Friendly Living
28 Capítulo XXVIII. Rapunzel
Notas iniciais

RAPUNZEL CORONA
Rapunzel acordou com uma dor de cabeça horrível. Pior, uma dor de cabeça mais doída que sua cólica (que doía mais do que parto – na opinião dela). A loira levou sua mão na testa, onde a dor parecia ser pior do que tudo. Rapunzel abriu um dos olhos, passando a mão sobre os lábios, retirando um pouco da baba de canto.
A garota soltou um gemido enquanto sentia a luz penetrar em seus olhos e a dor parecer aumentar cada vez mais. A loira abriu um pouco mais os olhos, se acostumando com a claridade que entrava aonde quer que estava.
Quando finalmente conseguiu abrir o olho todo se viu em seu quarto, com ainda a fantasia de She-Ra, mas sem as botas. Rapunzel virou-se, ficando de barriga para cima e sentindo sua cabeça doer mais do que tudo. Queria clamar pela sua mãe, perguntar que horas eram e tomar um remédio para melhorar aquela dor. Mas, sua garganta estava seca e a vontade abrir sua boca era mínima.
A loira piscou os olhos um pouco atordoada, e sentiu sua cabeça doer mais um pouco, tentando se lembrar do que havia acontecido na festa. Lembrava-se de poucas coisas, e a maioria era tudo um borrão em sua mente.
Rapunzel suspirou, irritada consigo mesma por ter bebida. Ela mesma sabia que era frágil a bebida, porque diabos tinha que beber? Agora, além da dor de cabeça do caramba, não conseguia se lembrar de nem metade da festa. Da sua festa.
A menina levantou, observando seu quarto, e a meia bagunça que ele estava, diferentemente do dia anterior, quando arrumou sua maquiagem, colocou sua fantasia e arrumou seu cabelo. Colocou a mão na cabeça, e com os pés descalços, andou até a porta, que já se encontrava aberta. Foi em direção ao corredor, encontrando-o limpo, exceto na frente da porta do banheiro de onde saia um fedor totalmente desagradável, além de estar sujo com copos e papeis.
A loira tentou ignorar aquele cheiro e a visão desagradável e partiu para a escada, onde encontrou alguns vestígios de fantasia. Chapéus, sapatos, bijuterias, jóias, e até alguns pedaços de tecido. A menina se perguntou como eles haviam chegado naquele estágio.
Assim que chegou à sala, seus olhos se arregalaram com a visão que estava vendo. Realmente parecia que a festa da loira foi uma verdadeira festa de filme, exceto que não tinha ninguém ali. Tinha comida espalhada, copos vermelhos jogados para todos os lados, garrafas vazias em cima do sofá, e algumas no chão, havia um chapéu em cima de uma pilha de copo que formava uma pirâmide. Um casaco em cima da poltrona que estava suja de alguma bebida vermelha, alguns cigarros estavam em cima da mesinha de centro, e havia um isqueiro perto deles. E no meio de tudo isso estava Gothel com uma sacola preta e luvas de borracha nas mãos.
— Boa tarde, dorminhoca – a mulher falou assim que viu sua filha adotiva parada na escada, olhando espantada para toda aquela zona. – Acho que a festa foi extremamente boa, hein – falou soltando um sorriso malicioso e divertido. Gothel deixou o saco preto no chão próximo a um sofá com latinhas variadas. Retirou as luvas da mão e as deixou por ali. – Quer um remédio? – indagou, e Rapunzel assentiu se dirigindo até a mesa da sala, onde Gothel deixou um copo de água e um comprimido azul e pequeno. Rapunzel pegou o comprimido e jogou garganta abaixo, sentindo sua garganta doer.
— Que horas são? – perguntou com a voz rouca e a garganta ficando mais úmida. Gothel olhou no relógio de pulso.
— Quatro horas – respondeu com um sorriso de canto e voltando para a sala. Rapunzel debruçou sua cabeça na mesa, gemendo de dor. – Vá deitar, eu termino de arrumar essa bagunça – a morena falou colocando as luvas. Rapunzel se levantou, foi até sua mãe adotiva, e então deu um abraço na mesma e beijou sua testa.
— Obrigada mãe – e partiu rumo ao seu quarto, sem nem se preocupar em arrumar a bagunça que estava na sala.
