Friendly Living
24 Capítulo XXIV. Rapunzel
Notas iniciais

RAPUNZEL CORONA
— Mãe!— a loira gritou enquanto descia as escadas correndo. Suspirou aliviada assim que chegou ao térreo. Não queria morrer no dia de sua festa. – Mãe!
— Eu não sou surda, não precisa gritar – Gothel cantarolou enquanto saia da cozinha e aparecia na sala.
— Ok, ok – a garota deu um sorriso maroto e abraçou a morena, que retribuiu o abraço. – Quando você vai? – a loira perguntou após o abraço. Gothel torceu a boca, e depois deu um sorriso.
— Estou guardando algumas coisas de vidro, você sabe, para não quebrar – a mulher deu outro sorriso e olhou em direção á uma cômoda. – Tem camisinhas na minha gaveta, pode pegar.
Rapunzel tinha certeza que se estivesse tomando alguma coisa, teria cuspido a mesma, com o tamanho susto que havia levado. Não havia pensado em um minuto sequer de perder sua virgindade naquela festa.
— Como? – perguntou totalmente atordoada, a mãe dela não estava falando sério, estava? Estaria falando sobre a sua filha querida perder a virgindade na madrugada de sua festa?
— Camisinhas. Meu quarto. Pode pegar – Gothel repetiu pausadamente, depois colocou sua mão na testa de Rapunzel, como se estivesse medindo a febre. – Algum problema?
— Não, mas é que...
— Querida, se for para ser, será, ok? Agora, vá terminar de colocar sua fantasia, quero ver você com ela – pediu voltando ao armário que mexia antes.
Rapunzel abaixou a cabeça, sentindo suas bochechas corarem, depois subiu rapidamente as escadas. Oh, sim, já havia pensado várias e várias vezes sobre sua virgindade. E, com toda a certeza do mundo queria perdê-la com Flynn. Mas, toda a vez que pensava sobre o fato, sentia suas bochechas corarem e borboletas voarem em seu estômago. E, definitivamente, Rapunzel não gostava disso.
Abriu a porta de seu quarto, vendo a fantasia pousada em cima da cama. A fantasia era linda, a loira tinha de admitir, e segundo a vendedora, combinava muito com Rapunzel. O vestido branquinho e simples ganhava destaque pelos enfeites em dourado. A garota retirou a roupa que usava, e com cuidado, colocou o vestido branco.
Pegou as luvas douradas e colocou-as rapidamente, dando tempo para pegar a capa vermelha e prender, juntamente com o colarinho dourado. Colocou o bracelete dourado, e depois o par de botas douradas com o salto fino. Soltou o cabelo louro, fazendo o mesmo cair em várias ondas nas suas costas. Por fim, colocou o acessório final e pegou a espada de mentira. Sorriu ao se olhar no espelho. Estava pronta.
— Mãe! – chamou cantarolando. Gothel saiu da cozinha enxugando suas mãos e parou quando analisou a filha.
— Oh, meu Deus! – exclamou sorrindo. – Você está uma gata! – admirou a garota, que deu um sorriso convencido e tímido ao mesmo tempo. – Iria pegar vários garotos se não namorasse – e deixou um suspiro escapar. Rapunzel bufou e rolou os olhos nas órbitas. Porque sua mãe e Merida tinham que implicar tanto com Flynn? – Mas, do que está vestida?
— She-Ra – deu um sorriso analisando sua própria fantasia. – A vendedora disse que eu lembrava-a – deu de ombros voltando a encarar sua mãe, que tinha um sorriso nos lábios. – O que achou?
— Você ficaria linda de qualquer jeito, meu doce – Gothel deu um sorriso e depois olhou ao redor. – Bem, tente não destruir essa casa, ok?
— Mas você já vai? – a loira questionou sentindo seu estômago revirar. Gothel deu um sorriso protetor, e envolveu Rapunzel em seus braços, apertando-a cada vez mais. A menina engoliu em seco, não entendendo muito bem o motivo de tudo aquilo. – Temos duas horas ainda! – exclama se soltando de Gothel e dando um sorriso malicioso. Gothel ri.
— Certo, o que quer fazer? – pergunta enquanto se dirige a cozinha, com o pano de prato em mãos. Rapunzel da de ombros, olhando para a cozinha e se assustando quando não vê nada dos pratos e copos de vidros.
