Friendly Living
32 Capítulo XXXII. Rapunzel
Notas iniciais

RAPUNZEL CORONA
— Eu não acredito que você me obrigou a vir — Merida comentou nervosa enquanto bufava e batia o pé. Rapunzel riu e lhe ofereceu a latinha de Coca, que foi recusada pela ruiva. — Eu poderia estar estudando, andando de skate, comendo uma comida muito boa, dormindo, mexendo no computador, mas estou aqui com você! — falou irritada.
Rapunzel riu.
Sabia que Merida ficaria assim, afinal de contas, Rapunzel conhecia bem sua melhor amiga; porém, não queria vir sozinha. Sempre vinha com as líderes em jogo de alto porte assim, ficava lá embaixo, torcendo e sacudindo seus pompons. Seus olhos percorreram o gramado, onde via todas elas ensaiando. Emma parecia estar mais feliz por ser a capitã á estar ali, torcendo por seu namorado — se aquilo poderia ser considerado como um namorado.
Rapunzel apenas suspirou pesadamente. Sentia saudades de ser uma líder de torcida. Sentia saudades de ficar lá embaixo e de cantar, de dançar, de torcer como torcia antigamente. Sim, poderia continuar torcendo — a menina fazia isso —, mas sentia falta de torcer como uma líder.
— Eu estou morrendo de tédio, e você está triste — Merida sussurrou próximo a amiga. Rapunzel rapidamente colocou um sorriso no rosto e virou para a ruiva.
— Eu estou ansiosa, pensativa — explicou. — Não triste.
— Não é o que parece — Merida analisou e então pegou seu copo com Coca-Cola. — Acho que esse jogo vai ser uma merda — mudou de assunto. Rapunzel sorriu pela amiga ter compreendido o que se passava na cabeça da loira. — Provavelmente, o time do seu namorado irá perder.
— O time da nossa escola.
— Tanto faz.
A ruiva deu de ombros voltando seus olhos azuis para o campo. Rapunzel sorriu e pegou a garrafinha de água que havia comprado, diferentemente de Merida, que comprou um monte de coisas.
— Hei, eles estão entrando! — anunciou animada.
A ruiva voltou seus olhos para o campo, e por mais que negasse, Rapunzel conseguiu ver ansiedade ali. A loira também voltou seus olhos para o campo. O timo adversário, Preparatório Fighters já havia entrado, e Jerty ainda não. Todos estavam uniformizados com a cor azul e branca, e Rapunzel teve de sorrir ao vê-los entrar segurando o capacete.
Todos entraram pulando, batendo palmas e gritando ‘urras’.
Todos menos um.
Não que Rapunzel tenha percebido isso logo de cara, mas o capitão costumava entrar em jogos, como esse, com a bola em mãos, gritando e comemorando. Entretanto, a menina não viu nenhuma bola. E consequentemente não viu nenhum capitão.
A loira deu mais uma olhada no campo, de repente estava vendo errado, estava vendo coisas a menos. De repente viu e nem se tocou que tinha visto, entretanto, quanto mais olhava para o campo, mais percebia que o capitão realmente não estava lá.
Será que ninguém percebe que ele não está ali?
— Hei, o cabeça branca não ia jogar? — Merida perguntou à loira. Rapunzel virou-se para encarar a amiga. — O Jack — a ruiva explicou. A loira assentiu, voltando a olhar para o campo. — Então porque ele não está ali? — indagou voltando a olhar o campo. Rapunzel apenas deu de ombros.
E antes que pudesse responder qualquer coisa á Merida, viu o capitão entrar no campo, com a bola embaixo dos braços. A loira poderia sorrir aliviada, se não fosse o cruzar de pernas do garoto e o seu bambolear.
— Ele está bêbado? — Rapunzel perguntou mais para si mesmo do que para qualquer outro. A menina sentou-se na beirada da cadeira, cerrando os olhos para poder observar o garoto melhor.
— Ahn... Este não é aquele jogo em que eles conseguem ou não uma vaga para a faculdade? — Merida perguntou inocentemente.
Rapunzel assentiu, engolindo em seco.
Depois de um tempo, todos os jogadores em campo se posicionaram. Rapunzel observou Flynn acenar para a menina, que devolveu um tanto preocupada. Pensou em avisar sobre Jack — já que nenhum idiota parecia realmente perceber que o garoto não estava bem. Entretanto, Flynn baixou a cabeça novamente, e Rapunzel só pode tremer os pés de nervosismo.
— Não é como se isso fosse perigoso, certo? — Merida perguntou tentando amenizar o clima. Rapunzel a fitou. — Digo, os outros jogadores irão perceber que ele não está bem, não vão? — analisou sua pergunta. Rapunzel não respondeu.
O apitou soou, e então o jogo começou. A bola voou das mãos de algum jogador e foi parar na mão de Flynn, que rapidamente tacou a bola para Henry, que começou a correr. Jack estava parado mais a frente, e então recebeu a bola.
Rapunzel o observou.
Sua primeira reação foi pegá-la, e parecer que estava rindo — o capacete não facilitava a visão. Depois, o menino levantou a bola, como se estivesse ganhado o jogo, e então todo mundo começou a correr em sua direção. Rapunzel praticamente gritou quando tudo finalmente aconteceu.
Foi tão rápido.
