Fragrância de Rosas

18 Voltando Para Casa


Notas iniciais
Eu sei que demorei demais, mas minha vida está muito corrida. Então, i´m sorry! Espero que gostem do capítulo de hoje. Ao final tem uma ideia que o Albafica teve, gostaria de saber se apoiam ou não essa ideia dele? Sem mais, vamos ao capítulo! :-*

#Agasha#

Era manhã. Muito cedo para a maioria. Mas tanto eu como Albafica, estávamos muito empolgados com nossa viagem de retorno a Mavrias.

Dessa vez, Albafica retornaria com seus pertences que estavam guardados no santuário. Ele não possuía tantos objetos. Eram algumas roupas, algumas lembranças que guardara e suas economias de anos a fio. Sim, seu pequeno tesouro guardado para um possível sonho, agora estava realmente sendo utilizado para esse propósito.

Todos os ganhos de sua vida como cavaleiro foram economizados e revertidos em pedras preciosas. Uma forma simples de guardar posses numa época complicada, em meio a guerras e invasões de territórios.

Albafica havia cambiado algumas pedras em moedas de ouro para que pudéssemos pagar nossa viagem no navio e de carruagem até Mavrias. Tudo era guardado numa bolsa de couro animal. Nada muito requintado, mas bem melhor do que a bolsa improvisada que havia trago. Albafica então olhou todo o quarto e me fitou sorrindo. Agora era o momento da despedida.

Peguei minha bolsa pendi no meu ombro. Com a sua bolsa em seu ombro também, ele segurou minha mão e abriu a porta.

Caminhamos até a sala de jantar onde Shion nos esperava para o último desjejum.

__ Bom dia amigos. – Shion sorriu se levantando da cadeira em que estava.

Sentamos cada qual ao lado de Shion que tomou seu lugar na cabeceira da mesa.

__ Espero que possam me visitar algum dia. – Shion falava enquanto levava a xícara à boca.

Olhamos o Mestre e sorrimos.

__ Gostaríamos que fosse conhecer Mavrias. – Um pensamento me passou rápido. – Pena que o Mestre não pode ficar fora do Santuário. – Sorri um pouco desanimada.

Shion apenas concordou com um aceno.

__ Mas vocês são convidados a retornar, quem sabe com os herdeiros. – Ele falava com naturalidade.

De fato era o curso da vida. Como todo casal, era o nosso desejo formar família, ter nossos filhos.

__ Com certeza traremos nossos filhos aqui, certo Agasha? – Albafica me fitou e piscou me fazendo corar.

Aquela refeição logo se encerrou com sentimento de saudade. Sei que para ambas as partes seria nostálgico lembrar-se desses dias cheios de emoção.

Com nossos pertences em mão, nos despedimos brevemente de Shion. Teneo estava nos esperando na saída do Salão do Mestre para nos acompanhar.

__ Até breve Shion. – Albafica abraçou Shion que havia retirado sua máscara.

As lágrimas começaram a umedecer meus olhos.

__ Agasha, minha pequena amiga, seja feliz e cuide do meu amigo. – Shion me puxou para um abraço de urso.

Olhei Albafica de soslaio que me sorriu ternamente. Podíamos não ter mais família, mas tínhamos irmãos de coração. Shion seria sempre um deles.

__ Então, até logo amigos. E mandem notícias. – Shion estava novamente com a máscara de mestre.

Começamos a descer as escadarias enquanto erámos observados pelo Grande Mestre que acenava em despedida. A solidão seria um pouco mais comum para Shion agora. Era o preço de ser um guerreiro, um servo de Athena.

Teneo se juntou a nós e descemos calados aqueles primeiros degraus até a casa de Peixes. Ao entrarmos no jardim de rosas, Albafica se deteve rapidamente.

__ Teneo, apenas um momento. Quero colher algumas rosas. – Albafica então procurava as mais bonitas rosas ainda desabrochando.

Aproximei-me de meu amor e ele me fitou entregando a primeira rosa. Era isso que dizia meu gesto. Agora erámos um só. Nos apoiaríamos sempre sem necessidade de muitos explicações.

A segunda e terceira rosas foram adicionadas a primeira em minha mão.

Teneo estendeu suas mãos e eu entreguei o trio de rosas. Ele também havia percebido que Albafica colheria muitas rosas. Ao fim, tínhamos nove rosas. Nove belas rosas albas. Brancas e inocentes. Um singelo gesto de quem sempre foi solitário por imposição própria.

Cada qual carregava um trio de rosas. Albafica caminhava ao meu lado enquanto Teneo ia um pouco absorto à frente. Ele havia entendido o gesto de Albafica.

Um passo a mais e entramos na trilha que levava a uma parte melancólica e saudosa do santuário. O cemitério dos santos de Athena. Aqueles que lutaram para que a Terra continuasse a existir. Os companheiros de Albafica e o mestre de Teneo estavam ali.

O silêncio combinava com a aura do lugar. Fúnebre e saudosista.

Por entre as lápides Albafica caminhava lentamente. A cada passo uma memória dos tempos antes da Guerra santa. Fiquei quieta esperando aquele ritual se finalizar. Aquele era um momento só dele. Era sua família, apenas sua família perdida de forma prematura e cruel.

#Albafica#

Uma rosa para Hasgard. Teneo a depositou sobre a grama que cobria o túmulo. Uma rosa para Manigold, aquele peralta. Me permiti sorrir. Uma rosa para Defteros que havia assumido o lugar do irmão corrompido pelas trevas de Hades. Uma rosa para Régulos e seu tio Sísifo. Uma rosa para Asmita que mesmo não tendo seus restos mortais ali, havia recebido uma lápide em homenagem. Kardia recebeu uma maçã junto com a rosa. Por fim, El Cid e Degel receberam as últimas rosas em suas lápides de homenagem.