— X –
— Você bebeu mais que eu! – Merida comentou soltando uma risada curta, mas ao mesmo tempo divertida. Rapunzel revirou os olhos, brincando com o prato de sopa a sua frente. – Meu Deus, isso está muito bom, Gothel! – a ruiva comentou empolgada, e Gothel sorriu para a jovem. Rapunzel fitou Merida, arqueando uma sobrancelha para a garota.
Se bem conhecesse sua amiga, sabia que aqueles comentários, a animação e o sorriso satisfatório no rosto eram por algum motivo. E, provavelmente esse motivo era algo que ocorreu na festa. Algo, que Rapunzel não lembrava, com certeza. A loira fitou sua mãe, enquanto a mesma se levantava.
— Mike me chamou para a gente dar uma volta – a morena falou recolhendo seu prato e o prato de Merida, que acabara de comer e sorria para a mulher mais velha. – Vamos conversar sobre o futuro, e... – sua voz falhou um pouco, e Rapunzel apertou a mão da mulher.
— Vai dar tudo certo, mãe, não se preocupe – a loira falou dando um sorriso gentil, que fez a mulher sorrir de volta e partir em direção a cozinha, com os pratos das três. Merida fitou a loira.
— Esse mistério todo para que, hein? Eu sou da família! – a ruiva bradou cruzando os braços e fazendo bico logo em seguida. Rapunzel soltou uma risada.
— Eu já vou indo, se precisar de algo, pode me ligar! – a morena gritou saindo pela porta da frente pegando sua bolsa e acenando. As duas acenaram de volta, e Merida voltou a bufar, fazendo Rapunzel rir e se levantar da mesa.
— Aconteceu algo na festa ontem para você ficar toda feliz? – indagou com a sobrancelha arqueada. Merida deu uma leve encolhida de ombros, levantando logo em seguida e indo até a sala, onde tinha somente o sofá maior, já que as poltronas estavam com bebidas (e a outra, Rapunzel foi descobrir mais tarde, vômito), e Gothel levou-as para serem lavadas em um lugar especializado.
— Bem... Arranjei um namorado! – a ruiva deu um sorriso vitorioso e logo em seguida fitou Rapunzel com seus olhos azuis brilhantes. A loira arqueou uma sobrancelha, sentando no sofá e cruzando as pernas, enquanto pegava uma madeixa de cabelo e enrolava em seu dedo.
— Vai me falar quem é?
— Não é muito legal, e também não foi muito esperto da minha parte – Merida enrolou enquanto gesticulava com as mãos. Rapunzel sorriu. – Mas, ele é bonito, é charmoso, e cai legal para ser meu namorado. Não perfeito, mas legal – a menina soltou um suspiro, juntou as mãos e fitou Rapunzel. – É o Fred – soltou rapidamente mordendo o lábio inferior logo em seguida.
— Fred? – Rapunzel arregalou os olhos logo em seguida. Tudo bem, Fred tinha lá suas qualidades, mas Fred? Pelo que Rapunzel sabia, Merida odiava o garoto mais do que Flynn ou qualquer outro. A menina de olhos verdes fitou a amiga. – É sério?
— Ele se mostrou interessado na minha proposta – Merida acrescentou dando de ombros e encostando sua cabeça no sofá, pegando o controle remoto e ligando a televisão. – E além do mais, ele falou que me conquistaria antes do dia final – a ruiva riu com desgosto, e Rapunzel sorriu, soltando a mecha de fios loiros que havia pego.
— Fred é... Um cara interessante de ser estudado – a loira comentou dando um sorriso e logo em seguida recebendo o olhar assustado da sua amida de fios ruivos. – Ele é... Meio chato, de verdade, além de ser metido e querer ser sempre superior a todos – a loira comentou com os olhos atentos de Merida em si. – Toma cuidado com ele, ok? – pediu para a jovem, que sorriu.
— Eu sei me virar com os meninos Rapunzel, achei que você já soubesse disto – Merida zombou voltando a fitar a televisão, mudando de canal procurando alguma coisa boa para que ambas pudessem assistir.
