Fragrância de Rosas
33 Epílogo - Parte 2 (final)
Notas iniciais
#Shion#
Muitos comentários surgiram desde que a nova serva que trabalhava na casa de Áries ajudando com meus netos havia sido vista em minha companhia. E foi assim por toda aquela semana. Tentamos pensar em formas de contar a história de Mu, mas o medo da rejeição era pesado.
Naquele dia, no entanto, convidei minha família para um chá no 13º templo. Em minha sala particular, nos reunimos. As crianças haviam ido para uma pequena brinquedoteca que a deusa Athena pediu para construir. Alguns filhos de cavaleiros e dos servos ficavam ali sempre que necessário. Era um lugar agradável, com almofadas e tapetes, e diversos brinquedos de encaixe, pelúcia, entre outros próprios para crianças até 5 anos.
Yuzuhira serviu o chá para Isa e Mu, que agradeceram. Ao terminar de me servir, Yuzuhira me sorriu e indiquei que se sentasse.
A expressão do casal não me passou despercebida. Estavam confusos.
—_ Yuzu ficará pois tenho uma história para contar. – Falei nervoso.
Sorvi um pouco do chá tentando controlar meu nervosismo. Hoje eu definitivamente parecia um ariano ansioso e rebelde.
—_ Certa vez lhe contei sobre uma guerreira da raça lemuriana que serviu na guerra Santa do século 18. Ela se chamava Yuzuhira e foi meu esposa após a guerra santa. Aqueles foram tempos difíceis. Como sabem poucos restaram...
E assim revelei o fato de que Albafica de Peixes havia tido uma segunda chance e originando a família de Afrodite. Assim como Teneo, o destemido cavaleiro de Touro deu origem à família da Aioros e Aioria. Até que a parte mais difícil chegou.
—_ Com 3 anos, nosso pequeno filho foi enviado ao futuro por um portal criado por Cronos. Era a sua forma de se vingar de Hades, mesmo estando preso no Tártaro. E assim, quase 2 séculos depois, eu encontrei meu pequeno filho nas escadas de Áries como planejado.
O casal ouvia calado, e algumas lágrimas desceram dos olhos de Isa. Mu parecia absorver toda a história. Yuzu ainda segurava as emoções.
—_ Quando foi enviado para a nossa era, o meu filho veio acompanhado de duas lembranças da mãe. Esses objetos foram entregues a ele, que passava dia e noite com pelo menos um deles.
—_ Quais eram esses objetos, Mestre? – Mu ouvia ainda mais curioso.
—_ Calma Mu. Ainda tenho que contar mais. – Respirei fundo. – Nunca pude contar meu real laço com essa criança, pois me sentia culpado por viver como meu filho, enquanto Yuzuhira havia sofrido até o fim de sua vida por essa imensa saudade, essa dor que ela carregava a cada dia. – E sorvi mais um pouco do chá. – Me espelhando na fé e amor de Agasha, pedi todos os dias a Athena que tivesse minha família de volta. Mas nada parecia mudar. A traição veio, perdi minha vida, e tantos inimigos se levantaram até Hades ser derrotado.
Yuzuhira segurava a ponta da saia do vestido em apreensão.
—_ Ao retornar, vi todos recuperando suas vidas, e seguindo. Isso me trouxe alegria, e também um vazio. Mas então, há uma semana vocês contrataram Yuzu, e me senti livre para contar essa história.
—_ Grande Mestre, fico feliz que Yuzu tenha trazido alegria para sua vida. Mas e o seu filho? Onde ele está? Ele sobreviveu?
—_ Sabe Isa, os objetos que acompanhavam meu filho quando passou pelo portal de Cronos era um cachecol vermelho e um bracelete de ouro.
Mu arregalou os olhos. Esse era o cachecol que ele carregava desde que se lembrava de algo. E o bracelete usou por muito tempo até que Kiki havia chegado, e ele o deu como um presente ao pequeno lemuriano.
—_ E sim, ele sobreviveu. Eu fui seu mestre, e ele herdou minha armadura. A armadura de Áries.
O meu filho segurou firmemente a mão da esposa. Isa fitava o marido que estava paralisado. Temi que ele não suportasse o baque da informação.
Levantei-me da poltrona e caminhei até Mu e me agachei a sua frente.
—_ Meu filho é você, Mu. – As lágrimas desceram novamente. Senti a emoção tomar conta. – E Yuzu é sua mãe.
Ela caminhou até a frente dele, e levantou a franja que cobria suas marcas lemurianas.
—_ Por que? Por que nunca me contou? – Mu falava controladamente.
—_ Sua mãe fez um grande sacrifício. E eu não achei justo ter o amor do meu filho, se a sua mãe não o teria.
—_ Mas o senhor foi meu mestre, eu o amo do mesmo jeito. – Mu falava olhando para suas mãos, como se ordenasse os pensamentos.
—_ Meu filho, tudo o que queremos é recuperar o tempo perdido. – Yuzu tocou o rosto do rapaz.
—_ Se você é minha mãe, quem te trouxe de volta? – Ele me fitou. – Ela não havia morrido?
Segurei a mão de Yuzuhira tentando passar segurança.
—_ Athena concedeu o meu pedido de tanto tempo. E assim como foi com Albafica, sua mãe está tendo o direito de viver com o filho que ela tanto ama.
Mu se levantou, com Isa o seguindo.
—_ Mestre, ou pai, isso é tão estranho. – Ele passou a mão em sua cabeça. – Desculpe-me, mas eu preciso pensar em tudo isso, me adaptar. Eu preciso ir.
Meu filho nem esperou pela esposa. Saiu correndo pela porta e a fechou. Isa nos fitou e sorriu.
—_ Tenham paciência com ele. Não está rejeitando vocês. Apenas precisa assimilar toda essa montanha de sentimentos. – Isa abraçou Yuzu e a mim, se despedindo. – Almocem conosco amanhã. E Yuzu, continue em nossa casa quanto quiser.
A jovem então saiu da sala, nos deixando à sós. Abracei minha Yuzuhira.
—_ Se quiser continuar ajudando Isa com os nossos netos, eu não impedirei. Mas a partir de agora você irá morar aqui, e dormir no meu quarto. Afinal, somos casados. – Pisquei para ela.
***
Um mês depois...
Com muita conversa e alguns passeios, finalmente Mu parecia ter vencido sua própria resistência, e nos reconhecia como seus pais. A história de Yuzuhira se espalhou. Muitos queriam conhecer essa parte da Guerra Santa oculta de tantos.
—_ Pai. – Mu me cumprimentou com um abraço.
—_ Mãe. – O mesmo com Yuzuhira, que deu um beijo na fronte do nosso filho.
—_ Estão todos esperando no salão. Os cavaleiros de Ouro, Prata e Bronze, as lunares e alguns servos.
Acenei para Mu, e caminhamos juntos para o salão do trono, onde Athena nos aguardava. Yuzuhira sentou-se ao lado do nosso filho e da nossa nora, com Valentim em seu colo.
Sentei-me no trono com Athena no trono ao lado.
—_ Esta é uma parte da história da guerra santa do século 18 e suas consequências no tempo atual. Apesar de ser uma guerra sangrenta, o amor germinou, cresceu e frutificou durante aqueles tempos...
E assim, a história de Albafica e Agasha foi conhecida por todo o santuário. E a minha história com Yuzuhira? Bom, essa ainda está sendo escrita. Algum dia alguém a contará para vocês.
FIM
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