Freezing Passion
1 Capítulo 1 - The Journey
Cajado em punho. Cabelos ao vento. Dentes comparados a flocos de neve –pela própria Fada do Dente, portanto, comprovado por experts.-. Essa é a cotidiana e familiar aparência do nosso personagem. Seu modo descontraído e charmoso são também pontos vitais no desenvolvimento característico. Seu modo de encarar os fatos fora totalmente transfigurado a partir de um certo ponto crítico de sua vida conturbada. Ninguém jamais imaginaria, mas o nosso herói zombeteiro e brincalhão fora designado pelo próprio Homem na Lua para o fiel ofício de Guardião. Pelas Barbas do Papai Noel! Quem escolheria Jack Frost pra um papel tão importante quanto esse? Ele devia estar meio biruta, talvez pela gravidade baixa da Lua. Mas nossa história aqui é outra. Na verdade, não tão diferida por se tratar do mesmo personagem, entretanto, passou-se em um curto espaço de tempo após a vitória sobre o tenebroso e terrível Breu, mais conhecido como Bicho-Papão. E lá vamos nós.
Oh, o céu. Praticamente a sua casa. Poxa, Jack, você não consegue ficar nem um segundinho em solo firme? Porém, sua capacidade é realmente invejável! Jack sorriu em pleno ar, enquanto deslizava pelos braços dos ventos, que permaneciam abertos para que o nosso amigo pudesse se divertir. Seus olhinhos claros estavam franzidos pelo vento forte que os invadia, e seu cabelo tão claro quanto a neve que cobre os picos gelados farfalhavam para lá e para cá conforme se movimentava. Agora, com todas as suas obrigações como Guardião, a vida não era mais aquela moleza toda, não. Tinha de se dispor a qualquer momento, basta um simples chamado do nosso conhecido e estimado Papai Noel.
Lá em baixo, a neve já havia caído por completa, e se encontrava espalhada pelo solo outrora arenoso. As crianças deixavam suas casas aquecidas para se deleitarem com o inverno agradável e tão ansiado pelos pequeninos. Com suas luvinhas, construíam bonecos de neve e faziam inúmeras guerras de bola de gelo, onde sempre tinha aquele mais fraquinho que saía chorando por um olho roxo. Antigamente, Frost também estaria ali –mesmo que somente observando, pois as crianças não o notava-, entrementes, em sua nova fase, não é tão fácil assim, pois se tornara visível e não poderia por seu cargo e o dos outros em risco, afinal.
Assim como esperava, o chamado veio até ele. Seus olhos faiscaram em menção de uma nova missa, quiçá uma aventura em grupo, com todos eles reunidos em combate, como tanto gostava. Mas, a ameaça já havia sido extinguida, pelo que vejo, não passa de um simples trabalho, uma pequena aventura, não tão animadora quanto um combate, mas ainda assim uma aventura.
Em seu ritmo constante de sempre, o nosso amigo de cabelos brancos ergueu seu cajado e voou pelo céu anil, em direção ao Pólo Norte. O ponto de encontro dos Guardiões, onde discutiam e debatiam acerca do proposto. Com toda a sua velocidade, não tardou para que chegasse antes do esperado –mesmo que tenha parado para bater um animado papo com uma criatura das neves muito simpática, que parecia perdida.-. Sobrevoando o Quartel-General, logo teve um breve vislumbre de uma das janelas abertas. Com um grande impulso para baixo, entrou zunindo pela vidraça. Um grito agudo, seguido por um xingamento por uma voz grave fez com que os lábios de Jack se estendessem em um largo e branco sorriso.
-Oh, Jack. Hãn...quanto tempo, não? – Dessa vez, a palavra fora de uma formosa dama, com penas esverdeadas e asinhas tilintantes e velozes, denominada Fada do Dente. –Fui eu mesmo quem pediu ao Noel para que te chamasse...você é bravo e forte, saberá me ajudar. –Seus dentes perfeitos se iluminaram juntamente ao sorriso. Sua face envolta pela penugem ficara terrivelmente corada e quente.
-Ora, Fada, estou sempre a disposição. – Jack ajustou seu moletom azul e escorou seu aliado cajado em uma das extremidades da grande sala. –Mas, quer dizer então, que se a Fada do Dente não tivesse sugerido que me chamasse, eu nem mesmo seria convidado? O que me diz, Noel? – Em um canto mais escuro do recinto, era possível somente vislumbrar a grande pança, revestida por um tecido vermelho sangue. Esse era sem dúvidas o Papai Noel.
-Serei franco, Frost. Você é um pé no saco. – Se erguendo das sombras com sua grande silhueta, se permitiu a uma rebombante e exagerada gargalhada. Com seu chifre em mãos –ao qual utilizava para beber cerveja-, caminhou até o garoto e lhe deu tapinhas nas costas. –O problema não é nada grande, como pode observar, nem mesmo o Sandman ou o Coelhão foram convidados...é uma reunião pequena, nada com se preocupar. A Fada só mesmo quer uma companhia bonita, agradável, cheirosa e com dentes perfeitos. Não é mesmo, Fada? – Flutuando em outro canto do cômodo, se via o rosto rosado da moça.
