Notas iniciais
Gente, não sei como fazer. Eu escrevo a história dentro de Fragrâncias ou faço um spin-off sobre Yuzuhira e Shion? Me Ajudem. Capítulo curto, mas feito com muito carinho. Vejo vocês nos comentários. :-*

#Albafica#

Após a recepção de Shion, fomos encaminhados para o quarto que havia sido preparado para nos hospedar.

Percebi que Agasha estava quieta desde que Shion apresentou Yuzuhira a nós. Talvez ele tivesse visto o mesmo que eu. Uma tristeza no olhar do meu amigo, que se intensificou com a presença da amiga, mesmo que tentasse disfarçar com sorrisos.

Ali tinha muita história, e eu iria descobrir. Enquanto Agasha arrumava as roupas do nosso bebê, eu dava um banho em Ale, que bate as mãozinhas na água, rindo e me molhando.

—_ Seu bebê sapeca, me molhou. – Falei sério. Ale apenas ficou sério para cair na gargalhada de novo. – Está rindo de mim, filho?

Peguei a toalha que estava em meus ombros e retirei Ale da água, enrolando-o no tecido. Coloquei-o deitado na cama enquanto acabava de enxuga-lo. Olhei meu pequeno filho e senti que não conseguiria compreender a extensão do amor que eu sentia por ele. Era a experiência mais completa, e muito cansativa, mas maravilhosa.

Agasha trouxe a roupa de Ale, e começamos a vesti-lo.

—_ Está tão quieta. – Dei um beijo em seus lábios.

Ale deu uma gargalhada quando me viu beijar sua mãe.

—_ Em compensação esse sapequinha está rindo de tudo. – Dei um beijo na fronte do pequeno.

Agasha sorria de nossa interação.

—_ Fico pensando como é bom estar vivendo tudo isso, com você e nosso bebê. – Ela o tomou no colo e começou a amamanta-lo. – Sinto tanto por Shion não poder ter essa felicidade, uma vida como a nossa.

E ali estava o problema. Eu me sentia exatamente como Agasha. Incomodado com a tristeza aparente de meu amigo e também daquela moça.

—_ Você percebeu a tensão entre Shion e Yuzuhira? – Perguntei avaliando a expressão de Agasha.

—_ Sim, além de uma tristeza e olhar vazio quando nos olhavam. Pareciam infelizes com algo.

Decidi que deveria fazer algo. Dei um beijo em Agasha e fui tomar um banho para aliviar o cansaço. Iria conversar com um certo mestre, ou, Grande Mestre.

***

Naquele exato momento estava entrando no escritório de Shion, após ouvir seu consentimento.

—_ Tem um momento para uma conversa com um amigo? – Falei segurando uma bandeja de chá que havia pedido para umas das servas preparar.

Depositei a xícara com o chá adoçado próximo de Shion e coloquei a minha próxima da cadeira que sentaria. A bandeja ficou no aparador lateral.

Shion fitou a cor do chá e me devolveu um olhar confuso.

—_ É um chá calmante. Rosa-rubra, Melissa e Capim-Limão. – Tomei um gole. Shion ainda ponderava sobre o chá. – Minhas rosas não tem mais veneno. – Falei falsamente irritado.

O meu amigo olhou para mim e sorriu.

—_ Estou mais preocupado com o teor dessa conversa. Chá calmante para uma conversa? _ Shion olhou desconfiado.

—_ Como esconder algo do Grande Mestre? – Sorri. – Estou preocupado com você, aliás, eu e Agasha.

Shion deu uma tocida ao ouvir minhas palavras.

—_ Do que você está falando? – Ele desviou o olhar para a xícara. Um comportamento estranho para quem estava a frente do santuário e tinha todo o controle em suas mãos.

—_ Eu posso não ser o melhor conselheiro, mas estou aqui para te ouvir e tentar te ajudar... mas preciso que confie em mim. – Fiquei sério. Seria um pouco mais difícil que o normal.

—_ Não sei do que está falando, Albafica. – Ele desconversou novamente desviando o olhar para a estante de livros.

Encarei-o muito irritado.

—_ Isso é mesmo sério? Você vai se comportar como um garoto, e fingir que não tem nada acontecendo? – Seus olhos violetas voltaram a me fitar completamente arregalados. – Qual é a história entre você e a Yuzuhira?

Shion abriu e fechou a boca umas cinco vezes antes de perceber que não teria como fugir. Por fim pareceu desistir e suspirou derrotado.

—_ Tudo bem Albafica, tem muita coisa acontecendo. – Seu olhar estava triste novamente.

E assim Shion começou a contar tudo, desde o início. A primeira vista ele viveu um drama parecido com o meu, mas conforme ele falava, eu via como seu dilema era pesado.

***

Quando voltei para o quarto, a lua já avançava no céu. Agasha estava dormindo com Alexándros ao lado. Dei alguns beijos no rosto de minha esposa, que despertou lentamente.

—_ Albafica... ummm – ela gemeu com alguns beijos mais. – Conseguiu falar com o mestre Shion?

Deitei ao seu lado, abraçando-a pelas costas enquanto seu corpo se encaixava no meu.

—_ Sim, mas a situação é muito complexa. – Pensei um pouco. – Vamos jantar que depois te contarei tudo.

Agasha arrumou os cabelos que haviam ficado desorganizados durante o cochilo e saímos do quarto, onde uma serva aguardava para velar pelo sono do nosso bebê.

Ao chegarmos na sala de jantar, Shion estava sentado nos esperando com Yuzuhira do lado direito, seguida de Teneo e sua noiva. Caminhei para o lado esquerdo, me sentando próximo a Shion e Agasha sentou-se ao meu lado.

—_ Boa noite amigos. – Cumprimentei a todos. Shion me observava receoso.

Todos me cumprimentaram, assim como a Agasha. A conversa girava em torno do casamento de Teneo e Melinda.

Mas percebi que Yuzuhira estava desconfortável, remexia a comida sem a menor vontade de comer. Olhei para Agasha que também percebeu a situação.

Com o jantar finalizado, Yuzuhira pediu licença e se retirou alegando que passava mal. Shion a olhava derrotado. Deveria haver uma forma de mudar aquela situação. Agasha apertou minha mão e olhei-a sorrindo.

***

No quarto, Alexándros havia acordado para mamar e ser trocado. Agasha agora o embalava sussurrando uma canção. Eu estava sentado na cama observando aquela cena.

Com cuidado, ela colocou nosso bebê no berço que havia sido instalado no quarto a pedido de Shion. Assim que cobriu o corpinho do nosso filho, Agasha se sentou a meu lado, e encostou a cabeça no meu ombro.

—_ Quero ouvir a história que descobriu... – Ela falou.

—_ Shion está vivendo um dilema...

Como colocar a lealdade acima do amor?

Eu ainda pensava como seria se estivesse em seu lugar.

Agasha ouvia o relato com uma expressão séria. Acredito que sentia uma angústia parecida com a que sentimos em meio à guerra santa.

Conclui a história com grande pesar. O dever estava acima de nossas escolhas? Como poderíamos lidar com isso?

Nos ajeitamos na cama. Cansados da viagem e envoltos em pensamentos, ficamos abraçados até que peguei no sono.

***

Notas finais
Aguardo as respostas de vocês. Bjus SA