Fresh Blood

1 Capítulo 1 - Prólogo


Notas iniciais
Um capítulo pequeno, não aborda muitas coisas. Apenas para conhecer os dois personagens principais um pouco, mas já dando dicas de algumas coisas que virão a seguir. Postarei o próximo o mais rápido que eu puder.

Roma, Itália – 1428

A Europa havia se tornado um caos com a caça às bruxas, muitas mulheres e alguns homens eram sentenciados à morte pela fogueira, decapitação ou enforcamento. Muitos deles eram confessos, outros apenas eram acusados sem ter certeza. O que não era o caso de Matteuccia de Francesco*, que havia confessado as coisas que havia feito quando foi descoberta.

Confessou ter voado nas asas de um demônio e foi acusada de ser prostituta, ter cometido profanação contra outras mulheres, vender poções de amor e pomada medicinal feitas com sangue de recém-nascidos.

Ela não planejava se confessar já que queria sair viva, mas foi pega de surpresa e foi sentenciada à morte na fogueira.

O que as pessoas daquela época não sabiam era que ela tinha algo muito maior escondido e que usaria em seu favor, algo que faria com que se vingasse de todos aqueles que sentenciaram não só ela, mas como muitas de sua espécie que andavam pelo mundo.

Cedo ou tarde ela teria sua vingança.

XX

Winston-Salem, Carolina do Norte – Setembro de 2014

Aquele seria o melhor ano de todos, o ano que participassem de tudo o pudessem, que aparecessem na escola, que fizerem sua presença naquele lugar. Era assim que Emily Campbell repetia para si mesmo ao cruzar aqueles corredores que ela tanto conhecia. O ano da formatura, o evento mais esperado de todos os formandos.

Aparecer, muitas vezes se perguntava o porquê de nunca gostou de fazer isso antes, afinal, era uma menina bonita e atraente, havia acabado de comemorar seus 18 anos no mês anterior, tinha o corpo em forma porque adorava treinar na academia local, tinha seus cabelos negros ondulados e uma pele bronzeada que era de fazer inveja em muitas ali, o que realmente acontecia.

Apesar de tudo, ela era o tipo de garota que não gostava de se mostrar de mais para evitar confusões e nem assim ela conseguia escapar de alguns problemas em que ela e seu amigo se metiam.

E por falar em amigo...

– Estou procurando você há trinta minutos. – Gabriel chegava do seu jeito de sempre, espalhafatoso, quase gritando e chamando a atenção das pessoas ao seu redor.

– São sete e cinquenta da manhã, o que você estava fazendo tão cedo aqui na escola? – A essa altura do campeonato ela já tinha medo das respostas do amigo, porque geralmente elas vinham acompanhadas de um plano seguido de ocorrências e castigo.

Emily só estranhava um pequeno fato, Gabriel andou bastante estranho durante o verão, e nessas duas três semanas de aula que já haviam se passado ele sempre demonstrou, mesmo que indiretamente, que esteve perambulando pela escola mais cedo do que o normal.

Gabriel Lewis é o típico amigo hiperativo que todos tem. Com seus 17 anos, apensar de ser mais novo é um pouco mais alto que Emily, tem os cabelos castanhos e usa em um estilo arrepiado para o lado, ele diz que dá um charme. Tem os olhos verdes e a pele clara, aquele típico garoto que todas as pessoas queriam, mas era brincalhão demais, odiava relacionamento porque dizia que as pessoas não sabiam amar.

O estranho é que ele era bem romântico antigamente.

– Eu tenho tarefas para cumprir, mas é o seguinte, você vai me ajudar a planejar as coisas para o meu aniversário e eu quero o tema de Halloween. – Esse era um dos feriados favoritos dele.

– Gabe, seu aniversário é no dia 29 do mês que vem, vamos ter bastante tempo para arrumar isso. Relaxa

– Querida, eu já te disse que vou viajar nessa semana, por isso iremos comemorar meu aniversário na semana que vem. – Gabriel olhou para seu relógio e se espantou com as horas. – Droga! Tenho que ir, nos vemos no almoço.

– Aonde você vai? – Emily já estava incomodada com os segredos que o amigo trabalhava duro para não contar a ela. – Você anda muito estranho.

Porque se tinha algo em que Gabriel era terrível, era guardar um segredo.

– Eu prometo que vou te contar. Só me dê um tempinho. Te amo!

E assim o garoto seguiu em direção a qualquer lugar em que ele supostamente deveria estar nesse momento.

