Fragrância de Rosas
12 E a Felicidade Começa a Ser Escrita
Notas iniciais
*Agasha*
Abri lentamente meus olhos não acreditando nos fragmentos de memória que passavam por minha mente. Parecia ter sido sonho... muito quente, mas era um sonho?
Tentei sentar-me, e algumas partes do meu corpo reclamaram. Parecia resultado do... sonho? Então havia acontecido? Corei imediatamente com as lembranças. Quando me observei vi que estava nua, algumas marcas leves nos seios e um incomodo nos músculos do quadril e... minha intimidade estava dolorida. Corei ainda mais. O sangue esquentou meu rosto.
__ Como você está Agasha? – olhei em volta procurando pelo dono da voz. Era Albafica.
Apoiado na janela, ele me fitava com um enorme sorriso. Que sorriso. Talvez faltasse sangue para tanta vergonha que senti ao notar que o lençol caiu revelando meus seios. Tentei me cobrir com uma velocidade incrível. Abaixei a cabeça e fitei minhas mãos. Tremia de expectativa, de medo.
__ Venha, seu banho está pronto. – Me sobressaltei ao percebê-lo do meu lado estendendo a mão. Como havia chegado assim tão rápido?
Estendi a mão para ele num movimento automático, enquanto usava a outra para segurar o lençol envolta do meu corpo. Albafica me fitou com um sorriso tão encantador e malicioso que segurei ainda mais fortemente o lençol.
__ Me dê a outra mão também. – Ele falou tão doce, mas seguro que atendi imediatamente.
O lençol veio a baixo no mesmo instante que senti o olhar de admiração dele. Puxei minhas mãos em vão tentando me cobrir, mas Albafica me segurou, e me trouxe para perto do seu corpo.
__ Por que está se escondendo? Depois de tudo que fizemos agora a pouco? – Minha mão parecia tão interessante, meus pés tão encantadores. Ai que vergonha. – Ei, me olhe Agasha. – Albafica levantou meu rosto. – Venha, um banho refrescante irá te relaxar.
Nua como estava, Albafica me conduziu para o quarto de banho onde a banheira estava preparada. Com facilidade entrei e me afundei na água morna com perfume delicioso de lavanda. Surpreendida, senti Albafica molhar meu cabelo e lava-lo com algum liquido. Enxaguou com cuidado, e começou a esfregar minhas costas.
A intimidade com que ele me tratava foi me derretendo até que não tive como resistir. Ao se aproximar do meu rosto, Albafica respirava tão descompassado que destruiu minha ultima barreira de timidez. Tomei seus lábios num beijo necessitado. Sem cuidado, sem pudor, apenas quente.
Ele que estava agachado ao lado da banheira, tentou se levantar depois de algum tempo naquela posição. Eu não queria que ele saísse, então segurei-o pelo braço, fazendo-o me olhar ansioso.
__ Entra aqui comigo! – Meu coração pareceu parar seu movimento. Minha respiração pesou. Eu conseguia ouvir a respiração de Albafica.
Num segundo ele se soltou, e me apavorei com sua possível rejeição. Mas quando tive coragem de encara-lo novamente, percebi que ele estava retirando a camisa, e já abria a calça deixando o nu, em plena beleza masculina.
Quando ele se virou para mim pude ver que também estava animado com o meu pedido. Sem deixar de me olhar com seu sorriso travesso, Albafica entrou na banheira redonda, e sentou-se ao meu lado. Com bastante agilidade, me fez ficar em pé e em seguida sentar em seu colo, ficando de frente para ele, perdida nos seus olhos azuis.
__ É tão lindo vê-la assim corada. Se soubesse como é linda, como amo estar com você assim, nua. – Ele me puxou para um beijo que me fez esquecer a vergonha, da inexperiência, de tudo que poderia acabar com aquele momento.
Em meio às carícias e ao beijo, senti uma pequena dor em minha intimidade. Era mais uma ardência, do que dor em si. Então percebi que Albafica se movimentava em baixo de mim bem lentamente. Senti suas mãos segurarem meu quadril e intensificar o movimento, até que senti-o me penetrando completamente. Gemi com o pequeno incômodo e com o desejo aumentando.
