Fragrância de Rosas

3 E A Verdade Começa A Se Apresentar!


Notas iniciais
Pessoal! Desculpe-me pela demora, mas tive um bloqueiozinho. Estou superando e logo escreverei um capítulo maior! Enquanto isso fiquem com mais um pouco da história do nosso casal lindo!

A noite transcorreu silenciosa. Cada um preso em seus próprios pensamentos. Com a madrugada avançando, o frio se fez presente e mais intenso que anteriormente.

Levantei-me para pegar mais uma manta para me aquecer. Foi quando me lembrei do meu convidado dormindo na sala. Preocupada, tomei outra manta e me dirigi à sala. Mal havia posto meus pés no cômodo quando ouvi o grito.

__ Athena!!!

Ele acordou com o próprio grito, pondo-se sentado. Eu fiquei paralisada com a agonia que ecoou na sua voz. Quando o fitei, percebi que também me olhava. O brilho que irradiava dos seus olhos lembrava-me um filhote de cachorro perdido e ameaçado. Era um misto de agonia e desconsolo. Sua expressão denunciava um sofrimento comparado aos do purgatório, se é que esse lugar não passe de um mito.

Sua respiração visivelmente acelerada era como a de alguém em fuga. Em fuga ou em busca de alguém?

__ Athena! Ela era Athena! Mas quem é Athena? – Vince me indagava.

__ O que aconteceu?

__ Tive um sonho. Eu me senti feliz. Estava andando por uma vila quando vi você. – Vince apontou para mim. _ Mas era tão menina, ainda se transformando em mulher. Agasha, eu te vi carregando flores, um buquê de flores coloridas. – Vince se calou por uns segundos. – Mas quando você se aproximou, eu me escondi e fiquei te observando passar. Por que te vejo menina se não te conhecia? Ou te conhecia Agasha?

E a pergunta mais difícil para eu responder foi feita. Fiquei atônita sem saber o que dizer. Será que a verdade que pensava era mesmo a verdade? Mas se era, como explicar que ele havia morrido na minha frente e agora estava ali?

Athena era a deusa que ele protegia e servia. Será que havia alguma mensagem por trás de tudo isso?

__ Você falou Athena. O que aconteceu depois de me ver no seu sonho?

Vince me olhou alterado e aos poucos foi se acalmando.

__ Depois que te vi, eu subi umas escadarias, passei por homens que cumprimentei rapidamente. Cheguei a um local amplo, uma igreja ou museu. Não consigo ver claramente esse lugar. Mas havia uma moça que chamei de Athena. Ela me sorriu, e disse que tinha feito tudo conforme minha missão. Que tinha sido leal a ela, por isso teria um grande presente, mas que para alcança-lo teria que passar por provas. – Vince me fitou novamente perdido. – Agasha, o que é isso tudo? Por que não me lembro? Eu quero ser inteiro novamente. – Vince colocou a mão no rosto cobrindo os olhos marejados.

__ Calma! Suas memórias podem estar voltando. – Ajoelhei-me a sua frente e tomei-o num abraço. – Vou fazer um chá para te acalmar. – Levantei-me, tomei a chaleira e aproveitei a água que ainda estava quente no fogão, aquecida pelas últimas brasas.

Após preparar um pouco de chá de anis, servi-o adoçado para que Vince tivesse aquela sensação de conforto, de calor.

__ Melhor? _ Perguntei preocupada com ele.

__ Tem como não melhorar com alguém tão atenciosa como você? – Ele sorriu timidamente.

__ Deite-se que vou te cobrir. Trouxe mais uma manta para não passar frio. – Cobri-o cuidadosamente. – Durma que amanhã será um novo dia para tentar se recordar. Qualquer coisa pode me chamar.

Caminhei lentamente para a porta do meu quarto enquanto observava Vince fechar seus olhos e se entregar ao cansaço, ritmando a respiração novamente.

Enquanto Vince dormia, eu me debatia tentando encontrar a melhor resposta para Vince. Logo fui vencida pelo cansaço e acordei já com o dia amanhecendo. Naquele dia não preparei o meu almoço. Tomei apenas pão e queijo. Não queria despertar Vince já que o mesmo parecia entregue ao sono.

Quando estava de saída, deixei um bilhete torcendo para que Vince o encontrasse e soubesse ler. Eu não tinha nenhuma certeza a respeito dele, e essa era mais uma delas.

O dia de trabalho passou rapidamente ou me perdi entre tantas conjecturas. Nem minha animada amiga Bella conseguiu me tirar daqueles pensamentos. Ao final do dia fui surpreendida pela presença de Vince, que me esperava para voltar para casa. Dessa vez, ele se manteve um pouco distante, mas com um olhar caloroso e emocionado.