— Você realmente tirou todo o vidro e porcelana daqui de casa, né? – perguntou já sabendo a resposta. Gothel deu um sorriso e abriu a geladeira. Rapunzel deixou sua espada em cima da mesa e se aproximou, vendo a geladeira cheia.
— Bebidas, doces e um bolo de aniversário! – Gothel exclamou enquanto olhava para Rapunzel e dava um sorriso divertido. Rapunzel devolveu o sorriso. – Tem comida também – a mulher deu de ombros fechando a geladeira. – Assim como tem na despensa.
— Que horas que você volta? – a loira perguntou puxando uma cadeira e se sentando. Gothel suspirou pegando um copo de plástico e enchendo de água.
— Eu realmente não sei – falou sentando na cadeira em frente a sua filha adotiva. – Miles disse que talvez a Emma demorasse a chegar a casa – Gothel deixou um suspiro escapar por entre seus lábios. Rapunzel torceu a boca quando se lembrou que Emma estaria em sua festa, e de que aquela garota seria sua futura irmã postiça. – Mas, assim que ela chegar, eu voltarei.
— Hum, então duvido que volte cedo – a loira murmurou alto para a morena escutar. Gothel arqueou uma sobrancelha, dando um sorriso para a menina.
— Não sabia que você e Emma eram tão amigas – soltou dando um sorriso logo em seguida. Rapunzel engoliu em seco, dando um sorriso falso e forçado. Ótimo, agora estraguei de vez a chance que eu tinha de contar sobre a verdadeira Emma. Belo, sua burra!— Ela nunca veio aqui em casa antes, deveria ter trago-a.
— Você não está ressentida com o que ela disse na noite do jantar? – Rapunzel perguntou meio atordoada, tentando mudar o assunto de que possivelmente seria melhor amiga de Emma. Gothel desmanchou seu sorriso e tomou mais um gole de água.
— Ela é jovem, Rapunzel – a mulher falou dando um sorriso a filha. – Jovens são assim – deu de ombros e se levantou.
— Todos, menos eu – a loira soltou uma risada fraca, e foi acompanhada pela mãe.
— Você é uma garota especial – Gothel sussurrou se aproximando da loira e alargando seu sorriso.
— Bem, e você é uma mãe especial – Rapunzel comentou soltando outra risada fraca.
— É melhor eu ir indo – a mulher falou se aproximando da porta dos fundos. – E, pelo amor de Deus Rapunzel. Não destruía essa casa, ok? – pediu soltando um sorriso. Rapunzel assentiu. – Boa festa, minha filha! – e saiu, fechando a porta logo em seguida.
Rapunzel baixou a cabeça sentindo uma onde de raiva e fúria lhe invadir. Levantou de onde estava e foi até a sala, se tacando no sofá. Olhou para o relógio que estava pendurado, levando em conta que só havia passado vinte minutos. Deixou com que um suspiro lhe escapasse e levantou.
Com passos leves e devagar foi em direção á seu quarto, tendo em conta de que ele poderia vir a virar uma zona depois da festa. Deixou um suspiro escapar, e retirou todas as suas maquiagens da penteadeira. Colocou-as numa caixa branca, fechando-a e enfiando a mesma no guarda-roupa, dando um sorriso. Pegou seus perfumes e fez a mesma coisa. A menina observou seus quadros todos certos na prateleira, e resolveu não tirá-los. Deixaria pelo menos aqueles, já que os outros foram retirados por Gothel.
Sentou em sua cama e deixou um suspiro escapar. Seus olhos focaram no teto branco que estava em sua cama. Seu corpo tombou para trás, e tudo ao seu redor pareceu falhar, começou a ser esquecido. Sua mente voava, voava por todos os lugares possíveis e não possíveis.
A loira lembrou-se de seus professores, de suas dicas para o SAT, de suas aulas, de suas broncas, de suas matérias... Depois, lembrou-se de cada aluno que fazia parte de sua vida há tempo. Flynn, Merida, Soluço, Clara, Emma, Jack... A menina passou a mão por sobre o rosto, tendo cuidado para não desmanchar a maquiagem que Gothel havia feito.
Desistiu de pensar para esperar o tempo, quando percebeu que havia passado somente vinte minutos desde que Gothel havia ido para a casa de Miles. Na verdade, Rapunzel tinha a quase certeza de que ela havia ido para sua escola, esperar dar duas horas depois do inicio da festa para poder ir para a casa de Miles, e não ter que encontrar Emma. A loira sabia que Gothel não havia gostado muito de Emma, na verdade, a menina tinha receio de que Gothel tivesse gostado de Emma, no entanto, estava respeitando-a, deixando a menina com seu tempo para poder aceitá-la.
