Fragrância de Rosas

10 Desejos Do Meu Coração


Notas iniciais
Espero que gostem desse capítulo escrito com muita dedicação e amor. Agradeço novamente a todos os leitores comentaristas pela motivação que me dão. Aproveitem o capítulo!

Para alguém que estava olhando para um suposto fantasma, até que Teneo reagiu bem. Quando desamarrei meus cabelos e tirei o chapéu que usava, seus olhos se arregalaram em surpresa, para depois ficarem confusos.

__ Não precisa explicar. Isso tudo deve estar relacionado com a visita de Agasha. – Ele murmurou, mas acabei escutando.

__ Se nem eu sei direito o que está acontecendo, imagina você que não deve ter recebido nenhuma informação da Agasha, não é? – Fitei-o blefando.

Teneo me olhou surpreso como se eu tivesse adivinhado algo surpreendente. Dei uma gargalhada e o dourado de Touro entendeu minha estratégia simples.

__ Bem que o mestre dizia: Albafica é estrategista, descobre sua personalidade e ataca onde a vaidade mais se exalta. – Teneo repetiu as palavras do mestre com uma voz muito estranha.

__ Se teu mestre te ouvisse imitando-o assim, acho que você ia ficar um bom tempo a pão e água. – Gargalhei da expressão desolada de Teneo. – Então, o Grande Mestre esta aqui no santuário? – Indaguei curioso.

__ Sim, o Mestre Shion está exatamente agora conversando com a Agasha. – Teneo me olhou de soslaio.

Shion? Então nem Sage havia sobrevivido à guerra. Aquela informação, apesar de já prevista, quando realidade se tornou ainda mais amarga. Eu comecei a pedir aos deuses que Shion entendesse meu pedido, apesar da situação do santuário.

– Ei Albafica, como você sabia que Agasha não tinha me contado nada a seu respeito?

Dei um leve suspiro. Observei tanto Agasha que sabia exatamente como agiria numa situação dessas. Sua personalidade para mim era como um cristal. Eu a conhecia bem para quem nunca sequer se aproximou dela. Só Vince havia se aproximado. Agora quem iria ter essa sensação prazerosa seria eu, Albafica.

__ Conheço bem as atitudes de Agasha. – Olhei sério para Teneo. – E você também fez uma cara de quem tinha visto um fantasma. Ai foi fácil, rapaz. – Voltei a subir as escadas novamente. – Vai me escoltar ou não?

Teneo se aprumou e me alcançou rapidamente. Era o mesmo porte que seu mestre mantinha. Ser sozinho me fez observar as pessoas, e a perceber como muitas se esforçam para controlarem seu lado maldoso, seu instinto ruim, para poderem ser boas aos seus amados. Amor. Está aí um sentimento que sempre me moveria a lutar.

Senti que o olhar do dourado ao meu lado estava sendo dirigido a mim. Sem precisar olha-lo pude indaga-lo.

__ Algum problema Teneo? – E continuei a subir os degraus.

__ Meu mestre dizia que você era sempre reservado por causa do seu sangue envenenado. Mas agora você está até divertido, está conversando comigo e não me mandou ficar longe...

__ Meu sangue não é mais envenenado. – Falei seco. – O que quer que tenha ocorrido comigo, trouxe não só a minha vida, como me deu uma chance de conviver com as pessoas sem as matar. – Falei um pouco ainda desnorteado com essa informação que constatei durante a viagem e pelas lembranças da casa de Agasha.

Teneo continuou andando em silêncio, creio que digeridno também as informações a esse respeito. Quisesse ou não, algo de estranho havia acontecido no território do Santuário, e ele deveria sempre defender aquele local.

__ Estou totalmente fora da realidade do santuário. O que aconteceu depois que eu ... morri? – Aquela frase soava estranha.

Ouvi a respiração de Teneo se tornar mais pesada. Um silêncio longo foi seguido de uma voz emocionada.

__ Quase todos por aqui morreram. Atena, os mestres Hakurei e Sage, quase todos os cavaleiros de bronze, prata e ouro. Shion e Dohko foram os únicos sobreviventes da elite dourada. Tenma, o irmão da senhorita Sasha, a Atena. Todos se foram.

Silêncio. Naquele momento era a melhor reposta para a emoção que me tomou. Fiquei atordoado com esse relato. Imaginei a dor dos que ficaram, vendo os irmãos de arma morrer, um a um.