Jack, por sua vez, sentia um grande interesse em sua amiga Guardiã. Se esforçava, na verdade, para retribuir o amor com a mesma intensidade da Fada, mas não era capaz. Ela era uma companheira, uma amiga, não conseguia sentir por ela uma afeição do modo que a mesma tinha a expectativa.
-Indo direto ao ponto. –Prosseguiu o Senhor Noel. – Preciso que faça uma espécie de escolta à Fada do Dente até um Reino europeu. É muito, muito distante e perigoso, portanto, acatei a ideia de uma companhia para a nossa amiguinha...Jack, você é encarregado disso. Espero que não tenha questões à debater. É isso, podem ir. Tchau, tchau. Bye, bye. Au revoir.
-Ei, ei. Espere aí, bom velhinho. –Indagou Frost. – Preciso de mais detalhes, não acha? Afinal, você disse a palavra “perigoso” e...
-Relaxa, Jack. Você vai simplesmente a-mar o reino. Um misto de obscuridade, mistério e animação e alegria. Os nativos de lá são realmente muito interessantes. – Disse a Fada do Dente, na tentativa de acalmar o garoto. – E outra coisa, é tudo gelado. Gelo pra cá, neve pra lá. Tem até muitos índices de avalanche nas áreas mais selvagens. – Novamente um sorriso meigo brotou em seu semblante apaixonado.
As investidas da Fada foram, no final, bem-sucedidas. Ao mencionar todo o gelo e avalanches, os olhinhos de Jack brilharam. Nunca perderia a oportunidade de conhecer lugares distantes, perigosos e com uma grande parcela gelada. Era de sua natureza não dar para trás com essa proposta. Ele precisava aceitar. Sendo assim, apresentou suas conclusões, assim como seus contra-planos.
-Okay. Eu vou contigo, Fada. Porém, tenho uma listinha do que quero e do que não quero: Número um: Não quero que me prive de fazer o que eu quiser. Número dois: Poderei fazer o que eu quiser. Número três: Também posso ir onde onde eu quiser. Número quatro: Serei livre e sem indagações sobre o que devo ou não fazer. Combinado? – Hesitante, a fada assentiu positivamente. –Ótimo, ótimo. Quando partimos?
Foram logo se preparando para a longa viagem. Nada de bagagens ou essas coisas que gente normal leva quando embarca em uma aventura bem longa. A Fada do Dente levou apenas quatro de suas ajudantes, que também são fadas, na verdade, bem parecidas com a própria Fada do Dente, porém menores e não possuem a capacidade da fala. Emitem um agudo barulhinho e fazem cócegas com seus biquinhos longos.
-Sentirei sua falta, Noel. – As despedidas eram sempre tão...enjoativas. –Qualquer coisa indevida que ocorrer, mando logo um aviso ou um sinal. –Com seu modo e toda sua fofura, a fada se despediu de seu superior, o Noel, e se afastou para que Jack fizesse o mesmo. Cruzou suas mãozinhas em frente o corpo e encolheu seus ombros. Ela sempre fazia aquilo, era irritante.
-Hum...Falou, coroa! – Ergueu uma das mãos, então, Jack Frost, em sua maneira informal.
Partindo novamente pela vidraça entreaberta, a Fada apertou as bochechas de Jack. Já se encontravam içados ao ar, por suas habilidades, obviamente. As quatro fadinhas voavam velozes em volta de sua mestra, enquanto dialogavam entre si com suas línguas. Jack suspirou e olhou para a imensidão gelada logo abaixo. A viagem seria realmente longa. Só esperava com que a Fada não continuasse dando uma de apaixonada e o irritasse além da conta. Usaria essa missão como um meio de se aproximar da mesma, sentia a necessidade de um alguém, e a Fada do Dente parecia o ideal. Se esforçaria para amá-la e encontrar um ponto vital para isso. Compreendendo-a seria a melhor chance.
-O que vamos fazer por lá, Fada? –Interrogou Jack.
-Um caso gravíssimo de dentes encavaldos múltiplos! A dentição da garota é tão imperfeita que lhe falta dez dentes ao total de uma só vez. E eu nem mesmo ouso a dizer em voz alta, mas...-Ela sussurrou bem baixinho. –Ela tem dois dentes permanentes...moles! –Levou as mãozinhas à boca, em seguida, abismada.
Jack suspirou e revirou os olhos. Sempre o mesmo assunto. Dentes, dentição, cáries, tártaro...ela deveria mudar o disco. Porém, precisava saber mais sobre esse reino misterioso, perigoso e toda essa besteira.
- Qual é o nome desse lugar mesmo?
-Oh, Jack. É um lugar encantador, realmente belíssimo. Estamos indo até o Reino de Arandelle.
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