Fragrância de Rosas
19 O Mal Não Tira Férias
Notas iniciais
#Agasha#
Despertei lentamente estranhando o local. Rapidamente entendi onde estava. Olhei para o lado e vi Albafica sentado na cadeira bem a minha frente. Ele dormia pouco ou eu estava muito cansada.
Me mexi e senti seu olhar sobre mim. Ele sorriu e se levantou da cadeira e pegou um copo com água.
__ Dormiu bem? – Perguntou estendendo o copo.
Sentei-me e bebi a água com muita pressa. Estava com muita sede mesmo.
__ Quanto tempo eu dormi? – Estendi o copo para Albafica que o pegou e depositou na mesa.
Sua mão fez um carinho leve no meu rosto.
__ Acho que umas quatro horas. – Arregalei os olhos. Era muito para um descanso. – Felizmente o vento ajudou e estamos quase aportando.
Albafica se levantou e caminhou em direção a mesinha, pegou um pouco de água e lavou o rosto. Enxugou com um pequeno lenço.
__ Vamos nos arrumar para desembarcar? – Seus olhos aguardavam algum movimento meu, percebi.
Mas demorei a perceber isso, pois estava acompanhando cada movimento dele e ao mesmo tempo não acreditando que era real.
__ Agasha? – Ele me chamou novamente.
__ Vamos sim! – Sorri ainda hipnotizada pela graça da presença de Albafica.
Não era à toa que ele era considerado mortal pela sua beleza enganadora. Albafica era belo demais, era pra mim como uma flor perfeita que hipnotiza e trás de longe abelhas e borboletas.
__ Algum problema, Agasha? – Albafica me perguntou.
Eu corei no mesmo momento. Havia apenas uma fina linha separando meus pensamentos de admiração para a pura luxúria.
Balancei a cabeça negando. Era melhor não proferir o que começava a tomar minha mente. O calor subiu, e decidi me refrescar com a água, assim como Albafica.
Quando terminei com a água, ele me alcançou um lenço e me sequei devolvendo-o em seguida. O mesmo já estava vestido com uma casaca e camisa, e amarrava seu cabelo com um rabo de cavalo baixo.
Tomei meu vestido, ajeitei minha combinação. Rapidamente o vestido estava de volta ao meu corpo. Imediatamente senti um aperto, e vi que Albafica puxava as fitas para amarrar o vestido.
__ Assim eu me acostumo rápido com essa ajuda. – Eu falei enquanto segurava meu cabelo num coque em cima da cabeça.
No mesmo instante um toque e um beijo no meu pescoço me arrepiaram.
__ Eu sou muito melhor em tirar a tua roupa... – ele sussurrou ao meu ouvido.
Seu beijo foi acompanhado por um riso.
__ Agasha você está arrepiada. Eu te causo isso? – Sua voz se tornou rouca.
__ Não vou te responder, senhor Albafica. – Fechei minha expressão.
__ Linda! – Ele puxou-me pra si. – Deixe-me terminar de enlaçar essas fitas.
Rapidamente ele havia terminado de amarrar as fitas, e tomava meu cabelo enrolando e prendeu com uma fita.
__ Achei essa fita entre as joias. É azul mar, fica lindo no seu cabelo. – Albafica tomou minha mão e a beijou.
Senti um baque e Albafica me segurou.
__ Aportamos. Vamos?
Albafica tomou as duas bolsas e me conduziu para fora da cabine e em seguida estávamos no porto de Agioi.
Havia um verdadeiro agito, pois o por do sol se aproximava e os marinheiros se apressavam para descarregar a carga que vinha nos porões do barco.
__ Vamos nos hospedar antes que não haja mais local disponível.- Albafica estava alerta, olhava tudo.
Caminhei sem falar nada. Era bom me sentir protegida, amada por ele, a pessoa que sempre amei.
Chegamos à um casarão bem iluminado, que se destacava frente o crepúsculo que se impunha no céu. Uma senhora rechonchuda veio nos receber assim que entramos.
__ Boa noite jovem casal. – Ela sorriu. – Precisam de um quarto e uma boa refeição?
Albafica meneou confirmando.
__ Certo, jovens. Sigam-me que os levarei ao quarto para descansarem.
A senhora foi a frente, e em seguida Albafica me deu passagem me seguindo logo atrás.
Ao final do corredor, um aconchegante quarto se revelou por trás da porta escura.
__ Fiquem a vontade. Pedirei a uma criada para trazer água quente para vocês. A tina é simples. – Ela já estava a porta para fecha-la. – Quando quiserem jantar, podem descer a sala de entrada que lhes conduzirei à sala de jantar.
Sem mais, a senhora fechou a porta e finalmente relaxei, me sentando na cama.
Albafica virou a chave trancando o quarto. Ele estava ainda quieto e alerta.
__ Algum problema? – Perguntei o fitando.
Ele então relaxou a face e sorriu.
__ Só cautela.
***
Após um banho delicioso, fomos jantar. Eu estava faminta. Parecia que havia trabalhado o dia todo. Viajar cansava. Mas com Albafica estava sendo divertido.
Ao sentarmos à mesa de jantar na ampla sala, a senhora voltou com vinho e água para nos servir.
Olhei de soslaio para ela enquanto servia um copo de vinho e um de água. Fui com muita vontade para tomar o vinho, mas como antes, Albafica segurou o copo.
__ Senhora, vamos tomar somente água. – Ele me fitou reprovando.
__ Tudo bem jovens. – Ela sorriu ainda sem entender a atitude de Albafica. – Vou pedir para a criada servi-los. Hoje temos carne assada, batatas e ervilhas.
Minha barriga reclamou e a senhora saiu rapidamente para providenciar.