Todos corriam na direção de Jack, e a arquibancada inteira parecia estar nervosa e roendo as unhas esperando por algum movimento que viria do garoto.
Entretanto, nenhum movimento veio.
O menino foi tacado ao norte, e logo em seguida ao leste, antes de finalmente cair no chão e todos os jogadores do time adversário caírem sobre ele.
Rapunzel levantou de sua cadeira, assim como todos os outros jogadores. Suas mãos foram parar em sua boca, devido o choque e a aflição que a menina sentia. Os paramédicos rapidamente chegaram ao local, e os jogadores foram aos poucos saindo. E por incrível que pareça, a loira não teve coragem de ver o que havia acontecido com o menino.
— Oh meu Deus — Merida sussurrou ainda de pé.
Rapunzel pegou seu celular e discou os números de Soluço, colocando o telefone no ouvido. Esperou os cinco toques antes de alguém atender.
— Hei Punz — Soluço falou do outro lado a linha com a voz cansada.
— Hei Soluço, por favor, venha para o jogo — a loira pediu com a voz meio gaga.
— Ah — Soluço soltou um suspiro do outro lado da linha, e Rapunzel fechou os olhos, tentando tirar da sua mente a imagem que sua imaginação insistia em criar. — Rapunzel, você sabe o motivo especifico d’eu não ter ido neste jogo — o moreno explicou sua situação com a voz calma e tranquila, mas ainda cansada. Rapunzel suspirou.
— Soluço... É uma emergência, Soluço — a menina falou, abrindo os olhos e vendo algumas pessoas voltarem a sentar-se. — O Jack, Soluço... Ele, ele, sofreu alguma coisa, ele... — a menina parou de falar. Escutou a respiração de Soluço do outro lado da linha e soube que o menino ainda estava ouvindo. — Ele estava bêbado, Soluço, só poderia estar bêbado. Eu não sei o que aconteceu com ele, mas ele estava trançando as pernas, estava tonto, e quando a bola veio na direção dele, ele... Soluço, ele...
— Rapunzel, respira, ok? Eu estou indo ai.
— Não, não! Vá para o hospital — a menina falou quando viu todos voltarem aos seus lugares, e escutou o som da ambulância. — O hospital mais perto da escola, por favor, Soluço, vá para lá.
— Ok, ok, estou indo.
E a ligação ficou muda.
Rapunzel tirou o celular do ouvido e virou-se para Merida. A ruiva a fitava apreensiva.
— Eu vou para o hospital também — avisou à loira, que apenas assentiu. Rapunzel observou Merida levantar-se e depois sentar novamente. — Lembra aquele dia na festa do casamento de sua mãe, onde você disse que Jack acendeu alguma coisa em você? — a ruiva indagou, e Rapunzel apenas pode assentir, não entendendo o rumo da conversa. — Eu não sei o que ele acendeu em você, ou que ele realmente fez com você, Punz, e não quero saber, mas... Hoje, vendo você... — a menina engoliu em seco. — Até parece que você gosta dele — a ruiva sussurrou. Os olhos cerrados, a boca franzida. — Você agiu como se realmente gostasse dele, entendeu? E não estou falando do mesmo gostar do Soluço. Nem com ele você agiu assim tão... Preocupada — a ruiva pegou na mão de Rapunzel. — Lembra o que eu te falei aquele dia na festa?
— Que o quer que Jack tenha acendido em mim irá apagar quando eu voltasse para o Flynn — a loira sussurrou. As palavras ainda batiam em sua cabeça, como o vento que rondava aquele lugar.
— Não deixe que isso aconteça — Merida pediu e deu um sorriso maroto. — Não deixe isso apagar. Não deixe — falou, e então soltou a mão a amiga e saiu dali.
Rapunzel apenas pode observar sua amiga sair dali antes de voltar seus olhos ao campo.
— X —
— Belo jogo hoje, hein? — Henry apareceu na visão da loira. Rapunzel levantou os olhos de seu celular para fitar o menino que tinha uma mochila no ombro e um sorriso satisfatório no rosto. Afinal de contas, Jerty havia vencido mais uma partida, e caminhava para a final.
— É... Vocês mandaram ver — a loira falou dando um curto sorriso. Seus olhos foram até o visor de seu celular, onde a foto de sua mãe e a menina estava. Era uma foto antiga, quando Rapunzel foi adotada, mas mesmo assim, era uma foto preciosa.
— Você... — Henry sentou-se ao lado da menina, deixando sua mochila no chão com as folhas que haviam caído. — Você sabe como o Jack está? — indagou quase num sussurro. Rapunzel ficou tentada a perguntar o motivo da voz baixa, mas apenas negou com a cabeça.
— Você sabe o que houve com ele antes de jogo? — a loira indagou num sussurro também. Henry negou, os cotovelos apoiados nos joelhos, o pé batendo no chão num ritmo rápido.
— Vai ter uma festa agora, em comemoração da vitória, mas... — o loiro parou de falar. — Eu não consigo ir a essa maldita festa sem pensar no que pode ter acontecido com Jack — falou e então fitou a loira.
— Eu vou para o hospital mais tarde — anunciou de forma autoritária e convencida. Pegou a chave do carro de sua mãe e então colocou na mão de Henry, que a fitou estranho. — Vá para o carro, e me espere — ordenou, levantando-se e vendo Flynn mais adiante. — Preciso conversar com alguém antes.
“Não deixe isso apagar.”
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