Não havia mais a lápide do cavaleiro de peixes. Shion deveria ter mandado remover aquele espaço sem propósito. E eu esperava que fosse assim. Com esse pensamento me peguei fitando Agasha que estava caladinha. Será que pensava o mesmo?

#Agasha#

Albafica se aproximou de mim e me abraçou de lado. Estávamos pensando o mesmo. Albafica poderia estar ali entre eles, como de fato esteve. Mas agora eu havia recebido a bênção de tê-lo comigo.

Ele me beijou na bochecha e sussurrou.

__ Vamos para nossa casa, minha esposa?

__ Vamos. – respondi fracamente.

Fizemos uma pequena prece. Em seguida nos despedimos de Teneo que estava bem emocionado, assim como nós.

__ Obrigada por nos acompanhar até aqui cavaleiro de ouro, Teneo. – Albafica cumprimentou o jovem. – Esperamos receber notícias de suas bodas. – Um sorriso leve foi esboçado por meu esposo

O rapaz deu uma risada e me fitou.

__ Posso dar um abraço na Agasha? – Teneo perguntou a Albafica, que apenas assentiu com a cabeça.

Teneo me abraçou forte, como era a saudade que surgia agora. Fomos um o pilar do outro quando perdemos pessoas importantes. Erámos como irmãos, amigos em momentos mais difíceis.

__ Até logo Teneo. Seja muito feliz com sua noiva. – Algumas lágrimas desceram. – Vamos Albafica ou vou chorar muito. – Sorri entre as lágrimas.

Voltamos a trilhar as escadas abaixo da casa de touro, e rapidamente alcançamos a saída do santuário que era protegida por soldados rasos. O passado ficava ali, mas nunca ficaria para trás o amor que sentíamos por nossos amigos.

***

Caminhamos durante algumas horas tranquilamente, parando para descansarmos e colhermos frutas de árvores no caminho. Recebemos das cozinheiras do Santuário uma bolsa com mantimentos que nos ajudariam no percurso.

Ao final da manhã já estávamos no porto de Atenas onde Albafica negociava nosso embarque. O barco zarparia após o almoço, lá pela uma hora da tarde. Ficamos esperando próximos ao barco. Sentamos à mesa numa taverna. Observei Albafica chamar um garçom que prontamente trouxe duas canecas de vinho. Estava com tanta sede que avancei na caneca. Só não contei com a intervenção de Albafica.

__ A senhora minha esposa não deve consumir álcool. – Albafica me olhava com tanta paixão que me senti hipnotizada. – Pode fazer mal caso esteja carregando nosso filho. – Ele sussurrou ao meu ouvido.

Como não pensei nisso. Havia muitos livros sobre ervas medicinais e saúde que indicavam que o consumo de bebidas alcóolicas era ruim na gestação.

Apesar do consumo inveterado de bebidas alcóolica por todas as classes, eu e Albafica tínhamos alguns conhecimentos sobre ervas e a saúde.

__ Certo meu amor. – Concordei afavelmente.

Ele fez um novo pedido ao garçom do local.

__ Água fresca apenas. E refeições. Peixe assado na brasa. – Imediatamente o rapaz mal afeiçoado trocou as canecas e bebi com devoção a água fria.

Pouco depois almoçamos animadamente. Alguns minutos depois começaram o embarque no barco. Em algumas horas estaríamos indo para Mavrias. Agora seríamos eu e Albafica, e não Vince.

***

#Albafica#

Quando enfim nos mostraram nossa cabine, fiquei aliviado. Poderia finalmente ter um pouco de privacidade com minha Agasha.

Ela se despiu de sua capa para ficar mais a vontade na cabina. O calor estava suportável, mas íamos descansar um pouco, por isso quanto menos tecido nos envolvendo melhor seria o nosso conforto.

Deitei-me só com a calça, tendo meu tronco despido. Agasha me olhou por uns instantes ficando um pouco corada. Acho que ela nunca perderia esse hábito. Logo em seguida ela começou a desamarrar a parte exterior de seu vestido, retirando-o e ficando apenas a combinação que as mulheres usam por baixo do vestido.

__ Venha meu anjo. – Eu estava impaciente por não sentir seu calor.

Ela caminhou ainda sem jeito, mas observando atentamente meu peito nu.

__ Gosta do que vê? – Falei sem pretensões aparentes.

__ Muito! Isso me assusta. – Ela me olhou confusa. – É assustador como tudo em você me deixa quente, desejosa. Até mesmo estando nesse barco, com tantos marinheiros por perto e que podem nos ouvir...

Aquela declaração me deixou muito satisfeito. Era realmente excitante saber que quem você amava te desejava com tanto ardor.

__ Posso te contar um segredo? – Sussurrei ao ouvido dela, enquanto meus braços envolviam seu corpo, fazendo-a deitar de costas para mim. – Eu me sinto exatamente como você. Pegando fogo o tempo todo. E não só por seu corpo, mas por sua presença, sua aura, seu amor.

Senti seu coração descompassar. Agora era constante estarmos assim: descompassados e quentes.

Encaixei seu corpo mais firmemente ao meu. Logo saciaríamos nosso desejo.

__ Agasha? – Lembrei-me de uma ideia que tive. – Estou pensando em cortar meu cabelo na altura dos ombros, para auxiliar no trabalho quando voltarmos para Mavrias. O que acha meu amor?

Agasha balbuciou algo incompreensível. Tentei olhar seu rosto e vi que ela havia cochilado. Me acomodei novamente. Depois lhe diria novamente sobre essa ideia. Em seguida comecei a cochilar também.

Notas finais
Aguardo os comentários de vcs. Não esqueçam: a ideia do Albafica é boa ou não? bjus SA