Fragrância de Rosas
7 Uma Esperada Jornada
Notas iniciais
A luz solar já despontava quando terminei de me arrumar para tomar o coche. Vince ajudava arrumando uma bolsa com alimentos para me manter na viagem.
Caminhamos calados até próximo ao ponto de onde partia um coche sempre na segunda e na quinta, se houvesse passageiros. Sempre havia alguém que ia a Agioi para fazer compras ou negócios.
Numa mão Vince trazia a minha mala rustica, e na outra segurava firme a minha mão em claro sinal de tensão. O cocheiro esperava por mim, como havia já antecipado informações sobre a viagem. Vince entregou a mala para o cocheiro acondicionar, e abraçou forte o meu corpo esguio.
. Por alguns segundos nos afastamos, fitei os olhos dele que devolveu com a mesma intensidade. Por fim Vince cedeu num sorriso terno que me contagiou.
__ Boa viagem minha linda menina! – Vince piscou para mim que corei.
__ Logo eu voltarei. Cuida-se Vince! – Subi no coche tentando não ficar emocionada com o cuidado de Vince.
__ Pode deixar. Estarei aqui te aguardando. – A porta foi fechada, e me acomodei do lado contrário do outro passageiro.
Logo o coche começou a se movimentar, com cavalos aumentando o passo, passando pelo portão principal da vila. Observei Vince acenar com a mão se despedindo.
***
Eu observei Agasha partir, mas eu não a deixaria sem proteção. Eu sentia que devia segui-la. Um sentimento muito forte me impulsionava para fazer essa loucura.
Agasha havia me acolhido, cuidado. Eu tinha certeza que estava apaixonado. Talvez ela correspondesse, mas seria conversado depois. Dizem que por amor cometemos coisas impensadas. Devo realmente estar louco, mas não consegui desviar dos obsessivos pensamentos em torno dela.
__ Agora tenho pegar a sacola com algumas roupas e partir atrás dela. – Corri até a simples casa que morava com Agasha.
***
No coche, eu tentava me acalmar e descansar. Se tudo desse certo, chegaria a Atenas no início da noite. Descansei a cabeça na lateral da cabine do coche, fechei os olhos e me envolvi em lembranças que permeavam meus sonhos.
***
Eu não sei por que, mas amarrei a sacola em minhas costas e decidi correr pela estrada atrás do coche. A quem eu queria enganar. Correr mais rápido que cavalos?
Mas me iludindo com um desejo imenso de fazê-lo, comecei a correr. Pela estrada ladeada por árvores, logo alcancei o coche, o que me deixou sem entender o que acontecia. O que eu era de fato para ter tal velocidade?
Subitamente, saltei para uma árvore. Como fiz isso? – pensei comigo. Fiquei paralisado na copa de uma árvore média. Que estranho.
Passei a acompanhar o coche pelas copas das árvores. Era tão fácil saltar entre as copas, como se fosse brincadeira. O que estivesse oculto em minha memória apagada poderia surpreender-me, pois aqueles movimentos e velocidades não eram normais.
Pela metade da manhã, observei a cidade de Agioi no litoral. Aquele lugar me parecia tão familiar. Os navios, as casas, prédios, e o mar Egeu tranquilo e azul sob o céu ensolarado.
Vi o coche entrar na cidade, e decidi manter uma distância para não ser descoberto por Agasha. Caminhei lentamente em direção ao porto, para onde Agasha falou que iria. Ali eu teria outra missão. Com o pouco dinheiro que consegui no campo, como poderia comprar uma passagem para embarcar no mesmo navio que Agasha. Comecei a planejar algo.
***
Naquele exato momento estava embarcando no navio que me levaria a Atenas. Carreguei minha mala e bolsa com o lanche que Vince havia preparada. Respirei fundo. Estava muito tensa.
O navio que estava embarcando era conhecido como Patacho, e geralmente levava mercadorias. Mas com uma quantia generosa, consegui uma minúscula cabine com apenas uma cama e uma cadeira. Seria o suficiente, afinal na estava ali para me divertir, e sim por algo muito sério.
Deitei-me na cama, e não me atrevi a ir ao convés. Apesar de tudo, as ondas faziam meu estômago ficar mareado. Fechei meus olhos e refiz o caminho das minhas memórias desde que havia conhecido Albafica, e depois me lembrei de Vince. E adormeci por um bom tempo.
Acordei com batidas na minha porta. Um marinheiro todo sujo e suado carregava uma bandeja com comida. Aquilo me embrulhou mais o estômago. Apenas agradeci e disse que estava mareada, por isso não ia comer. Ele apenas balançou os ombros pouco se importando.
Naquele momento senti novamente a sensação que tive a viagem de coche toda. Eu era observada. Por quem? Esperava que não fosse nenhum espectro, já que Hades havia sido selado por Athena. E eu conhecia bem a fúria dos espectros. Segurei-me na porta e dei uma olhada rápida nos marinheiros, mas nenhum era realmente sombrio como os espectros. Eram apenas muito assanhados.
Entrei na cabine e tranquei a porta. Diferente do que disse ao marinheiro, eu estava morrendo de fome. Tomei o pão, queijo e uma maçã do lanche preparado por Vince. Tomei um copo de água fresquinha da moringa que estava sobre a cadeira. Logo após comecei a fartar-me dos alimentos. E novamente pensei em Vince e o que estaria almoçando no campo de oliveiras.
Sorri pensando na preocupação que ele tinha comigo, e eu tinha com ele. Eu tentava não acreditar que estava apaixonada, mas tinha uma pontinha de esperança em mim que esperava um desfecho feliz. Pensei egoistamente – se não podia ter Albafica, pelo menos teria Vince. É, talvez eu estivesse transferindo os sentimentos de um para o outro. Ou estava realmente me encantando com Vince e seu charme próprio?
Entre essas divagações terminei minha refeição guardando tudo no seu devido lugar. Voltei a me deitar e descansar. Sabia que o próximo dia seria puxado.
***
Uma batida forte na porta do navio me fez desviar a atenção do livro que lia. Depois de dormir muito, decidi ler um livro sobre mitos que havia ganhado há tempos atrás de uma senhora pra quem trabalhei. Como havia demonstrado muito interesse pela biblioteca, ela me deixava ler um pouco a noite, depois do jantar. Quando parti da região de Athenas, ela me deu um livro de presente. Era minha leitura preferida. Digamos que adquirir livros também não era fácil, pois eram caríssimos e raros.
Ao abrir a portão, o imediato esperava com impaciência.
__ Senhorita, chegamos ao porto de Atenas. – saiu sem dizer mais nada.
Fiquei observando o céu em tom alaranjado sinalizando o crepúsculo daquele dia. Novamente tive aquela sensação de ser observada. Mas havia tantas pessoas no convés que não dava para procurar um olhar diferente. Tomei minhas coisas e comecei a caminhar em direção a prancha que ligava o navio ao porto.
Caminhei pela rua em direção à estrada que levava para Rodório. Ainda na cidade havia uma pousada simples onde pernoitaria esperando por alguém que fosse para a vila.
Depois de uma boa caminhada cheguei à pousada onde consegui um quarto simples mas muito confortável. Minha barriga esfriou e me lembrei da missão de amanhã. Será que alguém no santuário me informaria? Talvez Shion, o Grande Mestre me ajudaria. Eu torcia para isso. Depois do jantar simples e muito saboroso, deitei para descansar e estar pronta para a atividade de amanhã.
__ Durma bem Vince, onde você estiver. – Pensei comigo.
Logo o sono me embalava nos braços de Morfeu.
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