Rapunzel já tinha forçado um pouco a memória, tentando lembrar-se de algo que deveria lembrar. Mas não conseguia lembrar-se de muita coisa. Lembrava até o momento em que havia ajudado Soluço e Astrid a cuidarem de uma Merida bêbada. Depois disso, tudo vinha como um borrão. Era uma sequência de brigas, beijos, discussões, mais beijos, bebidas, dança, música alta, piscina, doces, bebidas, vômitos, e tudo sumia de sua mente.
A loira se sentia horrível com isso. Em seu interior ela sabia que tinha acontecido algo muito importante na festa, e deveria se lembrar, custe o que custasse, mas nada absolutamente nada que ela lembrava era tão importante quando o seu interior falava. E isso era horrível, porque Rapunzel não sabia se tinha relação com Flynn. Se fosse alguma declaração importante dele? O que ela faria?
— Você realmente não se lembra de nada interessante? – a ruiva indagou fitando a amiga, que parou de pensar e negou para a menina, soltando um suspiro logo em seguida. Rapunzel escutou Sing do Ed Sheeran, e logo sorriu quando viu que o clipe passava na televisão.
— Eu só lembro até o Soluço e a Astrid estarem te ajudando – a loira soltou juntamente com um suspiro e então passou a mão nos fios louros, cansada e com medo daquela dor insuportável voltar com mais força.
— Eu... Eu acho que eu preciso te contar algo – a ruiva falou mordendo o lábio inferior. Rapunzel fitou a ruiva e deu um sorriso maroto.
— Não vai me dizer que você beijou o Fred! – exclamou com uma pitada de ironia na voz. A loira sabia que Merida não faria isso. Não aquela Merida que conhecia.
— Pior – a garota comentou soltando um suspiro fraco e olhando Rapunzel, que fazia um gesto para ela prosseguir. A loira estava curiosa. Talvez demais. – O Frost me beijou e eu retribui – comentou mordendo o lábio inferior e semicerrando os olhos enquanto fitava a loira.
O sorriso maroto de canto de Rapunzel foi sumindo ao pouco no exato momento em que escutou a palavra Frost saindo dos lábios de Merida. Não esperava que a amiga fizesse isso com o garoto de fios brancos. Não que isso a incomodasse, mas Merida poderia pelo menos ter escolhido outro garoto. Justamente aquele que Rapunzel tanto odiava!
Você é um desgraçado que tem um puta de um charme do caralho.
E então, como um baque, algumas coisas voaram em sua mente. Certas coisas Rapunzel fez o favor de ignorar, mas outras, a loira soube o que o seu interior achava de tão importante. É claro! Havia resistido ao charme do Frost, havia beijado aquele garoto nojento, havia deixado com que ele se aproveitasse dela, havia deixado o menino relar, encostar-se a seu corpo, havia traído Flynn.
Se não fosse por Merida ali, esperando ansiosa por uma resposta de Rapunzel, a loira teria tacado um vaso no chão, gritado coisas feias e xingado o máximo que podia aquele idiota de fios brancos.
— Bem... Devo admitir que você tem um gosto estranho para meninos – a loira comentou colocando um sorriso forçado no rosto. – Primeiro o Fred, e depois o Frost?! – sua voz tinha ironia e isso contribuiu para Merida soltar um sorriso e voltar a televisão, mudando de canal, deixando em algum filme qualquer.
Rapunzel logo desmanchou o sorriso em seu rosto. Uma raiva subia em seu corpo. Como aquele canalha tinha o direito de beijar as duas? Isso sem contar que ele havia beijado, provavelmente, muitas outras garotas, além de Merida e Rapunzel. E aquilo irritava Rapunzel. Irritava a loira mais do que tudo. E, ela também sentia tristeza. Tristeza por não ter sido forte o suficiente para poder dar um tabefe naquele cara branca e não ter traído o cara que tanto amava.
— X –
— Obrigada, Stoick – a loirinha falou assim que o homem mais velho disse que chamaria o garoto. Merida havia passado a noite anterior na casa de Rapunzel, e ambas haviam assistido um filme de ação muito legal, que no momento a menina não fazia ideia do nome.
No domingo, elas acordaram cedo, ajudaram Gothel com a cozinha, almoçaram, e depois Merida foi embora. Gothel sentou com Rapunzel e então elas conversaram sobre o casamento. A morena falou que ela iria ver o vestido na segunda, e que o casamento seria civil somente. Mike ainda tinha que preencher umas papeladas para poder casar no religioso com Gothel, e isso demoraria mais que os dois poderiam esperar.
