Fragrância de Rosas

13 O Que Não Me Contaram


Notas iniciais
Olá pessoal! Desculpe-me pelo atraso. Ando sem inspiração. Espero que gostem desse capítulo, apesar de não ter luta e tal, mas é uma parte importante para explicar a época em que eles viviam. Quero agradecer a todos que comentaram. Um super :-* E quero agradecer imensamente a Dhessy pela lindíssima recomendação . Obrigada flor! E vamos para a história?! :-)

__ Então estamos acertados. – Albafica se aproximou me dando um beijo terno. – Vou conversar com Shion, e voltarei antes do jantar para busca-la. – Minha expressão se converteu em confusão. – Iremos jantar com Shion. – completou Albafica.

Rapidamente vi Albafica fechar a porta. Fiquei perdida em meus pensamentos. Então era isso, nosso futuro tomava forma. E tudo que um dia pensei ser só um sonho impossível, se tornava mais próximo de viver, ou já estava vivendo.

De repente, um barulho me fez sobressaltar. Sai do meu devaneio tentando encontrar a origem do barulho. Batidas na porta, com certeza era a porta a ressoar pelas pancadas. Dei um pulo da cama correndo na direção do barulho.

Abri devagar a porta, e percebi que uma serva esperava a frente com vários tecidos devidamente dobrados presos em seus braços.

__ Olá Senhorita. O senhor Albafica me pediu para trocar os lençóis. – a serva sorriu.

Lembrei que os lençóis estavam bagunçados e sujos... de sangue. Senti meu rosto corar fortemente. Ela não podia entrar, eu ficaria muito, muito envergonhada.

__ A senhora não precisa se preocupar. Dê-me os lençóis que eu mesma troco. Não precisa perder tempo, faço isso sempre em minha casa. – Tentei passar confiança e determinação ao meu pedido.

A serva me olhou e riu da minha expressão.

__ Senhorita, por gentileza, eu preciso fazer o meu serviço. Com licença. – a serva baixa e já com a idade avançada empurrou a porta um pouco e passou por mim.

Fiquei paralisada ao vê-la entrar e se dirigir para o quarto.

__ Senhora, não. Por favor, deixe ... – ela já havia entrado no quarto e trocava os lençóis.

Olhei de soslaio e extremamente envergonhada. Ela me sorriu e começou a colocar o lençol limpo.

__ A senhorita não precisa se envergonhar. É normal a moça sangrar na primeira vez que se deita com o marido. – Ai, ela não sabe o que fala. – pensei comigo.

Meu rosto foi do vermelho ao branco pálido em segundos. Então ela pensava que eu era esposa de Albafica. Vi ela fazendo um sinal para me sentar na poltrona.

__ Senhorita, se quiser conversar, não sou sua mãe, mas posso te ajudar com qualquer dúvida.

Mãe! Era isso mesmo que me faltava naquele momento. Senti então todas as dúvidas caírem sobre mim como uma avalanche. Ninguém conversava sobre assuntos da intimidade de um casal. E tudo era novidade para mim.

Eu me acomodei na poltrona e a serva sentou-se na outra poltrona logo após terminar de fazer uma trouxa com os lençóis para serem lavados. Ela me olhou esperando que perguntasse qualquer coisa, mas eu não sabia por onde começar.

__ Minha mãe morreu quando era criança. E sabe, ninguém fica falando disso... desses assuntos para as moças. Eu não sei nada. – Tentei recordar as informações que havia aprendido com os livros sobre plantas.

Só me lembrei de que algumas plantas não poderiam ser tomadas por grávidas ou mulheres que queriam ter filhos nos próximos períodos. Sabia também que quando a mulher passava a ter as regras era porque poderia gerar um bebê, mas nunca soube como era isso. Foi desse ponto em diante que comecei a questionar.

Fitei novamente a serva que me olhava com tanta ternura, que me senti confortável com a situação. Começamos a conversar sobre minhas dúvidas. A cada nova revelação eu corava e ficava encantada. Então agora entedia que poderia vir a ficar grávida. Sorri com a possibilidade de ter um bebê com a aparência de Albafica. A serva falava com tanta empolgação a respeito da família que me contagiou também. Mas então me lembrei de que não éramos casados, e essa situação seria mal recebida em Mavrias, onde todos eram bem tradicionais. De repente senti-me mal, mas ao imaginar um pequenino correndo feliz fruto do meu amor por Albafica, nada mais me preocupou.

Despedi-me da serva e agradeci sua atenção carinhosa. Respirei fundo. Com certeza Albafica sabia das possibilidades, mas eu queria ter certeza do que ele queria também.

Depois de alguns minutos Albafica entrou no quarto. Seu rosto estava sereno, até mesmo alegre. Ele me abraçou e me beijou lentamente. Seus olhos azuis pareciam me sondar enquanto o silêncio permaneceu entre nós.

__ Vamos dar um passeio antes do jantar. – Albafica segurou minha mão. – Vamos ao jardim do Salão do Grande Mestre. É bem próximo. – Albafica se aproximou do meu rosto. – Quero muitos beijos seus. – sussurrou.

Corei imensamente com os pensamentos que me tomaram de assalto ao lembrar-me dos beijos, das carícias e toda a extensão do amor que tínhamos. Assenti acenando com a cabeça, quase hipnotizada pelos azuis dos olhos dele.

Ao chegarmos ao jardim, Albafica me conduziu a um banco de madeira todo torneado em temas florais. Achei o banco lindo, afinal, flores eram sempre lindas. Albafica sentou-se, ficando de frente para mim. Eu sentia que ele queria falar mas, não o havia feito. Eu também queria preguntar sobre coisas que não havíamos decidido e me deixava muito nervosa, envergonhada.