A loira torceu a boca para isso. Emma nunca aceitaria Gothel. Nem que fosse preciso ameaçá-la em colocá-la num internato de freiras. Emma nunca aceitaria Gothel. E isso retumbava na cabeça de Rapunzel. A loira não queria que Gothel vivesse toda a sua vida respeitando um ‘tempo’ de Emma. Tempo esse, que não existia.
A menina sentou-se na cama, sentindo o mundo realmente rodar ao seu redor. Sua visão ficou turva e seu estômago embrulhou, entretanto, por alguns segundos. Logo depois, a garota estava novinha em folha novamente.
Decidiu então (em seu tempo restante que parecia não ter fim) ir conferir toda a decoração e ver se tinha algo faltando. Naquele tempo restante poderia dar conta de arrumar se alguma coisa estivesse fora do lugar.
— X –
— Que horas são? – a loira perguntou pela quinquagésima vez, enquanto andava de um lado para o outro, tentando controlar sua ansiedade perante aquela situação.
— Oito e cinquenta e seis – Merida bufou percebendo que Rapunzel perguntava o horário sempre de um minuto em um minuto. – Não são nove horas ainda se acalme! – ordenou enquanto se levantava de onde estava sentada.
— É, mas as pessoas que chegam cedo ainda não chegaram! – Rapunzel insistiu enquanto tacava seu corpo no sofá. O pensamento de que as pessoas não viriam em sua festa rondava em sua mente, fazendo a mesma ter ataques. – E se ninguém aparecer?
— Ah, com certeza alguém irá aparecer – Merida respondeu da cozinha. Sua voz alta e clara. – Seu namorado, Soluço, Astrid, Jack e Emma para ver sua desgraça se ninguém aparecer – comentou normalmente dando calafrios em Rapunzel.
— Cala a boca Merida, antes que eu faça isso – retrucou sentindo seu corpo responder a tensão que sentia. Levantou-se do sofá e voltou a andar de um lado para o outro, apreensiva.
— Ah, por favor, Rapunzel – a ruiva pediu enquanto entrava na sala com um copo vermelho em mãos. Bebeu um gole e sentou no sofá. – É você, todos virão – afirmou voltando a beber outro gole.
— O que tem ai? – a menina perguntou se aproximando de Merida, que deu de ombros e olhou para o interior do copo.
— Vodka – respondeu normalmente enquanto bebia outro gole. A loira arregalou os olhos, temendo atitude da amiga.
— Você está bebendo vodka? – perguntou ainda abismada, esquecendo-se do fato de faltar dois minutos para sua festa. – Você?— perguntou novamente depois de Merida concordar com a cabeça. – Porque está bebendo?
— Preciso arranjar um namorado hoje – explicou enquanto voltava a tomar outro gole e encarava Rapunzel, com a boca meio torcida.
— Porque diabos você quer arrumar um namorado hoje? – a loira perguntou encarando a amiga. Não que fosse uma coisa improvável para Merida arranjar um namorado (na verdade, era), mas, assim do nada, era uma coisa estranhamente estranha.
— MacGuffin – a ruiva respondeu, com a voz amarga. Rapunzel abriu a boca, e ficou encarando a amiga, que bebia mais um gole da vodka. A loira fechou a boca e balançou a cabeça não acreditando que a amiga arranjaria um namorado somente por culpa de um desafio idiota e estúpido.
— Beber não vai fazer você arranjar um namorado – a loira comentou fitando a ruiva.
— Não, mas, vai me fazer ficar mais livre, mais solta. Posso da em cima dos caras e pedi-los em namoro, subornando eles, ou fazendo chantagem, sei lá – respondeu bebendo outro gole de vodka.
Rapunzel engoliu em seco, mordendo o lábio inferior. Sabia que Merida era frágil para bebida. A garota não podia beber muito, caso contrário acabaria perdendo sua virgindade com um cara qualquer do time de futebol, bêbado também, no sofá da sala, no meio de todo mundo. A pancada maior lhe atingiu quando deram nove horas no relógio, e ninguém havia chego ainda.
Num movimento rápido, Rapunzel pegou o copo das mãos de Merida, ignorando seus protestos e virou toda a vodka em sua boca. O liquido passou queimando sua garganta inteira, deixando um rastro quente e bom. Rapunzel mordeu o lábio inferior e devolveu o corpo a Merida.
