Fragrância de Rosas
17 A Declaração Silenciosa
Notas iniciais
#Albafica
Meu corpo estava suado, mas ainda assim eu continuava buscando meu prazer vendo Agasha exaurida e satisfeita de tanto no amarmos. Seu sorriso era sereno, mas seus gemidos ainda eram ecoados até meus ouvidos, num canto sensual que me excitava.
Eu fui enlouquecendo de prazer naquele ritmo luxuriante. E assim, senti a pressão percorrer meu corpo e se esvair dentro de Agasha, me roubando um gemido forte. Como era maravilhoso fazer amor com minha esposa.
Pela expressão da minha Agasha, ela havia chegado ao seu limite novamente, e seu corpo inteiro tremia levemente acompanhado de gemidos bem baixos, tipicamente de quem estava cansada.
Eu me deixei cair ao seu lado, e a trouxe para meus braços. Beijei seus cabelos enquanto tentava ritmar minha respiração novamente.
__ Descanse Agasha, descanse. – Puxei o lençol sobre nós e fechei os olhos.
***
Eu corria desesperado pela floresta. Senti uma dor aguda percorrer meu coração. Queria vê-la, queria vê-la. Mas nunca a encontrava.
Quando eu a vi, ela estava abatida, fraca. Minha Agasha estava presa nas garras de algo ou alguém.
Então Atena surgiu iluminada, mas com apreensão no rosto.
__ Cuide dela Albafica. Ela é sua vida. E os inimigos sabem disso.
***
Acordei assustado, suando, incomodado. Olhei para meu lado, e lá estava Agasha, agarrada a mim como antes de eu cochilar. Acariciei seus cabelos levemente tentando confirmar para meu coração que aquele pesadelo era só isso: um pesadelo, que ficaria no mundo da fantasia.
Mesmo que Atena deste pesadelo não tivesse me pedido, eu iria proteger sempre minha esposa, a pessoa mais importante na minha vida. Sim, era por ela que eu vivia, em todos os sentidos possíveis desta afirmação.
Fiquei a afagando por um tempo, até que vi que o sol começava a declinar. Tudo que pensei foi num relaxante banho.
Desvencilhei-me dos braços de Agasha, para então me vestir rapidamente e pedir a uma serva que preparasse a banheira.
Com a mesma presteza que entrou, a serva preparou a banheira e saiu sem mais barulhos.
Agradeci sucintamente. Fechei lentamente a porta para não perturbar o sono da minha jovem e linda esposa. Caminhei em direção à banheira enquanto retirava as roupas.
A água, apesar de morna, me fez arrepiar pelo contato inesperado. Com parte do meu corpo imerso na água, relaxei encostando a cabeça na parede atrás da banheira e fechei os olhos.
Alguns instantes depois me senti sendo observado.
__ Venha me fazer companhia, Agasha! – ainda de olhos fechados estendia a mão para Agasha.
Ouvi seus passos leves pela sala de banho até sentir seu toque tímido. Fitei-a enrolada num lençol, seus olhos tinham um brilho incomum.
__ Está com medo do que Agasha? – perguntei já sabendo a resposta. – Venha, vou te dar um descanso. – Sorri malicioso. – Afinal, era uma donzela há pouco tempo. – Ela entrou na banheira sentando entre minhas pernas. – Assim é gostoso, sentir sua pele, seu calor. – Afaguei seu cabelo macio enquanto ela gemia.
Ficamos quietos por um tempo, até que percebi que Agasha estava bem relaxada. Resolvi tocar no assunto que me rondava.
__ Agasha, decidi restaurar o jardim de rosas da casa de Peixes. – Esperei sua reação.
Ela não se mexeu, apenas senti que segurava a respiração.
__ E o veneno? – ela perguntou num fio de voz.
Eu sabia que essa seria sua inquietação.
__ Vou restaurar apenas o jardim normal. Sem veneno. E quero ver a armadura. Segundo Shion, desde que morri, ela se instalou nas ruínas da casa e ninguém nunca conseguiu retirar o campo de força em torno. Estou curioso para ver se ela me responde.
Agasha se movimentou e me fitou, saindo do meu abraço.
__ Albafica, você quer continuar sendo cavaleiro de ouro? – Agasha me fitava impassível.
Ainda sim, percebi que era insegurança que transparecia em suas palavras. Estendi minha mão acariciando seu rosto e me deliciando com aquela sensação.
__ Não. Minha missão é amar e proteger a minha esposa. Minha missão é te amar, Agasha. Uma missão e um privilégio. – Ela fechou os olhos com meu afago em suas bochechas. – E nunca pense que você é um fardo, pois tê-la foi meu maior presente. – Beijei-a serenamente.
Agasha voltou a se sentar entre minhas pernas e encostou-se no meu peito.
__ Posso te ajudar? – Sua voz saiu doce.
__ Será um imenso prazer ter sua ajuda.
Voltamos a ficar naquele silêncio tranquilo. Apenas ouvíamos o palpitar de nossos corações.