__ Está um pouco calado. Aconteceu algo? – Fitei Vince que tinha o olhar perdido.

__ Eu descobri outra coisa essa manhã.

__ Encontrou meu bilhete?

__ Sim! Sua letra é muito bonita. É curioso uma moça escrever tão bem. – Vince me sorriu curioso.

__ Meu pai sempre pensou que eu deveria ter formas de sobreviver. E para ele, ler e escrever era uma das formas de sobreviver nesse mundo. – Lembrei-me de meu pai e como compreendia as pessoas e a vida tão claramente.

__ Você nunca me fala de sua família. Por que não me conta um pouco sobre eles.

__ Vince, na verdade lembro-me pouco da minha família. Minha mãe e avó morreram quando eu era muito pequena. Não tive irmãos. Sobrou apenas meu pai. Se há outros da minha família eu não sei onde estão.

__ Então fale de seu pai.

__ Ele era uma pessoa maravilhosa. Bondoso e compreensivo. Ele conseguia ver além das aparências. E me ensinou a ver assim também. Ele trabalhava como florista. Eu ajudava-o sempre.

__ E o que aconteceu com ele? – Vince parecia concentrado em meu relato.

__ Ele morreu quando tinha treze anos. Minha vila foi devastada por um tremor. – Eu não podia dizer a verdade, ainda não. – Nossa casa desabou sobre ele. Naquele dia perdi tudo. Tudo que eu amava. Depois de um tempo vim morar aqui em Mavrias.

__ Deve ser triste saber que não tem mais a família. Ainda assim você é tão boa e alegre. _ Vince falava tranquilamente.

__ Sabe, conheci um rapaz que vivia sozinho, muito só. E defendia pessoas que o magoavam. Tinham repulsa dele. E ainda assim ele os defendia de todos os perigos. Deu a vida para proteger essas pessoas que o repudiavam. Ele tinha um olhar sereno, e por mais que solitário, sempre me ajudava ou me dava uma rosa linda. Aprendi que a felicidade não depende da minha situação, e sim da minha satisfação comigo mesma. E sei que sou forte e posso vencer todas as dificuldades. Isso me torna ainda mais feliz e resistente.

__ Entendo! Que pena que você perdeu esse amigo. – Vince sentiu a voz falhar.

__ Eu nunca o perdi. Ele ainda vive em minhas lembranças. – “E talvez seja você. – pensei comigo.” – Mas o que você descobriu essa manhã?

__ Só posso explicar, ou melhor, mostrar na sua casa. – Vamos andar mais rápido?

Começamos a caminha rapidamente, quase numa competição silenciosa. Estava quase parando quando chegamos à vila. Ao entrarmos na casa senti o cansaço me abater. Sentei-me na cadeira da mesa ofegando. Reparei que havia mais um vaso na minha mesa. Um estava com as rosas e água. O outro vaso era de barro e estava com terra e um pequeno caule enterrado pela metade.

Fitei Vince com olhar curioso, que entendeu imediatamente minha confusão.

__ Foi isso que descobri. _ Fiz um olhar de mais confusa ainda. – Preste atenção no vaso de barro. Aprendi com a senhora Lídia como produzir mudas de roseiras. Mas demoram um pouco para brotar e crescer. Eu não sei por que, mas consigo ... – ele tocou o caule da roseira e se concentrou. – Fazer isso.

No mesmo instante senti o ar se tornar mais quente, algo emanava dele. Eu não via, apenas sentia essa energia. Logo o caule produziu uma folha, e mais uma. Um novo caule cresceu, e mais um. O caule se transformou em roseira em apenas um minuto. Ao final, já havia botões para desabrochar. Era incrível ver isso acontecendo. Mas não fiquei admirada por esse dom inexplicável. Fiquei impressionada pois sabia que Albafica era capaz de fazer crescer um jardim de rosas, inclusive as venenosas em questão de minutos.

Mais uma vez eu tinha evidências de que minhas conjecturas não estavam erradas. Eu teria que tomar uma decisão o mais rápido possível. Não era justo esconder dele a verdade.

Notas finais
E o que vocês acham que Agasha irá fazer? Que comecem as apostas! P.S.: Só lembrando, estou mantendo o nome da personagem como o original japonês. A pronúncia no entanto é Agashia. Mas cada um leia da maneira que quiser. Ok?! Nos vemos no próximo capítulo! Ficarei aguardando os comentários lindos de todos!. Bjus SA :-)