— Era meu – a ruiva balbuciou fitando Rapunzel, que assentiu mais nervosa ainda. – Porque bebeu minha vodka?
— Você nunca ligou para isso, Merida – afirmou para a ruiva, que bufou e levantou do sofá, talvez irritada com a situação. A loira se colocou na frente da ruiva, impedindo sua passagem até a cozinha. – Não, você não irá beber até que a festa comece de verdade, ok?
— Tecnicamente, ela já começou – a menina deu um sorriso maroto e voltou para o sofá. – Já são mais de nove horas.
— Quer parar de me lembrar desse detalhe? – a loira pediu irritada voltando a andar de um lado para o outro. Seu coração batia a mil, e o desespero de ninguém vir só aumentava.
— Você pode, pelo amor de Deus, para de andar de um lado para o outro? – a ruiva perguntou enquanto fuzilava Rapunzel com os olhos. A loira parou de andar, se sentindo intimidada com a menina. A loira andou até a poltrona e se sentou ali, passando a mão nos joelhos, seu nervosismo aumentando cada vez mais.
— Você não precisa pedir um cara em namoro – Rapunzel falou, chamando a atenção de Merida, que ergueu o olhar da barra do seu vestido de pirata.
— Ai eu perco a aposta – a menina deu um sorriso de ironia. – Claro que sim!
— Merida, é mais fácil você dar dinheiro para alguém e pronto, ele simplesmente aceitaria ser seu namorado – a loira deu de ombros. Pensar em Merida namorando alguém lhe deu uma felicidade repentina, no entanto, a loira queria que esse alguém fosse especial e merecesse Merida.
— E quanto eu daria para o cara? Minha próxima mesada sai daqui a duas semanas – argumentou cuspindo as palavras. Rapunzel deixou um suspiro escapar enquanto enrolava uma mecha de cabelo em seu dedo.
— Eu poderia lhe emprestar – a loira soltou ainda enrolando a mecha de seu cabelo.
— Oh, você faria isso? – a ruiva perguntou dando um sorriso e se aproximando de Rapunzel.
— Aham – afirmou soltando um sorriso de canto – se não for uma quantia muito alta, é claro – soltou antes que a menina oferecesse mais do que o necessário para algum garoto.
Merida soltou um sorriso e ajeitou a barra de seu vestido. Rapunzel tinha que ser franca, havia adorado a fantasia de Merida. Havia adorado a vestido, o chapéu e as botas. E, toda a roupa, toda a produção da garota lhe dava um ar extremamente sensual. Rapunzel sorriu. Talvez Merida conseguisse realmente um namorado em sua festa. Um namorado real, sem ter que pagar para fingir.
— Rapunzel – a ruiva chamou a amiga, com sua cabeça baixa e voz frágil. Rapunzel mordeu o lábio inferior torcendo para que a bebida não fizesse tanto efeito na menina. – Como você... – sua voz falhou.
— Como eu...? – Rapunzel incentivou a ruiva a continuar a falar.
— Como você conseguiu... – Merida foi interrompida pelo som da campainha. Sua cabeça se levantou, encarando a loira, que não se continha. Poderiam ter vindo em grupos, Rapunzel tinha quase certeza disso.
A loira levantou-se na velocidade da luz, e parou na frente da porta. Alisou seu vestido, ajeitou as luvas e deu uma arrumada básica no cabelo. Estava uma She-Ra melhor no momento. Deu um suspiro feliz e abriu a porta rapidamente, dando de cara com seu namorado.
Rapunzel deu um sorriso assim que o viu, o pensamento de que ninguém viria a festa apagado pela presença de seu namorado. Flynn tinha óculos escuros Ray-Ban, e uma roupa bege de xerife. Um xerife moderno.
— Uau, você está linda! – o moreno exclamou quando seu rosto subiu para o rosto de Rapunzel. A menina deu um sorriso convencido.
— E, você está um gato – falou descendo o degrau eu tinha ali, ficando alguns centímetros mais baixa que Flynn. – Acho que terei que tomar cuidado, muito cuidado – sussurrou enquanto passava seus braços em volta do pescoço de Flynn.
— Já eu acho que você terá que colocar uma calça e um casaco – falou soltando um riso logo em seguida. Rapunzel sentiu suas mãos abraçarem sua cintura e se sentiu mais confortável. A loira rapidamente selou os lábios dos dois, puxando Flynn para um beijo apaixonado, calmo e preciso.