Assim subimos o restante das escadarias. Nem rever a casa de Peixes me trouxe alegria. Nada mais seria como antes. Aquele tempo havia passado. Ali não era mais a minha casa, quase tudo que amei ou dei valor estava destruído. Era isso. Minha vida seria refeita a partir dali.

Ao chegarmos ao salão do mestre, Teneo falou com o assistente do Grande Mestre, que também se assustou com minha identidade. Talvez minha fisionomia não fosse conhecida daquele homem, mas minha fama sim.

O homem se retirou e voltou acompanhado de um guarda.

__ Senhores, acompanhe esse soldado que irá conduzi-los ao escritório do Grande Mestre. Ele os aguarda. – É, aquele dia estava quebrando a rotina do Grande Mestre, dava pra perceber pela expressão do assistente.

Andei tenso, como poucas vezes fiquei na vida. Mas a tensão era boa, pois se tudo corresse como eu planejava, logo teria meu prêmio: o amor de Agasha. É, a menina que viu além da minha aparência, e não mediu esforços para me mostrar carinho e admiração. E todo seu cuidado comigo em Mavrias me fez enxergar aquilo que achei ser impossível. Não precisava mais sufocar aquele sentimento cálido que vivia em mim, pois eu sempre fui correspondido.

O soldado parou a nossa frente e abriu a porta do escritório do Grande Mestre. Aquele lugar era conhecido dos dourados, e eu não era exceção, já que muitas das missões que participei eram confidenciais.

Teneo foi o primeiro a passar pelo soldado. Respirei fundo e pude ouvir meu coração batendo alucinado. Ao por os pés na sala, reconhecia as duas figuras que me fitavam confusas. Era meu dia de assombrar o santuário. Sorri com a ideia.

__ Grande Mestre. – Fiz uma reverência como de costume. – Senhorita Agasha, que prazer revê-la tão cedo. – Dei uma piscadela.

Sim, eu me sentia vivo, eu estava vivo, eu queria viver muito.

Shion apenas meneou a cabeça, enquanto Agasha não reagiu. Inspirei fundo e coloquei meu plano em ação.

__ Grande Mestre. Sei que está com uma belíssima convidada, mas acredito que o motivo da conversa seja a minha presença novamente nesse mundo. Por isso se me permite, gostaria de conversar a sós com o senhor nesse momento. – Olhei para Agasha que se sentou ainda muito pálida. – Acredito que a senhorita Agasha precise de alguns momentos para se acalmar. – Voltei a fitar Shion esperando sua resposta.

Shion fitou Agasha e assentiu para mim.

__ Certo! Teneo acompanhe-a até a suíte que pedi para arrumar para Agasha. Peça as servas para prepararem um chá calmante e algo para comer, e leve para a senhorita. – Shion falou quase que automático.

Teneo passou por mim como um vulto. Apoiou Agasha e carregou sua pequena mala que ainda repousava no chão ao seu lado. Agasha caminhou sem nem olhar por aonde ia. Fitou-me sem quebrar o contato nenhum uma vez até que passou por mim. Eu me mantive sério, com postura rígida como quando era cavaleiro.

__ Conversarei com a senhorita assim que terminar a reunião com o Grande Mestre. Então, trate de me aguardar, Agasha. – Falei com uma voz fria e firme.

A porta se abriu, alguns segundos depois foi fechada e Shion me indicou a poltrona onde Agasha estava.

__ Se quiser um chá, sirva-se. Eu preciso de um. – Shion encheu sua xícara e voltou a se acomodar na poltrona que ocupava até então.

Servi uma xícara e após o primeiro gole, tomei a frente para essa conversa.

__ Grande Mestre...

__ Shion, aqui me chame de Shion. – O mestre estava alterado.

__ É tão estranho ver alguém tão jovem nesse cargo. Acho que me acostumei tanto com Sage e sua longa vida. – Fiz uma pausa. – Teneo me contou superficialmente o que aconteceu depois que morri. Eu lamento não ter resistido mais para ajudar na defesa do santuário, mas vejo que deram suas vidas para defender a terra. E Shion? Está fazendo um bom trabalho no santuário. Observei bem enquanto subia as escadarias.

Shion apenas me fitou com um sorriso tímido e lançou seu olhar pela janela. O santuário era visto daqui.

