Fragrância de Rosas

28 A história de Shion e Yuzuhira - O Passado volta ao Presente


Notas iniciais
Olá pessoal! A partir de agora começa uma fase diferente na fanfic, onde os protagonistas principais passam a ser coadjuvantes. No entanto se eu perceber que não está funcionando assim, posso apenas apagar os capítulos e postar como fic independente; Espero que gostem, pois quem contará a história a partir de agora e por um tempo será Shion. Os fãs do pisciano não se estressem, eles ainda estarão por aqui. Outra questão é que através do desfecho desta fanfic ligarei este enredo ao enredo de Em Busca do Amor da Lua. Logo vocês entenderão. #Heloisa, flor, parabéns. Muitos anos de vida. E muitos Albas e Shions pra vc. Bjus e rosas vermelhas.# bjus e boa leitura.

As Jóias de Lemúria

#Shion#

Nunca tive dúvida de minha missão, até que... ficar ao lado de Yuzuhira se tornou sufocante, incontrolável, e me fez pensar muitas vezes que eu só queria ter uma vida normal, com uma esposa e filhos.

Foi nesse momento que me tornei definitivamente o cavaleiro de Áries e soube que minha missão era muita além da guerra sante neste momento. O futuro havia me sido revelado em partes em minha batalha com Kairos e através da armadura dourada que havia ficado desaparecido por tanto tempo.

Sim, tocar as armaduras e receber suas memórias é um dos dons que carrego por poder conserta-las. Na época que me tornei cavaleiro, ainda era um dom em controle. Meu mestre temia por minha alma se continuasse a absorver tantas memórias de forma tão intensa.

E assim, mais uma vez, o homem deixou de existir para o cavaleiro persistir em sua missão. Yuzuhira como se esperava, tornou-se a amazona de Grou e parte importante da guerra.

Como todos nós, ela recebeu um castigo por enfrentar Hades. Eu perdi meus companheiros de batalha e recebi a dura missão de ter que reerguer o santuário, mesmo dilacerado pela dor da guerra, e ela teve seu cosmo selado.

Após o final da guerra, e resignado em minha missão, vi Yuzuhira partir para a nossa terra natal. Anestesiado, assim vivi esses últimos anos. Oculto na máscara e na responsabilidade de Grande Mestre, achei que havia conseguido sufocar qualquer sentimento em mim. Ledo engano. Observar os demais amando, tendo seus amores e criando famílias mexia comigo. Mas a máscara nada deixava passar. Até que... Yuzuhira voltou a minha vida.

Será que em algum momento ela percebeu que meu cuidado e carinho não eram de mestre e pupila, muito menos de irmãos?

Ao retornar para o santuário, Yuzuhira fez reverência, como meu cargo exigia. Ah se ela soubesse... mas eu mantive minha pose, e não deixei passar qualquer emoção.

Pedi que Yuzuhira fosse conduzida ao meus escritório, para tratar de sua permanência no santuário. Enquanto era encaminhada para o local, eu retirei a máscara que usava, e respirei fundo. As coisas serem ainda mais diíficeis para mim. Naquele momento, tudo que eu queria era alguém para conversar e que entendesse minha situação... me resignei... havia me acostumado ao fardo da minha missão.

***

Caminhei lentamente para o escritório como se pudesse retardar esse encontro. Sem o elmo e a máscara seria difícil disfarçar tudo o que se passava em minha mente, mas continuei.

Ao abrir a porta vi Yuzuhira, com suas vestes tradicionais e o cachecol de sua mãe enrolado em si. Seus olhos se direcionaram para mim e senti minhas pernas vacilarem.

—_ Mestre Shion... – ela se levantou e caminhou até mim. – Como sinto falta daquela época... – lágrimas desceram de seus olhos e ela avançou num abraço forte. – Sinto falta de todos, é tão triste estar no castelo do mestre Hakurei.

Perdi meu controle, e as lágrimas desceram. Anos de contenção, de muita dor e muita saudade transbordaram com a voz dela e seu abraço quente e acolhedor.

—_ Yuzuhira... – sussurrei retribuindo seu abraço.

Quando desfiz o abraço, olhei suavemente para o rosto dela, segurei-o entre as mãos, e com meus sentimentos em turbilhão me confundindo, a beijei como sempre, sempre desejei. Não um beijo terno, suave, não. Um beijo carregado com os anos de sentimentos e amor acumulados e sufocados em mim.