— Eu sei que eu estou atrapalhando, mas, a ruiva aqui não quer ficar sozinha – a loira ouviu a voz da amiga, e soltou Flynn virando para a mesma, que estava parada no batente da porta, uma das mãos na cintura.
— Está muito linda Merida – Rapunzel ouviu a voz grossa de Flynn e sorriu. – Não mais que a Punz, é claro, mas, está linda – o moreno falou dando de ombros, dando um sorriso de canto para a ruiva, que ajustou a postura e cruzou os braços.
— E você está o mesmo de sempre – retrucou entrando, deixando a porta aberta. Rapunzel revirou os olhos, não acreditando na ruiva.
— Acho que ela nunca vai gostar de mim – o menino deu de ombros enquanto Rapunzel virava para encará-lo.
— Vai sim – a menina comentou, não acreditando em sua própria palavra. – É tudo uma questão de tempo.
— Espero – o menino sussurrou, enquanto era puxado por Rapunzel. A menina empurrou o namorado para dentro de sua casa, e fechou a porta logo em seguida. Encarou Merida sentada no sofá, com um copo vermelho em mãos. A loira mordeu o lábio inferior, voltando seu olhar para Flynn, que olhava a casa ao redor. – Você ainda não colocou a música? – o menino perguntou enquanto ia em direção ao rádio desligado.
— Não irá dizer que minha festa esta sendo um fracasso e não irá vir ninguém? – perguntou indo atrás do garoto, que analisava alguns CDs. O moreno ergueu o olhar para a menina.
— Eu tenho certeza de que essa festa será o máximo – respondeu enquanto se levantava e passava seu dedo no rosto da menina. Rapunzel sorriu. – Esse povo que gosta de chegar atrasado, para dar um charme – Flynn revirou os olhos voltando a mexer nos CDs. – Achei que contrataria um DJ – comentou.
— Eu contratei – a menina resmungou enquanto sentava na cadeira mais próxima. – Mas o desgraçado desmarcou na última hora – a loira trincou os dentes sentindo a raiva invadir seu corpo. Havia ligado para vários outros DJs, mas, todos não poderiam ir à festa, pois não havia sido marcado antes. – Pelo menos eu não havia pagado ele – sussurrou, escutando uma risada fraca de Flynn. O menino pegou Night Visions e colocou para tocar. O som de Radioctive invadiu o local.
— Imagine Dragons? – Merida perguntou do sofá. Rapunzel percebeu o sorriso malicioso da ruiva, e foi em direção da mesma.
— Isso mesmo – falou retirando o copo das mãos da garota. – Eu disse sem bebida.
— Parece minha mãe falando assim – a ruiva comentou enquanto soltava uma gargalhada. Rapunzel torceu a boca e olhou para o interior do copo, percebendo que o mesmo estava na metade. A loira deixou um suspiro escapar e virou todo o copo garganta a baixo. Não que fazer aquilo fosse necessário, mas, aliviava a tensão que estava sentindo. – Quer parar de beber toda a bebida que eu pego? – a ruiva perguntou parando de rir imediatamente e ficando séria. Rapunzel deu um meio sorriso, sentindo sua garganta pegar fogo.
— Se você parar de pegar bebida – comentou deixando o copo em cima da mesa da sala. A loira olhou na direção da cozinha, vendo Flynn aparecer com um copo de bebida nas mãos. A menina bufou e sentou-se na poltrona.
— Ele, você deixa beber, né?! – Merida provocou enquanto se levantava e subia as escadas. Rapunzel acompanhou a amiga com o olhar, vendo-a sumir. Deixou um suspiro escapar de seus lábios.
— Hey! – Flynn chamou a loira, que virou seu olhar para o moreno, que estava sem o copo nas mãos. – Vai dar tudo certo, ok? – falou de uma forma segura e protetora. Rapunzel sorriu e assentiu.
— Espero que sim – sussurrou.
— Mas, antes que esse ‘tudo certo’ comece a dar certo – o moreno deixou um suspiro escapar de seus lábios – tenho uma péssima noticia para te dar.
— Certo, Flynn – a loira falou mordendo o lábio inferior. – Pelo amor de Deus, diga que não é nada relacionado à festa. A minha festa – acrescentou a ultima parte sentindo seus olhos marejarem. Droga, porque eu tenho que ser tão emocional? Flynn deu um sorriso de canto e encostou suas costas no sofá, ficando sério.