Logo o movimento era tão rápido que a água começou a derramar. Albafica num movimento rápido e ousado saiu da banheira ainda comigo em seu colo. Encostou-me na parede, e nada mais me interessou além do seu corpo contra o meu, e os beijos que demos sem hesitação ou pudor. Era como beijar meu próprio coração, ele era parte de mim. Só agora entendi a razão de tanto dor por sua perda.
***
Depois do ‘belo’ banho, usei um vestido fresco e floral, como o clima do dia. Estava desembaraçando meus cabelos quando vi Albafica passar enrolado numa toalha e com cabelos molhados. Suspirei vendo aquele homem que tanto havia me beijado, acariciado, e ai... lá estava eu de novo me excitando com as cenas a pouco ocorridas.
Mas foi só olhar o cenário pela janela para um pensamento me assombrar. O santuário. Albafica devia fidelidade a Athena e ao Santuário. Aquilo me fez esfriar e empalidecer. Sim, meu sangue parecia fugir para algum lugar escondido. Pensei por uns instantes e percebi que mesmo não podendo ficar com ele, certamente havia recebido um grande presente. Sabia que era amada por ele, e o sentimento era reciproco. Isso seria o suficiente. Saber que estava bem, e que tínhamos tido tempo e condições para um pouco. Mas a dor ainda ficaria ali martelando num cantinho da minha alma. Parte do meu pedido, da minha prece havia sido atendida, portanto não poderia ser egoísta e exigir tudo conforme era meu sonho.
De repente fui tirada dos meus pensamentos ao sentir a cama balançar e Albafica sentar-se a minha frente com uma expressão de curiosidade.
__ Posso saber o motivo dessa preocupação? – ele passou a mão pela minha fronte e massageou tentando relaxa-la. Eu fechei os olhos em resposta a aquele carinho.
__ Não é nada. Apenas me lembrei de que voltarei para Mavrias, e não terei mais meu companheiro de rotina, o Vince. – eu sorri o mais alegre que pude.
Albafica fez uma cara de quem não entendia a minha preocupação. Fitei novamente os telhados das casas zodiacais logo abaixo.
__ Certo. Você terá só parte do Vince, já que me recordei de tudo. Mas vai ter a mim também. – Albafica deu seu sorriso mais encantador. Aquele sorriso que só eu havia visto em Mavrias.
__ Como assim? Você tem sua missão aqui no santuário. E não vou ficar aqui, afinal você é um cavaleiro...
__ Você acha mesmo que vai se livrar de mim assim? – Albafica ficou sério me estudando. – Se pensa que vou te deixar, deveria ter pensando antes de me conquistar. Agora você arrumou problema Agasha. Por que vou te seguir aonde for.
Ele me puxou para seu colo, me abraçando pelas costas, por fim me deu um beijo nos meus cabelos.
__ Mas você... – eu me confundia mais. – E o Grande Mestre? A casa de Peixes?
__ Eu morri em combate, Agasha. Não sou mais o cavaleiro. Shion concorda com minha dispensa. Até porque minha volta ainda não está muito clara. E eu mesmo pedi a dispensa. Afinal quero aproveitar a nova chance que estou tendo, com você.
Virei-me no mesmo instante, assustada com toda a novidade. Será que era sonho ou era ilusão? Minhas preces haviam sido mesmo atendidas?
__ E nem adianta tentar mudar minha decisão. Eu vou atrás de você mesmo que não queira. – Ele se aproximou e me beijou bem lentamente.
O beijo poderia estar lento, aconchegante, carinhoso, mas meu coração parecia um animal selvagem em disparada, tanto era minha felicidade. Os deuses haviam me atendido em detalhes quanto ao meu pedido nas preces.
Afastei-me lentamente dele enquanto minha mente trabalhava não acreditando nas possibilidades.