***
O jantar estava delicioso. Havíamos nos alimentado e nos despedido da senhora após nos informarmos sobre a carruagem que partiria para Mavrias. Albafica ainda parecia tenso, estranho. Mas tentei esquecer, acreditando que fosse só seu senso de proteção.
Nos deitamos na cama macia, e finalmente íamos descansar. Albafica se espreguiçou e me puxou pra deitar em seu peito nu.
__ O senhor anda muito desinibido. – E como eu amava ele assim.
__ Eu sei que você gosta de dormir assim. – ele me deu um beijo no meu cabelo. — Em tão pouco tempo já criamos o hábito de dormir assim.
Sorri com esse comentário. Sua presença, seu corpo, seu cheiro eram como calmante para mim. Abracei-o pela cintura e relaxei, adormecendo.
***
Era a hora do nascer do sol, e já havíamos nos arrumado e tomávamos um desjejum reforçado. Albafica havia saído mais cedo para combinar com o cocheiro, para que nos reservasse os lugares. Iríamos viajar sozinhos na carruagem. Ciumento ou malicioso? Albafica parecia ter um pouco de cada qualidade.
Ele acabava de se alimentar. Havia sido rápido. E eu ainda estava sonolenta. Nos despedimos da senhora dona da pousada, e tomamos nossos poucos pertences e fomos em direção ao centro da cidade.
A carruagem já nos esperava. O cocheiro abriu a portinhola e nos acomodamos. Albafica me puxou para encostar nele, e acabei adormecendo nesse confortável abraço.
***
Não sabia quanto tempo havia dormido. Só havia acordado pela parada brusca da carruagem. Olhei para Albafica e vi sua expressão tensa fitar a janela. O sol já ia alto, e tínhamos viajado mais da metade do caminho.
Albafica ouviu algo, que eu não percebi, e fez um gesto pedindo silêncio. Ele se levantou e me fez sinal para ficar abaixada.
***
#Albafica#
Meus poderes, apesar de não ter mais o sangue envenenado, ainda eram parte de mim. E assim, me alertavam de um perigo. Eu podia sentir aqueles homens nos cercando. Minha única preocupação era que Agasha pudesse se machucar.
A carruagem parou e vi que Agasha acabou acordando. Pedi para que ficasse em silêncio somente com um gesto. E com outro gesto para que ficasse abaixada.
Ao abrir a portinhola vi 5 homens montados em cavalos que apontava carabinas para o cocheiro.
__ Desça florzinha. Bem devagar ou vou atirar. – Fui bem lento.
Olhei para aquele homem de expressão sisuda e barbas desgrenhadas.
__ O que você quer? – Perguntei sabendo o que eles procuravam.
Ele deu uma gargalhada estranha. E me fitou irado.
__ Quero as lindas pedras que você carrega. – Eu sabia que aquele fato correria quando troquei algumas pedras preciosas por dinheiro.
__ Perde o seu tempo aqui. Não temos nada. Só temos poucas economias que restaram da viagem. – Eu tentei passar o máximo de verdade.
__ Bom, senhor, já que não quer cooperar, podemos fazê-lo mudar de ideia.
Dois dos homens desceram dos cavalos e caminharam em minha direção. Mas antes de chegarem a mim se dirigiram para a carruagem onde Agasha estava.
__ Traga a mulher. – aquela ordem me arrepiou.
Num movimento, e eu estava na frente daqueles homens que estavam espantados com minha rapidez.
__ Não se atrevam a toca-la, seus animais. – Eu gritei vociferando.
Então tudo foi rápido. Os homens avançaram em mim, e no segundo depois estavam caídos sangrando com os socos que dei.
O cocheiro que até aquele momento estava parado sentado em seu lugar, saiu correndo, distraindo os homens que pareciam assustados. Não sei como, mais uma rosa vermelha surgiu em minhas mãos, aliás, uma não, mas três.
Aquele momento o líder daqueles bandidos começou a gargalhar.
__ O que? Vai nos dar flores?
Senti uma veia saltar da minha fronte.
__ Não seu idiota, vou proteger a minha flor. – Saltei lançando a rosa tão rápido que eles nem haviam percebido quando as receberam no coração.
Um a um deles foram caindo já mortos, olhos vidrados.
Respirei fundo. Tem coisas que sempre te perseguem. E ter que matar parecia minha sina.
Quando ia voltar para carruagem vi Agasha observando tudo. Ela estava bem. Mas não deveria ter presenciado aquela matança.
Ela caminhou até mim.
__ O que eles queriam? – Ela perguntou fitando os corpos dos homens no chão.
__ Alguém contou sobre nossas joias. – Puxei-a para um abraço. – Vamos embora.
__ Vai largar a carruagem aqui? – Ela perguntou ainda encostada no meu peito.
__ Vou sim. Quem sabe aquele cocheiro imprestável aparece. Estamos perto de Mavrias.
Caminhei até a carruagem e subi em seguida pegando as bolsas. No instante posterior já estava ao lado de Agasha.
__ E esses corpos? – Agasha parecia perguntar pra si.
__ Não se preocupe, as rosas darão um jeito. – Apontei para um deles que já tinha seu corpo coberto por rosas e suas gavinhas. – O ambiente não pode ser destruído por esses malditos.
Entrelacei minha mão às de Agasha para não perdermos mais tempo por ali. Mavrias e uma nova vida nos esperava.
Cerca de duas horas depois chegamos a colina que formava Mavrias, e pude observar seus muros de longe.
Agasha fitou o horizonte e me olhou de volta. Um enorme sorriso tomou seu rosto.
Continuamos a caminhar até que alcançamos um dos portões daquela pequena vila. E assim, debaixo do céu nublado caminhamos em direção a casa que agora abrigaria inicialmente nossa vida.
Fale com o autor