— Não é, não se preocupe – o rapaz sussurrou em meio a música. Droga, Rapunzel, porque você tem que ser tão egoísta? A loira se levantou de onde estava e sentou ao lado do namorado, apertando sua mão.
— O que foi? – perguntou. O moreno virou seus olhos para Rapunzel e deu um meio sorriso, feliz por ter a menina ali.
— Digamos que eu não sou mais o capitão do time – falou dando de ombros, como se isso fosse até normal. Rapunzel arregalou os olhos.
— Como não? – perguntou totalmente indignada. Se bem conhecia Hedge, ele nunca faria algo daquele gênero. Como ele poderia simplesmente tirar Flynn de seu lugar?
— Hedge acha que o Frost tem mais potencial que eu – deixou um suspiro escapar pelos lábios. – Fui rebaixado para running back – informou a namorada. Rapunzel balançou a cabeça, atordoada demais para conseguir entender tudo aquilo. Hedge havia colocado Jack Frost no lugar de Flynn Rider?
— Isso não está certo – a menina comentou enquanto levantava de onde estava e pegava o copo de Flynn que estava na mesa de centro. Virou o copo inteiro, dando vários goles enquanto sentia a bebida queimar totalmente sua garganta. Rapunzel deixou o copo em cima da mesa de centro, passando sua mão por sobre a boca. Sua garganta ainda ardia, mas não tanto quanto antes. Sua respiração estava normal, e seu corpo todo pedia por mais vodka. A menina sorriu se sentindo extremamente confortável.
— Isso realmente não está certo – Flynn comentou levantando-se e pegando seu copo. – Você bebeu tudo! – exclamou parecendo assustado. Rapunzel deu um meio sorriso ao seu namorado. – Rapunzel, isso não é bom. Você nem bebe!
— Quis experimentar – a menina inventou uma desculpa qualquer pegando sua espada de cima da mesa. A garota analisou a mesma e por um minuto pensou na possibilidade dela ser verdadeira e enfiá-la no estomago de Emma. Sorriu.
— O seu experimentar foi drástico demais – o moreno comentou ainda com o copo em suas mãos. – Não beba mais, ok? Você é frágil demais para a bebida.
A loira revirou os olhos pelo fato de ser chamada de frágil. Não era frágil, a menina tinha que admitir isso, não era nem um tiquinho frágil. Deixou seu corpo tombar para trás, fazendo com que o mesmo caísse na poltrona, e relaxou a espada em cima de seu colo. Seu corpo já não estava mais tenso. Rapunzel sorriu ao ver Flynn em pé, encarando a menina com as mãos no bolso.
Um choque lhe percorreu por todo o corpo, a sensação de querer perder a virgindade, mas ao mesmo tempo não. Desviou seu olhar de Flynn e observou o copo vermelho parado na mesa de centro. Seu corpo se contorcia, e a tensão aumentava em cada pedacinho do mesmo. Rapunzel se culpou por estar com um vestido tão curto, e culpou também a vendedora, que não havia deixado a menina ficar com o vestido enorme de Cinderela.
Rapunzel bufou e cruzou os braços em cima de seu busto. Bufou novamente, não achando a posição correta, e descruzando os braços, deixando os mesmos por sobre seu colo, repousando juntamente com a espada. Deixou que alguns poucos segundos passassem, até não curtir a posição que estava, pegar a espada e se levantar. Andando de um lado para o outro, balançando a espada em suas mãos, a garota se assustou quando Merida brotou em sua frente.
— Tem uma turma vindo ai – comentou soltando um sorriso malicioso. Rapunzel analisou a amiga, que parecia certamente diferente de antes. Sua maquiagem parecia ter sido retocada, e seu cabelo havia sido preso em um coque. O chapéu, antes mais para trás, estava mais frente. A loira observou que o decote de Merida estava mais a vista, e a saia parecia ter encurtado.
— Tome cuidado – a loira sussurrou para a amiga, que arqueou uma sobrancelha. – Não quero ter que te aturar depois, se lamentando do fato de ter perdido a virgindade – explicou saindo de perto de uma Merida assustada. A menina se posicionou na frente da porta, e alisou o vestido, puxando o mesmo um pouco mais para baixo e ajustando o decote para não ficar tão a mostra, ou aparecer coisas desnecessárias. Tacou seu cabelo para frente e deixou alguns fios caídos nas costas. Deu um sorriso confiante para a porta e esperou a campainha ser tocada.
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