Apesar de se incomodar um pouco com isso, Emily não forçava o amigo a nada. Ela sabe que o garoto havia passado por vários problemas, não tinha um relacionamento muito bom com os pais e pior, odiava que as pessoas se metessem em sua vida, isso era o bastante para libertar o demônio no garoto.

Com isso ela seguiu para sua primeira aula. O dia não seria bastante produtivo já que odiava as matérias que teria aquele dia, mas ela se mantinha positiva o bastante diante àqueles momentos irritantes para que o tempo não parecesse passar tão devagar.

XX

Arredores de Roma, Itália – Setembro de 2014

Aquela igreja já havia sido abandonada há séculos, desde a época em que várias bruxas foram condenadas à morte no ápice do histórico movimento chamado de “Caça às Bruxas”, que havia durado várias anos, mais comumente na Europa.

Muitas pessoas ainda tinham dúvidas se toda aquela história era realmente verdade, se bruxas já existiram, se todas eram más. E muitas gentes, como o Padre Ezequiel, sabiam e acreditavam que aqueles monstros não só existiram, mas como também ainda viviam entre os humanos. E hoje ele estava ali, naquele local, pronto para mostrar ao mundo que ele estava certo.

Tudo começou com estranhos sonhos que teve sobre o local após visita-lo em uma pequena pesquisa há uma semana. Tinha constante sonhos com algo se movendo rapidamente nas sombras, com os olhos negros e que os sentidos bastante aguçados. Era como se ele fosse o monstro.

No começo pensou que se tratava de uma possível manifestação demoníaca que estava à espreita de algum corpo que pudesse possuir, mas as coisas foram clareando quando ele reparou que a sombra ficava em apenas um lugar. Exatamente no ponto em que a bruxa Matteuccia de Francesco havia sido queimada.

Logo ele tratou de pesquisar mais sobre a mulher, e em um de seus passeios ele descobriu, em uma loja de artefatos antigos, uma história que passou de geração em geração sobre a monstruosa bruxa visitando o lugar e fazendo um pacto com o diabo em pessoa, onde ela recebeu algo que poderia ter sido a mágica mais poderosa que ela havia conseguido.

Ezequiel sabia que algo terrível estava prestes a acontecer, por isso estava ali, de pé, em frente ao “túmulo” onde as cinzas da bruxa foram vistas antes de se espalharem ao vento, mas ele não estava sozinho e pressentia isso.

– Eu não sei o que você quer criatura maligna, mas Deus não irá permitir que você vague sobre a terra e instale o caos sobre os humanos. – Ele disse em alto em bom som, mas apenas encarando seus pés. Algo estava errado, ele não conseguia se mexer mesmo que estivesse lutando internamente para que isso acontecesse.

– Ora, padre! Você sabe o que seu livro diz sobre o apocalipse, não deveria estar surpreso. – Uma voz rouca, mas que um tom feminino pode ser ouvido. – É a única parte desse conto imundo que eu concordo que irá acontecer, mas não exatamente do jeito que está escrito.

– Você... Você é Matteuccia. – Ezequiel não tinha certeza, mas aquela mulher não era apenas um espectro, era mais forte que isso, não era apenas uma presença. Ela realmente estava ali. – Mas como? Como pode estar viva.

– Não estou viva, isso eu posse te garantir, mas há muitas coisas sobre mim que você, mesmo tendo pesquisado a fundo, não sabe. – A mulher chegou perto do já imóvel padre, não agora não podia se mexer e nem falar. – Fico feliz que você crê o bastante em coisas malignas, padre. Era exatamente o que eu precisava, sangue de um servo de Deus. Você não imagina, mas irá ficar feliz por não ter que presenciar o que eu farei com esse mundo patético.

A bruxa notou que o homem havia sido paralisado com os olhos fechados.

– É uma pena que não vai poder ver o mostro que vai fazer tudo isso.

E com essas palavras, Matteuccia cravou seus dentes no pescoço do homem á sua frente, que não teve nem como se defender, apenas agonizou lentamente até que todo o seu sangue fosse drenado e seu corpo caísse como uma fruta podre no chão.

– Agora aos trabalhos. – A mulher que havia recuperado um pouco de suas forças deu um sorriso maligno. Tinha contas a resolver naquela cidade. Não demoraria muito que seu plano inicial fosse executado.

Logo após, todo aquele mundo terminaria em uma delicioso banho de sangue.

Continua...

Notas finais
Matteuccia de Francesco foi realmente uma pessoa real, bruxa confessa que foi condenada em Roma pelos mesmos motivos descritos no capítulo.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.