__ Muitos ajudaram a reerguer. E eu tinha que fazer isso, pois permaneci vivo, enquanto todos deram suas vidas para proteger. Tinha que reconhecer a dádiva que todos deram. – Shion voltou a me fitar. – Sem explicação, apenas você está aqui vivo. Eu vi você morrer, colocarem naquela urna e Sage lacrar. Mas eis que surge você vivo, bem e como se o tempo não tivesse passado. – Shion me lançou um olhar indignado para em seguida sorrir. – O que pretende fazer?

__ Pois então, estou aqui. Não faço ideia de quem foi a obra desse retorno, mas já que ganhei esse presente, eu vou prossegui cada segundo experimentando o gosto bom de estar vivo e livre do veneno. – Falei imaginando minha vida dali em diante.

__ Sem veneno?! Acho que as preces de alguém foram atendidas em todos os detalhes. – Shion falou com gracejo. – Bom, se espera que eu te convoque para voltar à casa de Peixes, você está... – Shion fez uma pausa e sua expressão se tornou séria. – errado. Albafica morreu assim como os demais. Já fez demais por todos, o santuário sobreviverá sem você. Portanto, pode ir embora ou ficar onde quiser. Você agora viverá uma nova vida, Vince, certo?! – Shion me fitou sorrindo abertamente como nunca tinha visto.

Levantei-me da poltrona e o cumprimentei com firmeza. Os laços que ligavam os dourados jamais se desfariam, sempre existiria essa irmandade que reunia pessoas de todas as nacionalidades.

__ A propósito, imaginei que estivessem cansados, por isso mandei preparar suítes para você e Agasha. São meus convidados. Fiquem o tempo que quiserem. E boa sorte com a senhorita. – Shion falou tão sério que tive que rir.

__ Obrigada por tudo, Shion. – Caminhei em direção à porta enquanto Shion ficou no mesmo lugar.

Ao olhar para o corredor vi uma sombra passando rápido em direção ao salão principal. Tive uma sensação de que era Agasha. Corri naquela direção procurando por ela. Cheguei a tempo de vê-la na antessala do Salão do Grande Mestre.

__ Agasha, espere! – Gritei quase sem fôlego. – Para onde está indo senhorita? – Alcancei-a enquanto falava.

Ela se virou me olhando com confusão e receio. Ah se ela soubesse o quanto me domina? Se ela soubesse como gostaria de carrega-la daqui, esconde-la de todos e tudo, para ser só minha.

Meus sentimentos sempre reprimidos estavam realmente aflorando, e eu podia sorrir novamente, feliz como um dia desejei.

__ Por que não está me esperando no quarto? Está fugindo de mim? – Sorri maroto.

__ Eu não sei nem o que te dizer. Eu queria te contar tudo, eu queria mesmo... – lágrimas desceram. – Senhor Albafica, por favor me perdoe, eu apenas não conseguia entender que algo assim podia acontecer. Eu vi você morrer, eu vi seu sangue forma uma poça, seu caixão, sua lápide... como poderia entender que eram a mesma pessoa. Era demais para mim. – Agasha soluçava.

__ Vamos conversar agora Senhorita Agasha. – Falei dando uma ordem que ela acatou.

Tomei sua mala da mão e a escoltei até a suíte que fui informado. Ela apenas soluçava, andava devagar, como se estivesse carregando um fardo. Minha menina linda, que mulher de força você virou. Sorri comigo. Aparência frágil, mas com uma força surpreendente. Assim como eu. Somos tão iguais que poderíamos ser partes de uma mesma alma.

Abri a porta da luxuosa suíte. Dei passagem para Agasha que entrou ainda assustada. A suíte possuía uma saleta com mesa para refeições e sofás claros. Uma porta entalhada separava o quarto da saleta. Abri a porta e a conduzi para o quarto. Em seguida pedi que ela se sentasse na pequena poltroninha que havia.

Vi a janela com pesadas cortinas. Comecei a abri-las, tendo uma visão completa do santuário a partir dali. Fiquei fitando o cenário abaixo.

__ Por que não me contou antes, Agasha? – Mantive o olhar sobre as casas zodiacais.

Notas finais
Alguns podem dizer que Albafica não é tão passional assim. Sugiro procurar as características dos pisciano para entender minha visão desse personagem. Então é isso! Comentem! Preciso saber se estão gostando da história. Até a próxima. :-* SA