Só percebi o que fazia quando senti meu fôlego diminuir e me incomodar. Me afastei ainda com os olhos fechados e ao abri-los vi a face de Yuzuhira completamente corada.

Senti meu coração descompassar, e fiquei paralisado. O que tinha feito?

Os olhos arregalados de Yuzuhira me deixaram ainda mais culpados. Perdido assim em meus devaneios que vi ela tomar meus lábios como havia feito anteriormente. Agora quem estava espantado era eu.

Apertei-a contra meu corpo. Pensei que estivesse sonhando. Não poderia ser, era muita alegria, muito amor junto. Ao se afastar, Yuzuhira encostou a cabeça em meu peito e sussurrou.

—_ Meu desejo foi realizado...

Sorri para mim e tentei esquecer um pouco quem era e o que representava. Abracei-a e prometi a mim que encontraríamos um jeito de sermos felizes mesmo contra todas as possibilidades.

***

Yuzuhira foi acomodada num quarto, e saiu de meu escritório com a promessa de que conversaríamos sério mais tarde. Eu sabia desde muito jovem que o Grande Mestre não poderia colocar seu dever abaixo de nada. Era sua única missão proteger a deusa Athena e o santuário. Mas haveria qualquer proibição quanto ao casamento?

Comecei a vasculhar os escritos do antigo Grande Mestre, Sage. Passei o dia todo lendo e tentando descobrir algo sobre essa questão, mas nada era citado.

Ao final do dia, decidi tomar um banho e descansar um pouco. Minha mente parecia esgotada. Nem percebi que havia dormido tanto, mas senti uma mão me tocando o rosto. Abri lentamente os olhos e percebi em meio a penumbra em que o quarto estava que, Yuzuhira estava ao meu lado, afagando meu rosto.

—_ O jantar já está servido. Mandaram chamar o senhor. – ela sorriu.

Eu segurei sua mão e a puxei, trazendo para cima do meu corpo.

—_ Shion. Apenas Shion. – dei um beijo nos lábios dela. – Quando estivermos só é assim que deve me chamar. – Rolei meu corpo, deixando-a por baixo de mim. – O que devo fazer com essa inocente ovelhinha que invadiu a toca deste lobo? – Sorri maliciosamente e avancei sobre os lábios dela, desviando às vezes para o pescoço e colo.

Ouvimos uma batida no quarto. E logo depois uma voz foi ouvida.

—_ Grande mestre, o senhor precisa de ajuda? – Yuzuhira estava contendo seu riso.

—_ Não, obrigado. Estarei descendo para o jantar em alguns instantes.

—_ Estaremos o aguardando, Grande Mestre.

Levantei-me e fui me trocar enquanto Yuzuhira olhava pela janela do quarto. Acendi uma lâmpada a óleo e caminhei até ela, abraçando-a pelas costas.

—_ Vamos jantar antes que venham me buscar de novo. – Coloquei a máscara apenas.

Caminhamos lado a lado sem conversar. Na sala, havia pratos para nós dois apenas, e a mesa estava servida. Algumas servas esperavam para nos auxiliar caso precisássemos.

Sentei em meu lugar de costume e Yuzuhira sentou-se do meu lado direito. Chamei uma das servas e lhe disse que estavam dispensadas durante o jantar.

Queria conversar com Yuzuhira.

—_ Verifiquei um local em que poderá me ajudar muito. – Olhei para ela que estava se servindo. – Mesmo com seu cosmo selado, acredito que conseguirá recrutar entre as crianças do orfanato do santuário, aqueles quem poderão se tornar cavaleiros.

Ela ponderou um pouco. Depois sorriu com algo.

—_ Isso é perfeito. Amo crianças, e se vou ter ajudar, ficarei ainda mais feliz. – o sorriso dela me encorajava a persistir. Foi assim antes, e ainda se mantinham assim nesse momento. – Amanhã irei para o orfanato cedo.

Tirei minha máscara e segurei sua mão.

—_ Receio que não deva fazer planos para amanhã. – Ela corou. – Teremos uma longa conversa essa noite. – Senti sua mão tremer.

Notas finais
Espero todos nos comentários. Bjus e rosas vermelhas. SA