Certamente isso assustou Rapunzel, já que a menina não queria ser a meia irmã de Emma. Já era horrível Gothel vê-la como a melhor amiga daquela garota loira de olhos azuis malignos, imagina quando as duas começarem a morar juntas. Isso seria simplesmente horrível.
Depois de Merida ir embora, e Rapunzel ligar para Flynn recebendo uma negação do moreno, afirmando que tinha saído com alguns amigos, a loira decidiu esclarecer algumas coisas com certo garoto que morava afronte a sua casa.
— E ai loirinha, não esperava vê-la por aqui – o garoto de fios brancos apareceu na porta somente com uma calça de moletom, que deixava sua cueca preta um pouco a mostra. A menina, que estava perto do portão (já que iria gritar com o garoto) não se moveu. Jack deu um sorriso maroto e então foi na direção da menina.
Rapunzel desencostou no portão, com um sorriso forçado no rosto e descruzou os braços, esperando a chegada de Jack, que chegou próximo da menina em cinco segundos. A loira não esperou que Jack abrisse a boca para falar qualquer coisa, ela simplesmente levantou a mão e bateu contra a bochecha do menino, sentindo sua própria mão doer e ficar certamente vermelha.
Jack virou o rosto com o impacto e colocou a mão sobre a bochecha, fitando Rapunzel com os olhos arregalados.
— Porque fez isso? – indagou com a voz rouca e afinada. Rapunzel cruzou os braços, sentindo a raiva borbulhar em seu interior.
— Nunca mais, nunca mais beije mais de uma garota em uma festa, principalmente quando duas delas são amigas, e uma está comprometida com um garoto que ela ama! – berrou a plenos pulmões para o menino, que engoliu em seco, mas não deixou de fitá-la. Rapunzel arfou. – Nunca mais faça isso, Jack Frost, nunca mais – sussurrou para o menino, pronta para sair dali.
— Se serve de interesse – comentou sério, e Rapunzel segurou a vontade de ignorá-lo e ir embora para sua casa. – Eu nunca quis ficar com a Merida, você foi sempre o meu alvo principal, eu só achei que não conseguiria ficar com você fácil – o rapaz falou, mas aquilo fez Rapunzel ficar com mais raiva, que levantou a mão contra o rosto de Jack, dando-lhe outro tabefe deixando a bochecha branca do rapaz avermelhada.
— Não fale assim de mim! – a loira gritou com raiva. Com muita raiva. O que havia feito? – Eu estava bêbada, eu estava sem consciência do que estava fazendo! – a garota gritou com mais raiva e observou Jack com a cabeça virada, a mão sobre a bochecha acertada. – Nunca mais fale comigo, seu idiota! Eu te ajudo a entrar no time, eu te ajudo a conquistar o que você conquistou e você me retribui assim? Chamando-me de fácil? Qual é o seu problema? – gritou a última frase com a força que lhe restava.
— A culpa não é minha se você se sente tão atraída por mim – Jack comentou quase num murmúrio fazendo Rapunzel levantar a mão novamente, mas o rapaz segurou o pulso da menina antes mesmo de chegar ao seu rosto. Seus olhos azuis transmitiam uma fúria que deixou Rapunzel com medo. – Se você me acha tão idiota assim, se quer me destruir mesmo porque então não me incrimina contra seu namorado?
Rapunzel fitou os olhos do rapaz a sua frente, e retirou seu pulso da mão fria do albino, dando um sorriso vitorioso e superior ao do garoto. A loira baixou os olhos, e logo então levantou os olhos para o garoto.
— Porque, diferentemente de você, eu tenho respeito para com as pessoas – comentou num sussurro. Seus olhos verdes fitando intensamente os olhos azuis de Jack. – Por mais que elas não mereçam – comentou a ultima parte com a voz mais alta e o sorriso se desmanchando. – Obrigada Jack Frost, por me mostrar que você não passa de um lixo! – falou virando-se para ir embora.
Atravessou a rua quase nem se importando se algum carro viria. A loira chegou à calçada do outro lado e partiu para sua casa, sem olhar para trás uma única vez. Fechou a porta atrás de si e então deixou um suspiro escapar de seus lábios, enquanto a garota se recompunha e subia as escadas.
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