegar.
Entretanto Merida já não estava mais com paciência. Abriu a porta do carro, e saiu dali, fechando a porta com muita força, escutando um grande barulho, mas pouco se lixando para ele. Queria mesmo era que tudo ao seu redor se danasse. Como ela poderia ter sido tola o suficiente para ir à festa daquela garota com Flynn Rider? Qual era o seu problema?
Com passos rápidos e curtos, virou a esquina, andando cada vez mais rápido para longe daquele traste, escutando-o chamá-la diversas vezes. Mas Merida não ligava. Definitivamente não ligava. Não queria mais falar com Flynn depois daquilo. Nunca acabaria com a amizade de Rapunzel por conta de um rapaz que pensava somente em si mesmo.
Onde foi que ela estava com a cabeça ao aceitar ir com ele?
— Merida! — escutou o gritou do rapaz, mas continuou andando, cada vez mais depressa, entretanto, aqueles saltos não estavam lhe ajudando muito, e quando deu por si, acabou torcendo o pé, e caindo no chão. — Merida! — ouviu a voz de Flynn novamente, e bufou quando o viu ao seu lado. — Você está bem? Você se machucou? — indagou ajudando a garota se sentar na calçada.
Merida soltou uma risada sarcástica.
— Eu definitivamente tenho que parar de andar perto de você — acusou, e logo virou para o rapaz, que mantinha as sobrancelhas franzidas, não entendendo onde a garota queria chegar. — Primeiro, minha cintura, e agora meu tornozelo.
— Só pra deixar claro, não fui minha culpa o tornozelo — ele contra-argumentou, e Merida abriu a boca pronta para protestar. — Você saiu andando porque quis — acrescentou, e a garota fechou a boca, revirando os olhos e fitando o tornozelo que parecia querer doer mais. — Quer que eu te leve pro hospital? — indagou com a voz calma.
Merida negou com a cabeça.
— Nah, eu já estou acostumada — deu de ombros, colocando uma mão no chão e apoiando-se, logo Flynn entendeu o recado, e ajudou a garota a ficar de pé, agarrando em sua cintura, já que ela não conseguia por um pé no chão. — Acho que consigo ir sozinha, Flynn — respondeu, começando a tirar a mão do garoto de sua cintura, mas Flynn rapidamente agarrou o tecido do vestido dourado que Merida usava.
— Não, eu te ajudo — rapidamente falou. — E não adianta negar, eu não vou te soltar — acrescentou rapidamente, e Merida deu um pequeno sorriso se sentindo cada vez mais culpada. Deus, ela não estava irritada porque ele tinha acabado de dizer que queria que ela acabasse uma amizade? — E me desculpe por antes — rapidamente pediu, começando uma pequena caminhada com Merida até seu conversível. Ela deixou ser levada, afinal, já estava na lama mesmo. Que se sujasse mais. — Eu não quis dizer para você acabar com a sua amizade com a Rapunzel, eu só pensei que vocês iriam se afastar com o tempo ao ir para universidades diferentes.
O garoto deu de ombros, e deu uma breve olhada para Merida, que o encarava. A ruiva encarou o chão, sentindo-se um tanto quanto constrangida, e já se arrependendo do que falaria.
— Que tal ao invés de irmos para a festa de Emma, não vamos para algum outro lugar? — indagou voltando seus olhos azuis para Flynn que fitava a garota com diversão.
— Merida Dunbroch me chamando para sair? — indagou com divertimento com um sorriso de canto, e Merida não conseguiu evitar, um pequeno sorriso saiu de seus lábios.
— Só estou desviando o seu convite do Baile da Emma para outro lugar — deu de ombros ainda fitando o moreno, e agradeceu por ter escovado os dentes antes de ir para a festa.
Flynn aumentou o sorriso.
— Ótimo, porque eu conheço uma lanchonete maravilhosa aqui perto — comentou, e começou a tagarelar sobre como a lanchonete era gostosa, e como ela tinha uma imensa variedade de coisas a serem servidas. — Mas antes — falou com a voz um pouco mais nervosa, e uma cara mais séria, enquanto colocava o cinto. — Eu preciso passar na cada de Emma — acrescentou. — Eu realmente preciso falar com o Henry, sabe? Além de que eu tenho que entregar o maldito anel que Kaio pediu que eu comprasse para ele dar a Emma — deu de ombros com cara de desgosto.
Merida assentiu, com um sorriso de canto.
— Tudo bem — comentou, e logo estava retirando as sandálias do pé. — Oh, e se você quiser entrar no quarto de Rapunzel e roubar um chinelo para mim, eu não ficaria brava — comentou tranquila, e logo fitando Flynn, que ria.
— Pode deixar madame.
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