***
Após o banho e uma leve refeição, nos dirigimos a casa de Peixes. Ela havia sido reconstruída, mas em partes ainda mantinha a antiga construção. O jardim como havia notado estava completamente destruído, sobrando algumas roseiras persistentes a tantos pedregulhos.
Tentei me concentrar e ver quanto de meu cosmo ainda conseguia controlar. Para meu espanto, quase como se nada tive mudado, as roseiras começaram a romper o solo rochoso, suas raízes se movimentavam pelo solo destruindo as pedras que viravam uma fina terra. Aos poucos o solo foi assentado e o roseiral passou a se espalhar sobre o espaço que eu definia. Era uma espécie específica de rosas que eu fazia brotar. A rosa alba, uma variação que era trepadeira e que um dia cobriu toda a extensão entre a décima segunda casa e o salão do Grande Mestre, protegendo o templo de Athena. Mas dessa vez havia um aroma vivo, alegre, um convite a paz no santuário. Rosa alba, aquela que me nomeou.
__ Que lindo Albafica. – Agasha observava as vinhas das roseiras se moverem e cobrirem o solo, algumas ruinas e paredes da casa de Peixes.
__ Você poderá tocar essas. – Virei minha mão deixando a palma aparecer. – Mas esta será sempre para você. – Fiz surgir uma rosa vermelha de cor viva.
Agasha recebeu a rosa e me fitou boquiaberta. As roseiras haviam parado de crescer. Eu me aproximei dela, abraçando-a por trás.
__ Sabe que cada cor de uma rosa tem um significado muito intenso. – Acariciava seu braço enquanto sentia seu coração bater acelerado. – As rosas albas representam a inocência, pureza, reverência e paz. A rosa negra que eu crio tem seu significado bem expressivo: morte, luto. E esse papel é bem cumprido por ela. Ah, mas a rosa vermelha tem o simbolismo que mais aprecio. Sabe qual é, Agasha? – Sussurrei para ela.
Ela se virou para mim curiosa e desconfiada. Acenou negativamente com um balançar de cabeça.
__ Então não sabe o que quis dizer com a rosa vermelha que te dei antes de lutar com o juiz? – Sorriu malicioso.
Seus olhos se arregalaram e ela engoliu em seco.
__ Isso mesmo Agasha, aquela rosa vermelha que te dei significava ‘eu te amo’. Foi minha declaração silenciosa para você. – Sorri puxando-a para um beijo nada casto.
Quando me afastei dela, abracei-a firme e sussurrei novamente.
__ E esta rosa continuará sendo minha declaração de amor para você.
***
Ficamos observando o lindo jardim que alegrava agora a casa de peixes. Agasha estava quieta em meus braços. A rosa em suas mãos era afagada com delicadeza.
__ Foi por isso. – Ela falou repentinamente.
__ O que? – Estava sem entender.
__ Minos. Foi por isso que ele tentou me matar. – Ela falava acelerada. – Ele viu a rosa no meu vestido e falou que ia me matar, pois sabia que eu tinha alguma relação com você. – Agasha silenciou.
Eu a abracei ainda mais.
***
Decidi ir para o interior da casa de peixes. Agasha havia ficado emocionada com a minha revelação. Andava ao meu lado, segurando a rosa na mão enquanto eu segurava sua outra mão.
Pensei que encontraria uma casa escura, mas havia um brilho dourado emanando de dentro da sala principal. Caminhei cautelosamente até encontrar a armadura como Shion havia me descrito.
Sobre uma coluna que formava um pedestal, em sua forma original, o peixe dourado estava envolvido por um campo de energia que refletia uma luz cálida.
Aproximei-me da armadura e senti que o campo havia desaparecido. Ela me reconhecia afinal. Mas não a convoquei em momento algum.
__ É minha companheira de batalha, ainda haverá outros que te vestirão. – Toquei lentamente o metal. – Mas agora minha companheira de vida é Agasha. – Segurei mais firme a mão de minha esposa.
A armadura então brilhou novamente formando o campo de energia. Afastei-me e entendi que agora outros viriam para viver essa missão.
***
Caminhamos para o salão de Shion, onde o mesmo observava o jardim mais abaixo. Estava completamente exuberante. Era a expressão da paz naquela época.
__ Obrigada por esse feito, Albafica. – Shion me cumprimentou.
__ Eu fico feliz por ter condições de produzir esse jardim. – Olhei para Agasha que ainda admirava a rosa vermelha. – Shion, nós partiremos amanhã como conversamos aquele dia.
__ Então vamos ter nosso último jantar. – Shion sorriu relaxado. – Pelo menos por um tempo.
Eu e Agasha concordamos acenando com a cabeça. Shion seguiu a frente, e nós, o casal andávamos devagar, como se apreciássemos cada sensação daquele dia.
Num dia, a menina por quem eu me apaixonara havia se tornado minha esposa alterando completamente toda minha história até ali.
E sempre, as rosas vermelhas seriam minha declaração silenciosa de que Agasha era o amor da minha vida, sim, a vida que me trouxe vida novamente.
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