__ Mas como você vai se afastar do santuário? Sempre viveu aqui, e de repente vai viver como um homem comum? E se...
__ Shiiuuu! – ele colocou o dedo me mandando ficar calada. — Eu vou viver como o homem mais feliz, com você e nossos filhos, seja onde for. – Ele me deu um selinho. – Agora vamos comer, pois o almoço passou e quero a minha Agasha sempre linda e saudável. – Ele piscou se levantando e me estendendo a mão.
***
Após o almoço que havia sido servido na antessala, Albafica me conduziu silenciosamente para o quarto. Fiquei sentada na poltrona enquanto ele desaparecia na antessala. Ele estava tenso, senti por seu olhar e suas mãos.
Ao retornar, seu rosto estampava um sorriso contido. Temi que fosse notícia ruim, ou algo do tipo.
Mas ao contrário do que imaginei, Albafica se ajoelhou ao meu lado, segurou minha mão e beijou-a.
__ Agasha, eu comprei esse anel há muito tempo para lhe presentear. Mas as coisas se complicaram e fui o primeiro a partir. – Albafica segurou o anel. – Shion encontrou-o junto com minhas coisas e guardou até hoje. – Ele me fitou ansioso. – Bom, sem mais delongas. Agasha quero que seja minha noiva e em breve minha esposa. Você aceita? – Seu olhar não desviou de mim nem por um segundo.
Apenas balancei a cabeça confirmando, e ele segurou minha mão depositando o anel que era dourado com uma tímida pedra vermelha. Muito delicado e de bom gosto, o anel me lembrava das rosas que Albafica usava.
__ Afinal, o anel serviu a minhas primeiras intenções. – Albafica me beijou, e me levantou no colo. – Precisamos conversar alguns detalhes de nossa volta para Mavrias ou para onde quiser ir. – Sentado na cama, Albafica me aconchegou no seu colo.
__ A propósito, essas roupas são de quem? – Eu estava curiosa, pois pareciam conhecidas.
Albafica olhou suas roupas e sorriu divertido.
__ Minhas!
__ Como assim? – Olhei de soslaio.
__ Shion mandou recolher todos os pertences dos cavaleiros após o fim da guerra. E guardou. Ele encontrou um baú que eu lacrei com cosmo. Era nele que estava o anel. – Deu de ombro. – Demorou, mas finalmente ele está nas mãos da dona. – Seu sorriso travesso me fazia imaginar quanto ele teve que guardar de si na época que era cavaleiro.
__ Essas roupas lhe caem bem melhor. – Fiquei sentada a sua frente. Sorri para ele. Suas roupas elegantes o deixavam ainda mais lindo. – Acho que vou ficar com ciúmes. – Fiz uma careta imaginando as mulheres se assanhado para o lado dele.
__ Não sei por quê! Nosso amor venceu todas as barreiras. Acha mesmo que outras mulheres me tentariam? – Ele acariciou meu rosto. – Desde que vi a pequena Agasha correndo para levar as flores para o santuário, desde que vi seu sorriso sincero, nunca mais consegui esquecer o meu motivo de respirar.
Eu lutei, e muito para não chorar de alegria. Em pensar que tudo poderia ter sido diferente. E alguém resolveu mudar a minha tristeza para alegria.
__ Você disse que havia comprado esse anel para me presentear. Como assim? Você nunca se aproximava de ninguém. – Olhei-o desconfiada.
Albafica sorriu vendo minha curiosidade aguçada.
__ Quando comprei, já estava clara a iminente guerra. Seria uma despedida. – Albafica fitou o anel. – Mas as coisas se anteciparam tanto, que fui surpreendido pelo juiz, e culminou no meu fim. E o anel se perdeu como um segredo que levei para a tumba. – Albafica acariciou minha mão, e me fitou. – Mas alguém ainda precisava de mim nesse mundo, e agora cada coisa está no seu lugar.
__ Quase não consigo acreditar que é real. Que você está aqui. – As lágrimas me venceram e correram por meu rosto. – Sobre o que você queria conversar? Quer ir embora de Mavrias? – Eu tentei enxugar as lágrimas.
__ Não é bem isso...
A conversa se estenderia pelo restante da tarde, entre risos, beijos e carícias. Uma nova vida começava a se desenhar no horizonte dos meus sonhos.
***
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