__ Então vamos embora amanhã? – Nosso plano era inicialmente esse.

Albafica me fitou e sorriu timidamente negando com o aceno.

__ Shion quer fazer uma comemoração pelo nosso noivado, e pediu para que ficássemos amanhã no santuário. Eu concordei, pois será bom comemorarmos, e acredito que você não se oporá por mais um dia aqui. – Albafica parecia firme na decisão, mas seu sorriso denunciou seu temor pela minha negativa. – As servas vão tirar medidas certas de você para fazer um vestido ideal para o evento.

Pensaram em tudo. Como eu poderia não concordar com algo com tanto esmero.

__ Será maravilhoso. Nunca comemorei nada. – Minha voz saiu quase como um sussurro. Seria a primeira vez que teria uma festa para mim. Era para nós, o casal. Albafica era meu noivo. Era tudo muito bom. – É claro que ficarei.

__ Que ótimo Agasha. – Albafica sorriu e me abraçou forte. – Você será uma noiva linda amanhã, apesar de ser impossível ser mais linda do que é, minha doce Agasha. – Um beijo se iniciou para encerrar qualquer dúvida que surgisse a respeito do nosso amor. – E o que você fez enquanto eu estava conversando com Shion?

As palavras da serva me vieram em flashes. Todas as informações que me levaram a uma questão principal.

__ Albafica, você deseja ter um filho? – Corei.

Ele me encarou fixamente. Depois de alguns segundos Albafica sorriu abertamente.

__ O que você andou fazendo?

__ É que eu não sabia nada sobre como as mulheres ficavam grávidas, nem sobre a intimidade de um casal. E... quando vi aquele sangue no lençol, fiquei envergonhada, ninguém nunca falou sobre isso comigo. – Abaixei meus olhos para minhas mãos que se entrelaçavam.

Albafica segurou meu queixo e delicadamente levantou meu rosto e fitei seus olhos azuis e amorosos.

__ Olhe para mim, Agasha. – Paralisei naquela posição. – Continue me contando.

Respirei fundo tentando controlar meu nervosismo.

__ A serva que você pediu para trocar os lençóis, ela percebeu minha falta de conhecimento ‘nesses’ assuntos, e conversou comigo um bom tempo. _ Fiz uma pequena pausa tentando alinhar minhas ideias tumultuadas em minha mente. – Ela me falou que é normal a mulher sangrar quando se deita com seu marido pela primeira vez, e que a mulher pode engravidar através dessa intimidade com o homem. Ela falou que os homens tem um líquido que é sua semente, e que ele deposita dentro da mulher quando estão fazendo amor. – Minha voz falhou. – Isso quer dizer que eu posso ficar grávida, não é?

Vi Albafica ficar sério. Eu havia feito algo impróprio? Não sabia. Só relaxei quando senti ele me abraçar.

__ Minha inocente Agasha. – Ele sorriu. – Pode falar comigo sobre isso. Você é meu tesouro, e vou sempre estar aqui pra você. – Respirei aliviada. – E sim meu anjo, você pode ficar grávida, mas não se preocupe, eu quero ter uma família com você. – Albafica ficou pensativo de repente. – Só acho que devemos esperar um pouco até descobrir quem me trouxe de volta. – Ele acariciou meu rosto com a mão. – Até um tempo só. Se eu não descobrir, vou simplesmente ignorar.

Aquela resposta me deixou um pouco triste. E se eu tivesse concebido hoje, afinal, fizemos amor duas vezes. Meu olhar triste alertou Albafica que me pegou no colo, me segurando entre seus braços.

__ O que te deixou triste? Você quer um bebê logo? – Albafica sorriu. Um beijo na ponta do meu nariz fez cócegas.

__ Não é isso. É que posso estar carregando um bebezinho aqui. – Coloquei a mão sobre meu ventre.

__ Sim meu Anjo. E será amado por nós. – Ele piscou para mim. – Já entendi. Você está querendo treinar mais para ter um bebê. – Seu olhar malicioso me fez corar. – Pode deixar que vou te amar todos os dias, minha Agasha. – Ele sussurrou rouco no meu ouvido. – Agasha, você está me dando um tesouro ficando comigo e pensando numa família. Vamos deixar as coisas acontecerem, certo. – Ele sorriu e me beijou novamente. – Vamos viver enquanto há tempo.

Aquela frase me fez ficar preocupada, angustiada.

__ Por quê? Seu tempo pode acabar de repente? – Minha voz estava embargada pelo choro preso na garganta.

__ Não sei. Tenho medo das consequências da minha volta. E se me trouxeram de volta por alguma razão específica? Os deuses gostam de brincar de marionete conosco. – Albafica estava sério.

Tudo em mim paralisou. Senti o frio correr meu corpo, mesmo ainda recebendo alguns raios solares do final do dia.

__ Albafica, agora, mais do que antes, eu quero um filho seu. Que pelo menos fique uma parte de você caso algo de ... – As lágrimas desceram.

Ele foi beijando minhas lágrimas e as enxugando delicadamente com a mão.

__ Eu lhe darei, meu anjo, eu lhe darei um filho. – Albafica iniciou um beijo terno, que em pouco tempo se tornou quente e necessitado.

Ao nos afastarmos, Albafica fitou meus olhos e sorriu travessamente.

__ Temos que parar agora ou eu não irei jantar hoje, e nem você. E não posso deixar a minha Agasha se alimentar mal. Vamos para a sala de jantar, meu anjo? – Albafica ficou em pé comigo em seu colo.

Acenei positivamente com um sorriso contido. Eu não me abalaria, mesmo que o perdesse novamente. Iria aproveitar cada segundo para viver ao lado do meu grande amor.

Notas finais
E o que acharam? Comentem para me motivar novamente! Obrigada amores de Tia Sharon! :-)